EDUARDO GABRIEL SAAD 0 Direito do Trabalho   CLT comentada
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EDUARDO GABRIEL SAAD 0 Direito do Trabalho CLT comentada


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Federal, têm os empregados 
direito a uma fatia dos lucros da empresa. Daí a ilação 
de que, no caso de malogro da negociação coletiva com 
esse objetivo e da recusa de mediação e arbitragem, é 
dado aos interessados se reunirem em reclamação 
plúrima a fim de postular, numa Vara de Trabalho, a sobredita 
vantagem. É fora de dúvida que fere a Constituição Fede- 
ral norma legal que feche as portas da Justiça a quem tiver 
seu direito desatendido ou violado. No caso vertente, o Juiz 
do Trabalho, à falta de critérios para bem determinar o per- 
centual dos lucros da empresa a ser entregue aos empre- 
gados, deve utilizar, no julgamento do feito, as ofertas fi- 
nais discutidas na malograda negociação coletiva. Dessarte, 
deve a negociação coletiva preceder, obrigatoriamente, o 
ajuizamento da Reclamação. 
 36 INTRODUÇÃO \u2014 Art. 3º CLT 
9) Em nosso direito positivo do trabalho não se 
faz distinção entre operário, empregado e altos empre- 
gados. Empregado designa todo aquele que realiza tra- 
balho subordinado em troca de salário, quer seja esse 
trabalho braçal ou intelectual. 
 
10) V. Lei n. 2.757, de 23 de abril de 1956, que 
manda aplicar as disposições da Consolidação aos em- 
pregados porteiros, zeladores, faxineiros e serventes de 
prédios de apartamentos residenciais, desde que a servi- 
ço da administração do edifício e não de cada condômino 
em particular. Representa a administração do edifício, na 
Justiça do Trabalho, o síndico eleito pelos condôminos, 
repartindo-se proporcionalmente entre estes últimos as 
obrigações previstas na legislação trabalhista. 
 
 
11) DO TRABALHO AVULSO 
 
O inciso XXXIV do art. 7º da CF tem a seguinte re- 
dação: \u2015igualdade de direitos entre o trabalhador com vín- 
culo empregatício permanente e o trabalhador avulso\u2016. 
Essa situação de isonomia era desconhecida na 
Constituição anterior. 
A CLT divide os trabalhadores em duas grandes 
classes: aqueles que são admitidos para prestar servi- 
ços de caráter permanente, de forma subordinada e em 
troca de salário e outros que trabalham para a empre- 
sa de modo eventual. Na CLT não se menciona o traba- 
lhador avulso. 
No campo doutrinário, há opiniões discrepantes 
sobre o conceito do trabalho avulso. Para nós, é aquele 
que, por sua natureza ou condições de execução, não 
tem longa duração e tanto faz, para sua caracteriza- 
ção, seja ele cumprido com ou sem subordinação, mas, 
em qualquer caso, sempre em troca de salário. 
Não nos filiamos à corrente que imagina estar o 
trabalho avulso restrito à orla por tuária. 
A legislação extravagante, de índole trabalhista, 
deixa patente que o trabalho avulso é encontrado, tam- 
bém, fora da faixa do cais. Só para exemplificar, temos 
a Lei n. 5.085, de 27 de agosto de 1966, que reconhe- 
ceu o direito às férias remuneradas ao trabalhador avul- 
so mas sem limitá-lo aos que exercem atividades no 
cais do porto. Menciona algumas classes de avulsos e 
seu decreto regulamentador \u2014 de n. 80.791, de 1º de 
setembro de 1977 \u2014 abriga relação mais extensa de 
classes de avulsos que a da própria Lei. 
O sindicato de avulso pode ser par te em dissídio 
coletivo, ex vi do art. 114 da CF e do art. 643 da CLT. 
 
 
12) REPRESENTANTE DOS EMPREGADOS NA 
EMPRESA 
 
Reza o art. 11 da CF: \u2015Nas empresas de mais de 
duzentos empregados, é assegurada a eleição de um re- 
presentante desses com a finalidade exclusiva de promo- 
ver-lhes o entendimento direto com os empregadores\u2016. 
Não é este o lugar apropriado para nos entregar- 
mos à análise da causalidade do antagonismo ou dos 
interesses diferenciados de trabalhadores e patrões no 
seio de um tipo de sociedade criado pela Revolução 
Industrial. 
O fato inconteste, porém, é que, na empresa, nem 
sempre estão abertas as vias de comunicação entre 
chefes e subordinados. Tal circunstância gera incom- 
preensões que tornam carregado o clima psicológico 
no ambiente de trabalho com repercussões negativas 
não só nas relações humanas como também na produ- 
tividade do trabalho. 
Assim sumariadas essas razões sobre a relevância 
do diálogo entre chefes e subordinados, explicamos por 
que motivo recebemos com grande satisfação a inserção, 
no texto constitucional, da norma há pouco transcrita. 
Os trabalhadores elegem porta-voz junto ao em- 
pregador que tem de desviar sua atenção de questões 
que julga serem mais prementes (desconto de duplica- 
tas, folha de salários, fornecimentos à clientela etc.) 
para conhecer fatos e situações susceptíveis de per- 
turbar toda a vida da empresa. Deste modo, muitas di- 
vergências são evitadas para o bem de todos. 
Não é o art. 11, em estudo, norma de eficácia 
plena, auto-aplicável. 
É imprescindível lei ordinária que o regule escla- 
recendo como e onde se fará a escolha do represen- 
tante dos empregados, quais as suas atribuições e ga- 
rantias para o desempenho de suas funções. 
Enquanto não se elabora esse diploma legal, não 
vemos qualquer impedimento legal à solução do pro- 
blema por meio de um acordo ou convenção coletiva 
de trabalho. 
Como fecho a este comentário queremos salientar 
que o representante dos trabalhadores na empresa con- 
tará com a proteção da estabilidade provisória, ex vi do 
preceituado no art. 11 da Constituição combinado com o 
art. 543 desta Consolidação. Na espécie, existe o pressu- 
posto de tal modalidade de garantia do emprego: eleição 
do empregado, prevista em Lei, para cargo de represen- 
tação profissional (v. Precedente Normativo n. 86 do TST). 
As atribuições do representante do pessoal não devem 
ir além da defesa dos direitos individuais dos 
trabalhadores, deixando para o sindicato as questões 
de direito coletivo do trabalho. 
V. Precedente Normativo n. 86, do TST, que as- 
segura estabilidade ao representante dos empregados. 
13) A Lei n. 9.608, de 18.2.98, dispõe sobre o 
serviço voluntário, definido, em seu art. 1º, como \u2015a ati- 
vidade não remunerada, prestada por pessoa física à 
entidade pública de qualquer natureza ou à instituição 
privada de fins não lucrativos, que tenham objetivos cí- 
vicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou 
de assistência social, inclusive mutualidade\u2016. Tal servi- 
ço não gera vínculo empregatício, mas é imprescindível 
que o interessado declare, por escrito, que deseja tra- 
balhar como voluntário e, a fim de prevenir situações 
desagradáveis, deve ele, ainda, indicar o horário em que 
deseja trabalhar. Não se equipara a salário o ressarci- 
mento de despesas feitas pelo voluntário no desempe- 
nho de suas funções (art. 3º da Lei). 
14) A Lei n.7.644,de 18.12.87, regula a atividade 
da \u2015mãe social\u2016, assim considerada aquela que se dedi- 
ca à assistência ao menor abandonado. É ela empre- 
gada das instituições sem finalidade lucrativa. 
 
15) V. Por taria n. 2.115, de 29.12.99 (in DOU 
30.12.99, p.38) do MTE adotando novo formulário para 
o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados 
\u2014 CAGED. Desdobra-se esse documento em duas vias: 
uma, em formato de aerograma, será enviada àquele 
Ministério; a outra, a 2ª., carimbada pelo Empresa Bra- 
sileira de Correios e Telégrafos, deverá ser mantida no 
estabelecimento pelo prazo de 36 meses. Revogou-se 
a Portaria n.194, de 24.2.95. 
16) A Lei n.7.853/89, regulamentada pelo Decreto 
n. 3.298/99, traçou a política nacional dos direitos das 
pessoas por tadoras de deficiências. Complementam 
esse diploma legal: arts. 3º, 5º, 7º, XXXI, 37, VII, 203, IV 
e V, 208, 227 e 244 da CF; Lei n. 8.069/90; Lei n. 8.213/ 
91, ar t. 93; Lei n. 9.687/99 ; Convenções ns. 111 e 159 
da OIT, ratificadas pelo Brasil. Consoante o art.93 da 
 CLT INTRODUÇÃO \u2014 Art. 3º 37 
Lei n. 8.213/91 e art. 141 do Decreto n. 3.048/99, em- 
presa com 100 ou mais empregados está obrigada a 
preencher de 2% a 5% dos seus cargos com beneficiá- 
rios reabilitados ou