EDUARDO GABRIEL SAAD 0 Direito do Trabalho   CLT comentada
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EDUARDO GABRIEL SAAD 0 Direito do Trabalho CLT comentada


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ao empregado, podendo 
quando muito, constituir salário-utilidade, mas não tempo à dis- 
posição. TST, 1ª T., RR 1.858/89.5, in DJ de 15.6.90, p. 5.600. 
 
9) Falta grave e alistamento militar. Caracteriza-se des- 
pedida obstativa da estabilidade, o fato de o empregador dis- 
pensar o empregado, no dia seguinte ao do alistamento militar, 
e alegar falta grave provada e meramente protelatória da conti- 
nuidade do vínculo. TRT 2ª Reg., 2ª T., Processo n. 02900192620, 
in DOESP, de 10.12.92. 
 
10) As horas in itinere, fruto que são de construção ju- 
risprudencial, não se incluem dentre os direitos irrenunciáveis 
do trabalhador, assegurados por lei. Assim, não há óbice legal a 
que, por via autônoma, legitimamente estabelecida, ajustem as 
partes que o tempo despendido pelo empregado no trajeto até o 
local de trabalho, em condução fornecida pela empresa, não será 
considerado na jornada de trabalho.TRT 24ªReg.,pleno, RO 
1253/99 in Bol.AASP de 2 a 8.10.2000, p.312. 
 
11) Reveste-se de validade a norma coletiva que nego- 
cia o não-pagamento de horas in itinere quando o tempo despen- 
dido pelo empregado em condução fornecida pelo empregador 
não ultrapasse a noventa minutos. A vantagem decorre de uma 
construção jurisprudencial nascida da interpretação do art.4º da 
CLT, não estando assegurado em preceito de lei. Assim, não há 
que se falar em conflito da norma convencional com a lei, 
inexistindo, pois, qualquer óbice para a negociação coletiva. TST, 
2ª T., RR 357.666/1997.1 in DJU de 5.5.2000, p. 410. 
 
12) Sem a participação plena da Escola e da Empresa 
não se configura o estágio que segundo o ar t. 3º, § 1º da Lei n. 
6.494/77 deverá obrigatoriamente reger-se pelo disposto no § 
2º do ar t. 1º da referida lei. O planejamento, execução, supervi- 
são e avaliação do estágio é ato conjunto das partes contratan- 
tes. Se a Escola se omite e a Empresa apenas contrata empre- 
gados, não há estágio. Para essa finalidade, a lei prevê o con- 
trato de experiência. Portanto, o contrato de estágio em que 
busca respaldo o banco reclamado é nulo de \u2015pleno iure\u2016. TST, 
2ª T., RR 86312/93.8, in DJU 20.4.95, p. 10.204. 
 
13) Diretor eleito. Cômputo do período como tempo de 
serviço. O empregado eleito para ocupar cargo de diretor tem o 
respectivo contrato de trabalho suspenso, não se computando o 
tempo de serviço deste período, salvo se permanecer a subor- 
dinação jurídica inerente à relação de emprego. TST, SDI, E-RR 
13.778/90.1, in DJU de 17.9.93, p. 19.038. 
 
14) Horas extras in itinere. Limitação por norma coletiva. 
Validade. A atual Constituição Federal objetiva, nitidamente, atri- 
buir maior força aos instrumentos coletivos. Se o sindicato pro- 
fissional celebra acordo com a empresa pré-fixando o período 
in itinere, tal pactuação deve ser respeitada, sendo inviável ad- 
mitir-se que o trabalhador venha a juízo deduzir qualquer outra 
postulação quanto ao mesmo objeto, porquanto é de se pressu- 
por que, sendo resultado de uma transigência comum, o acordo 
significa importante avanço, pois, gera valor definitivo para re- 
munerar o percurso, não havendo que se falar em prejuízo para 
os representados. Deve, assim, prevalecer a tese no sentido de 
reconhecer a validade das cláusulas constantes de normas co- 
letivas que prefixam o período in itinere. TST, 2ª Turma, RR 
345.429/1997.3, in DJU de 11.2.2000, p. 138. 
 
Art. 5º A todo trabalho de igual valor corres- 
ponderá salário igual, sem distinção de sexo. 
NOTA 
 
1) O ar tigo sob estudo procura assegurar salário 
igual a todos aqueles que realizem trabalho de igual 
valor. Trabalho de igual valor é aquele que apresenta a 
mesma produtividade e perfeição técnica do emprega- 
do paradigma. Sem estes pressupostos, não há que se 
falar em equiparação salarial. Nos arts. 358 e 461 é a 
matéria estudada com maior profundidade. 
 
2) A Constituição Federal vigente, no inciso XXX 
do art. 7º proíbe \u2015diferença de salários, de exercício de 
funções e de critério de admissão por motivo de sexo, 
idade, cor ou estado civil\u2016. Esta norma torna impossí- 
vel, em nosso ordenamento jurídico, a inserção de lei 
que autorize o estabelecimento de salário menor para 
a mulher, embora cumpra tarefa igual à de um homem, 
sob o duplo prisma da perfeição e da produtividade. A 
cor não pode ser um fator capaz de determinar a ad- 
missão de um empregado a serviço da empresa. É o 
repúdio da discriminação racial nas relações de traba- 
lho. O estado civil de uma pessoa (casada, solteira ou 
viúva) \u2014 no pensar do legislador constituinte \u2014 não jus- 
tifica diferença de salário ou critério de admissões. A 
norma constitucional reflete um anseio de justiça da co- 
munidade no que tange às oportunidades que todos de- 
vem ter, independentemente do estado civil, cor e sexo, 
para obter emprego. A verdade é que, na prática, as 
empresas dão preferência a empregados jovens e relu- 
tam em admitir aqueles que já ultrapassaram os 40 anos. 
Em determinadas atividades, sobretudo aquelas que 
exigem grande vigor muscular, é compreensível a atitu- 
de dos empresários em relação ao assunto. Em muitos 
casos, porém, o jovem é preferido a um homem de ida- 
de madura sem qualquer motivo aceitável à luz da lógi- 
ca, pois ninguém ignora que há situações em que o ho- 
mem, com mais de 40 anos, tem melhores condições 
para realizar o serviço. Em se tratando de operações que 
exigem do executor atenção, serenidade e experiência, 
é claro que o empregado com mais de 40 anos terá 
desempenho igual ou melhor que o de um jovem. 
 
3) O sexo influencia a seleção dos empregados. 
As empresas temem as conseqüências do afastamen- 
to do serviço da mulher grávida. É certo que o salário- 
maternidade corre por conta da Previdência Social, mas 
a maternidade \u2014 para a empresa \u2014 tem outros efeitos, 
com a substituição da gestante por alguém que levará 
certo tempo para adaptar-se às funções, e o período 
pós-parto marcado por dificuldades com a amamenta- 
ção e a manutenção da creche. De nada adianta a edição 
de leis de amparo da gestante que trabalha, se a empre- 
sa continuar com a liberdade de selecionar trabalhado- 
res do sexo masculino. Suprimir, porém, essa liberdade, 
dará origem a mal muitas vezes maior. 
 
3.1) Fazendo a aplicação do ar t. 7º, XXX, da 
Constituição Federal c/c seu ar tigo 38, § 3º, o Supremo 
Tribunal Federal assentou a Súmula n. 683 no sentido 
de que o limite de idade para a inscrição em concurso 
público só se legitima em face desse artigo, quando 
possa ser justificado pela natureza das atribuições do 
cargo a ser preenchido. 
 
4) O Tratado de Versalhes, de 1919, no seu arti- 
go 427, n. 7, consagrou o princípio do salário igual para 
trabalho igual, com a preocupação de proteger o traba- 
lhador migrante. 
 
 
JURISPRUDÊNCIA 
 
1) Súmula n. 683, do STF \u2014 O limite de idade para a 
inscrição em concurso público só se legitima em face do ar t. 7º, 
 42 INTRODUÇÃO \u2014 Art. 6º CLT 
XXX, da Constituição, quando possa ser justificado pela nature- 
za das atribuições do cargo a ser preenchido. Legislação: CF, 
art. 5º, caput, ar t. 7º, XXX, e art. 39, § 3º. 
 
1.1) Inadmissível que a autora perceba remuneração in- 
ferior a dos seus subordinados na equipe que chefia, sendo in- 
controverso que todos possuem igual qualificação profissional. 
TRT 1ª Reg. , 1ª T., RO 13.852/89, in DO de 23.11.92. 
 
2) Equiparação salarial. Promoção irregular de empregado 
não gera direito à idêntica vantagem para os demais na mesma 
situação. STF, RE 100.102-0-RJ, 1ª T., DJU de 15.2.85, p. 1.272. 
 
3) Enunciado n. 120, do TST: Presentes os pressupostos 
do art. 461, da CLT, é irrelevante a circunstância de que o desní- 
vel salarial tenha origem em decisão judicial que beneficiou o 
paradigma, exceto se decorrente de vantagem