EDUARDO GABRIEL SAAD 0 Direito do Trabalho   CLT comentada
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EDUARDO GABRIEL SAAD 0 Direito do Trabalho CLT comentada


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estava a reclamante que, lavando os guardanapos que eram 
utilizados na sede social, integrava-se a essa atividade, com a 
sua força de trabalho. Ainda que prestado a domicílio, nem por 
isso devemos considerar o trabalho da reclamante como autô- 
nomo. A subordinação existe, ainda que em escala menor, dado 
que não há o comando direto do empregador, mas há o coman- 
do indireto, eis que o serviço é prestado com remuneração por 
peça, pouco impor tando ao empregador a jornada de trabalho 
do empregado. TRT 8ª Reg., RO 2921/92, j. em 19.1.93. 
 
2) Trabalho a domicílio. Horas extras. Em se tratando de 
domicílio, por sua própria natureza, é bastante difícil avaliar o 
verdadeiro horário de trabalho do obreiro, para efeito de per- 
cepção de horas extras. TRT 8ª Reg., RO 2462/90, in Rev. LTr, 
maio de 92, p. 575. 
 
3) Lavadeira contratada e paga pelo Município é empre- 
gada a domicílio. TRT, 8ª Reg., RO 1867/90, j. 4.3.91. 
 
4) A costureira que presta serviços por mais de três anos, 
utilizando máquina industrial fornecida pela empresa, tem vín- 
culo empregatício reconhecido, caracterizado pela pessoalida- 
de, continuidade, onerosidade e dependência econômica. TRT, 
12ª Reg., 2ª T., RO 3.966/92, in DJ/SC de 10.2.94. 
 
 
Art. 7º Os preceitos constantes da presente 
Consolidação, salvo quando for, em cada 
caso, expressamente determinado em contrário, não se 
aplicam: 
a) aos empregados domésticos, assim conside- 
rados, de um modo geral, os que prestam serviços de 
natureza não econômica à pessoa ou à família, no 
âmbito residencial destas; 
b) aos trabalhadores rurais, assim considerados 
aqueles que, exercendo funções diretamente ligadas à 
agricultura e à pecuária, não sejam empregados em 
atividades que, pelos métodos de execução dos res- 
pectivos trabalhos ou pela finalidade de suas opera- 
ções, se classifiquem como industriais ou comerciais; 
c) aos funcionários públicos da União, dos Esta- 
dos e dos Municípios e aos respectivos extranumerários 
em serviço nas próprias repartições; 
d) aos servidores de autarquias paraestatais, 
desde que sujeitos a regime próprio de proteção ao tra- 
balho que lhes assegure situação análoga à dos funcio- 
nários públicos. 
NOTA 
 
1) O ar tigo acima transcrito dá origem a discus- 
sões e controvérsias que se prolongam anos afora sem 
que se chegue a um consenso. 
Uns afirmam que a coletividade só tem a lucrar 
com a restrição do alcance das normas legais trabalhis- 
tas apenas em favor daqueles que, realmente realizam 
trabalho subordinado e assalariado nas empresas pri- 
vadas; outros, sustentam posição oposta, isto é, as dis- 
posições consolidadas precisam abranger número cada 
vez maior de tutelados, como aqueles que vivem de tra- 
balho subordinado mas eventual (os avulsos); os autô- 
nomos ou independentes; os servidores públicos, etc. 
Em verdade, o expansionismo do Direito do Tra- 
balho tem sido uma constante no último século e, por 
isso, é de prever que ele, ao influxo dessa tendência, vá 
atraindo para sua órbita novos grupos profissionais. Se 
isto é um bem ou um mal, não é convinhável discutir, 
pois, o que se espera, em nome de um ideal de Justiça, 
é que todos os cidadãos se sintam adequadamente pro- 
tegidos pela lei, no seio da comunidade em que vivem. 
De 1943 (data da vigência desta CLT) até agora, 
o processo evolutivo do direito do trabalho vem provan- 
do a inteira procedência do que dissemos inicialmente. 
A pouco e pouco, suas normas foram adquirindo 
maior alcance, abrangendo número cada vez maior de 
pessoas que vivem do trabalho remunerado, tanto na 
esfera pública como na privada, tanto no setor urbano 
como no rural. 
Os rurícolas, desde a década de 60, foram con- 
templados com leis específicas e, por derradeiro, a 
Constituição Federal promulgada de 5 de outubro de 
1988 veio estabelecer que eles têm os mesmos direi- 
tos do trabalhador urbano: \u2015Art. 7º São direitos dos tra- 
balhadores urbanos e rurais, além de outros que visem 
a melhoria de sua condição social: I \u2014 ...\u2016. 
É cer to que vários incisos daquele dispositivo 
constitucional dependem de regulamentação por lei 
ordinária, mas a verdade é que, no plano constitucio- 
nal, os assalariados das cidades e dos campos se en- 
contram em pé de igualdade. 
Os trabalhadores domésticos, por meio de lei ex- 
travagante (Lei n. 5.859, de 11 de dezembro de 1972) 
adquiriram algumas regalias e vantagens de natureza 
trabalhista as quais se ampliaram por mercê do precei- 
tuado no parágrafo único do art. 7º da Constituição Fe- 
deral: salário mínimo, irredutibilidade do salário, 13º 
salário, repouso semanal remunerado, férias anuais 
remuneradas com um terço a mais do que o salário 
normal; licença à gestante de 120 dias, sem prejuízo 
do emprego e do salário; licença-pater nidade, aviso 
prévio de 30 dias, no mínimo e aposentadoria. 
A nosso ver, é inconstitucional o dispositivo da 
Lei Complementar n.103, de 14.7.00, que estende o 
piso salarial ao empregado doméstico. O parágrafo úni- 
co do art. 7º da CF não prevê semelhante extensão. 
A Emenda Constitucional n. 19/98 alterou a re- 
dação do art. 39 da Constituição Federal e, com isso, 
permitiu a reinstauração do regime da CLT na Adminis- 
tração Federal direta, autárquica e fundacional. A con- 
dição de funcionário público fica mantida para aqueles 
que a detinham quando da publicação da Lei n. 9.962, 
de 22.2.00, que veio regular a relação do celetista com 
o serviço público. O \u2015celetista\u2016 desfruta da estabilidade 
provisória, porque sua dispensa só é legítima nos ca- 
sos de falta grave, de acumulação ilegal de cargos, de 
excesso de despesa e de desempenho insuficiente. Ino- 
bstante, o servidor \u2015celetista\u2016 terá de passar por con- 
curso de provas ou de títulos e provas. 
 44 INTRODUÇÃO \u2014 Art. 7º CLT 
O § 2º do ar t. 39, ainda da Constituição Federal, 
relaciona os direitos de natureza trabalhista que são 
aplicáveis ao servidor público. 
É certo, porém, que o Supremo Tribunal Federal 
decidiu que o ar t. 114 da CF só atinge os servidores 
públicos submetidos ao regime celetário. 
Ousamos dissentir desse decisório. Se o pensa- 
mento do constituinte fosse o de incluir apenas o 
celetista na esfera de competência da Justiça do Tra- 
balho, ele teria, com certeza, agregado essa disposi- 
ção ao Ato das Disposições Constitucionais Transitóri- 
as, pois \u2014 à luz do art. 37, inciso II \u2014 o celetista está 
fadado a desaparecer da Administração Pública. 
Está em vigor a Lei n. 8.112, de 11.12.90, dispon- 
do sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis 
da União, das autarquias e das fundações públicas. 
Alterando as fronteiras do campo de incidência 
das normas do direito do trabalho, a Constituição esta- 
beleceu a igualdade de direitos entre o trabalhador com 
vínculo empregatício permanente e o trabalhador avul- 
so (v. inciso XXXIV do art. 7º). 
 
2) Seria desejável que, periodicamente, fossem 
consolidadas todas as leis extravagantes de natureza tra- 
balhista, a fim de facilitar o trabalho dos intérpretes e dos 
aplicadores da lei, o qual se torna sobremaneira penoso 
quando se defronta com questões relacionadas com a 
prescrição e princípios gerais do Direito. Aliás, o Dec.-lei n. 
229, de 26 de fevereiro de 1967, autoriza o Executivo a 
levar a cabo essa consolidação periodicamente. 
 
3) Por enquanto, inexiste lei ordinária tendo por 
objeto o servidor que continua submetido a esta CLT 
por não contar cinco anos de trabalho ininterrupto na 
data da promulgação da Constituição. Temos como certo 
que tais servidores não perderam seus direitos adquiri- 
dos à sombra da CLT. 
É cer to que os empregados das empresas públi- 
cas e das sociedades de economia mista continuam 
com suas relações de trabalho regidas por esta Con- 
solidação (§ 1º do art. 173 da CF). Por oportuno,