EDUARDO GABRIEL SAAD 0 Direito do Trabalho   CLT comentada
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EDUARDO GABRIEL SAAD 0 Direito do Trabalho CLT comentada


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mulados na petição inicial. TST RR 807.534/20001, in Revista 
LTr 67-08/696, Rel. Min. João Batista Brito Pereira. 
 
 
Art. 8º As autoridades administrativas e a Jus- 
tiça do Trabalho, na falta de disposições 
legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso, pela 
jurisprudência, por analogia, por eqüidade e outros prin- 
cípios e normas gerais de direito, principalmente do 
direito do trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e 
costumes, o direito comparado, mas sempre de manei- 
ra que nenhum interesse de classe ou particular preva- 
leça sobre o interesse público. 
Parágrafo único. O direito comum será fonte sub- 
sidiária do direito do trabalho, naquilo em que não for 
incompatível com os princípios fundamentais deste. 
 
 
NOTA 
 
1) V. ar t. 5º, da Lei de Introdução ao Código Civil: 
\u2015Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a 
que ela se dirige e às exigências do bem comum\u2016. 
Em nenhuma hipótese, o interesse par ticular ou 
de classe deve prevalecer sobre o interesse da coleti- 
vidade. Na aplicação da lei trabalhista, máxime das 
normas atinentes a direito coletivo do trabalho, há que 
se respeitar aquele princípio. 
 
1.1) Exame de algumas situações de aplicação 
subsidiária do Código Civil de 2003: 
A lei, que resulte de processo elaborativo o mais 
aperfeiçoado possível, sempre será lacunosa quando 
invocada para solucionar casos concretos. 
A Consolidação das Leis do Trabalho \u2014 CLT \u2014 
como não podia deixar de ser \u2014 acusa lacunas e seu 
intérprete tem de recorrer à hermenêutica e à integração. 
O ar t.8º do sobredito diploma legal traça as dire- 
trizes de ação das autoridades administrativas e judi- 
ciárias quando às voltas com lacunas da lei trabalhis- 
ta e indica os recursos admitidos para dar remédio a 
tal situação: jurisprudência, analogia, eqüidade, prin- 
cípios gerais de direito, usos e costumes, direito com- 
parado e, finalmente, o Direito Comum como fonte sub- 
sidiária do Direito do Trabalho. 
O direito comum compreende o direito civil e o 
direito comercial. 
Tal subsidiariedade tem, como pressuposto ne- 
cessário, a compatibilidade de suas normas com as ca- 
racterísticas do direito do trabalho. 
Decidimos, nesta nota, enfocar alguns dispositi- 
vos do novo Código Civil que, a nosso sentir, têm apli- 
cação subsidiária às relações de trabalho. 
Não é nosso intento fazer a análise meticulosa 
da matéria; iremos manifestar-nos sobre ela de modo 
sucinto, oferecendo ao leitor apenas os elementos es- 
senciais para, de pronto, tomar ciência dos reflexos do 
novo Estatuto Privado no direito do trabalho. 
1.1.1) Da capacidade jurídica 
No âmbito do direito civil, diz-se que a persona- 
lidade é a aptidão do homem (expressão refere-se a 
qualquer ser humano, independentemente do sexo) para 
ser sujeito de direitos e para contrair obrigações. 
A medida da personalidade é dada pela capaci- 
dade nos termos do Código Civil/03: 
\u2015São absolutamente incapazes de exercer pes- 
soalmente os atos da vida civil: 
\u2015I \u2014 os menores de dezesseis anos;\u2016 
O antigo Código Civil \u2014 CC/1916 \u2014 estabelecia 
o mesmo no art. 5 
A Consolidação das Leis do Trabalho \u2014 CLT \u2014 
no art. 439, torna relativa essa incapacidade ao dispor 
que é lícito ao menor firmar recibo pelo pagamento dos 
 48 INTRODUÇÃO \u2014 Art. 8º CLT 
salários, sendo-lhe, porém, vedado, na rescisão do 
contrato de trabalho, dar quitação ao empregador \u2014 
sem a assistência do seu representante legal \u2014 pelo 
recebimento das verbas indenizatórias. 
É a CLT lei especial e, \u2015in casu\u2016, a lei subsidiá- 
ria, que no caso é o CC/03, não se reflete negativa- 
mente no precitado art.439 consolidado. 
 
1.1.2) Cessação da incapacidade do menor 
Consoante o parágrafo único do art.5º do CC/03, é 
atingida a maioridade civil aos dezoito anos \u2015pelo estabe- 
lecimento civil ou comercial, ou pela existência de rela- 
ção de emprego, desde que em função deles, o menor 
com dezesseis anos completos tenha economia própria;\u2016 
O CC/1916 não previa a hipótese, agora acolhi- 
da pelo CC/03, de o menor adquirir plena capacidade 
jurídica depois de contratado, sob o regime da CLT, para 
trabalhar em empresa privada. 
Desde logo, salientamos que a CLT, na celebra- 
ção de contrato de trabalho com menor, não exige a 
assistência de seu representante legal. 
Provado que o menor se mantém exclusivamen- 
te com o salário que recebe, tem-se de reconhecer sua 
maioridade civil. 
Esta circunstância o autoriza a ser eleito, até, 
membro da administração de uma entidade sindical. 
No tocante às normas preventivas da insalubri- 
dade, entendemos que elas preservam sua eficácia, 
mesmo no caso do menor de 18 anos que se tornou 
capaz a praticar todos os atos da vida civil. 
A despeito dessa maioridade, que chamamos de 
fictícia sob o prisma do desenvolvimento psico-fisioló- 
gico do menor, ele continua vulnerável à ação deletéria 
dos agentes produtores de insalubridade. 
 
1.1.3) Da pessoa jurídica: Sindicato 
O novo Código Civil acolheu a tradicional divi- 
são das pessoas jurídicas em de direito público interno 
e de direito privado. As primeiras se subdividem em 
pessoas de direito público interno e externo. 
Na dicção de Maria Helena Diniz (in \u2015Código Civil 
Anotado\u2016, Ed. Saraiva, 1995, p. 22) \u2015a pessoa jurídica é 
a unidade de pessoas naturais ou de patrimônios que 
visa à obtenção de certas finalidades, reconhecidas pela 
ordem jurídica como sujeito de direito e obrigações.\u2016 
Várias são as teorias da personalidade jurídica. 
A mais conhecida é a da teoria da ficção legal, de 
Planiol-Riper t et Savatier (\u2015Les Personnes\u2016, p. 73). 
Para Hauriou, a pessoa jurídica é uma institui- 
ção jurídica. Nossa preferência é pela primeira teoria. 
Se, para Hauriou, a instituição tem por finalidade aten- 
der a uma necessidade ou exigência do todo social, 
convenhamos que a pessoa jurídica não se encaixa 
nesse perfil. 
As pessoas jurídicas, no CC/03, são reguladas 
nos ar tigos 40 \u2015usque\u2016 69. 
Consoante o art. 53 do CC/03 \u2015constituem-se as 
associações pela união de pessoas que se organizam 
para fins não econômicos\u2016, não havendo entre os as- 
sociados direitos e obrigações recíprocos. 
É a associação o gênero; já o sindicato é uma de 
suas espécies. 
Atento ao disposto no art. 8º, I, da Constituição 
Federal (\u2015a lei não poderá exigir autorização do Estado 
para a fundação de sindicato, ressalvado o regime no 
órgão competente, vedadas ao Poder Público a interfe- 
rência e a intervenção na organização sindical\u2016) e aos 
termos da Súmula n. 677, do Supremo Tribunal Federal 
(\u2015Até que lei venha a dispor a respeito, incumbe ao Mi- 
nistério do Trabalho proceder ao registro das entidades 
sindicais e zelar pela observância do princípio da unici- 
dade\u2016), o Ministro do Trabalho editou a Portaria n. 1.277, 
de 31 de dezembro de 2003, publicada no DOU de 
6.01.04, p. 59. Nessa Portaria ficou esclarecido que as 
entidades sindicais estão dispensas de promover as 
adaptações em seus estatutos a que se refere o ar t. 
2.031, do novo Código Civil (\u2015as associações, socieda- 
des e fundações, constituídas na forma das leis anterio- 
res, terão o prazo de 1(um) ano para se adaptarem às 
disposições deste Código, a partir de sua vigência\u2016). 
Passemos em revista os preceitos do novo CC 
que devem ser observados quando a CLT ou os Esta- 
tutos da entidade profissional se mostrarem lacunosos. 
A) Parágrafo único do ar t. 45: 
\u2015Decai em três anos o direito de anular a consti- 
tuição das pessoas jurídicas de direito privado, por de- 
feito do ato respectivo, contado o prazo da publicação 
de sua inscrição no registro.\u2016 
Assim, se a ata da assembléia constitutiva do 
sindicato for assinada por pessoas fictícias, ou os inte- 
ressados, em três anos, decairão do seu direito de anu- 
lar o respectivo registro