EDUARDO GABRIEL SAAD 0 Direito do Trabalho   CLT comentada
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EDUARDO GABRIEL SAAD 0 Direito do Trabalho CLT comentada


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e obrigações trabalhistas 
são regidos pela lei do local de prestação dos serviços (lex loci 
executionis), por força dos arts. 17, da Lei de Introdução ao 
Código Civil e 198 do Código de Bustamante, verdadeiro Códi- 
go de Direito Internacional Privado, vigente no Brasil, porque 
ratificado pelo Decreto n. 18.874, de 13 de agosto de 1929. 4. 
Aplica-se a lex loci executionis, em atenção ao princípio da ter- 
ritorialidade (Código de Bustamante), atraído pela natureza co- 
gente das normas trabalhistas (Süssekind), que são de ordem 
pública internacional (Délio Maranhão). Estes aspectos afastam 
a possibilidade de derrogação pela vontade das partes (Deveali), 
e realçam a necessidade de tratamento idêntico dos emprega- 
dos que ombreiam (Durand, Jaussaud e Gilda Russomano) e o 
fato de as prestações que entre si devem as partes estar liga- 
das, geograficamente, ao lugar da execução do contrato (Manoel 
Alonso Olea). TST, Pleno, E-RR 7.238/84, in DJU 27.3.87, p. 
5.243. 
 
2) Pagamento quanto à disposição da empresa. A remu- 
neração deverá corresponder ao trabalho efetivamente presta- 
do. Quanto à disposição, razoável o entendimento de apenas 
1/3 por aplicação analógica dos preceitos contidos no art. 224, 
§ 2º, da CLT. TRT 2ª Reg., 3ª T., Proc. 02900281959, in DOESP 
de 17.11.92. 
 
3) Enunciado n. 207, do TST: A relação jurídica traba- 
lhista é regida pelas leis vigentes no país da prestação de servi- 
ços e não por aquelas do local da contratação. 
 
4) Conflitos de leis trabalhistas no espaço \u2014 Princípio 
da lex loci executionis. A relação jurídica trabalhista é regida 
pelas leis vigentes no país da prestação de serviço e não aque- 
la do local da contratação. Embargos da empresa conhecidos e 
acolhidos, prejudicados os do autor. TST, Pleno, E-RR 1.792/ 
82, in DJU 19.12.86, p. 25.364. 
 
 
Art. 9º Serão nulos de pleno direito os atos 
praticados com o objetivo de desvirtuar, 
impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos 
na presente Consolidação. 
 
 
NOTA 
 
1) O art. 444, da CLT, estatui, no que concerne 
às relações de trabalho, a livre estipulação das partes 
interessadas, em tudo quanto não contravenha às dis- 
posições de proteção ao trabalho, às convenções cole- 
tivas que lhes sejam aplicáveis e às decisões das au- 
toridades competentes. 
2) O art. 468, da CLT, dispõe sobre a alteração 
das condições do trabalho por mútuo consentimento, 
desde que não resultem, direta ou indiretamente, pre- 
juízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusu- 
la infringente desta garantia. 
3) V. ar t. 795, da CLT: \u2015As nulidades não serão 
declaradas senão mediante provocação das partes, as 
quais deverão argüí-las à primeira vez em que tiverem 
de falar em audiência ou nos autos\u2016. 
3.1) Das Nulidades do Negócio Jurídico con- 
forme o Código Civil de 2003 e a CLT: 
O novo Código Civil \u2014 CC/03 \u2014 preferiu a ex- 
pressão \u2015negócio jurídico\u2016 àquela usada pelo velho 
Código Civil \u2014 CC/16 \u2014 \u2015ato jurídico\u2016. 
E, em lugar de \u2015nulidades dos atos jurídicos\u2016, 
empregou \u2015invalidade do negócio jurídico\u2016. 
Sob o prisma terminológico, parece-nos inques- 
tionável que o CC/03, nos pontos indicados, acompa- 
nhou as tendências mais modernas da doutrina. 
Questão que ainda suscita discussões é a dis- 
tinção entre o fato e o ato jurídicos. 
Serpa Lopes (\u2015Curso de Direito Civil\u2016, 3ª edição, 
Freitas Bastos, 1960, p. 400) depois de repor tar-se às 
opiniões de alguns juristas preleciona com admirável 
clareza: 
\u2015Do estudo feito, pode-se chegar à seguinte con- 
clusão: o fato jurídico é o acontecimento em geral, na- 
tural ou humano, que produz uma alteração no mundo 
jurídico, seja para cr iar ou para extinguir, seja para 
modificar um direito.\u2016 
Neste passo, recordamos a citadíssima defini- 
ção de Savigny: \u2015fato jurídico é o acontecimento em 
virtude do qual começam ou terminam as relações jurí- 
dicas.\u2016 Foi esquecido o fato jurídico que se limita a 
modificar o direito. 
Os autores, de modo geral, bipartem os fatos ju- 
rídicos em naturais e voluntários. 
Naturais são aqueles que não dependem da von- 
tade humana, mas afetam as relações jurídicas, como 
o nascimento, a morte, aluvião da terra etc. 
Voluntários são os fatos que decorrem da vonta- 
de do homem, podendo ser eles negativo ou positivos, 
omissivos ou comissivos. Dividem-se os fatos jurídicos 
em atos jurídicos lícitos e ilícitos. 
No magistério de Vicente Ráo (in \u2015Ato jurídico\u2016, 
Max Limonad, 1961, p. 20) \u2015o conceito de fato jurídico 
três categorias compreende, a saber: os fatos ou even- 
tos exteriores que da vontade do sujeito independem ; 
os fatos voluntários cuja disciplina e cujos efeitos são 
determinados exclusivamente por lei; os fatos voluntá- 
rios (declarações de vontade) dirigidos à consecução 
dos efeitos ou resultados práticos que de conformida- 
de como ordenamento jurídico, deles decorrem.\u2016 
Caio Mário da Silva Pereira (in \u2015Instituições de Di- 
reito Civil\u2016, vol. I, 12ª edição, Forense, 1990, p. 327) dis- 
correndo sobre a distinção entre negócio jurídico e ato 
jurídico, assinala que o ato jurídico \u2015lato sensu\u2016 abrange 
as ações humanas visando ou não aos efeitos queridos. 
O negócio jurídico é o ato humano praticado com 
vistas a fim jurídico desejado pelo agente; o ato jurídi- 
co \u2015stricto sensu\u2016 \u2015ocorre manifestação volitiva também, 
mas os efeitos jurídicos são gerados independentemen- 
te de serem perseguidos pelo agente.\u2016 
Essa doutrina do negócio jurídico não teve ori- 
gem no direito romano. Este, porém, forneceu os ele- 
mentos para que, a par tir do século XVIII, aquela dou- 
trina se estr uturasse (v.Scialoja, Negozi Giuridice, 
\u2015Corso de diritto romano\u2016, 5ª reimpressão, 1950, p. 28). 
É inegável que os pandectistas germânicos con- 
tribuíram grandemente para o fortalecimento da doutri- 
 CLT INTRODUÇÃO \u2014 Art. 9º 53 
na do negócio jurídico, embora a ela ainda se faça cer- 
ta oposição (v. Carnelutti, \u2015Teoria Generale del diritto\u2016, 
3a.edição, 1951, p. 221). 
Façamos, aqui, breve pausa para ressaltar que 
o CC/16 mencionava, apenas, o ato jurídico para de- 
signar o ato resultante de uma declaração de vontade, 
o que incluía o negócio jurídico. 
Coerente com o conceito de negócio jurídico, o 
CC/03, só a ele se repor ta ao cuidar das nulidades, eis 
que não são passíveis de vícios os atos jurídicos em 
que a manifestação da vontade não objetiva determi- 
nados efeitos. 
O contrato de trabalho é uma das espécies do 
gênero negócio jurídico. 
 
 3.1.2) Nulidades. Conceito 
É imprescindível que, para o aperfeiçoamento do 
negócio jurídico, a vontade se exteriorize livre e cons- 
cientemente. 
A ausência desse requisito, isto é, se viciada a 
vontade do agente, configura-se a invalidade do ato. 
Ensina Clovis Beviláqua que \u2015a nulidade é a de- 
claração legal de que a determinados atos se não pren- 
dem os efeitos jurídicos, normalmente produzidos por 
atos semelhantes. É uma reação da ordem jurídica para 
restabelecer o equilíbrio perturbado pela violação da 
Lei.\u2016 (Código Civil dos Estados Unidos do Brasil, Edi- 
ção histórica, 1º vol. p.410). 
A ineficácia de um negócio jurídico deriva da 
existência nele de defeito grave. 
Assim, a nulidade equivale à sanção que acom- 
panha a ofensa a uma norma legal. Acarreta o desfazi- 
mento total ou parcial do negócio jurídico. Há defeitos 
que provocam a nulidade total do negócio jurídico (sua 
insanabilidade) e, outros, que apenas o tornam anulá- 
vel, susceptível portanto de ratificação. 
 
3.1.3) Da invalidade do negócio jurídico 
Vejamos o que diz o CC/03, no art. 166, sobre a 
invalidade do negócio jurídico: 
\u2015Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando: 
I \u2014 celebrado por pessoa absolutamente inca- 
paz; 
II \u2014 for ilícito, impossível ou indeterminável o seu 
objeto;