EDUARDO GABRIEL SAAD 0 Direito do Trabalho   CLT comentada
914 pág.

EDUARDO GABRIEL SAAD 0 Direito do Trabalho CLT comentada


DisciplinaDireito do Trabalho I30.326 materiais490.046 seguidores
Pré-visualização50 páginas
CC/03, \u2015o ato 
de confirmação deve conter a substância do negócio 
celebrado e a vontade expressa de mantê-lo.\u2016 
Com estribo nesse dispositivo, é dado ao proge- 
nitor de um menor de dezoito anos convalidar o contra- 
to de trabalho que este celebrou ocultando sua menori- 
dade. 
3.1.6) Anulabilidade do negócio jurídico 
O CC/03 dedica seus ar ts.171 \u2015usque\u2016 184 aos 
negócios jurídicos anuláveis. 
Além dos casos expressamente mencionados na 
lei, é anulável o negócio jurídico : 
 
a) por incapacidade relativa do agente; 
b) por vício resultante de erro,dolo, coação, es- 
tado de perigo, lesão ou fraude contra credores. 
Assenta o art. 4º, do CC/03, que são relativa- 
mente incapazes os maiores de dezesseis e menores 
de dezoito anos; os ébrios habituais; os viciados em 
Está implícito no ato de confirmação do negócio 
que as par tes, ou apenas uma delas, não tinham co- 
nhecimento da causa de anulabilidade. 
Dispõe o art. 176 que \u2015quando a anulabilidade 
do ato resultar da falta de autorização de terceiro, será 
validado se este a der posteriormente.\u2016 
Nos termos do art. 220 do CC/03, a anuência, ou 
a autorização de outrem, necessária à validade de um 
ato, provar-se-á do mesmo modo que este e constará, 
sempre que se possa, do próprio instrumento. 
Dessarte, a confirmação do contrato de trabalho 
irregularmente concluído com menor de 16 e menos de 
18 anos, deve ser feita em anotação da Carteira de Tra- 
balho e Previdência Social. 
 CLT INTRODUÇÃO \u2014 Art. 9º 55 
A anulabilidade de um negócio jurídico só se 
caracteriza mediante sentença judicial, sendo vedado 
ao juiz proclamá-la \u2015ex officio\u2016, pois \u2014 consoante o art. 
177 do CC/03 \u2014 só os interessados podem alegá-la, e 
só a eles pode aproveitar, a menos que se trate de caso 
de solidariedade ou de indivisibilidade. 
Assim, a anulabilidade de negócio jurídico há que 
ser postulada em ação própria. 
 
3.1.7) Causas de anulabilidade 
Já destacamos que o negócio se torna anulável 
quando ostenta um dos seguintes vícios: erro, dolo, 
coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra cre- 
dores (inciso II do art. 171 do CC/03). 
O preceito do CC/16 correspondente a essa nor- 
ma é inciso II do art. 147. 
O cotejo de ambos os dispositivos põe em real- 
ce que o estado de perigo e a lesão \u2014 como causas de 
anulabilidade de um negócio jurídico \u2014 não eram reco- 
nhecidos pelo CC/16. 
Enfocamos, a seguir e de modo breve, os vários 
defeitos dos negócios jurídicos colacionados pelo CC/03. 
 
3.1.7.1) Do erro ou ignorância 
Erro é a discordância entre a vontade verdadeira 
ou interna e a vontade declarada. 
Embora no dolo também haja erro, um e outro 
não se confundem. 
No dolo, o erro é fruto da maquinação maliciosa 
engendrada pelo contraente ou por terceiro ; o erro é 
da própria parte na avaliação dos elementos da avença. 
Sobre o erro, o CC/03 apresenta três disposições 
inexistentes no CC/16. 
I \u2014 O erro é substancial quando \u2015sendo de direi- 
to e não implicando recusa à aplicação da lei, for o 
motivo único ou principal do negócio jurídico.\u2016 (inciso 
III do ar t.139). 
Durante muito tempo, prevaleceu a teoria clássi- 
ca de que não há erro de direito porque, nos termos do 
art. 3º da nossa Lei de Introdução ao Código Civil, nin- 
guém se escusa de cumprir a lei, alegando sua igno- 
rância. 
Hoje, porém, vem predominando o entendimen- 
to de que o consentimento da par te foi viciado pelo 
desconhecimento da norma legal. 
Essa concepção moderna inspirou o inciso III do 
art.139 do novo Código Civil. 
II \u2014 Reza o art. 143 do CC/03 \u2014 verbis: 
\u2015O erro de cálculo apenas autoriza a retificação 
da declaração de vontade.\u2016 
A rigor, o erro de cálculo não se trata de uma 
causa de anulabilidade do negócio jurídico. É o que 
deflui da sobredita norma legal. 
Temos para nós, porém, que o negócio jurídico 
se torna anulável se uma das partes provar que o cál- 
culo retificado a levaria a recusar o ajuste. 
III \u2014 Dispõe o ar t.144 do CC/03 \u2014 \u2015ad litteram\u2016: 
\u2015O erro não prejudica a validade do negócio jurí- 
dico quando a pessoa, a quem a manifestação da von- 
tade se dirige, se oferecer para executá-la na conformi- 
dade da vontade real do manifestante.\u2016 · 
Se o contraente conhece a vontade real do ma- 
nifestante e se propõe a cumpri-la, fica preservada a 
validade do negócio jurídico. 
3.1.7.2) Do dolo 
Leciona Clovis Beviláqua que o dolo é \u2015o artifício 
ou expediente astucioso, empregado para induzir al- 
guém à prática de um ato jurídico, que o prejudica, apro- 
veitando ao autor do dolo ou a terceiro.\u2016 
É passível de anulação o negócio jurídico que 
teve, como causa, o dolo. 
Esse vício da vontade é o objeto dos ar ts. 145 a 
150 do CC/03. 
De modo geral, não há diferença sensível entre 
as disposições dos dois Códigos sobre o precitado de- 
feito de negócio jurídico. 
O velho Código, no ar t. 95, dizia ser anulável o 
ato por dolo de terceiro, se uma das partes dele tinha 
conhecimento. 
Já o CC/03, no ar t. 148, dá ao preceito maior 
abrangência: 
\u2015Pode também ser anulado o negócio jurídico por 
dolo de terceiro, se a parte a quem aproveite dele ti- 
vesse ou devesse ter conhecimento ; em caso contrá- 
rio, ainda que subsista o negócio jurídico, o terceiro 
responderá por todas as perdas e danos da par te a 
quem ludibriou.\u2016 
Duas são as hipóteses em que o dolo de terceiro 
pode anular o negócio jurídico: 
a) a parte, a quem aproveite o artifício astucioso, 
sabia da sua existência; 
b) subsistindo o negócio jurídico, o terceiro au- 
tor do dolo terá de responder pelas perdas e danos 
sofridos pelo contraente. 
O ar t. 96 do CC/16 limitava-se a dizer que o dolo 
do representante de uma das partes só obriga o repre- 
sentado a responder civilmente até à impor tância do 
proveito que teve. 
O ar t. 149 do CC/03 deu maior dimensão à res- 
ponsabilidade do representado ao dispor \u2014 verbis: 
\u2015O dolo do representante legal de uma das par- 
tes só obriga o representado a responder civilmente 
até a importância do proveito que teve ; se, porém,o 
dolo for de representante convencional, o representa- 
do responderá solidariamente com ele por perdas e 
danos.\u2016 
Disciplinam, os ar tigos 115 \u2015usque\u2016 120 do novo 
Código Civil, o instituto da representação pelo qual 
uma pessoa é autorizada, convencionalmente ou por 
lei, a praticar determinado ato jurídico cujos efeitos 
repercutem no patrimônio (ou na esfera jurídica) de 
outra pessoa. 
A representação voluntária é feita por meio de 
mandato, cujo instrumento é a procuração. 
Se o representante agiu além dos poderes que 
lhe foram conferidos e, assim, causou dano a terceiro, 
o representado é solidariamente responsável pelo cor- 
respondente ressarcimento. Essa solidariedade passi- 
va decorre do fato de ter escolhido um mau represen- 
tante (culpa \u2015in eligendo\u2016). 
Na representação \u2015ex lege\u2016, o representado res- 
ponde até o limite do proveito proporcionado pela con- 
duta ilícita do representante. 
 
3.1.7.3) Da coação 
Reza o ar t. 151 do CC/03: 
\u2015A coação, para viciar a declaração de vontade, 
há de ser tal que incuta ao paciente fundado receio de 
dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua fa- 
mília, ou aos seus bens.\u2016 
 56 INTRODUÇÃO \u2014 Art. 9º CLT 
Distingue-se do conceito adotado pelo CC/16 no 
ponto em que o dano temido devia ser igual, pelo me- 
nos, ao receável do ato extorquido. 
De acordo com o CC/03, configura-se a coação 
quando o paciente temer dano iminente e considerável 
à sua pessoa, à sua família ou aos seus bens. Não há 
necessidade de esse dano ser pelo menos igual ao 
receável do ato extorquido. 
 
Não vicia a declaração de vontade \u2014 diz o art. 
155 do CC/03 \u2014 e, por isso, subsistirá o negócio jurídi- 
co se a coação for exercida por terceiro e a par te, que 
por ela é beneficiada, ignorá-la,