EDUARDO GABRIEL SAAD 0 Direito do Trabalho   CLT comentada
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EDUARDO GABRIEL SAAD 0 Direito do Trabalho CLT comentada


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ficando o autor da co- 
ação responsável por todas as perdas e danos causa- 
dos ao coacto. 
 
3.1.7.4) Estado de perigo 
Trata-se de figura jurídica que o CC/16 não re- 
gistrou. 
Consoante o ar t. 156 do CC/03 \u2015configura-se o 
estado de perigo quando alguém, premido da necessi- 
dade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de gra- 
ve dano conhecido pela outra parte, assume obrigação 
excessivamente onerosa.\u2016 
Tratando-se de pessoa não pertencente à famí- 
lia do declarante, o juiz decidirá segundo as circuns- 
tâncias (parágrafo único do artigo supra). 
Não é imprescindível \u2014 para a caracterização 
do defeito do negócio jurídico \u2014 que a outra parte deva, 
sempre, ter ciência do estado de perigo. 
O art. 478 do CC/03 admite a resolução de um 
contrato de execução continuada ou diferida quando a 
prestação de uma das par tes tornar-se excessivamen- 
te onerosa devido a acontecimentos extraordinários e 
imprevisíveis. 
Norma idêntica é encontrada no Código de De- 
fesa do Consumidor. 
Tem a CLT e legislação extravagante \u2014 com su- 
pedâneo na Constituição Federal \u2014 normas específi- 
cas legitimando alteração da cláusula de contrato de 
trabalho relativa à remuneração. 
 
3.1.7.5) Da lesão 
De conformidade com o preceituado no art. 157 
do CC/03 \u2015ocorre a lesão quando uma pessoa, sob pre- 
mente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a 
prestação manifestamente desproporcional ao valor da 
prestação oposta.\u2016 
Os parágrafos desse dispositivo estão assim re- 
digidos: 
\u2015§ 1º Aprecia-se a desproporção das prestações 
segundo os valores vigentes ao tempo em que foi cele- 
brado o negócio jurídico. 
§ 2º Não se decretará a anulação do negócio se 
for oferecido suplemento suficiente ou se a par te 
favorecida concordar com a redução do proveito.\u2016 
Exemplo típico de lesão no contrato encontra- 
mos no Velho Testamento: a compra que Jacó fez dos 
direitos de primogênito de Esaú, faminto, em troca de 
um prato de lentilhas. 
A lesão, estudada a fundo em Roma, também o 
foi no velho direito português. Proclamada a indepen- 
dência do Brasil, a 20 de outubro de 1823, promulgou- 
se lei decretando a vigência das Ordenações, nas quais 
figurava a lesão. 
O CC/16 silenciou sobre o instituto que visa a 
equivalência das prestações nos negócios jurídicos. 
É certo, porém, que a ele se faz alusão em di- 
versas outras leis, como, por exemplo, na do inquilinato. 
 
3.1.7.6) Da fraude contra credores 
 
Dispõe o art. 158 do CC/03 \u2014 verbis: 
\u2015Os negócios de transmissão gratuita de bens 
ou remissão de dívida, se os praticar o devedor já in- 
solvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quan- 
do o ignore, poderão ser anulados pelos credores 
quirografários, como lesivos dos seus direitos.\u2016 
§ 1º Igual direito assiste aos credores cuja ga- 
rantia se tornar insuficiente. 
§ 2º Só os credores que já o eram ao tempo da- 
queles atos podem pleitear a anulação deles.\u2016 
Configura-se a fraude contra credores quando o 
devedor, já insolvente, transfere a terceiro, gratuitamen- 
te, seus bens ou simula dívidas. 
Quando a fraude se pratica no processo de exe- 
cução, não se faz necessário propor-se ação autôno- 
ma para anular o negócio jurídico. Essa anulação é 
decretada no mesmo processo executório. A penhora 
pode recair sobre esse bem cuja posse e domínio se 
transferiu irregularmente a um terceiro. 
Autoriza, o art.160 do CC/03, o adquirente dos 
bens de devedor insolvente, se ainda não lhe tiver pago 
o preço e este for aproximadamente o corrente, a de- 
positar o valor em juízo com citação de todos os inte- 
ressados. 
Se inferior o preço ajustado, é permitido ao ad- 
quirente dos bens conservá-los desde que deposite em 
juízo o preço correspondente ao valor real. 
Os ar ts.161 a 165 do CC/03 versam outros as- 
pectos da fraude contra credores,mas todos eles re- 
produzem o disposto nos ar ts. 109 a 113 do CC/16. 
O ar t.9º da Consolidação das Leis do Trabalho 
protege os direitos dos trabalhadores contra as mano- 
bras artificiosas do empregador, inclusive aquelas ar- 
quitetadas no curso do processo de execução. 
As supramencionadas disposições do CC/03 
implementam o ar tigo da CLT que acabamos de citar. 
No processo falimentar, o empregado, cujo cré- 
dito decorra de sentença passada em julgado, pode 
propor ação revocatória. 
 
3.1.7.7) Defeitos do negócio jurídico e a CLT 
Os subitens anteriores referem-se a vícios que 
um contrato de trabalho pode apresentar. 
Alguns desses defeitos não são comuns e nós 
mesmos não temos conhecimento de casos reais envol- 
vendo todas as hipóteses inscritas no inciso II do art.171 
do CC/03, mas, não vacilamos em dizer serem todas 
elas plausíveis no âmbito das relações de trabalho. 
 
4) O Código Civil de 2003, art. 104 e seguintes, 
usa da expressão \u2015negócio jurídico\u2016 em lugar de ato jurí- 
dico, como era usado pelo Código Civil de 1916, art. 81, 
que apresentava uma definição como sendo aquele ato 
lícito que tenha por fim imediato adquirir, resguardar, 
transferir, modificar ou extinguir direitos. Do cotejo entre 
esses dois códigos sobre esse assunto, observa-se que 
o Código de 2003 empresta ao negócio jurídico o mes- 
mo tratamento legal que o de 1916 emprestava ao ato 
jurídico, embora se abstendo defini-lo. 
 CLT INTRODUÇÃO \u2014 Art. 9º 57 
Na esteira de Ana Cristina de Barros Monteiro 
França Pinto, atualizadora da sempre consultada obra 
\u2015Curso de Direito Civil\u2016 do saudoso Washington de 
Barros Monteiro, \u2015a característica primordial do negó- 
cio jurídico é ser um ato de vontade. Precisamente nes- 
se ponto se manifesta sua frontal oposição ao fato jurí- 
dico (\u2015stricto sensu\u2016), que é a resultante de forças na- 
turais em geral; no negócio jurídico, a vontade das par- 
tes atua no sentido de obter o fim pretendido, enquanto 
no ato jurídico lícito o efeito jurídico ocorre por deter- 
minação da lei, mesmo contra a vontade das par tes 
(ob. cit., vol. I, p. 207, Ed. Saraiva, 2003). 
Colocada a questão nestes termos, podemos di- 
zer que negócio jurídico, na forma do ar t. 104, do Códi- 
go Civil de 2003, é todo negócio jurídico que, para ser 
válido, depende de agente capaz, de objeto lícito \u2014 
possível, determinado ou determinável \u2014, de forma 
prescrita ou não proibida em lei e da livre manifestação 
da vontade das partes. A ausência de um desses ele- 
mentos ou requisitos é chamada de nulidade. É das 
imperfeições ou vícios desses requisitos do ato jurídi- 
co que se ocupa a teoria das nulidades. Os atos nulos 
não produzem quaisquer efeitos jurídicos e podem ser 
declarados de ofício. 
Consoante o disposto no art. 166, do Código Ci- 
vil de 2003, é nulo o ato jurídico quando: praticado por 
pessoa absolutamente incapaz; for ilícito ou impossí- 
vel o seu objeto; não revestir a forma prescrita em lei; 
for preterida alguma solenidade que a lei considere 
essencial para a sua validade e a lei, taxativamente, o 
declarar nulo ou lhe negar efeito. Tais atos imperfeitos 
se distinguem dos atos anuláveis, porque estes produ- 
zem efeitos enquanto não forem declarados nulos. 
O ar t. 171 Código Civil de 2003, declara anulá- 
vel o negócio jurídico por incapacidade relativa do agen- 
te e por vício resultante de erro, dolo, coação, estado 
de perigo, lesão ou fraude contra credores. Se a decla- 
ração de vontade originar-se de erro substancial (ar t. 
139, CC/2003), isto é, aquele que diz respeito à natu- 
reza do ato, ao objeto principal da declaração ou a al- 
guma das qualidades a ele essenciais. Considera-se, 
ainda, erro substancial, quando se tratar de qualidades 
essenciais da pessoa, a quem alude a declaração de 
vontade. 
No âmbito do Direito do Trabalho, é muito comum 
o empregado afirmar que tem aptidões para determi- 
nada espécie de tarefa