EDUARDO GABRIEL SAAD 0 Direito do Trabalho   CLT comentada
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7) Estabelece o ar t. 1.146 que o adquirente do 
creve: 
I \u2014 em cinco anos para o trabalhador urbano, 
estabelecimento responde pelo pagamento dos débi- 
tos anteriores à transferência, desde que regularmente 
contabilizados, continuando o devedor primitivo ou 
empresa sucedida responsáveis solidariamente pelo 
prazo de um ano, a partir, quanto aos créditos venci- 
dos, da publicação, e, quanto aos outros, da data do 
vencimento. Essa limitação de tempo, no entanto, não 
atinge os débitos trabalhistas, posto que, com esteio 
no ar t. 10 ora examinado, os empregados podem co- 
brar do empregador sucedido seus créditos no prazo 
prescricional inscrito na Constituição Federal, e inde- 
pendentemente de estarem tais créditos contabilizados 
ou não. 
 Assim, o sucessor do estabelecimento respon- 
derá pelos débitos anteriores à alienação 
 
 
JURISPRUDÊNCIA 
 
1) Orientação Jurisprudencial n. 225 da SDI1 do TST, 
com redação dada pela Res. de 18.4.2002. Em razão da subsis- 
tência da Rede Ferroviária Federal S/A e da transitoriedade dos 
seus bens pelo arrendamento das malhas ferroviárias, a Rede é 
responsável subsidiariamente pelos direitos trabalhistas referen- 
tes aos contratos de trabalho rescindidos após a entrada em 
vigor do contrato de concessão; e quanto àqueles contratos res- 
cindidos antes da entrada em vigor do contrato de concessão, a 
responsabilidade é exclusiva da Rede. 
 
1.1) Sucessão trabalhista. Sempre que um estabeleci- 
mento de crédito adquirir a transferência e assunção do Fundo 
de Comércio de agências bancárias de outro banco em liquida- 
ção, por determinação do Banco Central e continua a exploração 
da mesma atividade bancária, com todos os serviços, caracteri- 
za a sucessão trabalhista. TST 2ª T. RR-273.047/96-3, in DJU 
de 4.12.98, p. 192. 
até o limite de dois anos após a extinção do contrato; 
II \u2014 em dois anos, após a extinção do contrato 
de trabalho, para o trabalhador rural. (Inciso revogado pela 
EC n. 28, de 25.5.00, DOU 26.5.00 e Retif. DOU 29.5.00). V. CF ar t. 7º, 
inc. XXIX. 
§ 1º O disposto neste artigo não se aplica às 
ações que tenham por objeto anotações para fins de 
prova junto à Previdência Social. (Redação dada pela Lei n. 
9.658, de 5.6.98, DOU 8.6.98). V. CF, ar t. 7º XXIX. 
 
§ § 2º e 3º Vetados. 
(O art. perdeu eficácia com a EC n. 28/00. V. nota 1.) 
 
 
NOTA 
 
1) Quando da promulgação da Constituição Fe- 
deral de 1988, afirmou-se que tinha o vício da inconsti- 
tucionalidade o tratamento diferenciado que ela dispen- 
sava à prescrição do direito de ação cuja titularidade 
coubesse ao trabalhador urbano ou ao rural. 
O Legislativo, sensível a esses protestos, acabou 
por aprovar a Emenda Constitucional n. 28, de 25 de maio 
de 2000, revogando as alíneas \u2015a\u2016 e \u2015b\u2016 do inciso XXIX do 
art. 7º e o art. 233, todos da Constituição Federal. 
O sobredito inciso XXIX ganhou a seguinte redação: 
\u2015ação, quanto aos créditos resultantes da rela- 
ção de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos, 
para os trabalhadores rurais e urbanos, até o limite de 
dois anos após a extinção do contrato de trabalho.\u2016 
De conseguinte, as regras da prescrição ganha- 
ram uniformidade tanto no trabalho rural como no urbano. 
Em relação aos créditos trabalhistas, esse inci- 
so não torna ineficaz o ar t. 166 do Código Civil de 2003: 
\u2015O juiz não pode conhecer da prescrição de direitos 
 CLT INTRODUÇÃO \u2014 Art. 11 67 
patrimoniais se não foi invocada pelas partes\u2016. Há, no 
mesmo sentido, o ar t. 219, § 5º, combinado com o ar t. 
218, ambos do CPC. 
É bem de ver que o novo prazo prescricional não 
afeta as situações já atingidas pela prescrição bienal. 
O prazo prescricional tem início no instante em 
que o direito é lesado ou no momento em que o titular 
desse direito toma ciência da lesão. 
Ocorre a prescrição, isto é, o despojamento de 
um direito de sua capacidade de defender-se, quando 
esta não se exerce depois de cer to lapso de tempo pre- 
visto em lei per tinente. Como se vê, não é o direito que 
enfraquece e morre com a prescrição, pois pode ele 
conservar-se íntegro com o passar do tempo; é a sua 
capacidade de defender-se contra eventual agravo que 
a prescrição afeta. A certeza das relações jurídicas e a 
ordem social exigem a temporalidade do direito subje- 
tivo e, de conseqüência, obrigam seu titular a exercê-lo 
num determinado espaço de tempo. 
O objeto da prescrição não são todos os direi- 
tos, mas apenas os patrimoniais e alienáveis. 
A renúncia da prescrição \u2014 reza o ar t. 191 do 
Código Civil de 2003 \u2014 pode ser expressa ou tácita e 
só valerá sendo feita, sem prejuízo de terceiro, depois 
que a prescrição se consumar. Tácita é a renúncia quan- 
do se presume de fatos do interessado, incompatíveis 
com a prescrição. 
A produção do efeito extintivo ou liberatório da pres- 
crição não exige, como pressuposto, a boa-fé, como acon- 
tece no usucapião (este faz nascer direitos e aquela é 
causa extintiva de ação em defesa de um direito); ocorre 
a prescrição com o simples transcorrer do tempo. 
Esta Consolidação, ao contrário do atual Código 
Civil, não estabeleceu uma distinção entre prescrição 
e decadência. A primeira afeta o modo pelo qual um 
direito, quando atacado, pode defender-se; a segunda, 
é efeito da inércia do titular de um direito que tem cer to 
prazo para agir e não o faz, provocando a caducidade 
desse direito. (Sobre a decadência ver ar tigos 207 
\u2015usque\u2016 211; sobre a prescrição ver artigos 189 \u2015usque\u2016 
206, todos do CC 2003) 
É fatal o prazo de decadência. Extingue-se na 
hora preestabelecida. Esse prazo \u2014 que se qualifica 
também de extintivo de direito \u2014 não se interrompe 
nem se suspende seja qual for a razão ou motivo invo- 
cados, salvo disposição legal em contrário, conforme 
artigo 207 do Código Civil de 2003. 
É a renúncia o modo pelo qual se extinguem di- 
reitos disponíveis. Consoante o Código Civil, é renun- 
ciável a prescrição só depois de consumar-se. Ensina 
Clóvis Bevilacqua (\u2015Código Civil Comentado\u2016, tomo I, 
pág. 351, 1956, Ed. Francisco Alves): \u2015A renúncia da 
prescrição consumada, para ser válida, deve ser feita 
por pessoa capaz e não há de prejudicar direito de ter- 
ceiro\u2016. Este o pensamento de todos aqueles que inter- 
pretaram o nosso Código Civil. Dessa regra se infere 
que o concordatário está impossibilitado de renunciar 
à prescrição consumada porque, exonerado de uma 
prescrição, seu patrimônio aumentou. É evidente que, 
no caso, a garantia com que contam os credores ficará 
diminuída pela renúncia. Em se tratando de solidarie- 
dade passiva de empresas, a renúncia da prescrição, 
nos termos apontados, de um dos devedores solidári- 
os, não é oponível aos demais devedores. 
 
2) Vem sendo prestigiada a tese de que a Cons- 
tituição Federal, no inciso XXIX, do ar t. 7º (transcrito 
no item 1 deste artigo), não condicionou a decretação 
da prescrição a prévio pedido da par te. 
Faz-se a melhor comprovação dessa linha dou- 
trinária lendo-se o Suplemento Trabalhista n. 37/92, da 
LTr, em que se defende, com rara mestria, esse enten- 
dimento. 
Sustenta-se que o instituto da prescrição foi al- 
çado a nível constitucional e que a respectiva norma é 
dirigida, não apenas ao legislador, mas, também, aos 
intérpretes e ao Juiz. 
Afirma-se, na sobredita publicação especializa- 
da, que \u2015a prescrição dos direitos sociais, após a CF/ 
88 prescinde de pedido da parte interessada, por ser 
de ordem pública e, inclusive, por ter passado a fazer 
parte do rol dos direitos irrenunciáveis\u2016. 
Tal posição é defendida com argumentos de ine- 
gável solidez. 
Todavia, a tese oposta, também, se estriba em 
argumentos sólidos e à qual nos filiamos. 
Nem todos os direitos fundamentais, inclusive os 
sociais, têm eficácia obrigatória ainda que seus titula- 
res