apostilha de gestão em recursos materiais logística
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apostilha de gestão em recursos materiais logística


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própria
Horizontalização
A horizontalização consiste na estratégia de comprar de terceiros o máximo 
possível dos itens que compõem o produto final ou os serviços de que necessita. É 
tão grande a preferência da empresa moderna por ela que, hoje em dia, um dos se-
tores de maior expansão foi o de terceirização e parcerias. De um modo geral não 
se terceiriza os processos fundamentais (core process), por questões de detenção 
tecnológica, qualidade do produto e responsabilidade final sobre ele.
Entre as principais vantagens da horizontalização estão a redução de custos \u2013 não 
necessita novos investimentos em instalações industriais; maior flexibilidade para 
alterar volumes de produção decorrentes de variações no mercado \u2013 a empresa 
compra do fornecedor a quantidade que achar necessária, pode até não comprar 
nada determinado mês; conta com know how dos fornecedores no desenvolvimen-
to de novos produtos (engenharia simultânea). A estratégia de horizontalização 
apresenta desvantagens como a possível perda do controle tecnológico e deixar de 
auferir o lucro decorrente do serviço ou fabricação que está sendo repassada.
83Unidade 4
Gestão de Recursos Materiais
Tabela 6: Vantagens e desvantagens da horizontalização
Vantagens Desvantagens
Redução de custos. Menor controle tecnológico.
Maior flexibilidade e eficiência Maior exposição.
Foco no negócio principal da 
empresa
Deixa de auferir o lucro do fornecedor
Incorporação de novas tecnologias
Pergunta
Comprar ou fabricar?
A questão comprar ou fabricar não vem de hoje. Ela persegue os administradores e 
empresários faz muito tempo. Entretanto, seu escopo aumentou. Inclui, agora, de-
cisões sobre terceirização ou não da prestação de serviços que não são o negócio 
principal da empresa, como limpeza, manutenção e até compras. Já há várias em-
presas que prestam serviços de compras, manutenção predial, mecânica ou elétrica.
A decisão para saber se é melhor comprar ou fabricar componentes inclui con-
siderações tanto econômicas como não econômicas. Economicamente, um item 
é um candidato para a produção interna se a firma tiver capacidade suficiente e 
se o valor do componente for bastante alto para cobrir todos os custos variáveis 
de produção, além de dar alguma contribuição para os custos fixos. Os baixos 
volumes de consumo favorecem a compra, que quase não altera os custos fixos.
 Gráfico 6: Representação do ponto de equilíbrio entre comprar e fabricar
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Pergunta
Locação ou arrendamento mercantil?
Outro problema com que se depara o setor de compras é se deve comprar ou 
alugar um bem patrimonial, como um veículo, avião, edifício ou equipamento.
Para que a modalidade de leasing ou arrendamento mercantil ocorra, é neces-
sária a interveniência de uma empresa de leasing, que é geralmente ligada a 
um banco. Nesse caso, o cliente (arrendatário) escolhe um bem, a empresa de 
leasing (arrendador) adquire o bem escolhido junto ao fornecedor e o aluga ao 
cliente. Dependendo da forma do contrato, o cliente, ao encerramento do prazo 
contratual, poderá exercer o direito de compra do bem em pauta. De um modo 
geral, são arrendáveis bens novos ou usados, nacionais ou importados, móveis 
ou imóveis.
Veja as vantagens que essa estratégia pode trazer:
 ‡ É mais fácil de obter o leasing do que um empréstimo para comprar um 
bem, pois esse será de propriedade do arrendador e, consequentemente, 
mais fácil de recuperar, no caso de inadimplência do arrendatário;
 ‡ Não exige grande desembolso inicial de capital;
 ‡ O risco de obsolescência do bem é do arrendador; 
 ‡ Os pagamentos efetuados a título de aluguel são dedutíveis como despesa 
do exercício, com reflexos no lucro tributável.
Por outro lado, o leasing apresenta como desvantagens os fatos de o arrendatário:
 ‡ Não poder depreciar o bem e, consequentemente, aproveitar os benefícios tributários;
 ‡ Ter de devolver o equipamento após o término do contrato, e se o arrendador 
decidir não renová-lo poderá deixar o término do contrato em difícil situação;
 ‡ Ter de submeter à aprovação prévia do arrendador qualquer alteração ou 
melhoria necessária no bem; 
 ‡ Não poder usar o valor residual que normalmente o bem terá ao término do contrato.
Um caso importante do arrendamento é o chamado leaseback ou arrenda-
mento de venda e retorno. É o caso em que uma empresa vende o seu bem 
para a companhia de leasing e imediatamente o aluga de volta. É uma forma 
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Gestão de Recursos Materiais
de a empresa levantar capital de giro.
Cálculo de Produção x Compra
 ‡ CT = CF + CV X q
 ‡ CT = Custo total
 ‡ CF = Custo fixo
 ‡ CV = Custo variável
 ‡ q = Quantidade produzida
Ética em compras
O problema da conduta ética é comum em todas as profissões, entretanto, em 
algumas delas, como a dos médicos, engenheiros e compradores, assume uma 
dimensão mais relevante. A abordagem mais profunda do assunto leva, invaria-
velmente, ao estudo do comportamento humano no seu ambiente de trabalho, 
que está fora do escopo do nosso trabalho.
Abordando a questão mais na sua forma operacional, entendendo que o as-
sunto deva ser resolvido por meio do estabelecimento de regras de conduta 
devidamente estabelecidas, divulgadas, conhecidas e praticadas por todos os 
envolvidos, procurando fixar limites claros entre o \u201clegal\u201d e o \u201cmoral\u201d.
Assim, os aspectos legais e morais são extremamente importantes para aqueles 
que atuam em compras, fazendo com que muitas empresas estabeleçam um 
\u201ccódigo de conduta ética\u201d para todos os seus colaboradores.
No setor de compras, o problema aflora com maior intensidade devido aos 
altos valores monetários envolvidos, relacionados com critérios muitas vezes 
subjetivos de decisão. Saber até onde uma decisão de comprar seguiu rigoro-
samente um critério técnico, onde prevaleça o interesse da empresa, ou se a 
barreira ética foi quebrada, prevalecendo aí interesses outros, é extremamente 
difícil. O objetivo de um código de ética é estabelecer os limites de uma forma 
mais clara possível, e que tais limites sejam também de conhecimento dos for-
necedores, pois dessa forma poderão reclamar quando se sentirem prejudicados.
Outro aspecto importante é que esse código de ética seja válido tanto para 
vendas quanto para compras. Não é correto uma empresa comportar-se de uma 
forma quando compra e outra quando vende. Os critérios devem ser compa-
tibilizados e de conhecimentos de todos os colaboradores. É comum empresas 
incluírem nos documentos que o funcionário assina ao ser admitido, um código de 
conduta (ou de ética) que deva ser seguido, sob pena de demissão por justa causa.
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O problema ético de compras não se restringe aos compradores, mas também 
ao pessoal da área técnica que normalmente especifica o bem a ser comprado. 
É normal encontrarmos especificações tão detalhadas, e muitas vezes mandató-
rias, que praticamente restringem o fornecedor a uma única empresa. É isto eti-
camente correto? Mais uma vez o problema aflora. E o comprador, nesse caso, 
o que pode fazer? Cabe à gerência e à alta direção da empresa ficarem atentas 
a todos esses aspectos, questionando sempre a validade das especificações e a 
sua justificativa.
E quanto aos \u201cpresentes\u201d, \u201clembranças\u201d, \u201cbrindes\u201d, como agendas, canetas, 
malas e convites que normalmente são distribuídos, por exemplo, ao pessoal 
de compras, do controle da qualidade e da área técnica? Como abordar esse 
assunto? Deve ser permitido que recebam? A melhor forma de abordar o as-
sunto é definir, o mais claro possível, um código de conduta, do conhecimento 
de todos, pois não há dúvida de que aquele que dá presentes tem a expectati-
va de, de uma forma ou de outra, ser \u201clembrado\u201d. Quando o presente tem um 
maior valor, maior será a obrigação de retribuição.
Deve também ficar claro para os compradores como agir no trato com empre-
sas que sistematicamente, com política própria, oferece uma \u201ccomissão\u201d. Devem 
tais empresas ser excluídas entre as licitantes? Tais comissões devem ser incor-
poradas como