PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS ESTRUTURANTES DA ADMINISTRAÇÃO
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PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS ESTRUTURANTES DA ADMINISTRAÇÃO


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CF/1988 (LGL\1988\3), que
trata da Administração Pública.
Importante asseverar que tal princípio não é de suma importância apenas para o Direito
Administrativo, mas para o Direito do Estado com um todo, possuindo peculiaridades diversas quanto
à regularização da Administração e do particular.
Isto porque, enquanto que para o cidadão é permitido fazer tudo o que as normas jurídicas não
proíbem, não podendo ser obrigado a fazer ou deixar de fazer o que elas não lhes determinam, para
o agente público o que ocorre é justamente o contrário: é permitido somente aquelas condutas
previamente autorizadas pela lei.
Do princípio da legalidade denota-se que à Administração Pública só é permitido o que estiver
previsto em lei, enquanto que para o particular, o que não for proibido pela lei, é lícito a sua prática.
Define os critérios de atuação da Administração, outorgando poderes jurídicos que possibilitam sua
ação.
Princípios constitucionais estruturantes da
Administração Pública
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Dissertando sobre tal aspecto, Romeu Felipe Bacellar Filho assim se manifestou: "Consectário da
própria afirmação do Estado de Direito - o Estado que se torna, a um só tempo, criador e súdito da
norma - o princípio da legalidade impõe à Administração Pública obediência à lei formal como norte
de atuação e limite de garantia ao cidadão. No cumprimento de suas funções, o agente público não
tem liberdade ou vontade pessoal. A imperatividade das leis não obriga somente o particular, mas,
antes de tudo, a própria Administração ao constituir-lhe poderes-deveres, via de regra, indisponíveis
e irrenunciáveis". 22
Assim, a observância do princípio da legalidade é dever do agente público e prévia condição para
sua atuação pautada na licitude, atuação esta que não deve ser confundida com a simples aplicação
da disposição legal, mas a aplicação tendo em vista o binômio caso concreto e real espírito da lei.
Nesse sentido, imperiosa contribuição de Romeu Felipe Bacellar Filho: "A legalidade não tem o
condão de transformar o administrador público num aplicador cético e desmesurado do texto legal:
legalidade não é sinônimo de legalismo (formalismo na aplicação da lei que a desliga da realidade
sócia). O espírito da lei - o conteúdo - é pressuposto de sua aplicação. O irrestrito cumprimento da
norma não significa aplicação fria e descompromissada. Prevalece, na tarefa de realização do direito,
a adrede convicção de que, antecedendo a norma, pré-existe a finalidade pública". 23
Cabe ainda trazer a questão da discricionariedade da Administração, muito bem elucidada por José
Affonso da Silva: "a discricionariedade é sempre relativa e parcial, porque, quanto à competência, à
forma e à finalidade do ato, a autoridade está sempre subordinada ao que à lei dispõe; são eles,
pois, aspectos vinculados do ato discricionário, pelo que este só se verifica quanto ao motivo e ao
objeto do ato". 24
Por fim, insta ressaltar que o princípio da legalidade pode sofrer eventual constrição perante
circunstâncias excepcionais mencionadas expressamente na Lei Maior. 25 São situações previstas
constitucionalmente em que o Presidente da República deverá atuar de maneira incisiva e
excepcional: é o caso das medidas provisórias, da decretação do estado de sítio e de defesa.
3.2 Princípio da impessoalidade
De grande perícia o legislador constituinte ter inserido no art. 37, caput, o princípio da
impessoalidade como princípio a ser seguido pela Administração Pública na consecução de suas
atividades.
Ora, para se atingir o princípio basilar da supremacia do interesse público, necessário que seja
destinado tratamento impessoal e isonômico a todos os administrados. Nessa linha, afirma Bandeira
de Mello que:
"Nele se traduz a idéia de que a Administração Pública tem que tratar a todos os administrados sem
discriminações, benéficas ou detrimentosas. Nem favoritismos nem perseguições são toleráveis.
Simpatias ou animosidades pessoais, políticas ou ideológicas não podem interferir na atuação
administrativa e muito menos interesses sectários, de facções ou grupos de qualquer espécie." 26
A imparcialidade que deve calcar a Administração Pública caracteriza-se na conduta dos agentes
públicos sempre objetiva, imparcial e neutra, tendo suas ações o único e secular propósito: o
atendimento ao interesse público, abominando qualquer aspiração pessoal, atendimento a pedidos
individuais, favoritismos ou outras atitudes incompatíveis com a imparcialidade devida.
Aliás, cabe ressaltar que o agente público é representante de determinado órgão estatal. A vontade
manifestada através de atos ou provimentos administrativos sempre será a guisa de seus pessoais
interesses e sempre como reprodução do interesse daquele órgão estatal ao qual está vinculado,
como ensina José Afonso da Silva: "Este é apenas um mero agente da Administração Pública, de
sorte que não é ele o autor institucional do ato. Ele é apenas o órgão que formalmente manifesta a
vontade estatal". 27
Justamente por isso, os atos emanados por esses agentes públicos devem ser imbuídos da
impessoalidade devida, já que eventual responsabilidade para com terceiro será - inicialmente -
sempre da Administração Pública e não daquele agente público.
Interessante abordagem feita por Romeu Felipe Bacellar Filho no que concerne a Administração
Princípios constitucionais estruturantes da
Administração Pública
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Pública e a Administração Privada: "o administrador privado, com a voluntariedade e liberdade
próprias de quem é dono, age em consonância com o seu interesse particular. Dispõe dos bens e
interesses, colimando um objetivo próprio, pessoal. Ao reverso, porque o administrador público
encarrega-se de bens e interesses pertencentes à coletividade como um todo, estes são marcados
pela indisponibilidade. Afinal, a ninguém é lícito ser desprendido com o que não lhe pertence". 28
Apesar da existência de tão sublime princípio, infelizmente é comum a prática do nepotismo
revelando-se uma das grandes violações a tal princípio. Habitualmente, valendo-se dos cargos que
ocupam, ocorrem concessões por agentes públicos de favores, ajudas e privilégios públicos a seus
amigos, parentes e correligionários.
Alguns órgãos públicos, como o Ministério Público e o Poder Judiciário, recentemente através de
legislação específica, proibiram tal prática, com a demissão de parentes de Juízes, Promotores,
Desembargadores e Procuradores que ocupavam cargos públicos naqueles órgãos.
Infelizmente, tal prática que deveria se estender a todos os órgão públicos, inclusive ao Poder
Legislativo e ao Poder Executivo, encontra-se até agora restrita a apenas alguns órgãos, que de
maneira correta e iluminada resolveram banir o nepotismos de seus quadros.
Macula também o princípio da impessoalidade o uso de "máquina" administrativa na promoção
pessoal ou política do administrador, conforme o artigo 37, § 1.º, da CF/88 (LGL\1988\3): "A
publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter
caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou
imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos".
No próprio art. 37, da CF/1988 (LGL\1988\3) encontramos outros exemplos expressos do princípio
da impessoalidade, quais sejam: inciso II: "a investidura em cargo ou emprego público depende de
aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e
a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para
cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração"; e XXI: "ressalvados os casos
especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão contratados mediante
processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com
cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas