PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS ESTRUTURANTES DA ADMINISTRAÇÃO
17 pág.

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS ESTRUTURANTES DA ADMINISTRAÇÃO


DisciplinaDireito Constitucional I63.077 materiais1.458.271 seguidores
Pré-visualização8 páginas
disciplinar, deve sempre
ser precedida do devido processo legal, devendo eventuais punições administrativas ser aplicadas
observando sempre o grau e a extensão do dano. Qualquer aplicação de penalidade em dissonância
com as causas e penalidades previstas na Lei 8.112/90, redundaria em atuação desarrazoada da
Administração Pública.
O princípio da proporcionalidade implica para a Administração Pública que suas decisões e
atribuições sejam exercidas na medida e no grau exato ao alcance do fim legal.
Assinala Paulo Bonavides que "em se tratando de princípio vivo, elástico, prestante, protege ele o
cidadão contra os excessos do Estado e serve de escudo à defesa dos direitos e liberdades
constitucionais". 42
Qualquer medida excessiva, desarrazoada da Administração Pública redundaria em extrapolação de
sua competência, prejudicando a finalidade da lei e aos direitos dos cidadãos.
Tal princípio, somente teve sua aplicação do Direito Constitucional no fim do século XX, como anota
Paulo Bonavides "é, em rigor, antiqüíssimo. Redescoberto nos últimos duzentos anos, tem tido
aplicação clássica e tradicional no campo do Direito Administrativo". 43
Apesar de não estarem explicitamente dispostos em nossa Constituição, ambos os princípios
encontram seus fundamentos nos mesmos preceitos do princípio da legalidade e da finalidade.
Os ensinamentos de Celso Antônio Bandeira de Mello justificam a afirmação acima: "É óbvio que
uma providência administrativa desarrazoada, incapaz de passar com sucesso pelo crivo da
razoabilidade, não pode estar conforme a finalidade da lei. Donde, se padecer deste defeito, será,
necessariamente, violadora do princípio da finalidade. Isto equivale a dizer que será ilegítima,
conforme visto, pois a finalidade integra a própria lei. Em conseqüência, será anulável pelo Poder
Judiciário, as instâncias do interessado". 4445
Por fim, importante ressaltar o louvável registro de Paulo Bonavides sobre o tema:
"Poder-se-á enfim dizer, a esta altura, que o princípio da proporcionalidade é hoje axioma do Direito
Constitucional, corolário da constitucionalidade e cânone do Estado de Direito, bem como regra que
tolhe toda a ação ilimitada do poder do Estado no quadro de juridicidade de cada sistema legítimo de
autoridade. A ele não poderia ficar estranho, pois, o Direito Constitucional brasileiro. Sendo, como é,
Princípios constitucionais estruturantes da
Administração Pública
Página 12
princípio que embarga o próprio alargamento dos limites do Estado ao legislar sobre matéria que
abrange direta ou indiretamente o exercício da liberdade e dos direitos fundamentais, mister se faz
proclamar a força cogente de sua normatividade." 46
4.5 Princípio da segurança jurídica
O princípio da segurança jurídica é da essência do Estado de Direito, pois traduz a estabilidade, o
reconhecimento daquilo que cerca os administrados, vedando surpresas sem a legalidade
necessária, sendo considerada por Bandeira de Mello como, senão o mais importante, pelo menos
um dos mais importantes princípios gerais de Direito, pois representa "a insopitável necessidade de
poder assentar-se sobre algo reconhecido como estável,ou relativamente estável, o que permite
vislumbrar com alguma previsibilidade o futuro (...)". 47
Tal princípio, apesar de não encontrar previsão legal específica dentro do texto constitucional, pode
ser considerado um dos mais importantes na estrutura do Estado Democrático de Direito, pois
corresponde justamente a maior das aspirações do cidadão: estabilidade, certeza da vida social, de
tudo aquilo que o cerca. Merece destaque os institutos do usucapião, da irretroatividade da lei, da
prescrição, da decadência, da preclusão, direito adquirido. 48
Foi inserido entre os princípios da Administração Pública, através do art. 2.º, da Lei 9.784/99 que
veda a aplicação retroativa de nova interpretação de lei no âmbito da Administração Pública.
Nesse mister, imperiosa a colaboração de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, participante da Comissão
de juristas que elaborou o anteprojeto de que resultou tal, no sentido de que: "Isto não significa que a
interpretação da lei não possa mudar; ela freqüentemente muda como decorrência e imposição da
própria evolução do direito. O que não é possível é fazê-la retroagir a casos já decididos com base
em interpretação anterior, considerada válida diante das circunstâncias do momento em que foi
adotada". 49
4.6 Princípio da lealdade e boa-fé administrativa
Visa garantir uma atuação da Administração de maneira transparente, respaldada em todos os
conceitos fundamentais. Traduz especialmente o princípio da moralidade, disposto no art. 37 da
CF/1988 (LGL\1988\3).
A observância desse princípio constitucional implícito é de sobremaneira necessário para que haja
confiança dos administrados em relação às medidas adotadas pela Administração Pública e,
conseqüentemente, adesão e colaboração em seu cumprimento e implementação.
5. Conclusão
Os princípios constitucionais situam-se no vértice da pirâmide normativa e expressam os valores
transcendentais (éticos, sociais, políticos e jurídicos) arraigados ou consolidados na sociedade,
convertidos pelo legislador constituinte em princípios jurídicos.
Consubstanciam a essência e a própria identidade da Constituição e, como normas jurídicas
primárias nucleares, predefinem, orientam e vinculam a formação, a aplicação e a interpretação de
todas as demais normas componentes da ordem jurídica.
Justamente por ser a base do sistema, eventual vilipêndio trará conseqüências gravíssimas, vez que
não será mera violação à norma infraconstitucional, mas comprometerá a estrutura de todo o
ordenamento, trazendo danos ao próprio sistema e a ordem constitucional.
Os princípios constitucionais, em geral, são expressos ao longo do texto constitucional, segundo as
matérias por ele elaboradas de forma sistêmica. A previsão expressa de tais princípios encontra
guarida no art. 37, caput, que enumera taxativamente os seguintes princípios: legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
No entanto, além desses, há princípios constitucionais implícitos, dotados dos mesmos atributos
vinculantes, imperativos e coercitivos que decorrem logicamente de princípios e regras
constitucionais expressas ou do próprio conteúdo da Constituição, tais como os seguintes princípios:
finalidade, igualdade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, segurança jurídica, lealdade e
Princípios constitucionais estruturantes da
Administração Pública
Página 13
boa-fé da Administração Pública.
De fato, a importância dos princípios encontra-se solidificada em nosso ordenamento jurídico, a
ponto de, não raras vezes, situações jurídicas definirem-se exclusivamente à luz dos princípios.
Representam, pois, os valores, a base, a filosofia da sociedade sobre a qual deve assentar-se toda a
atividade da Administração Pública no exercício de sua função.
6. Referências bibliográficas
BACELLAR FILHO, Romeu Felipe. Processo administrativo disciplinar. 2. ed. São Paulo: Max
Limonad, 2003.
BALEEIRO, Aliomar. Limitações constitucionais ao poder de tributar. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense,
1999.
BASTOS, Celso Ribeiro. Hermenêutica e interpretação. São Paulo: Celso Bastos, 1998.
BOBBIO, Norberto. Teoria do ordenamento jurídico. Brasília: UnB, 1989.
BONAVIDES, Paulo. Curso de direito constitucional. 17. ed. São Paulo: Malheiros, 2005.
CANOTILHO, J. J. Gomes. Direito constitucional. 6. ed. Coimbra: Almedina, 1991.
CARRAZZA, Antônio Roque. Curso de direito constitucional tributário. 18. ed. São Paulo: Malheiros,
2002.
CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 1993.
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2000.
GORDILLO, Agustín. La garantía de defensa como principio de eficacia en el procedimento
administrativo. Revista de Direito Público 10. São Paulo: Revista