Indígenas do Brasil
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violência contra 
os indígenas \u2013 sempre que possível espelhando tais questões nos instrumentos 
de coleta aplicados junto aos três universos investigados. Nos módulos quan-
6 Ver povos entrevistados nos agradecimentos ao fi nal dessa introdução.
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titativos, ainda que apoiados em questionários estruturados, sem deixar de 
levantar um perfi l com variáveis sociodemográfi cas e em que pese a predomi-
nância de questões de múltipla escolha, utilizou-se também perguntas abertas, 
exploratórias, obtendo-se respostas espontâneas, menos contaminadas pelos 
pressupostos dos pesquisadores e colaboradores envolvidos. 
O distanciamento e consequente difi culdade para tratar de questões pouco 
disseminadas recomendaram maior investimento na formação das equipes de 
campo, buscando-se capacitar entrevistadores e supervisores para a compreen-
são da temática que iriam investigar, por meio de ofi cinas de sensibilização. 
Assim, além da instrução que receberam sobre os questionários estruturados e 
demais procedimentos de campo \u2013 processo padrão em surveys \u2013, a inclusão 
nas equipes de coleta dos dados foi condicionada à participação nas ofi cinas, 
realizadas em setembro de 2010, e à aplicação subsequente de duas entrevis-
tas, a título treinamento (também utilizadas como pré-teste, gerando cerca 
de 400 entrevistas, não incluídas nos bancos de dados fi nais). Com um dia 
de duração e ministradas por pesquisadores do NOP, as ofi cinas foram pro-
movidas presencialmente em nove das 15 coordenações de campo regionais 
envolvidas na coleta dos dados, responsáveis por cerca de 80% da amostrado 
survey nacional, enquanto as outras seis coordenações menores receberam o 
mesmo material de apoio e as orientações de capacitação por telefone, a fi m de 
uniformizar o processo e a compreensão dos conceitos trabalhados.
As ofi cinas incluíram a exibição de três documentários, cuja discussão 
possibilitou ampliar a refl exão dos envolvidos sobre a diversidade cultural, os 
modos de vida, os direitos indígenas e suas experiências de lutas, contribuindo 
para desconstruir preconceitos e clarear conceitos que seriam levados a campo. 
A saber: Direitos humanos e povos indígenas, dirigido por Marcelo Caetano, 
produzido pela Associação Nacional de Direitos Humanos, Pesquisa e Pós-
-Graduação (Andhep), com depoimentos de Dominique Gallois, Ana Lúcia 
Pastore, Ana Valéria Araújo, Manuela Carneiro da Cunha, Sylvia Caiuby e 
Marcos Tupã, sobre os direitos indígenas e a sociedade brasileira; Xukuru do 
Município de Pesqueira, em Pernambuco, que mostra a luta deste povo pela 
reconquista de suas terras; e Xingu \u2013 A Luta dos Povos pelo Rio, dirigido por 
André Vilas Boas e Beto Ricardo, produzido pelo Movimento Xingu Vivo 
para Sempre e pelo Instituto Socioambiental (ISA), abordando a luta dos po-
Introdução \u2013 Indígenas no Brasil: Estado nacional e políticas públicas 25
vos indígenas da região do Xingu contra a construção da Usina Hidrelétrica 
de Belo Monte.
A coleta dos dados do survey com a população brasileira foi realizado de 8 
a 30 de outubro de 2010, em abordagem domiciliar e face-a-face, com aplica-
ção de questionários estruturados, somando 84 perguntas (cerca de 230 variá-
veis). Para evitar tempo médio de entrevista superior a uma hora de duração, 
parte das perguntas foram distribuídas em duas versões de questionário (A e 
B), mantendo-se 40 perguntas em comum a ambas. A amostra total \u2013 proba-
bilística nos primeiros estágios (sorteio dos municípios, dos setores censitários 
e domicílios), combinada com controle de cotas de sexo e faixa etária (Censo 
2010, IBGE) para a seleção dos indivíduos (estágio fi nal) \u2013 somou 2.006 en-
trevistas, divididas em duas sub-amostras espelhadas, de 1.000 (A) e 1.006 
(B) entrevistas, representando a população brasileira adulta, urbana e rural, 
dispersa em 150 municípios (pequenos, médios e grandes), das cinco macror-
regiões do país (Sudeste, Nordeste, Sul, Norte e Centro-Oeste) . 
Já conhecendo a baixa taxa dos que se identifi cam como indígenas na po-
pulação em geral, para atender ao propósito de conhecer as percepções dos 
indígenas não aldeados, foi feita uma amostra intencional de 400 entrevistas 
com indígenas que vivem em contexto urbano, nas regiões metropolitanas de 
São Paulo, Porto Alegre, Campo Grande, Fortaleza e Manaus \u2013 áreas que fo-
ram escolhidas por concentrarem população indígena não aldeada, cada uma 
delas \u201crepresentando\u201d uma macrorregião brasileira. Para selecionar os entre-
vistados desse módulo usou-se amostragem do tipo \u201cbola de neve\u201d: partindo 
de indicações de comunidades e organizações que trabalham com indígenas, 
montou-se um cadastro e, confi rmado o pertencimento ao grupo, foram agen-
dadas entrevistas que, uma vez realizadas, geraram indicações para novas en-
trevistas. Com agendamento prévio também foram visitadas algumas aldeias 
no perímetro urbano das metrópoles selecionadas. Os questionários respon-
didos pelos indígenas não aldeados e/ou urbanos, com 78 perguntas (cerca de 
200 variáveis), foram aplicados individualmente, em entrevistas face-a-face, 
no período de janeiro e fevereiro de 2011.
Para as duas amostras quantitativas, posteriormente à coleta dos dados, 
cerca de 30% das entrevistas de cada entrevistador/a, aleatoriamente selecio-
nadas, foram verifi cadas in loco, com retorno às residências, ou por telefone, 
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confi rmando a veracidade do contato e a acuracidade das informações coleta-
das. Depois de codifi cadas as respostas abertas e digitadas todas as informações 
dos questionários, a base de dados foi consistida, com vistas ao processamento 
de tabelas bi e trivariadas, cruzando-se os resultados de todas as perguntas por 
sexo, faixa etária, raça/cor, nível de escolaridade, renda familiar mensal, parti-
cipação ou não da População Economicamente Ativa (PEA), situação conju-
gal, religião, região de moradia, porte e natureza do município e proximidade 
ou não de territórios indígenas. 
Por fi m, com a intenção de ouvir e dar voz aos próprios indígenas a partir 
de perspectivas ainda mais específi cas sobre as questões e seu modo de vida 
nas aldeias, realizou-se 52 entrevistas em profundidade, com lideranças de 46 
povos indígenas diferentes, contatados e identifi cados em três eventos que 
reuniram lideranças indígenas de todo o Brasil. A saber: a festa de um ano da 
homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, no período de 15 a 19 de 
abril de 2010, no município de Uiramutã (RR); o Acampamento Terra Livre, 
em protesto à construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, de 9 a 13 de 
agosto, no município de Altamira (PA) e o Encontro Nacional do Acampa-
mento Terra Livre, realizado no mesmo mês, entre os dias 23 e 27, na Aldeia 
Urbana Marçal de Souza, no município de Campo Grande (MS).
Agradecimentos
Desde logo, um agradecimento aos 400 indígenas não aldeados/urbanos e 
aos 2.006 entrevistados da população brasileira que dedicaram tempo e aten-
ção para responder aos questionários aplicados nos módulos quantitativos, 
e um agradecimento especial às 52 lideranças indígenas que confi aram e se 
dispuseram a expor suas opiniões e a revelar as experiências de vida de seus 
povos nas entrevistas qualitativas. A saber: na Região Norte líderes dos povos 
Munduruku (AM), Apurinã (AM), Karipuna do Amapa (AP), Xikrin Kaya-
pó (PA), Tupaiô (PA), Xipaya (PA), Arara (PA), Yudja (PA), Kassupá (RO), 
Karitiana (RO), Poru Bora (RO), Oru Nao/ Oru Mon (RO), Kanoe (RO), 
Macuxi (RR, três lideranças), Wapixana (RR), Patamona (RR), Ingaricó (RR, 
duas lideranças), Wai-wai (RR), Yanomani (RR), Ye-kuana (RR), Javaé (TO); 
na Região Nordeste líderes dos povos Pataxó (BA, duas lideranças), Tuxá (BA), 
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Guajajara (MA), Krikati (MA), Timbira (MA), Awa-Guaja (MA), Xukuru