Manual de Auditoria Financeira Edicao2015
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Manual de Auditoria Financeira Edicao2015


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as 
informações suficientemente confiáveis para esse propósito 
(ver itens A104 da ISA/NBC TA 315). 
58 
 
3.4. DETERMINAÇÃO DA MATERIALIDADE 
O conceito de materialidade é aplicado pelo auditor na fase de 
planejamento, na fase de execução da auditoria, na etapa de 
avaliação do efeito de distorções identificadas na auditoria e de 
distorções não corrigidas, se houver, sobre as demonstrações 
financeiras e na etapa de formação da opinião no relatório do 
auditor independente. 
ISSAI 1320 
ISA 320 
NBC TA 320 
222. As normas de auditoria estabelecem que ao conduzir a 
auditoria de demonstrações financeiras, os objetivos gerais do 
auditor são obter segurança razoável de que as demonstrações 
financeiras como um todo estão livres de distorções 
relevantes, devido a fraude ou erro, possibilitando dessa 
maneira o auditor expressar uma opinião sobre se tais 
demonstrações foram elaboradas, em todos os aspectos 
relevantes, de acordo com a estrutura de relatório financeiro 
aplicável, assim como reportar os assuntos identificados 
(ISSAI 1200; ISA/NBC TA 200, 11). 
223. O conceito de materialidade é relacionado à expressão \u201ctodos 
os aspectos relevantes\u201d a que se referem as normas de 
auditoria acima mencionadas. Expressa a relevância ou 
importância relativa de um assunto de auditoria. Em 
auditoria financeira, refere-se à relevância das distorções que 
podem estar presentes na apresentação, na divulgação ou nas 
afirmações que constam das demonstrações financeiras. 
224. Uma distorção consiste na diferença entre o valor, a 
classificação, a apresentação ou a divulgação de um item nas 
demonstrações financeiras e o valor, a classificação, a 
apresentação ou a divulgação que seria requerido para que 
esse item estivesse em conformidade com a estrutura de 
relatório financeiro aplicável. Distorções podem decorrer de 
erro ou fraude (ISSAI 1450; ISA/NBC TA 450). 
225. O conceito de materialidade é utilizado para estabelecer o 
nível ou níveis a partir do qual as distorções serão 
consideradas relevantes para a auditoria, limites a partir dos 
quais o auditor considerará que as informações apresentam 
distorções relevantes. 
226. A materialidade é definida como a maior distorção, dentro 
de uma população, que o auditor está disposto a aceitar 
(distorção tolerável), levando em conta as necessidades de 
informação dos usuários previstos. Representa, pois, a 
magnitude (ou o tamanho) de uma distorção, incluindo 
omissão, de um item (informação) em uma demonstração 
financeira que e à luz das circunstâncias, individualmente ou 
Conceito de 
materialidade 
Conceito de 
Distorção 
\u201cAspectos 
relevantes\u201d 
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de maneira agregada, pode influenciar as decisões 
econômicas dos usuários das informações (GAO, 2008). 
227. O risco de auditoria é o risco de o auditor expressar uma 
opinião de auditoria inadequada quando as demonstrações 
financeiras apresentam distorções relevantes. Assim, a 
materialidade e o risco são inter-relacionados, uma vez que 
este é definido em termos daquela (Gramling, Rittenberg e 
Johnstone, 2012), quanto mais forem significativos os fatores 
de risco (Apêndice V) e menos eficaz a estrutura de controle 
interno (Apêndice IV), menor deverá ser o nível ou níveis de 
materialidade, implicando em maior extensão de 
procedimentos como forma de manter o risco de auditoria 
no nível aceitável. 
228. A determinação da materialidade é um tema da estratégia 
global de auditoria, e tem por base o julgamento profissional 
do auditor. É responsabilidade do auditor estabelecer o 
referencial de materialidade para a identificação dos riscos de 
distorção relevante e para reduzir a um nível aceitavelmente 
baixo o risco de que as distorções não corrigidas e não 
detectadas, em conjunto, excedam a materialidade definida 
para as demonstrações financeiras como um todo (ISSAI 
1320; ISA/NBC TA 320). Assim, o auditor deve estabelecer a 
magnitude das distorções que serão consideradas relevantes, 
obtendo um referencial para: 
a) determinar da natureza, época e extensão dos 
procedimentos de avaliação de risco; 
b) identificar e avaliar os riscos de distorção relevante; e 
c) determinar a natureza, época e extensão dos 
procedimentos adicionais de auditoria. (ISSAI 1320; 
ISA/NBC TA 320). 
229. Ao estabelecer a estratégia global de auditoria, o auditor deve 
determinar a materialidade para as demonstrações financeiras 
como um todo (materialidade global ou materialidade no 
planejamento) e, se nas circunstâncias específicas da entidade 
houver uma ou mais classes de transações, saldos contábeis 
ou divulgações que possam influenciar as decisões dos 
usuários, também deve ser determinado um nível de 
materialidade para eles (materialidade específica). (ISSAI 
1320; ISA/NBC TA 320). O auditor deve ainda determinar a 
materialidade para execução da auditoria e estabelecer o 
limite para acumulação de distorções, de modo a permitir a 
avaliação dos riscos de distorções relevantes e a determinação 
da natureza, época e extensão dos procedimentos adicionais 
de auditoria (ISSAI 1320; ISA/NBC TA 320). 
Responsabilidade 
do auditor 
Materialidade e 
risco de auditoria 
Tipos de 
materialidade 
60 
 
230. A determinação de materialidade é uma questão de 
julgamento profissional e é afetada pela percepção que o 
auditor tem sobre as necessidades de informações dos 
usuários das demonstrações financeiras. Portanto, é 
necessário identificar os usuários das informações no 
contexto das demonstrações financeiras auditadas, 
assumindo que eles: 
a) possuem conhecimento razoável de negócios, atividades 
econômicas, contabilidade e a disposição de estudar as 
informações das demonstrações financeiras com razoável 
diligência; 
b) entendem que as demonstrações financeiras são 
elaboradas, apresentadas e auditadas considerando níveis 
de materialidade; 
c) reconhecem as incertezas inerentes à mensuração de 
valores baseados no uso de estimativas, julgamento e a 
consideração sobre eventos futuros; e 
d) tomam decisões econômicas razoáveis com base nas 
informações das demonstrações financeiras (ISSAI 1320; 
ISA/NBC TA 320). 
231. Além das necessidades de informações dos usuários, a 
determinação da materialidade envolve considerar que 
distorções típicas envolvem: 
a) erros e fraudes identificados na elaboração das 
demonstrações financeiras; 
b) descumprimento da estrutura de relatório financeiro 
aplicável; 
c) fraudes perpetradas pelos empregados ou pela 
administração; 
d) erros da administração; 
e) elaboração de estimativas imprecisas ou inadequadas; 
f) descrições inadequadas ou incompletas das políticas 
contábeis ou das divulgações das notas. (IFAC, 2010). 
232. Como se pode depreender dos itens \u201cb\u201d e \u201cf\u201d, distorções não 
se restringem a aspectos monetários, ou seja, envolvem tanto 
a perspectiva quantitativa quanto a qualitativa. Distorções 
podem envolver o valor monetário (materialidade 
quantitativa), a natureza do item (materialidade qualitativa) e 
as circunstâncias da ocorrência. Isso implica que o auditor, 
ao exercer julgamento profissional sobre a relevância das 
distorções em uma auditoria, deve levar em consideração não 
apenas o valor monetário, mas também a natureza do item 
Distorções típicas 
Perspectivas da 
materialidade 
Julgamento 
profissional 
61 
 
(características inerentes) e o contexto em que ocorreu a 
transação que gerou a informação. 
233. A materialidade quantitativa é determinada pela definição 
de um valor numérico e serve como um determinante tanto 
no cálculo das dimensões das amostras para os testes de 
detalhes como na conclusão sobre os impactos das distorções 
nas demonstrações financeiras (resultados da auditoria). O 
valor numérico é calculado, utilizando-se uma porcentagem 
sobre