Educação e Economia Política Aulas 1 a 10
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Educação e Economia Política Aulas 1 a 10


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Educação e Economia Política Aulas 1 a 10
Aula 1: As formações econômicas pré-capitalistas
Ao final desta aula, o aluno será capaz de:
1. Identificar e problematizar as formações econômicas anteriores ao sistema capitalista; 
2. reconhecer nesse período as bases econômicas e sociais necessárias para a consolidação do sistema capitalista em momento posterior.
Para entendermos a formação das sociedades pré-capitalistas e mesmo a capitalista, é preciso compreender o processo histórico de constituição das primeiras formações sociais e suas especificidades, já que as relações trabalhistas, econômicas e sociais são datadas historicamente e se apresentam de formas diversas.
Nessa dinâmica, uma pequena reflexão sobre o homem se faz necessária.
O homem se distingue dos outros animais pela sua capacidade de agir de forma teleológica. O que isso quer dizer?
Que o homem se diferencia dos outros seres naturais pela capacidade que tem de elaborar antecipadamente na sua mente o seu trabalho.
Para Marx (1996, p. 115):
\u201cO animal se confunde imediatamente com sua atividade vital. Ele não se distingue dela. Ele é esta atividade. O homem faz de sua atividade vital o objeto de sua vontade e de sua consciência. Ele tem uma atividade vital consciente; ela não é uma determinação com a qual ele se confunda imediatamente. A atividade vital consciente distingue diretamente o homem da atividade vital do animal.\u201d
O trabalho é entendido aqui como a transformação da natureza para a satisfação das necessidades do homem, ou seja, o homem produz (modifica) para atender aos seus anseios.
No entanto, cabe ressaltar que as necessidades determinam a produção assim como a produção determina as necessidades.
SOCIABILIDADE - Outra característica do homem é a sua sociabilidade, o homem é um \u201cser social\u201d.
Para Marx, a sociabilidade do homem se dá como relação material dos indivíduos submetidos à necessidade, que, como tais, colaboram no processo de apropriação e transformação da natureza ou se opõem na posse dos bens de consumo.
Os homens, a partir dessa concepção, sempre se apropriam da natureza sendo parte integrante de um tipo de comunidade.
Hobsbawm (1986, p. 16) nos mostra que:
\u201co homem \u2014 ou melhor, os homens \u2014 realizam trabalho, isto é, criam e reproduzem sua existência na prática diária, ao respirar, ao buscar alimento, abrigo, amor etc. Fazem isto atuando na natureza, tirando da natureza (e, às vezes, transformando-a conscientemente) com este propósito. Esta interação entre o homem e a natureza é \u2014 e ao mesmo tempo produz \u2014 a evolução social.\u201d
No entanto, essa \u201cevolução social\u201d não se deu de forma linear e pacífica, para alguns autores essa \u201cevolução\u201d se liga à separação gradativa entre o homem e o produto do seu trabalho, tendo como ápice dessa separação o atual estágio de desenvolvimento social, o capitalismo.
No ponto de partida dessa \u201cevolução social\u201d, a relação entre o homem e as condições materiais de seu trabalho é de propriedade, porém com as metamorfoses das relações de produção essa condição de proprietário da sua produção se esvanecerá.
O início desse longo processo pode ser explicado pela condição do homem como um animal social que como tal desenvolveu mecanismo de cooperação, como por exemplo, a especialização das funções na produção, divisão social do trabalho, com essa divisão a produção do excedente se intensificou.
Como consequência dessa cooperação e do excedente temos: um progresso lento e contínuo nas relações produtivas, a prática da troca e a gradativa emancipação do homem em relação à natureza e no seu domínio sobre a mesma. São essas mudanças nas formações econômicas pré-capitalistas que iremos analisar.
O que diferencia uma sociedade da outra?
Para alguns autores, dentre eles Karl Marx, a diferenciação se dá pela forma como é desenvolvida a produção, ou seja, cada sociedade tem as suas especificidades quanto ao modo de produção, além da maneira como o trabalho é dividido, ou como chama a divisão social do trabalho e principalmente pelas formas distintas de propriedade.
Podemos afirmar que as diferentes etapas da divisão social determinam formas diferentes de propriedade e, consequentemente, de formações econômicas.
Marx (2007, p. 89) afirma que:
\u201c(...) cada nova força produtiva (...) tem como consequência um novo desenvolvimento da divisão do trabalho\u201d e que \u201cas diferentes fases do desenvolvimento da divisão do trabalho significam outras tantas formas diferentes da propriedade (...)\u201d e que, portanto, inauguram uma nova organização societária.
O que é Modo de Produção
Entretanto, devemos ter a clareza de que o modo de produção não é a realidade, mas ajuda a compreendê-la, além de possibilitar a comparação entre as diferentes formas de organização das sociedades ao longo da história.
Para simplificar, podemos afirmar que o modo de produção é igual à força produtiva mais as relações de produção. Visto isto, podemos agora começar a analisar as diferentes formações econômicas pré-capitalistas.
Iremos analisar três formações econômicas pré-capitalistas, são elas:
asiática;
antiga;
germânica.
Porém, precisamos primeiro especificar a formação tribal, que se caracteriza pela propriedade comunal.
Corresponde ao \u201cestágio não desenvolvido da produção\u201d (HOBSBAWM, 1986), em que as pessoas caçam, pescam e criam seus animais e quando muito plantam. A estrutura social é baseada no parentesco e há a distinção entre o chefe da família e os demais membros.
Com o desenvolvimento das forças produtivas, com uma nova divisão social do trabalho e com a propriedade comunal-estatal, vimos surgir a formação econômica asiática, ou o modo de produção asiático.
Essa formação econômica se origina do desenvolvimento das formações tribais mais rudimentares em organizações sociais estabelecidas e comandadas por um déspota, figura importante que centraliza o poder decisório sobre a sua comunidade.
Essa organização mais complexa se deve à necessidade de formação de uma frente de trabalhos públicos para o beneficiamento e organização da produção comunal.
Nesse momento, a figura do déspota toma o lugar do chefe da família, ele personifica a vida e a produção comunal. É o embrião do que conhecemos hoje como Estado. 
A necessidade do \u201cEstado\u201d como órgão centralizador do poder e controlador da produção se dá pela urgência em organizar a produção e a reprodução da vida material.
A propriedade da terra e da produção ainda é comunal, mas de uma forma mais elaborada do que a comunidade tribal. A economia tem como base a pequena agricultura e a manufatura.
Ainda não existe a propriedade privada tal como conhecemos, a propriedade era estatal, a posse era privada. Ou seja, o \u201cEstado\u201d era o proprietário de todas as terras e concedia a posse das mesmas a membros da comunidade.
Assim como a terra, os excedentes produzidos também são propriedade estatal. Os indivíduos comportam-se não como trabalhadores, mas como proprietários \u2014 e membros de uma comunidade em que trabalham. A finalidade deste trabalho não é a criação de valor, embora eles possam realizar trabalho excedente de modo a trocá-lo por trabalho estrangeiro ao grupo, isto é, por produtos excedentes alheios. Seu propósito é a manutenção do proprietário individual e sua família, bem como da comunidade como um todo. A posição do indivíduo como trabalhador, em sua nudez, é propriamente um produto histórico (HOBSBAWM, 1986, p. 66).
Nesse modo de produção, não existe a oposição de classes em luta pela apropriação das riquezas sociais, pois, como dissemos, toda a riqueza é riqueza comunal-estatal, e mesmo quando alguns dos membros da elite destas sociedades possuem riquezas, estas somente são atribuídas devido à sua relação de lealdade ao palácio.
Seja como generais do exército estatal, como escribas da contabilidade palaciana, como sacerdotes etc.
Conforme Hobsbawm, a natureza "fechada" das unidades comunais significa que as cidades mal pertencem à economia, surgindo "somente onde a localização seja particularmente favorável ao comércio exterior ou onde