Capitulo 1 Botanica
77 pág.

Capitulo 1 Botanica


DisciplinaPaisagismo743 materiais29.562 seguidores
Pré-visualização10 páginas
CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO
Botânica aplicada ao 
paisagismo
Neiva Beatriz Antunes
© 2012 by Universidade de Uberaba
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou
transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo
fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de
informação, sem prévia autorização, por escrito, da Universidade de Uberaba.
Universidade de Uberaba
Reitor:
Marcelo Palmério
Pró-Reitora de Ensino Superior:
Inara Barbosa Pena Elias
Pró-Reitor de Logística para Educação a Distância
Fernando César Marra e Silva
Diretora do Curso de Arquitetura e Urbanismo:
Carmem Silvia Maluf
Coordenação de Produção de Material Didático:
Marco Antônio Escobar
Editoração:
Luiz Fernando Ribeiro de Paiva
Diagramação e Arte:
Andrezza de Cássia Santos
Edição:
Universidade de Uberaba
Av. Nenê Sabino, 1801 \u2013 Bairro Universitário
Introdução
Aspectos morfológicos 
vegetais importantes 
para o paisagismo
Capítulo
1
Neste capítulo, apresentaremos um breve histórico da Botânica e 
suas divisões. Mostraremos como a morfologia vegetal embasa 
o paisagismo e a jardinagem. Você conhecerá os aspectos das 
plantas que são de grande importância na escolha das espécies 
a serem utilizadas nos projetos paisagísticos e na sua alocação.
É importante que você leia e interprete criticamente os textos e realize 
as atividades durante a leitura, porque elas serão fundamentais 
para a compreensão das etapas seguintes. Procure relacionar os 
conteúdos às situações práticas do seu cotidiano e observar as 
caraterísticas estudadas nas plantas da sua casa, seu bairro, da 
arborização urbana da sua cidade etc.
Caberá a você ler, observar, pesquisar, buscando desenvolver as 
habilidades de leitura, interpretação e de utilizar raciocínio lógico 
no estudo da botânica para compreender como se estrutura um 
vegetal e como se diferenciam.
Um bom projeto paisagístico deve considerar todas essas 
características das plantas, uma vez que as cores, formatos, 
texturas, tamanhos e número das suas estruturas, além de 
suas exigências fisiológicas (água, nutrientes, luz etc.) podem 
determinar a harmonia dos espaços e minimizar os gastos com 
manutenção.
2 UNIUBE
Um breve histórico da Botânica1.1
Registros fósseis nos mostram que os vegetais habitam a Terra há 
milhões de anos, sendo a base das cadeias e teias alimentares e, em 
conjunto com as algas e cianobactérias, são responsáveis pela produção 
de oxigênio.
As plantas estão presentes no dia a dia do homem sendo utilizadas 
como alimentos, remédios, cosméticos, tintas, solventes, fibras, óleos, 
ornamentação e paisagismo, condimentos, óleos, resinas, medicamentos, 
bioindicadores, controle da erosão do solo etc.
Discutiremos as vantagens e desvantagens de usos das plantas 
de acordo com as suas características morfológicas e buscaremos 
entender como e quando utilizá-las.
Esperamos que, ao final dos estudos deste capítulo, você seja capaz de:
\u2022 analisar as características morfológicas das plantas de 
importância para o paisagismo;
\u2022 associar as características morfológicas das plantas aos 
possíveis usos de acordo com suas funções no paisagismo;
\u2022 associar as características morfológicas das flores, frutos e 
sementes aos mecanismos de polinização e dispersão;
\u2022 identificar as características das plantas capazes de atrair 
polinizadores e dispersores para seu uso no paisagismo;
\u2022 analisar as fenofases dos vegetais, auxiliando na escolha 
das espécies a serem utilizadas no paisagismo de forma 
a ter flores, frutos e sementes em diversas épocas do ano.
Objetivos
1.1 Um breve histórico da Botânica 
1.2 Aspectos morfológicos vegetais importantes para o paisagismo
1.3 Aspectos reprodutivos das plantas
1.4 Conclusão
Esquema
 UNIUBE 3
A botânica (do grego \u201cbotáne\u201d: planta, vegetal) é o ramo da ciência 
que estuda a estrutura, o funcionamento e a classificação das plantas, 
agrupando-as em famílias por características semelhantes. Existem 
registros antigos que mostram que a botânica já era estudada há milhares 
de anos.
Foi a partir do século XIX que a botânica se consolidou como disciplina e 
se dividiu em vários ramos cada vez mais específicos, como a Morfologia 
Vegetal, a Anatomia Vegetal, a Sistemática Vegetal, a Fisiologia Vegetal, 
a Botânica Econômica etc.
Vários foram os botânicos e outros profissionais que se dedicaram a 
estudar as plantas e seus mistérios de cores, formatos e tamanhos. 
Mas, sem dúvida alguma, o Engenheiro Agrônomo Harri Lorenzi e o 
paisagista Roberto Burle Marx contribuíram muito para o estudo da 
Botânica. Lorenzi com suas pesquisas e obras publicadas fornece 
um verdadeiro referencial para quem quer conhecer e utilizar plantas 
ornamentais, árvores brasileiras, palmeiras do Brasil e outras plantas 
de igual interesse para o paisagismo e arborização urbana. Burle Marx 
pelos seus fascinantes projetos paisagísticos e a criação de um Centro 
de Estudos Paisagísticos, o Sítio Roberto Burle Marx, que abriga uma 
das mais importantes coleções de plantas brasileiras e tropicais.
Em sua reportagem sobre a utopia verde de Burle Marx, Dourado 
(2000) nos conta que, a partir de 1850, iniciou-se, no Brasil, um grande 
interesse por áreas ajardinadas públicas e privadas, porém muitas das 
plantas utilizadas eram importadas da Europa e pouco se usava da 
rica flora brasileira. Foi, então, que, a partir de 1932, Burle Marx deu 
início a uma longa e importante caminhada no sentido de ampliar as 
pesquisas sobre as plantas brasileiras e tropicais aclimatadas e seu 
potencial de utilização no paisagismo. O sítio que servia para estudos 
e reprodução de plantas foi criado a partir de 1949 e, em 1985, doado 
ao governo brasileiro transformando-se numa fundação subordinada ao 
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) que recebe 
pesquisadores e visitantes em geral, através de visitas guiadas.
4 UNIUBE
Conhecer a origem de plantas e animais nos permite estabelecer relações 
de parentesco e compreender a sua evolução. Os fósseis nos fornecem 
informações importantes referentes ao período e às características do ambiente 
em que as plantas ou animais viveram. Também podemos imaginar seus 
hábitos de alimentação e defesa. O ramo da Biologia responsável pelo estudo 
e datação dos fósseis de plantas é a Paleobotânica. Através desses estudos, 
os paleobotânicos chegaram aos indícios da aparência das primeiras flores. 
De acordo com o paleobotânico Chris Hill, essas flores eram pequeninas e 
desprovidas de pétalas visíveis (NATIONAL GEOGRAPHIC, 2002).
SAIBA MAIS
Organização das Plantas1.2
As características de cor, formato, tamanho e número de estruturas do 
corpo de uma planta são estudados na Morfologia externa. O ramo da 
Biologia que se encarrega de estudar a morfologia externa das plantas 
é a organografia vegetal.
A variabilidade dos indivíduos pode ser determinada pelas combinações 
novas de caracteres hereditários dos ancestrais e pelas mutações 
(mudanças repentinas que ocorrem no patrimônio hereditário). Estas 
podem ser favoráveis, indiferentes ou desfavoráveis, considerados o 
ambiente e o momento em que ocorrem. É essa combinação de fatores 
que permite a enorme variedade de plantas existentes.
A escolha das plantas para o paisagismo deve considerar o gosto do 
cliente, as necessidades fisiológicas das plantas, os recursos financeiros 
e a função do jardim.
Características como cor de caules, folhas, flores e frutos, texturas, 
cheiros, tamanho, número e disposição das flores nos ramos podem 
definir as plantas a serem utilizadas. Além disso, a seleção das 
espécies deve levar em conta os aspectos do solo, clima, luminosidade, 
deciduidade e forma de crescimento da raiz.