Aula 08 Direito Constitucional
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O S
estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias, exceto se previamente 
autorizadas, mediante a abertura de créditos suplementares ou especiais.
2.4- Funções Institucionais do Ministério Público:
Segundo a doutrina, o Ministério Público assume o importante papel de custos 
societatis ("guardião da sociedade") e de custoslegis ("guardião da lei"). Para 
desempenhar essa importante missão, a Constituição atribui ao Ministério 
Público uma série de funções.
As funções institucionais do Ministério Público estão relacionadas no art. 129, 
CF/88. Trata-se de rol não-exaustivo, uma vez que o art. 129, IX, dispõe que 
podem ser atribuídas outras funções ao Ministério Público, desde que sejam 
compatíveis com sua finalidade institucional.
Segundo Dirley da Cunha Jr., a Constituição consagra o monopólio 
institucional das funções do Ministério Público9 ao dispor, no art. 129, § 2°, 
que "as funções do Ministério Público só podem ser exercidas por integrantes da 
carreira". Os membros do Ministério Público deverão residir na comarca da 
respectiva lotação, salvo autorização do chefe da instituição.
Vejamos, a seguir, as funções institucionais do Ministério Público:
Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:
I - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei;
II - zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de 
relevância pública aos direitos assegurados nesta Constituição, promovendo 
as medidas necessárias a sua garantia;
III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do 
patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e 
coletivos;
IV - promover a ação de inconstitucionalidade ou representação para fins de 
intervenção da União e dos Estados, nos casos previstos nesta Constituição;
V - defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas;
9 CUNHA JÚNIOR, Dirley da. Curso de Direito Constitucional. 6a edição. Ed. Juspodium, 2012, 
pp. 1187.
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VI - expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua 
competência, requisitando informações e documentos para instruí-los, na 
forma da lei complementar respectiva;
V II - exercer o controle externo da atividade policial, na forma da lei 
complementar mencionada no artigo anterior;
V III - requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito 
policial, indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações 
processuais;
IX - exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que compatíveis
com sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria 
jurídica de entidades públicas._____________________________________
O Ministério Público é responsável por promover, privativamente, a ação penal 
pública (art. 129, I). Todavia, existe também a ação penal privada 
subsidiária da pública, que poderá ser ajuizada quando a ação penal pública 
não tiver sido intentada dentro do prazo legal.
O Ministério Público também tem como função promover o inquérito civil e a 
ação civil pública (art. 129, III), cujo objetivo é a proteção do patrimônio 
público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos. O 
inquérito civil é conduzido pelo Ministério Público com vistas a obter elementos 
que subsidiem a ação civil pública. Destaque-se que a ação civil pública não é 
exclusiva do Ministério Público, podendo ser apresentada por diversos outros 
legitimados.
Muito se questiona se o poder de investigação criminal é ou não exclusivo 
da polícia. Segundo a teoria dos poderes implícitos, quando a Constituição 
outorga competência explícita a determinado órgão estatal, implicitamente 
atribui, a esse mesmo órgão, os meios necessários para a efetiva e completa 
realização de suas funções.
Com base nessa teoria, a 2a Turma do STF, ao analisar a temática dos poderes 
investigatórios do Ministério Público, entendeu que a denúncia poderia ser 
fundamentada em peças de informação obtidas pelo próprio "Parquet",
não havendo necessidade de prévio inquérito policial.
Nas palavras da Ministra Ellen Gracie:
"é princípio basilar da hermenêutica constitucional o dos poderes implícitos, 
segundo o qual, quando a Constituição Federal concede os fins, dá os meios. 
Se a atividade-fim - promoção da ação penal pública - foi outorgada ao 
Parquet em foro de privatividade, não haveria como não lhe oportunizar a 
colheita de prova para tanto, já que o CPP autoriza que peças de informação 
embasem a denúncia. Assim, reconheço a possibilidade de, em algumas 
hipóteses, ser reconhecida a legitimidade da promoção de atos de
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investigação por parte do Ministério Público, mormente quando se verifique 
algum motivo que se revele autorizador de tal investigação".10
Essa competência do Ministério Público é plenamente aceita pela doutrina e 
pode ser ilustrada pelos arts. 129, VI, segundo o qual o Ministério Público pode 
"expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência, 
requisitando informações e documentos para instruí-los, na forma da lei 
complementar respectiva".
Caso não queira conduzir a investigação criminal, o Ministério Público pode 
requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito 
policial (art. 129, VIII). O inquérito policial é procedimento administrativo 
conduzido por Delegado de Polícia com vistas a subsidiar uma ação penal. Assim, 
o Ministério Público pode requisitar que a Polícia Civil instaure um inquérito 
policial.
O Ministério Público, no desempenho da sua função de "custos societatis", é 
responsável pelo controle externo da atividade policial. O art. 129, VII, que 
confere tal competência ao Ministério Público, é norma constitucional de eficácia 
limitada, dependente de regulamentação por lei complementar. O controle 
externo da atividade policial consiste na fiscalização da Polícia pelo Ministério 
Público. É denominado "externo" porque o Ministério Público não integra a 
estrutura da Polícia.
Por fim, há que se destacar que o Ministério Público tem competência para 
defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas
(art. 129, V).
2.5- Ingresso na carreira:
Determina a Carta Magna (art. 129, § 3°) que o ingresso na carreira do 
Ministério Público far-se-á mediante concurso público de provas e títulos, 
assegurada a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em sua
realização, exigindo-se do bacharel em direito, no mínimo, três anos de 
atividade jurídica e observando-se, nas nomeações, a ordem de classificação.
10 RE 535.478, Rel. Mi. Ellen Gracie, j. 28.10.2008, DJE de 21.11.2008. 
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Ingresso na carreira do MP
Com base no o art. 129, § 3°, da Constituição, o STF considerou constitucional 
resolução que determina que a inscrição do concurso público para a carreira do 
Ministério Público só pode ser feita por bacharel em Direito com, no mínimo, três 
anos de atividade jurídica, cuja com provação se dá no m om ento da 
inscrição d e fin it iv a . O Pretório Excelso entendeu que essa exigência atendeu 
o objetivo da EC 45/2004, que pretendeu selecionar profissionais experientes 
para o exercício das funções do Ministério Público (ADI, 3.460/DF, decisão de 
31.08.2006).
Outro ponto que merece um destaque é o seguinte: os 3 anos de atividade 
jurídica somente podem ser