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APLICABILIDADE DO CÓDIGO PENAL MILITAR E CÓDIGO DO PROCESSO PENAL MILITAR AOS POLICIAIS MILITARES.

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INSTITUTO A VEZ DO MESTRE
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO 
EM DIREITO PENAL MILITAR E PROCESSUAL PENAL MILITAR
IVONEI ANTONIO CARNEIRO
APLICABILIDADE DO CÓDIGO PENAL MILITAR E CÓDIGO DO PROCESSO PENAL MILITAR AOS POLICIAIS MILITARES.
“Polícia é polícia. Soldado é soldado. No discernir entre um e outro está o equilíbrio para garantir paz e liberdade democrática”.
(Mac Margolis)
"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”.
 (Chico Xavier)
Brasília - DF
2011
IVONEI ANTONIO CARNEIRO
APLICABILIDADE DO CÓDIGO PENAL MILITAR E CÓDIGO DO PROCESSO PENAL MILITAR AOS POLICIAIS MILITARES
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado no - Programa de Pós-graduação em Direito Penal Militar e Processual Penal Militar do Instituto a Vez do Mestre, sob a orientação do Professor Edmilson Rodrigues.
Brasília - DF
2011
Primeiramente a Deus, Pai e criador de todo universo, por sua imensa misericórdia em me conceder uma segunda oportunidade de poder estar presente, e ainda me capacitar com entendimento para elaboração desta obra e por ter derramado sobre mim suas bênçãos, ao permitir o crescimento deste acadêmico.
Aos meus familiares, em especial minha mãe, que mesmo já não estando presente entre nós, tenho certeza que ainda olha muito por mim e a todos os outros a quem ela dedicou sua vida.
Aos professores, coordenação, direção e a todos os funcionários, inclusive aqueles do atendimento pela calma e presteza que me atenderam, principalmente quando se tratava de reclamações, atinentes ao curso.
Na vida, cada cidadão segue um caminho. Cada caminho seguido tem a sua própria feição. Se o cidadão resolve seguir a vida militar, deve estar ciente de que é uma vida cheia de limitações, cheia de imposições, que no mundo civil, às vezes são até absurdas, mas que no mundo militar, justificam-se pelos princípios da hierarquia e disciplina.
(In Parecer 26/CONJUR/EMFA, publicado no D.O. U de 05/12/1991, p. 27).
RESUMO
Não se pode negar que a atual situação do Estado Brasileiro, pós-ditadura militar iniciada em 1964 e finalizada com a eleição, e posteriormente com a Constituição de 1988. Foi o ponto de partida para a consolidação de um regime democrático que se tornou em um processo irreversível, diante deste cenário, o presente estudo apresentará as nuances existentes na Justiça Militar Brasileira, tecendo um paralelo entre as Justiças Militares da União e Estadual. 
O trabalho enfoca, primeiramente, o percurso legislativo constitucional e prático destas jurisdições e apresenta posteriormente parte dos fundamentos que norteiam a Justiça Militar Brasileira, principalmente no tocante a sua aplicação as Policiais Militares e Corpos de Bombeiros Militares, estaduais e do Distrito Federal apesar do Código Penal Militar em seu artigo Art. 22 considerar militar, para efeito da aplicação deste, qualquer pessoa que, em tempo de paz ou de guerra, seja incorporada às forças armadas, para nelas servir em posto, graduação, ou sujeição à disciplina militar. Em contrapartida o Código de Processo Penal Militar estabelece em seu artigo 6º que os processos da Justiça Militar Estadual obedecerão às normas processuais previstas neste Código, no que forem aplicáveis, salvo quanto à organização de Justiça, aos recursos e à execução de sentença, nos crimes previstos na Lei Penal Militar a que responderem os oficiais e praças das Polícias e dos Corpos de Bombeiros, Militares. Sendo definitivamente saneada a aplicação do Código Penal Militar as Polícias Militares no § 4º do art. 125 da CF/88. Sendo objeto de estudo também sua estrutura, conceitos e atos praticados por seus membros nas diversas esferas de competência. 
Como forma de tentar demonstrar as correntes de entendimento sobre a Justiça Militar, principalmente quanto a sua aplicação as policiais militares quando na execução de policiamento que muitos entendem ser atividade eminentemente de caráter civil, portanto estariam os policiais militares quando empregados no policiamento sujeitos a aplicação da Justiça Comum e não da justiça Militar.
Palavras-chave: Constituição Federal de 1988, Justiça Militar da União, Justiça Militar Estadual e Crime Militar, Polícias Militares.
SUMÁRIO
	1. INTRODUÇÃO. 
	08
	2. REFERENCIAL TEÓRICO 
	10
	2.1 Percurso Histórico da Legislação Aplicada a Justiça Militar 
	10
	2.1.1 Período de 1808 até 1891 
	10
	2.1.2 Período de 1891 até 1937 
	11
	2.1.3 Período de 1946 a 1988 
	12
	2.1.4 Período de 1988 até a promulgação da EC n.º 045/2004 
	12
	3. JUSTIÇA MILITAR DA UNIÃO 
	15
	3.1 Estrutura e Funcionamento 
	15
	4. JUSTIÇA MILITAR ESTADUAL 
	17
	4.1 Estrutura e Funcionamento 
	17
	5. ASPECTOS COMPARATIVOS NA JUSTIÇA MILITAR BRASILEIRA 
	19
	5.1 Mudanças advindas pela EC n.º 045/04 
	22
	6. A ORGANIZAÇÃO MILITAR 	
	25
	6.1 Divisão da Organização Militar 	 
	28
	6.1.1 Forças Armadas	
	28
	6.1.2 Forças Auxiliares: Polícia Militar e Corpos de Bombeiros Militares	
	29
	6.1.3 As Policias Militares	
	31
	6.1.4 Histórico
	33
	7. CRIME MILITAR
	39
	7.1. As Polícias Militares e a Justiça Militar
	42
	7.2. Aplicabilidade do Código Penal Militar e Código do Processo Penal Militar as Polícias Militares	
	47
	8. CONSIDERAÇÃOES FINAIS
	55
	REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 	
	57
INTRODUÇÃO
O presente trabalho, tem como fator preponderante identificar e demonstrar de forma clara e concisa as nuances existentes entre a Jurisdição Militar da União e Estadual, estando delimitado seu tema na Aplicabilidade do Código Penal Militar do Código do Processo Penal Militar as Policias Militares e Corpos de bombeiros Militares, questão que gera muita discussão em razão de entendimentos que as missões constitucionais atribuídas a estas instituições serem de caráter eminentemente civil. Também serão analisadas considerações de cunho histórico e prático destas jurisdições, demonstrando desta forma que esta jurisdição especializada está estruturada, suas competências, conceitos e atos praticados por seus membros nas diversas esferas de competência.
Em breve análise sobre o tema proposto, fica aparente que a Justiça Militar Brasileira exibe aspectos processuais diferenciados, na competência constitucional estipulada nas duas esferas: UNIÃO e ESTADUAL, tendo algumas inovações introduzidas pela Emenda Constitucional n.º 045/2004, mas para que o estudo atinja o seu objetivo será abordado somente às inovações que foram introduzidas na Justiça Militar Estadual, onde também abordaremos se tais inovações influenciam na análise e julgamento dos feitos dirigidos a esta Justiça Especializada, onde buscaremos demonstrar como esta jurisdição está contida no Poder Judiciário pátrio.
È Cediço que não existe interesse dos operadores de direito pelo estudo desta justiça especializada, sendo que para uma melhor exposição será efetuado um levantamento bibliográfico histórico, procurando trazer à baila a discussão da necessidade de mudanças no ordenamento jurídico pátrio. Outro fator a ser destacado, será a análise dos aspectos práticos dos diversos procedimentos utilizados pela jurisdição militar brasileira, revelando a relevância da adoção de todos os direitos e garantias fundamentais em favor do militar processado dentro dos limites legais.
No que tange os objetivos gerais, será exposto à estrutura atual da jurisdição especializada no âmbito da União, a competência constitucional da Justiça Militar Estadual, com destaque para os parágrafos do art. 125 da Constituição de 1988. Com relação ao pronto principal da presente pesquisa será demonstrada uma analise comparativa entre as justiças militares existentesem nosso país, especificamente após a promulgação da Emenda Constitucional nº. 045/2004, destacando no âmbito estadual a alteração na Presidência dos Conselhos Permanente e Especial, e no caso de empate o juiz de direito emite seu voto técnico, sendo a sentença mais justa ao réu, pois passa a ser fixada pelo magistrado de acervo técnico-jurídico mais elaborado (juiz de direito do juízo militar).
Ao final será demonstrado que Justiça Militar Brasileira está perfeitamente integrada ao Poder Judiciário e balizada pelos ditames maiores da Constituição Federal em vigor, sendo sua aplicabilidade às polícias militares de acordo com os princípios constitucionais e também aos princípios basilares da Hierarquia e Disciplina que são os alicerces aplicados aos militares federais e estaduais. Ainda em relação à Justiça Militar há de se destacar que esta jurisdição não tem formação essencialmente “castrense”, haja vista existir em suas fileiras civis personificados pelos Juízes de Direito, Promotores de Justiça e Defensores, além dos Magistrados Civis ocupantes de assento nos Tribunais de 2ª Instância (União, São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais).
Este trabalho de conclusão de curso será caracterizado pelo aspecto descritivo-bibliográfico, pois os objetivos serão analisar os conteúdos dos autores pesquisados, citando os principais exemplos da prática diária da jurisdição castrense. 
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1. Percurso Histórico da Legislação Aplicada à Justiça Militar Brasileira
Por meio de pesquisa em diversos sites de legislação, bem como pelo estudo dos trabalhos do Promotor de Justiça Militar da União Jorge César de Assis e ainda segundo os pontos de vista do doutrinador Eliezer Pereira Martins, pode-se estipular o tratamento dado à matéria militar pelo ordenamento pátrio, no período que se iniciou com a chegada da família imperial ao Brasil.
2.1.1 Período de 1808 até 1891	
Segundo José da Silva Loureiro Neto, a origem da Legislação Penal Militar Brasileira tem como herança os artigos de guerra de autoria do Príncipe alemão, a serviço do Rei da Inglaterra, e que recebeu a incumbência de organizar e disciplinar o Exército Português, o Conde de Lippe em 1763, cujos dispositivos perduraram até o término do período imperial.
Criado por D. João VI ao chegar ao Brasil, o Conselho Supremo Militar e de Justiça pelo alvará de 21 de abril de 1808, havendo no ano de 1834 a previsão de crimes militares separados em duas categorias: os praticados em tempo de paz e os praticados em tempo de guerra.
Ainda segundo o referido autor, após a proclamação da República, no Governo Provisório, aprovou-se o Decreto nº 949, de 05 de novembro de 1890 – Código Penal da Armada – substituído pelo Decreto nº 18, de 7 de março 1891, que foi ampliado ao Exército pela Lei nº 612, de 28 de setembro de 1899, e aplicado a Aeronáutica pelo Decreto-Lei nº. 2.961, de 20 de Janeiro de 1941.
Por meio de estudo das constituições brasileiras, verifica-se que já se fazia alusão aos militares na Constituição de 1824 sob denominação "Da Força Armada", ficando consignado que todos os brasileiros eram obrigados a pegar em armas, para sustentar a independência, a integridade do Império, e defendê-lo dos seus inimigos externos ou internos, estipulando a permanência da Força militar de mar e terra até então vigorante, enquanto não fosse designada nova Força Militar pela Assembleia Geral.
Desta forma impôs-se à Força Militar a obediência de não se reunir enquanto não fosse ordenado pela Autoridade legítima, e determinou-se a competência privativa do Poder Executivo de empregar em sua conveniência a Força Armada de Mar e Terra à segurança e defesa do Império. Ainda nesta Constituição, afirmou-se que a possibilidade da privação da Patente, somente se admitiria após sentença proferida em Juízo competente.
Enfatizando que até os dias de hoje, o STM possui a competência originária para processar e julgar os Oficiais Generais, ainda decretar a perda do posto e da patente dos Oficiais julgados indignos, ou incompatíveis para com o oficialato.
Por fim, a Constituição de 1824, determinou a regulamentação do Exército do Brasil por uma ordenança especial, organizando as promoções, soldo e disciplina, assim como da Força Naval.
2.1.2 Período de 1891 até 1937.
A Constituição de 1891, a primeira da República, salientou no artigo 14 que As forças de terra e mar são instituições nacionais permanentes, destinadas à defesa da Pátria no exterior e à manutenção das leis no interior. A força armada é essencialmente obediente, dentro dos limites da lei, aos seus superiores hierárquicos e obrigados a sustentar as instituições constitucionais.
Esta Constituição inovou ao estabelecer que os Oficiais do Exército e da Armada só perderiam suas patentes por condenação em mais de dois anos de prisão passada em julgado nos Tribunais competentes. Também merece destaque a previsão de que os militares de terra e mar teriam foro especial nos delitos militares, sendo certo que este foro compor-se-ia de um Supremo Tribunal Militar, concentrando as regras constitucionais incidentes sobre matéria militar.
Na Constituição de 1934 a matéria militar ficou concentrada no Título VI (Da segurança nacional), merecendo destaque a inserção das polícias militares como reservas do Exército, e reservaram-se as mesmas vantagens a este atribuídas, quando mobilizadas ou a serviço da União.
A Constituição de 1937 centralizou os poderes na mão do presidente, que governava por meio de Decretos-leis, prestigiando dispositivos autoritários, reservando um tópico para os Militares de terra e mar direcionando ao legislador infraconstitucional a edição de um Estatuto dos Militares.
Porém, as principais disposições relativas à matéria militar foram disciplinadas nos tópicos da segurança nacional e da defesa do Estado. Tendo o poder legislativo, em 24 de janeiro de 1944, pelo Decreto-Lei nº 6.227, foi editado o Código Penal Militar. Sendo o referido códex em face da entrada em vigor em 1º de janeiro de 1970 do novo Código Penal Militar (Decreto-Lei nº. 1001, de 21 de outubro de 1969), estando este ordenamento vigorando até os dias atuais.
2.1.3 Período de 1946 a 1988.
A Constituição de 1946 inovou em matéria constitucional militar ao reservar, um Título de seu texto (VII) para as Forças Armadas. Nesta Constituição, sendo pela primeira vez citado à Aeronáutica como integrante das Forças Armadas, destacando 
nesta carta magna o aspecto de sistematização da matéria militar, diferente das Constituições que a antecederam. 
A Constituição de 1967 utilizando a mesma técnica da que a antecedeu, também reservou um Título de seu texto para as Forças Armadas. De substancialmente novo em matéria militar, a Constituição de 1967 pouco ou nada acrescentou e repetiu em sua maioria as disposições constitucionais militares das consolidadas antes de sua outorga.
Como regulamentação de disposições contidas na Carta Magna, neste período foram promulgadas os seguintes ordenamentos: o Estatuto dos Militares Federais (Lei nº 6.880, de 09/12/1980); O Conselho de Disciplina dos Militares Federais (Decreto nº 71.500, de 05/12/1972); O Conselho de Justificação dos Militares Federais (Lei nº 5.836, de 05/12/1972); a Lei do Serviço Militar (Lei nº 4.375, de 17/08/1964); e os Regulamentos Disciplinares da Marinha, Exército e da Aeronáutica, além dos seus similares nas Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares.
2.1.4 Período de 1988 até a promulgação da EC n.º 045/2004.
Na Constituição Federal de 1988 a primeira referência à matéria militar encontrada no texto ocorre no campo dos direitos e garantias fundamentais que assegura a prestação de assistência religiosa em entidades militares de internação coletiva.
Ainda neste artigo da Constituição, cuida das formalidades necessárias à prisão, disciplina matéria militar ao legitimar exclusão odiosa à liberdade de locomoção nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, ambos definidos em lei.No campo dos direitos políticos, observa-se que há casos de não obrigação ao alistamento no serviço militar obrigatório. Ao disciplinar a competência da União a carta magna estabelece dentre outras disposições, de organizar e manter a polícia militar e o corpo de bombeiro militar do Distrito Federal.
Ao definir a competência legislativa privativa da União, estabelece que compete privativamente à União legislar sobre: requisições civis e militares, em caso de iminente perigo e em tempo de guerra (inciso III) e normas gerais de organização, 
efetivos, material bélico, garantias, convocação e mobilização das polícias militares e corpos de bombeiros militares (inciso XXI) e defesa territorial, defesa aeroespacial, defesa marítima, defesa civil e mobilização nacional (inciso XXVIII).
Ainda há a previsão do Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República, dispor sobre todas as matérias de competência da União, especialmente sobre fixação e modificação do efetivo das Forças Armadas, estando esta regra especificada para incorporação de Deputados e Senadores nas Forças Armadas.
 No Art. 142 define que as Forças Armadas são compostas pela Marinha, Exercito e Aeronáutica, bem como delimitas a competência das Forças Armadas. No artigo 42 que teve alterados seus parágrafos pela emenda constitucional de nº 20 de 1998, que mandou aplicar aos militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios, além do que vier a ser fixado em lei, as disposições do art. 14, § 8º; do art. 40, § 9º; e do art. 142, §§ 2º e 3º, cabendo a lei estadual específica dispor sobre as matérias do art. 142, § 3º, inciso X, sendo as patentes dos oficiais conferidas pelos respectivos governadores. 
O artigo 144 define como responsáveis pela segurança pública, a Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Ferroviária Federal, Policias Civis, Policiais Militares e Corpos de Bombeiros Militares, também define o citado artigo as competências de cada instituição em relação à segurança pública.
Nesse diapasão, a carta magna prevê que são, dentre outros órgãos do Poder Judiciário, os Tribunais e Juízes Militares, estando dentre os ramos do Ministério Público o Militar. 
3. JUSTIÇA MILITAR DA UNIÃO
A justiça Militar da União atua em todo o território nacional, dividida em doze circunscrições judiciárias militares, composta por vinte auditorias militares responsáveis pela aplicação das leis militares nos vinte e sete estados da Federação e Distrito Federal.
Nas auditorias atuam vinte juízes auditores e vinte juízes auditores substitutos, eles são a primeira instância da Justiça Militar da União. É em Brasília Capital da República que funciona a segunda instância da Justiça Militar da União, exercida pelo Superior Tribunal Militar – STM localizado na Praça dos Tribunais Superiores desde o ano de 1973.
3.1 Estrutura e Funcionamento
Composto por 15 ministros escolhidos pelo Presidente da República após aprovação dos indicados pelo Senado Federal, sendo os indicados 03 dentre Oficiais-Generais da Marinha, 04 dentre Oficiais-Generais do Exército e 03 dentre Oficiais-Generais da Aeronáutica, todos da ativa e do posto mais elevado da carreira.
Os Ministros civis serão escolhidos também pelo Presidente da República sendo, 03 advogados de notório saber jurídico e conduta ilibada, com mais de 10 anos de atividade profissional, e 02 por escolha paritária, dentre juízes auditores e membros do Ministério Público.
A Justiça Militar da União é federal, tem por competência julgar e processar os crimes militares definidos em lei, não importando quem seja seu autor, julgando inclusive o civil possuindo jurisdição em todo território brasileiro. Sendo composta pelo Superior Tribunal Militar e os Tribunais e Juízes Militares instituídos em lei.
Os Conselhos de Justiça constituem o 1º grau da Justiça Militar, sendo um órgão jurisdicional colegiado sui generis formado por um juiz togado (auditor) e quatro juízes militares, pertencentes à Força a que pertencer o acusado, possuindo previsão constitucional, tendo sua divisão prevista na Lei Orgânica da Justiça Militar da União, igualmente aplicável à Justiça Militar Estadual, ficando divididos em permanente e especial.
Assim, segundo o magistrado paulista João Ronaldo Roth:
“existe na Justiça Militar uma modalidade de judicatura que não encontra similar no Brasil, em decorrência de sua composição, destacando-se pelo princípio do juízo hierárquico (os réus militares são julgados pelos seus superiores hierárquicos) e com a participação efetiva do juiz de direito, aliado o julgamento técnico-jurídico e o técnico-profissional, cujas decisões tornam-se muito ponderadas e eficazes, não se confundindo com o Conselho de Sentença do Tribunal Popular”.
O juiz-auditor (togado) é civil e ingressa na carreira mediante concurso público de provas e títulos, com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil, em todas as suas fases, dispondo das seguintes garantias: vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de subsídios, tendo em contrapartida as vedações do parágrafo único do referido artigo 95 da CF/88.
Diferente dos oficiais que são os juízes militares, pois se investem na função e não no cargo, sendo designados após terem sido sorteados dentre a lista de oficiais apresentada, porém são juízes de fato, não dispondo das prerrogativas afetas aos magistrados de carreira.
4. JUSTIÇA MILITAR ESTADUAL
Jorge César de Assis assevera que a Justiça Militar Estadual, tutela valores para as Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares, a ela competindo processar julgar os crimes militares definidos em lei, desde que praticados por policiais e bombeiros militares. É uma competência restrita, dela não englobando os civis. Sua jurisdição limita-se ao território de seu Estado ou do Distrito Federal.
Esclarecendo que onde existe Tribunal de Justiça Militar (SP, RS e MG), o concurso para o ingresso na carreira da magistratura militar abrangerá apenas disciplinas afetas ao ordenamento jurídico militar, porém nos demais o preenchimento da vaga será por um Juiz de Direito de Entrância Final, designado pelo Presidente do respectivo Tribunal de Justiça.
4.1. Estrutura e Funcionamento
Atualmente a Constituição Federal estipula a possibilidade dos Estados criarem Tribunais Militares quando o Efetivo Militar Estadual ultrapassar o efetivo de 20.000 integrantes. Somente três Estados possuem Tribunais Militares: Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul.
No Rio Grande do Sul, a Justiça Militar Estadual existe mesmo antes da Justiça comum, chegando a bordo das naus portuguesas que integravam a expedição militar de Silva Paes, em 1737. Seu Tribunal Militar foi criado em 1918 (mais antigo do Brasil).
Já o Tribunal Militar do Estado de São Paulo foi criado em 1937, e por fim, o Tribunal Militar do Estado de Minas Gerais data de 1946, a história da Justiça Militar em Minas Gerais remonta ao cenário constituído pela chegada do político gaúcho Getúlio Vargas à Presidência da República em 1930.
A Justiça Militar dos estados teve sua organização autorizada por lei federal em janeiro de 1936. Porém, só foi posicionada, como componente do Poder Judiciário, pela Constituição de 1946, que assim dispunha: "a Justiça Militar estadual, organizada com observância dos preceitos gerais da lei federal, terá como órgãos de primeira instância os conselhos de justiça e como de segunda instância um tribunal especial ou o Tribunal de Justiça”.
As Constituições de 1934, 1937, 1946, 1967 e 1969 mantiveram o foro de jurisdição militar como órgão do Poder Judiciário. A Constituição de 1988, no capítulo III, confirma a Justiça Militar como integrante do Judiciário, quando elenca, em seu artigo 92, os órgãos desse poder, entre eles, os Tribunais e Juízes Militares. Em alguns artigos adiante, especificamente no parágrafo 3º do artigo 125, prevê a criação da Justiça Militar estadual, por lei estadual e medianteproposta dos Tribunais de Justiça dos Estados.
Nos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul, a Justiça Militar é estruturada em duas instâncias: a Primeira constituída pelos Juízes de Direito do Juízo Militar e os Conselhos de Justiça, os quais atuam nas auditorias militares; e a Segunda, pelos Tribunais de Justiça Militar, composta por juízes que integram esses órgãos.
Nos outros estados da Federação, os Tribunais de Justiça estaduais funcionam como órgão de segunda instância da Justiça Militar. Em Minas Gerais, há três auditorias militares, todas na Capital. Não obstante haver, desde 2008, na Constituição Estadual, previsão para a criação de mais três auditorias no interior dos Estados, estas ainda não foram instaladas.
As auditorias de Justiça Militar se equivalem às varas da Justiça comum. Assim designadas porque, até a entrada em vigor da Emenda Constitucional n. 45/2004, seu titular era denominado Juiz Auditor, "o qual, ontologicamente, tinha as funções de ouvir e dizer o direito, sendo quem conduzia os trabalhos processualmente, incumbindo-lhe decidir conjuntamente com os demais integrantes do Escabinato Julgador e sendo-lhe privativa a feitura da sentença." (ROTH, 2003, p. 28).
5. ASPECTOS COMPARATIVOS NA JUSTIÇA MILITAR BRASILEIRA 
Paulo Tadeu Rodrigues Rosa, magistrado do Tribunal de Justiça Militar do estado de Minas Gerais, destaca que, em nosso ordenamento jurídico o militar está dividido em dois grupos: os militares federais integrantes das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica), com previsão no art. 142 da Constituição Federal de 1988 e os militares estaduais integrantes das Forças Auxiliares (Polícia Militar e Corpos de Bombeiro Militar), com previsão no art. 42 "caput" da Constituição Federal de 1988, possuindo esta designação por força da EC n.º 18/98.
Ainda nesta seara e segundos os ensinamentos do Oficial da Polícia Militar do Estado de São Paulo Cícero Robson Coimbra Neves, a cerca da competência atinente à justiça castrense, destaca a existência de crimes no Código Penal Militar consignando como elemento típico a palavra militar. Como exemplo, o autor aponta o delito de hostilidade contra país estrangeiro, capitulado no art. 136 do CPM, que assim dispõe: “Praticar o militar ato de hostilidade contra país estrangeiro, expondo o Brasil a perigo de guerra”.
O sujeito ativo desse delito é o militar, no entanto, militar pode ser tanto aquele em serviço ativo, como aqueles em inatividade (aposentados), sendo os integrantes da Reserva Remunerada ou os Reformados. A resposta para tal encontra-se no art. 22 do CPM, onde o legislador em interpretação autêntica dispõe que: “É considerado militar, para efeito da aplicação deste Código, qualquer pessoa que, em tempo de paz ou de guerra, seja incorporada às forças armadas, para nelas servir em posto, graduação, ou sujeição à disciplina militar”.
Desta forma, toda vez que o CPM dispuser que o militar é o sujeito ativo de um crime, deve-se entender esse termo como militar da ativa, excluindo-se os militares da Reserva ou os Reformados, salvo mediante a equiparação (art. 12 do CPM), pois caso o militar inativo seja empregado na administração militar de forma regular, ou seja, por força de ato da Corporação militar respectiva, poderá ele perpetrar os crimes com o elemento típico da palavra militar.
Também não se pode confundir o militar da ativa, com militar em serviço, pois o militar em serviço é aquele na ativa desempenhando a função na instituição, contrapondo-se a ele o militar de folga ou fora de serviço. Portanto, um militar da ativa pode estar em fruição de folga ou em serviço, entretanto os militares da Reserva ou Reformados podem responder por crime militar como se fossem da ativa, desde que equiparados ou em concurso de pessoas, pela comunicação de circunstâncias pessoais também são elementares do tipo penal, estando este concurso de pessoas contido na segunda parte do § 1º do art. 53 do CPM.
O critério de definição para o crime militar é o ratione legis, ou seja, o crime militar é identificado de acordo com a previsão legal e não de acordo com o sujeito que o pratica, o local onde é cometido, etc. A lei, obviamente, de forma pontual poderá eleger, caso a caso, que determinado fato somente será crime militar se praticado por militar ou em determinado local, mas isso não é um critério de reconhecimento do crime militar.
A doutrina especializada, no entanto, preferiu, majoritariamente, adotar a chamada teoria clássica, com alicerces firmados ainda no Direito Romano. Por essa teoria, crimes propriamente militares seriam os que só podem ser cometidos por militares, pois consistem em violação de deveres que lhes são próprios. Portanto, o art. 9º do CPM é de fundamental importância para distinguir o crime comum do crime militar, em especial, como já indicado, nos casos em que uma conduta esteja tipificada no CPM e no Código Penal comum. Inicialmente, deve-se guardar que o citado artigo contempla a tipicidade dos crimes militares em tempo de paz, enquanto o art. 10 do mesmo Código tece comentários aos crimes militares em tempo de guerra.
O dispositivo em comento possui três incisos, sendo importante ter como dado preliminar que o inciso III será aplicado apenas quando o crime for praticado por militares inativos, entendam-se militares da reserva ou reformados, ou por civis, o levando à conclusão de que quando um fato for praticado por militar em situação de atividade, haverá a aplicação dos incisos I ou II. O inciso I do referido artigo é de relativa simplicidade, dispondo que são crimes militares em tempo de paz os crimes tratados no Código Penal Militar, quando definidos de modo diverso na lei penal comum, ou nela não previstos, qualquer que seja o agente, salvo disposição especial.
A aplicação do inciso II já demanda uma análise mais acurada, porquanto apresenta algumas alíneas complementadoras da tipicidade, e também se deve partir do princípio de que este inciso é aplicável apenas a condutas praticadas por militares da ativa, isso em contraposição ao disposto no inciso III. 
O inciso em análise dispõe que serão crimes militares em tempo de paz os crimes previstos no Código Penal Militar, embora também o sejam com igual definição na lei penal comum, quando praticados em algumas circunstâncias definidas em suas alíneas, que por sua vez elegem critérios para a definição do crime militar, critérios da pessoa (ratione personae), do lugar onde o crime é cometido (ratione loci), em razão da matéria versada pela conduta praticada (ratione materiae) e no período em que o crime é praticado (ratione temporis).
Por fim, o inciso III do aludido artigo, consigna que também são crimes militares em tempo de paz os praticados por militar da reserva, ou reformado, ou por civil, contra as instituições militares, considerando-se como tais não só os compreendidos no inciso I, como os do inciso II, enumerando algumas condições adicionais para que o crime militar ocorra.
Tratamento diferenciado foi dado pela constituição as justiças militares dos Estados, onde foram previstos como jurisdicionados apenas os militares dos Estados, não possibilitando o julgamento do civil autor de crime militar por esse fato nas justiças castrenses das Unidades Federativas. Surgindo, dai, uma questão que, o civil não comete crime militar na Esfera Estadual, ou o comete e apenas não pode ser julgado pelas justiças militares dos Estados? Sendo visão predominante na doutrina e na jurisprudência que o civil não comete crime militar no âmbito estadual, devendo ser processado e julgado na Justiça comum por tipo penal, previsto no Código Penal comum.
Essa visão foi sedimentada na Súmula 53 do STJ, segundo a qual compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar o civil acusado de prática de crime militar contra instituições militares estaduais, bem como tem sido ratificada por diversos julgados nos tribunais superiores, onde firmou a incompetência da Justiça Militar para processar e julgar crime contra o patrimônio daPolícia Militar praticado por civil.
Consoante o contido no § 4º do art. 125 da Constituição Federal de 1988, se um civil ingressar em uma Organização Policial Militar (OPM) ou Organização Bombeiro Militar (OBM) e ali praticar um furto, ocasionar um dano à Administração Pública Militar Estadual, responde por esta ação delituosa na Justiça Comum, pois a Justiça Militar não possui competência para julgá-lo em tempo de paz.
De forma contrária, se um civil ingressar em uma guarnição sob responsabilidade das Forças Armadas, e ali praticar um furto, ou outro crime militar mesmo em tempo de paz, será julgado pela Justiça Militar da União, conforme o caput do art. 124 da Constituição Brasileira, destacando que antes da nova mudança do dispositivo constitucional, a Justiça Militar da União ainda julgava os civis incursos nos crimes previstos na Lei de Segurança Nacional, porém esta atribuição passou para o âmbito da Justiça Federal.
5.1 Mudanças advindas pela EC n.º 045/04 
Segundo o militar estadual baiano Paulo Frederico da Cunha Campos, ao contrário do acontecido, a EC n.º 45/04 não estipulou para a Justiça Militar Estadual o mesmo critério constitucional aplicado à jurisdição especializada da União com relação à possibilidade do processamento e julgamento de civis que praticam conduta delituosa prevista no Código Penal Militar, pois a Constituição Federal de 1988, mantendo a previsão da Constituição anterior (em norma criada pela EC n.º 07/77), limitou a competência da Justiça Militar Estadual para efetuar o julgamento dos militares estaduais, extinguindo a possibilidade de julgamento de civil autor de crime militar, como ocorre na esfera federal.
Neste entendimento, conforme leciona o aludido autor não haveria óbices em repassar tal competência à jurisdição castrense estadual, por mais que fosse passado ao juiz de direito, análoga como o existente nos crimes militares a civil vítima. Não obstante haja a previsão no CPM, de prática de crime militar por um não militar (civil), o autor destaca que o mesmo não comete conduta delituosa em desfavor da administração pública militar estadual. Diante de uma situação que haja a prática de crime militar por civil na esfera estadual, as autoridades responsáveis pela apuração deverão analisar se a conduta do civil se coaduna a algum tipo penal comum, sendo o mesmo ser autuado em flagrante (ou ser submetido à lavratura de termo circunstanciado), ficando o desfecho a cargo da justiça comum e por crime comum.
Outro fato a ser destacado pode ocorrer quando um militar estadual, dentre as diversas hipóteses norteadora da ocorrência de crimes militares previstos no art. 9º do CPM, praticar furto, estupro, estelionato ou lesão corporal em desfavor de um civil (crime militar impróprio), ficando o julgamento das condutas delitivas ficará de forma singular de competência do Juiz de Direito. Destarte, na mesma situação, quando a vítima outro militar, o processo será instruído e julgado pelo Conselho de Justiça.
Isso sem falar nas hipóteses de ocorrência de conexão em relação aos sujeitos passivos, onde um militar estadual comete lesões corporais contra duas vítimas (militar e a outra civil), ocorrerá o desmembramento do processo e ficando o julgamento daquele feito com a vítima é civil para o juiz de direito, e aquele outro com a vítima é militar para o conselho de justiça.
Segundo o promotor militar da União Jorge César de Assis significativas mudanças já aconteceram e irão acontecer na Justiça Militar Brasileira com a já promulgada Emenda Constitucional nº 045 (datada de 08/12/2004), repercutiu no âmbito da Justiça Militar Estadual, modificado os §§ 3º e 4º do art. 125 da CF/88, e complementando neste mesmo artigo o § 5º, repetindo o contido na Lei 9.299/96, que alterou o art. 9º do CPM e acresceu neste um parágrafo único, assim também ocorrido no art. 82 do CPPM. Nesse diapasão, convém registrar os comentários sobre a matéria segundo o militar estadual baiano Paulo Frederico Cunha Campos, cuja redação teria sido alterada didaticamente, daí porque é relevante transcrever a antiga e a nova redação:
Art. 125, § 3º A lei estadual poderá criar, mediante proposta do Tribunal de Justiça, a Justiça Militar Estadual, constituída, em primeiro grau, pelos Conselhos de Justiça, e, em segundo, pelo próprio Tribunal de Justiça, ou por Tribunal de Justiça Militar nos Estados em que o efetivo da polícia militar seja superior a vinte mil integrantes. (ANTIGA REDAÇÃO)
§ 3º A lei estadual poderá criar, mediante proposta do Tribunal de Justiça, a Justiça Militar Estadual, constituída, em primeiro grau, pelos Juízes de Direito e Conselhos de Justiça, e, em segundo, pelo próprio Tribunal de Justiça, ou por Tribunal de Justiça Militar nos Estados em que o efetivo militar seja superior a vinte mil integrantes. (NOVA REDAÇÃO)
§ 4º Compete à Justiça Militar estadual processar e julgar os policiais militares e bombeiros militares nos crimes militares, definidos em lei, cabendo tribunal competente decidir sobre a perda do posto e da patente dos oficiais e da graduação das praças. (ANTIGA REDAÇÃO)
§ 4º Compete à Justiça Militar estadual processar e julgar os militares dos Estados nos crimes militares definidos em lei e as ações judiciais contra atos disciplinares militares, ressalvada a competência do Tribunal do Júri quando a vítima for civil, cabendo ao tribunal competente decidir sobre a perda do posto e da patente dos oficiais e da graduação das praças. (NOVA REDAÇÃO)
§ 5º. Compete aos juízes de direito do juízo militar processar e julgar, singularmente, os crimes militares cometidos contra civis e as ações judiciais contra atos disciplinares militares, cabendo ao Conselho de Justiça, sob a presidência do juiz de direito, processar e julgar os demais crimes militares.
Em relação ao § 3º, as alterações não foram muito significativas, sendo a primeira delas a inclusão dos "juízes de direito" como componentes da Justiça Militar Estadual, outrora apenas composta pelos Conselhos de Justiça, em cuja composição, como já afirmado, necessitava da presença do juiz togado. Tal inclusão se deve ao fato do surgimento de hipótese em que aquele (juiz de direito), como determina o incluído parágrafo, deverá julgar, isoladamente, os réus pelo cometimento de crimes militares, quando a vítima for civil. Igualmente, ainda neste parágrafo, há a substituição da expressão "efetivo da polícia militar", que desconsidera o efetivo do bombeiro militar (e em alguns Estados estas instituições são distintas, como no Rio de Janeiro), tendo em vista a alteração trazida pela EC n.º 18/98.
Já no § 4º, ocorreu significativa mudança, ao incluir a possibilidade de julgamento das ações judiciais contra atos disciplinares militares, passando agora à justiça militar uma competência de natureza civil, tornando assim todas as ações ordinárias e o mandado de segurança a serem impetrados por militares estaduais, que visem atacar a legalidade de um ato disciplinar (uma demissão de um militar do Estado por ato do Comandante-Geral da PM, por exemplo), ao invés de serem ajuizados perante a Vara da Fazenda Pública deverão ser nas Auditorias Militares.
Finalizando o tema, arremata novamente o doutrinador do parquet militar, Jorge César de Assis, que o novo texto constitucional mantém a omissão da referência ao Distrito Federal, embora este possua a sua Justiça Militar própria desde 1992, quando os integrantes de sua Polícia Militar e de seu Corpo de Bombeiros Militar deixaram de serem processados e julgados perante a Auditoria da 11ª CJM, pertencente à Justiça Militar da União.
6. A ORGANIZAÇÃO MILITAR
Ocupando espaço somente a partir da Constituição de 1988, o Direito Militar é um ramo jurídico pouco divulgado. A nova ordem constitucional ampliou o conceito da organização militar, constituída pela Marinha, Exército e Aeronáutica, intituladas Forças Armadas, sendo seus integrantes denominados Militares federais. Também foram inseridos em seu contexto os integrantes das Polícias Militares e do Corpo de BombeirosMilitar, como forças auxiliares provenientes dos Estados Membros, e por isso, ditos militares estaduais, conforme disposição do § 6º da Constituição Federal:
As Policiais Militares e Corpos de bombeiros militares, forças auxiliares e reserva do Exercito, subordinam-se, juntamente com as polícias civis, aos Governadores dos estados, distrito Federal e Territórios. 
Desta forma, a organização militar esta dividida em suas esferas: a federal cuja função é a preservação da segurança nacional em todo o território brasileiro, mormente sob ameaça externa: e a estadual, responsável pela preservação da ordem pública em seus três aspectos, quais sejam, a segurança pública, a salubridade pública e tranquilidade. Estando ambas submetidas aos mesmos princípios norteadores da hierarquia e da disciplina, descritas na Constituição, e destinadas à garantia da lei e da ordem, e da defesa do país.
O universo militar sempre foi visto pelo mundo civil como estanho e oculto, embora o direito Militar tenha evoluído, é visível o desconhecimento de algumas particularidades e peculiaridades militares. Tal desconhecimento se deve pela escassez de fontes de consultas e acesso a estas, o que fizeram com que sobrevivessem determinadas ideias que no passado fizeram da jurisprudência castrense uma espécie de círculo fechado, que só aos militares interessavam, contribuindo para o alheamento da maioria dos doutrinadores aos importantes temas do Direito Militar.
Dividido em razão de sua natureza pública o Direito Militar, entre o direito administrativo militar, ou disciplinar militar, direito penal militar e o direito processual penal militar, e vinculado aos ditames da ordem constitucional vigente.
Individualmente considerado o militar está constantemente sujeito ao cumprimento de regras muito rígidas, em decorrência das particularidades da profissão que exerce. A Constituição Federal de 1988 não inclui o militar como servidor público, e na análise de José Afonso da Silva, as alterações introduzidas na Emenda Constitucional 18 de 1998, retiraram dos militares a condição de servidores militares. A intenção confessada foi a de tirar dos militares o conceito de servidores públicos que a Constituição lhes dava, visando com isso fugir ao vínculo que aos servidores civis que esta lhes impunha. Formalmente, deixaram de ser conceituados como servidores militares.
O autor assevera que os militares não deixaram de serem servidores públicos, na acepção do termo, pois no sentido mais amplo, continuam sendo agentes públicos. Tendo apenas o legislador constituinte a intenção de separá-los dos servidores civis, posto que o regime jurídico dos militares é muito diferente dos servidores civis, contando inclusive, com leis penais diferenciadas, incorporadas no Decreto Lei 1001, de 21 de outubro de 1969, conhecido com Código Penal Militar. Muitos entendem que esta diferenciação seja um privilégio dispensado aos militares, diverso do entendimento de João Vieira de Araújo que assim define a diferenciação como uma “excepção de severidade e não de favor”.
Em simples leitura da Constituição Federal é possível notar a diversidade de tratamento a civis e militares, percebendo-se até mesmo certo conflito entre disposições e princípios constitucionalmente assegurados a todos os brasileiros, com a rígida condução da ordem no âmbito militar, baseada na hierarquia e disciplina. Esta diversidade de tratamento, que no texto constitucional pode-se perceber pelas ressalvas que excetuam a categoria militar ao gozo de determinados direitos e garantias fundamentais, pode ser constatada quando da leitura dos artigos que se referem à vedação imposta quanto à sindicalização dos militares, a proibição do direito de greve e filiação político-partidária, enquanto estiverem prestando serviço efetivo, ou seja, no serviço ativo da corporação. Podendo citar-se, entre outros direitos amplamente dispensados aos civis e obstados aos militares, a garantia constitucional do habeas corpus, nas questões que envolvam delitos corporativos já sumulados pelo Supremo Tribunal Federal: “Súmula 694 – Não cabe habeas corpus contra imposição de pena de exclusão de militar ou de perda de patente ou de função pública”.
As limitações, tidas como exceções prescritas na Carta Magna, são defendidas por juristas filiados ao entendimento de Diógenes Gasparini que a cerca destas exceções constitucionais “tais proibições são necessárias à ordem e à hierarquia da instituição, porque só assim a defesa da nação e da ordem pública pode acontecer efetivamente”. José Cretella Júnior ressalta, especificamente sobre a vedação da associação sindical por parte dos militares:
“Não tem sentido que o militar, pertencente a uma organização fundada, por excelência, em rígida hierarquia, tivesse direito de filiar-se a sindicatos que, em nome do filiado, investissem contra entidade que tem por objetivo a defesa da ordem pública”.
Da mesma forma Jorge de Miranda ao expor seu ponto de vista sob os cerceamentos constitucionais aos militares e que justificaria o tratamento diferenciado afirma que:
Existe uma tensão insuprimível entre liberdade e igualdade. ( ) E torna-se recorrente nas sociedades pluralistas e contemporâneas a procura de um equilíbrio tanto entre igualdade e aquilo a que se vem chamando direito à diferença como entre bem comum e interesse de grupo.
Não há dúvida que a nova ordem constitucional trouxe a lume novos debates sobre a organização militar. Mas as maiores controvérsias estão no âmbito administrativo e penal. Pois a simples interpretação do art. 5º da Carta Magna, que determina a igualdade de todos perante a lei, e o tratamento diferenciado dado ao militar, que muitos acreditam tratar-se de privilégio, mas que bem analisado deixa claro que somente é aplicação de maior rigor e uma limitação de direitos. Ao militar não é permitido gozar de certos direitos garantidos aos civis que vivem sob as leis do país.
Segundo José Luiz Campos Júnior, os direitos e prerrogativas cerceados aos militares no texto constitucional não foram tolhidos da classe, pois eles sequer existem, já que foram em muitos casos explicitamente excetuados no próprio texto. Pois somente a Constituição Federal pode restringir direitos e garantias fundamentais, o que foi feito pela Carta Magna de 1988, ao proibir a sindicalização e a greve ao militar, bem como a concessão de habeas corpus nas transgressões disciplinares e crimes propriamente militares, entre outras.
Como justificativa para este tratamento diferenciado e mais rígido o interesse público que determina a atuação do militar é a relevância constitucional e incumbência da manutenção da ordem pública e da segurança nacional confiada ao militar, que enrijece as leis destinadas a este, desde seu nascedouro, ou seja, a Constituição Federal, até as normas de pronta aplicação.
A igualdade entre civis e militares deve ser assegurada dentro dos limites impostos pela Constituição Federal, que deve ser interpretada como um todo, homogeneamente, e não em artigos isolados e restritivos. È o que assevera José Afonso da Silva, em relação à forma de interpretar a Constituição:
[ ] esse estudo sistematizado não há de ser tomado em sentido estrito de mera exposição do conteúdo dessas normas e regras fundamentais. Compreendera também a investigação de seu valor, sua eficácia, o que envolve critérios estimativos de interpretação, sempre correlacionando os esquemas normativos escritos, ou costumeiros, com a dinâmica sócio-cultural que nos informa.
A previsão constitucional da igualdade garantida a todo o cidadão brasileiro estende-se ao militar, nos limites determinados pela própria Constituição, devendo ser exercida sem nenhuma limitação de ordem estrutural, resguardando-se o respeito à ordem jurídica e aos demais direitos fundamentais, como a propósito sempre ocorrer com o exercício de qualquer direito, conforme adverte Joilson Fernandes de Gouveia:
Destarte, exsurge que o servidor público militar não pode e não deve ser considerado uma subespécie de ser humano ou entendidocomi um cidadão de 2ª classe. Ele é um cidadão igual a qualquer outro ser humano: não é, pois, subespécie do gênero humano. Muito pelo contrário, é um cidadão com um plus, posto que assume o tributo do sangue com o sacrifício da própria vida, no cumprimento de seu dever profissional, para assegurar que os demais servidores e cidadãos tenham preservadas a incolumidade física e patrimonial, a tranquilidade, a ordem e segurança públicas.
6.1 Divisão da Organização Militar 
	
As corporações militares estão divididas conforme o ente politico a que estão submetidas, desta forma a União estão vinculadas às Forças Armadas, constituídas pela Marinha, Exército e Aeronáutica; aos estados membros, Distrito Federal e Territórios estão vinculados as Polícias Militares e os Corpos de Bombeiros Militares, que são considerados forças de reserva e auxiliares do Exército.
 
6.1.1 Forças Armadas
O artigo 142 da Constituição delineia as Forças Armadas, como instituição necessária à defesa do estado, constituída pela Marinha, Exército e Aeronáutica:
As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, Exército e Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas como base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. 
Ao definir as Forças Armadas como instituições nacionais a Constituição conferiu importância e relativa autonomia jurídica decorrente de seu caráter institucional, objetivando desta forma limitar a instituição militar ao cumprimento de suas funções constitucionais previstas, evitando desta forma qualquer interferência no processo politico, econômica e social do país.
Como instituições nacionais, permanentes e regulares, estão vinculadas à própria vida e existência do Estado, não podendo desta forma ser dissolvidas, senão por decisão de uma nova assembleia Nacional Constituinte, e devem sempre contar com um efetivo suficiente pra o seu funcionamento e cumprimento de sua missão institucional.
As Forças Armadas compete à defesa das fronteiras e a segurança nacional, e em razão de sua missão defensiva e como garantidora da soberania nacional em face da sociedade de nações, sempre foi dedicada a esta instituição um destaque especial nas constituições, ocorrendo o mesmo na Carta Magna de 1988. Subordinada hierarquicamente ao Presidente da República e, dentro de cada uma de suas instituições, existe o vínculo de subordinação e graduação, um escalonamento hierárquico que lhe é peculiar.
	
6.1.2 Forças Auxiliares: Polícia Militar e Corpos de Bombeiros Militares
As forças auxiliares previstas no artigo 144, § 6º, da Constituição Federal, são constituídas pelas Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares, e seus integrantes estão subordinados ao Chefe do Executivo estadual, ou seja, devem obediência ao Governador do Estado e do Distrito Federal. Por disposição do § 5º do citado artigo a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros são responsáveis nos estados membros da federação e no Distrito Federal, pelo policiamento ostensivo e preventivo, a prevenção e combate de incêndios, busca e salvamento, entre outras atribuições concernentes a defesa civil.
Os Policiais Militares e o Corpo de Bombeiros Militares assim como os integrantes das Forças Armadas estão sujeitos ao princípio da hierarquia e da disciplina, sujeitando-se pelo seu descumprimento as penalidades previstas em lei. Sobre esta submissão, discorre José Luiz Dias Campos Júnior:
A condição de militares dos integrantes das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares, pelo exercício constante da hierarquia e da disciplina, longe de se constituir numa inconveniência, é fundamental ao desempenho das corporações como garantia de respeito aos direitos individuais e coletivos e como instrumento eficaz de realização do sistema de defesa do país. Seus regulamentos auxiliam na correção das atitudes aos que apresentam desvios de conduta.
Pontes de Miranda, ao tratar do assunto assim conceitua hierarquia:
( ) é conceito relativo a círculo dentro do qual ela se exerce. Não alude à governação, comando efetivo, a kratos (autocracia, democracia, aristocracia), e sim a archos (monarquia, oligarquia, anarquia) que significa ser guia, posição, algo de topológico em escalonamento.
Hierarquia expressa às diversas categorias de comando que constituem o escalão, e tem neste meio características particulares, de maior firmeza, maior coesão e o espirito e moral superiores, sendo uma “relação incessante de mando e obediência entre pessoas verticalmente ordenadas, operando-se de cima para baixo, do mais graduado ao mais inferior”, é a subordinação que fundamenta hierarquia, que está calcada na relação de ordem administrativa e jurídica que existe entre pessoas subordinadas umas as outras em razão de suas funções na corporação militar. A hierarquia é um dos pilares constitucionais da organização militar, e ausente à subordinação e a obediência, a própria instituição militar torna-se propensa à dissolução. As Forças Armadas e as força auxiliares não são uma associação igualitária, mas sim hierarquizada, através dos postos militares e funções dos respectivos serviços. E a subordinação decorrente da obediência hierárquica é que garante a coesão dos integrantes da corporação e sua agilidade no exercício das atividades constitucionalmente atribuídas.
Esmeraldino Bandeira define hierarquia militar como a relação de ordem administrativa e jurídica, que existe entre pessoas subordinadas uma as outras em razão de seus postos e funções na corporação militar.
A disciplina no âmbito do Direito Militar, diz respeito à rigorosa observância da lei e das ordens superiores. Tendo a hierarquia e disciplina como princípios e fundamentos, a polícia militarizada atuante no âmbito estadual visa garantir a segurança pública, conforme dispõe a Constituição Federal, bem como das disposições dos Estatutos das Policiais Militares, como no caso da Polícia Militar do Distrito Federal, lei 7.289/84, alterada pela Lei 7.475/86:
Art. 2º - A Polícia Militar do Distrito Federal, organizada com base na hierarquia e disciplina, considerada força auxiliar reserva do Exército, é destinada à manutenção da ordem pública e segurança interna do Distrito Federal.
Da Hierarquia Policial-Militar e da disciplina 
Art. 13 - A hierarquia e a disciplina são a base institucional da Polícia Militar, crescendo a autoridade e a responsabilidade com a elevação do grau hierárquico. 
§ 1º - A hierarquia é a ordenação da autoridade, em níveis diferentes, dentro da estrutura da Polícia Militar, por postos e graduações. Dentro de um mesmo posto ou graduação, a ordenação faz-se pela antiguidade nestes, sendo o respeito à hierarquia consubstanciado no espírito de acatamento da autoridade. 
§ 2º - Disciplina é a rigorosa observância e acatamento integral da legislação que fundamenta o organismo policial-militar e coordena seu funcionamento regular e harmônico, traduzindo-se pelo, perfeito cumprimento do dever por parte de todos e de cada um dos componentes desse organismo. 
§ 3º - A disciplina e o respeito à hierarquia devem ser mantidos em todas as circunstâncias pelos policiais-militares em atividade ou na inatividade. 
José Afonso da Silva assevera que esta segurança pública diz respeito à “atividade de vigilância, prevenção e repressão de condutas delituosas”, sendo que o intento do legislador constituinte foi atribuir às forças auxiliares a preservação ou restabelecimento da ordem social, em seus três aspectos, quais sejam a segurança pública, salubridade pública e a tranquilidade.
6.1.3 As Policias Militares
Em seus estudos alusivos às polícias e sociedades na Europa, Monet refere-se à instituição policial como:
(...) um tipo particular de organização burocrática, que se inspira ao mesmo tempo na pirâmide das organizações militares e no recorte funcional das administrações públicas. Hierarquia e disciplinaparecem às palavras-chave desse universo cujas engrenagens se esperam ver funcionar de modo azeitado e cujos agentes devem ‘marchar como um só homem’ sob a ordem de seus chefes. (MONET, 2001, p. 16)
O autor coloca que por sua hierarquia a polícia torna-se fracionária e permeada de conflitos de poder e por rivalidades históricas o que a torna difícil de ser controlada. De acordo com Monet:
Em todos os países, os policiais têm um estatuto diferente dos outros corpos de funcionários. O uniforme e a arma assinalam, de resto, sua pertença a um mundo à parte: aquele em que as interações com os administrados são ostensivamente colocadas sob o signo de uma relação de autoridade. Relação que parece excluir a priori qualquer ideia de discussão e de negociação. (MONET, 2001, p. 16)
Desta forma, percebemos que à função policial está afeita à manutenção de uma estrutura vigente, sem que haja espaços para considerações sobre quem detém o poder, ou seja, discussões sobre o jogo de forças e as relações de dominação no espaço social. Isto não assevera que no seio da instituição policial, os interesses deste ou daquele grupo não produzam seus reflexos, todavia, é uma prova que a polícia não é um serviço público neutro, imparcial, que trabalha sob o manto da equidade, sem deixar-se envolver pelas paixões, resguardada dos compromissos e influências decorrentes de acordos que nascem entre as diferentes classes no contexto da coletividade.
Ao contrário, a polícia é um instrumento de legitimação que a autoridade central conta, a partir do momento que essa legitimidade depende, em todas as partes, da capacidade do poder público de manter a ordem e a segurança junto aos governados. Logo, há um elo entre a soberania do Estado e a polícia, a qual passa a funcionar como a ferramenta para impor à população a Razão estatal sobre as razões individuais e de grupos isolados. Quanto a essa “parcialidade” política da instituição policial – onde está incrustada a manutenção das relações de poder vigentes na sociedade –, Monet afirma que:
A função policial [...] é hoje garantida, na maioria dos países do mundo, por agentes, subordinados a autoridades públicas que os recrutam, remuneram e controlam (...) Esse policiais podem ter situações diferentes conforme pertençam a uma polícia militar (grifo nosso) ou a uma polícia civil, a uma polícia municipal ou a uma polícia de Estado. Mas todos são, atualmente, recrutados, equipados, remunerados por fundos públicos. Recebem suas instruções via linhas hierárquicas de extensão variável, mas cujo cimo se encontra sempre num centro de poder político [...]. MONET, op cit, 26-27)
Daí, constatamos que a polícia é um reflexo do Estado onde está inserida, no que tange à atuação estatal e às bases culturais e sociológicas que envolvem a sociedade desse mesmo Estado. O processo é mais profundo e enceta uma mudança tanto de ações, quanto de mentalidade, nos diversos segmentos sociais e nos centros de poder. Assim, torna-se evidente que a forma de funcionamento e de atuação da polícia reflete a natureza do regime político vigente e das relações dos grupos com o espírito democrático. Como afirma Guimarães “é importante registrar que as Polícias são resultantes do contexto social em que atuam, pois são integradas por cidadãos oriundos da própria sociedade” (2000, p. 47).
A cultura institucional vigente nas Polícias Militares brasileiras não é mera consequência dos anos da ditadura militar que vigorou no Brasil a partir de 1964, como defendem alguns estudiosos da sociedade brasileira e que se interessam pela temática de polícia e da violência. Ela é produto de um processo representacional vigente no imaginário nacional e que sofre mutações no curso da história, acordadamente às mudanças ocorridas dentro da dinâmica do espaço social. 
6.1.4 Histórico
Foi a partir da vinda da família real portuguesa para o Brasil, em 1808, que D. João VI organiza uma polícia regular no Rio de Janeiro, criando no dia 10 de maio de 1808, a Intendência Geral de Polícia da Corte e do Estado do Brasil, recheada de múltiplas atribuições que em muito ultrapassavam a esfera da Segurança Pública.
Seguindo o exemplo de Lisboa, onde em 1801, surgiu o Corpo Real de Polícia, que contava “com o efetivo de 1.200 homens de Cavalaria e Infantaria” (idem, p. 8), dia 13 de maio de 1809, por ato de D. João VI, foi instituída a Divisão Militar da Guarda Real de Polícia, com um efetivo inicial de 118 homens, os quais estavam distribuídos em três companhias de infantaria e uma de cavalaria, substituindo o Corpo de Quadrilheiros, formado por policiais sem qualificação e que unicamente, executavam uma ronda noturna. Seguia o modelo policial militar francês, fundado em duas bases: a primeira de cunho puramente militar, chamada de Maréchaussée, com o objetivo de coibir, a princípio, a indisciplina, a pilhagem, os crimes de todo tipo e a deserção, práticas que comumente aconteciam no seio da tropa em campanha. Conforme os estudos de Monet:
[...] a Maréchausée é territorizalizada a partir do século XVI. Suas ligações com as autoridades militares se afrouxam. Em contrapartida, ela recupera suas competências de polícia civil nos campos: repressão da pilhagem, do contrabando, dos contrabandistas de sal que fraudam a gabela, dos motins, das insurreições camponesas, das tomadas de grãos à força em período de penúria. Ela vigia populações itinerantes, prende os vagabundos, os gatunos, os desertores. Enfim, ela assegura o controle das regras relativas ao comércio, à higiene... Em suma, já preenche as funções da guarda civil dos dias atuais. (MONET, 2001, p. 49)
Percebem-se claras similaridades entre o modelo policial francês e as instituições criadas por D. João VI no Brasil. A Divisão Militar da Guarda Real de Polícia, esta tinha o propósito de promover o policiamento da Corte, além de combater o contrabando e o descaminho, delitos que afetavam as finanças do tesouro real. Percebe-se, desta feita, que a instituição principiava sua dicotômica investidura policial e militar, considerando os fins para os quais fora criada.
O projeto da Constituição de 1824 elaborado pela Assembleia Geral Constituinte, posteriormente alterada e outorgada por D. Pedro I em 25 de março daquele ano, incluía em seu Título XII, que tratava das Forças Armadas, dispositivos referentes à segurança pública, em seus artigos 228 e 233. O art. 228 dividia a Força Armada Terrestre em três classes: exército de linha, milícia e guardas policiais; o art. 233 atribuía às milícias a função de manutenção da segurança pública no interior das comarcas.
Em 14 de junho de 1831, durante o período regencial, é criada em cada Distrito de Paz a Guarda Municipal. Todavia, em 18 de agosto daquele mesmo ano, publicou-se a lei que criava a Guarda Nacional e extinguia, no mesmo ato, as Guardas Municipais, os Corpos de Milícias e os Serviços de Ordenanças. Finalmente em 10 de outubro, ainda em 1831, uma lei reorganiza os Corpos de Guardas Municipais, agora com a terminologia “Permanentes”, ficando subordinada ao Ministro da Justiça e ao Comandante da Guarda Nacional.
As Guardas Municipais foram criadas como tropas de infantaria, com estruturas rígidas de oficiais e praças, à semelhança das forças do Exército. Suas patrulhas circulavam dia e noite, a pé ou a cavalo, devendo manter uma postura sóbria, cortês para com todos os cidadãos e eram autorizados a empregar a “força necessária” contra aqueles que resistissem à prisão, à abordagem ou a serem observados.
A mesma Carta Lei que criou esses Corpos, agregou-os aos Regimentos de Cavalaria das Tropas Pagas das Capitanias, bem como, autorizou aos Presidentes dos Conselhos das Províncias, criarem Corpos nas diversas Comarcas. Em 30 de novembro de 1841, foi proclamada a Lei de Meios do Império, que em seu artigo 3º, autorizava o Imperador a reorganizar o Corpo de Guardas Municipais da Corte do Rio de Janeiro, o que veio a ocorrer em 10 de julho de 1842, através do Regulamento nº 191, que estruturou o Corpo de Guardas Municipais Permanentes da Corte,como afirma Silva, “já ali denominado Corpo Policial” (SILVA, 1998, p.10).
Esse Regulamento, também aplicado às Províncias e desses Corpos provincianos, responsáveis pelo policiamento ostensivo preventivo e repressivo em seus territórios, originaram-se as Polícias Militares estaduais.
Desta feita surgiram em 1825, os Corpos Policiais da Bahia e de Pernambuco; em 1831, São Paulo; em 1832, Paraíba e Alagoas; em 1935 Sergipe, Santa Catarina, Mato Grosso, Espírito Santo e Ceará; em 1836, Maranhão, Piauí e Rio Grande do Norte, em 1837, Rio Grande do Sul e Amazonas; em 1854, Paraná; em 1858, Goiás e Minas Gerais.
A atuação dos Corpos era essencialmente voltada aos interesses da aristocracia escravocrata, no período do 2º Império, tendo sua militarização exacerbada após a participação na Guerra do Paraguai. Com isso, a prática crescente da truculência e da violência correspondia ao tratamento dispensado às questões de segurança pública, como, por exemplo, o açoitamento era uma prática comum visando preservar os interesses econômicos dos proprietários e esta era a via por onde circulavam as questões de segurança pública.
No cenário nacional, com o fim do Estado unitário e fortalecimento dos Estados Federativos, surgem interesses de dominação política nacional por parte dos Estados mais aquinhoados, como Minas Gerais e São Paulo. Assim, visando esses interesses, os detentores do poder político naqueles Estados trouxeram para o Brasil, nas primeiras décadas do século passado, missões oriundas de exércitos estrangeiros, notadamente, francês e suíço, as quais visitaram, respectivamente, as polícias paulista e mineira, que, por serem, à época centros que propagavam doutrina e conhecimento técnico-profissional de polícia, influenciavam na estrutura e militarização das forças dos demais Estados. Esta militarização acentua-se com a Missão Instrutora do Exército Brasileiro, alcançando além de São Paulo e Minas Gerais, o Distrito Federal e o Rio Grande do Sul.
Houve no período a preocupação em inserir no bojo da legislação federal, as milícias estaduais e o principal fato neste sentido, foi o atrelamento destas forças ao Exército, na condição de forças auxiliares. Silva relaciona um conjunto de artigos contidos na legislação federal da época, que tratam do assunto, conforme se pode verificar a seguir.
O artigo 32, Lei nº 1.860, de 4 de janeiro de 1908, que regulou o alistamento e o sorteio militar, além de reorganizar o Exército, estabelecia: “Art. 32 –
Auxiliarão as forças de 3ª linha os corpos estaduais de polícia organizados militarmente, quando postos à disposição do governo federal pelos Presidentes ou Governadores dos respectivos Estados. Uma vez sob as ordens do Governo Federal, esses corpos serão submetidos às leis e regulamentos militares da União”. O Decreto nº 11.497, de 23 de janeiro de 1915, determinava em seu Art. 10, § 3º: “Art. 10 - ........ § 3º - As forças não pertencentes ao Exército Nacional, que existirem permanentemente organizadas, com quadros efetivos, composição e instrução uniformes com os do Exército ativo, poderão ser a ele incorporados no caso de mobilização e por ocasião das grandes manobras anuais”. O art. 7º, da Lei nº 3.216, de 3 de janeiro de 1917, dizia: “Art. 7º - Na forma do Art. 10, § 3º, do Decreto nº
11.497, de 23 de fevereiro de 1915, a Brigada Policial do Distrito Federal, o Corpo de bombeiros [sic] desta Capital, as Polícias autorizadas dos Estados, cujos governadores estiverem de acordo, passarão a constituir forças auxiliares do Exército Nacional, ficando isentos os oficiais e praças das ditas corporações das exigências do sorteio militar”. Os artigos 8º e 12 da mesma lei estabeleciam pormenores e condições em que as “Polícias Militarizadas” poderiam ser consideradas forças auxiliares do Exército. Era primeira vez que aparecia num texto legal a expressão em que se originou a designação de Polícia Militar. (grifos meus) (SILVA, 1998,p. 14)
A Constituição de 10 de novembro de 1937, outorgada – a exemplo da Carta de 1824 – faz referência às Polícias Militares unicamente em seu artigo 16, conforme o texto abaixo:
Art. 16 - Compete privativamente à União o poder de legislar sobre as seguintes matérias:
[...] XXVI - organização, instrução, justiça e garantia das forças policiais dos Estados e sua utilização como reserva do Exército. (BRASIL, 2006, s.p.)
No ano de 1946, é elaborada e promulgada nova Constituição da República que em seus artigos 5º e 183, reafirmando, respectivamente, o controle sobre as Polícias Militares dos Estados e sua condição como forças auxiliares do Exército, conforme transcrito abaixo.
Art. 5º - Compete à União:
[...] XV - legislar sobre:
[...] f) organização, instrução, justiça e garantias das policias militares e condições gerais da sua utilização pelo Governo federal nos casos de mobilização ou de guerra;
[...] Art. 183 - As polícias militares instituídas para a segurança interna e a manutenção da ordem nos Estados, nos Territórios e no Distrito Federal, são consideradas, como forças auxiliares, reservas do Exército. (BRASIL, 2006, s.p.)
Os anos do governo de exceção ocorridos após o golpe militar de 1964 vieram apenas confirmar e fortalecer a tendência militarizante existente no sistema policial brasileiro desde o seu nascedouro. A implantação do regime contou com forte presença das forças policiais dos Estados, conforme registrou Borges Filho ao afirmar que:
Tanto para o dispositivo militar de João Goulart, que contava com a lealdade das policiais estaduais de governadores simpáticos ao governo federal, quanto para o esquema golpista, as PPMM eram peças fundamentais no quadro conspiratório.(BORGES FILHO, 1994, p. 67)
O autor prossegue apresentando fatores que asseveravam à Polícia Militar este caráter imprescindível ao sucesso pleno do movimento revolucionário: 
Alguns fatores, tidos como materiais, colocam as PPMM como forças mais aptas para a ação militar urbana: a) o contingente das policias estaduais é na maioria dos Estados, superior ao das FFAA na região; b) o armamento policial, mais leve, é o mais adequado para controlar e reprimir a “perturbação da ordem”; c) o policial militar, tendo em vista a sua ação permanente no policiamento ostensivo, está mais bem preparado para controlar e combater as forças de oposição; d) por deterem uma menor dose de politização, os policiais militares estão mais isentos do contágio político-ideológico e, portanto, mais acessíveis às ordens de comando numa operação de grave perturbação da ordem.(idem)
A Constituição de 1967, em seu artigo 13, parágrafo 4º, reiterava a missão das Polícias Militares como “instituídas para a manutenção da ordem e segurança interna nos Estados, nos Territórios e no Distrito Federal” (BRASIL, 2006, s.p.). Para Silva:
As expressões “segurança interna” e manutenção da ordem” eram interpretadas pelo Estado-Maior do Exército como estando numa relação de intensidade. Inicialmente seriam empregadas as forças estaduais. Incapazes ou insuficientes essas, as forças federais seriam empregadas para reforçá-las ou substituí-las. A expressão “manutenção da ordem” era, assim, tomada em seu sentido estrito, ou seja, relacionada a ações de controle em manifestações públicas e para as ações de choque nos casos de distúrbios civis. As funções policiais típicas eram desenvolvidas até 30 de dezembro de 1969 (Dec.-Lei nº 1.072) pelas demais organizações policiais então existentes nos Estados: polícias civis, guardas civis, guardas de vigilância, polícias de trânsito etc. [...] As Polícias Militares eram marcadamente aquarteladas, e acentuadamente ociosas. O texto da Constituição de 1946, pois, não deixava dúvidas quanto à prioridade no emprego da PM: a segurança interna.(SILVA, 1990, p. 184)
Em 13 de março de 1967, o Decreto-Lei nº 317, que ficou conhecido popularmente como “Lei Orgânica da Polícia”, reorganizou as Polícias Militares e os Corpos de Bombeiros Militares e, através de que em seu artigo 20, criou a Inspetoria Geral das Polícias Militares, efetivou, na prática,esse controle. Com isso, os governadores dos Estados não detinham autonomia de seus atos sobre as Polícias Militares de seus Estados, sem que para isso gozassem do aval do Estado-Maior do Exército, por maio da IGPM. Isso levou as Forças Públicas a militarizarem-se cada vez mais em sua cultura interna e subordinou, efetivamente, seus órgãos de inteligência aos órgãos de inteligência do Exército, focando de forma muito mais intensa os problemas de segurança interna, em detrimento das questões de segurança pública. Voltadas ao cumprimento da Lei de Segurança Nacional e à preocupação do “combate ao inimigo interno”, as Polícias Militares viram-se destituídas de sua identidade policial, que busca controlar a criminalidade e luta para minimizar os índices de violência, com enfoque privilegiado à prevenção, à negociação e à administração de conflitos, em lugar da repressão. 
7. CRIME MILITAR
Segundo Edmar Martins (2008) o Direito Penal Militar, dentre suas várias facetas, tem uma característica marcante, qual seja, sua aplicação em duas esferas, ou seja, em âmbito federal (militar das forças armadas e civis e como bem tutelado a regularidade das forças armadas) e em âmbito estadual (que tem como agente ativo somente os militares estaduais em detrimento dos bens das Instituições militares estaduais). De tal modo, apesar de as normas penais militares aplicadas aos dois tipos de militares serem as mesmas - Decreto-Lei 1.001, de 21/10/1969 (Código Penal Militar - CPM), e o Decreto-Lei 1.002, de 21/10/1969 (Código de Processo Penal Militar - CPPM) -, suas especificidades, em muitos casos, são bastante diferentes. Nessa esteira, observa-se que o civil pode cometer crime militar contra as Forças Armadas, mas não pratica tal delito contra as Organizações Militares dos Estados, pois à Auditoria Militar só compete julgar o militar estadual, nunca o cidadão comum. Isso se dá por mandamento Constitucional, qual seja, o artigo 125, §4º, que prescreve que compete à Justiça Militar estadual processar e julgar os policiais militares e bombeiros militares nos crimes militares, definidos em lei, não havendo, pois, menção ao julgamento de civis. Em contrapartida, o artigo 124 da CF estabelece competência para Justiça Militar federal julgar os crimes militares, pouco importando quem seja o autor, civil ou militar.
Célio Lobão define crime militar como a infração penal prevista na lei penal militar que lesiona bens ou interesses vinculados à destinação constitucional das instituições militares, às suas atribuições legais, ao seu funcionamento, à sua própria existência e - no aspecto particular da disciplina e da hierarquia - da proteção à autoridade militar e aos serviços militares. De acordo com renomados autores o delito militar pode-se se configurar em crime propriamente militar e impropriamente militar - divisão que encontra eco na própria Constituição Federal, art. 5º, LXI, que excepciona a necessidade de flagrância ou de ordem da autoridade judiciária competente para a execução de prisão com relação aos crimes propriamente militares.
Desta forma, pode-se conceituar os crimes propriamente militares ou crimes militares próprios como aqueles previstos somente no CPM e que exigem do agente a condição de militar. Nas palavras de Sílvio Teixeira Martins, são "aqueles cuja prática não seria possível senão por militar, porque essa qualidade do agente é essencial para que o fato delituoso se verifique". É o caso, por exemplo, dos crimes de deserção, motim, de violência contra superior, de violência contra inferior, de recusa de obediência, de abandono de posto, de conservação ilegal do comando etc. 
Em relação aos crimes impropriamente militares são aqueles previstos tanto no CPM quanto no Código Penal comum (CP), que, comuns em sua natureza, podem ser praticados por qualquer cidadão, civil ou militar, mas que, quando praticados em certas condições, a lei os considera militares. 
 Segundo Jorge César de Assis, os crimes militares impróprios são aqueles que estão definidos no Código Penal Militar (COM) e no Código Penal (CP) e que, por um artifício legal, tornam-se militares por se enquadrarem em uma das várias hipóteses do inc. II do art. 9º do Diploma Militar Repressivo. Neste sentido, são impropriamente militares os crimes de homicídio, lesão corporal, os crimes contra a honra, contra o patrimônio, o tráfico de entorpecentes, o peculato, a corrupção, e a falsidade, dentre outros. Note-se que tais crimes também estão previstos no CP comum, sendo que a diferença está justamente na subsunção ao artigo 9º do CPM.
Diferentemente dos integrantes das Forças Armadas, para a aplicação do Código Penal Militar, quando de delitos praticados por militares estaduais deve ser observado a consequente subsunção do seu art. 9º, somente é considerado militar estadual o Policial Militar e o Bombeiro Militar em atividade, ainda que em gozo de licença. Deste modo, excluem-se desse rol os militares estaduais inativos (reformados e os da reserva-remunerada), ressalvando-se os crimes praticados por eles antes da inatividade ou se perpetrados por inativo devidamente convocado para o serviço ativo, pois, neste caso, restabelece-se o vinculo com a instituição militar, oportunidade em que o inativo equipara-se a ao militar ativo para fins de aplicação da lei penal militar. 
Material ou substancialmente, crime é definido como lesão, ameaça de lesão ou exposição a perigo a um bem fundamental (que mereça tutela penal) para coexistência e o desenvolvimento social. Formalmente, o crime é a conduta descrita em lei para o qual se comina uma sanção penal. E, adotando-se a concepção analítica tripartida do delito, tem-se que uma conduta, para ser considerado crime, deve ser típica, antijurídica e culpável. Ademais, para ser considerada como um delito militar, ela tem que se amoldar a uma das situações prescritas pelo artigo 9º do CPM.
Quanto à aplicação da letra a do inciso II do art. 9º do CPM (militar em situação de atividade contra militar na mesma situação) importa salientar que a prática de qualquer crime tipificado no Código Castrense nessas condições abarca as condutas delitivas praticadas por militares no serviço ativo, estando ou não de serviço qualquer dos dois ou sendo de Corporações de Estados Federados distintos.
Com relação aos delitos envolvendo militares federais e estaduais entre si, não ocorre a subsunção da conduta à referida alínea a, pois na caracterização do delito militar, o militar estadual é considerado civil para efeitos de aplicação do Código Penal Militar frente à Justiça Militar federal, enquanto que o militar federal é considerado civil para efeitos de aplicação do Código Penal Militar frente à Justiça Militar estadual. Consequentemente, não é crime militar a prática de delito por um militar estadual contra um federal e vice-versa, afastando-se a referida hipótese. Não se deve esquecer, porém, que o crime militar, no aspecto federal, com tais sujeitos pode ocorrer em outras hipóteses elencadas pelo art. 9º do CPM.
A letra b do inciso II do art. 9º do CPM dispõe que é crime militar o delito praticado por militar em local sob a administração militar contra civil ou inativo. O local sob administração castrense pode ser definido como aquele que pertence ao patrimônio das Forças Armadas, das Corporações Militares Estaduais ou que se encontra sob a administração dessas instituições militares por disposição legal ou ordem da autoridade competente, podendo ser móvel ou imóvel. 
Por conseguinte, se o policial militar na ativa praticar qualquer dos crimes previstos no Código Penal Militar, em local sujeito à administração de uma Corporação Militar Estadual, mesmo estando de folga ou licença, sua conduta subsume-se ao referido inciso. Saliente-se que os postos destacados das Policias Militares, bem como o interior de suas viaturas, aeronaves e embarcações, são locais considerados sujeitos à administração militar para fins de aplicação do Código Penal Militar. 
Cumpre lembrar que o conceito de militar em serviço é

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