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Apostila estrutura anatomica e química da madeira

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cujo conjunto é denominado anel de 
crescimento. 
 
Figura 5. Diagrama esquemático do caule em seção transversal. 
 
 
Medula: 
 A medula é um tecido parenquimático, meristemático, continuo, localizado 
na região central do caule. Sua função é armazenar substâncias nutritivas para a 
planta. O tamanho, coloração e forma são muito variáveis, principalmente nas 
angiospermas. 
 Por ser um tecido parenquimático, é muito susceptível ao ataque de 
microorganismos xilófagos e por isso encontra-se com freqüência, toras com 
medula já deteriorada por ocasião de sua derrubada (toras ocas). 
 
Cerne e alburno: 
 O caule de uma planta jovem é constituído inteiramente de células vivas ou 
funcionais, responsáveis pela condução da seiva bruta (água e sais minerais) e 
outras atividades vitais associadas com o armazenamento de substâncias 
nutritivas. Até essa fase da formação do vegetal diz-se que seu caule é 
constituído só de alburno. Por ser constituído de células vivas, funcionais, o 
alburno é a região permeável do caule e que apresenta grande importância no 
ponto de vista de impregnação da madeira (Figura 6C). 
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 A riqueza de materiais nutritivos armazenados no alburno torna essa região 
muito procurada por insetos, brocas, fungos e outros microorganismos que a 
deterioram com relativa facilidade, principalmente quando as condições 
ambientais são propícias para o desenvolvimento desses agentes destruidores. 
 A largura do alburno é variável de espécie para espécie e é influenciada, 
até certo ponto, pelas condições de crescimento do vegetal, sendo, porém quase 
constante para uma espécie em particular (Figura 6C). 
 A partir de um determinado período de tempo, que varia com a espécie do 
vegetal e com as condições de seu crescimento, ocorre a morte do protoplasma 
das células centrais do caule, dando origem à formação do cerne. 
 Desse modo, as células da parte mais interna do alburno, com a perda da 
atividade fisiológica, vão se transformando em novas camadas de cerne. 
 A transformação de alburno em cerne é acompanhada pela formação de 
várias substâncias orgânicas conhecidas genericamente por extrativos e, 
particularmente em algumas angiospermas podem ocorrer às formações de tilos 
nos vasos, obstruindo parcial ou totalmente o lúmen dos mesmos. A deposição 
dos extrativos no cerne são marcados pelo escurecimento do tecido, resultando 
numa coloração que contrasta com a cor clara do alburno. A cor escura, 
entretanto, não indica necessariamente a existência de cerne, uma vez que em 
muitas madeiras, tanto em angiosperma como de gimnosperma, não se nota essa 
diferença de coloração. Mesmo assim a parte central do caule consiste de tecido 
fisiologicamente morto, constituindo o cerne. 
 De um modo geral, o cerne, além de apresentar quase sempre cor mais 
escura que o alburno, apresenta ainda baixa permeabilidade, durabilidade natural 
mais alta e massa específica ligeiramente superior. Este último fato torna as 
propriedades mecânicas do cerne um tanto superior às do alburno. 
 
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A B 
C 
Figura 6 – A - Anéis de crescimento (seta) – Barra = 1 cm; B - Anéis de 
crescimento em maior aumento (seta) – Barra = 1 mm; C – Cerne e alburno 
distintos pela cor – Barra = 1 cm; D – Tilos (seta preta). Parede do vaso (seta 
branca) – Barra = 150 µm (Fonte: Glória & Guerreiro, 2003). 
D 
 
 
Os tilos formam-se quando uma ou mais células parenquimáticas, 
adjacentes a um elemento de vaso ou traqueídeo inativo, se projetam através das 
pontuações para o lúmen do elemento do vaso ou traqueídeo, obliterando-o. A 
ocorrência dos tilos evita o fenômeno da cavitação (formação de bolhas de ar), 
que impede o transporte de água pelos elementos condutores contíguos ainda 
ativos. Os tilos podem possuir paredes delgadas ou muito espessas 
(esclerificadas) e apresentar, ou não, conteúdo de amido, cristais, substâncias 
fenólicas, resinas e gomas. Ferimentos externos e ataque de agentes xilófagos 
podem provocar o surgimento de tilos. 
A formação dos tilos é um processo irreversível que, esporadicamente, 
pode acontecer nas fibras. Os tilos ocorrem apenas nos elementos de vaso com 
diâmetro superior a 80 µm e com pontuações cujas dimensões sejam maiores que 
3 µm. Em elementos de vaso com diâmetro e pontuações inferiores a tais 
dimensões, formam-se depósitos de gomas. Nas gimnospermas dá-se o 
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tamponamento dos elementos inativos pela aspiração do torus, que bloqueia a 
abertura da pontuação (ver anatomia das gimnospermas). 
Cristais, principalmente o oxalato de cálcio, podem ser encontrados nas 
células do parênquima axial, nos raios, nas fibras e mesmo nos tilos. São mais 
freqüentes nas angiospermas e bastantes raros nas gimnospermas. Têm valor 
taxonômico e podem apresentar-se em diversas formas: ráfides, drusas, 
estilóides, cristais aciculares, cristais prismáticos (rombóides) e areia cristalina. 
Os cristais também podem estar presentes em células subdivididas do 
parênquima axial ou radial, formando cadeias – as séries cristalíferas -, às vezes 
bastante longas, com até mais de 50 células. Os cristais são birrefringentes sob 
luz polarizada, sendo facilmente reconhecidos com este recurso. 
 A sílica pode ser observada nos raios, no parênquima axial, nos 
elementos de vaso e nas fibras, em forma de partículas ou grãos ou ainda como 
agregados amorfos – corpos silicosos, grãos de sílica ou inclusões de sílica. Pode 
também encontrar-se incrustada na parede das células ou preencher totalmente o 
lúmen destas, formando uma estrutura de aspecto vítreo, denominado sílica 
vítrea. 
 
Casca: 
 A casca é constituída de duas camadas, sendo uma delas mais interna, 
fina, fisiologicamente ativa, de cor clara, que conduz a seiva elaborada, 
denominada casca interna ou floema. A mais externa, composta de tecido morto, 
denominada casca externa ou ritidoma, tem a função de proteger os tecidos vivos 
da árvore contra o ressecamento, ataque de microorganismos e insetos, injúrias 
mecânicas e variações climáticas. 
 
Câmbio: 
 Entre o alburno (xilema) e a casca interna (floema) encontra-se uma 
camada de células denominada região cambial ou câmbio. Este também é 
conhecido por câmbio vascular e é constituído por uma faixa de células 
meristemáticas secundárias que são responsáveis pela formação das chamadas 
células-mãe do xilema (lenho) e do floema (casca) (Ver item 3- Fisiologia da 
árvore). 
 
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Anéis de crescimento: 
 Em regiões onde as estações do ano são bem definidas, as árvores 
apresentam, nas estações da primavera e verão, onde normalmente existe 
bastante luz, calor e água, um rápido crescimento que pode diminuir ou cessar 
nas estações do outono e inverno, quando ocorre frio intenso e pouca luz. Isso faz 
com que o câmbio tenha atividades periódicas, dando origem aos anéis de 
crescimento, que são bem distintos nas madeiras de gimnosperma ou conífera. 
Esses anéis ou camadas apresentam um aspecto concêntrico quando 
observados no plano transversal e em forma de cones superpostos quando vistos 
no plano longitudinal – tangencial (Figura 7). O crescimento do anel começa na 
primavera indo até um ou dois meses antes do outono. Assim, no decurso da 
estação de crescimento, uma completa camada de lenho novo é acrescentada 
entre a casca e o lenho anteriormente formado. Num anel, a madeira inicialmente 
formada recebe o nome de lenho inicial ou primaveril ou precoce. A madeira que 
se formou no fim do período de crescimento é denominada de lenho tardio, de 
verão ou estival. 
 
Figura 7 – Disposição esquemática das camadas de crescimento no tronco 
(Fonte: Burger & Richter, 1991). 
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O lenho inicial apresenta células com paredes delgadas,

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