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Apostila estrutura anatomica e química da madeira

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diâmetro maior e 
comprimento relativamente menor do que as do lenho tardio. Portanto o lenho 
inicial é menos denso do que o tardio (Figura 8). 
Nas regiões de clima tropical, onde não há estações bem definidas, os 
anéis que se formam no caule podem não corresponder aos períodos anuais de 
crescimento, como também pode ocorrer o aparecimento de mais de um anel de 
crescimento durante o ano. 
Pode-se avaliar, com certa precisão, a idade de uma árvore do grupo das 
gimnospermas, pela contagem dos anéis de crescimento, no plano de topo, em 
um disco obtido do caule, rente ao solo. Nas madeiras de angiospermas, de 
regiões tropicais, a contagem dos anéis de crescimento é muito difícil ou até 
Figura 8 – Traqueídeo de um lenho inicial e do lenho tardio. 
impossível e, geralmente, não corresponde à idade da árvore. 
 
FISIOLOGIA DA ÁRVORE 
 
 das célula na árvore é a condução de líquidos, 
susten
Traqueídeo de lenho inicial Traqueídeo de lenho tardio 
 
As principais funções s 
tação do vegetal e condução, transformação e armazenamento de 
substâncias nutritivas. 
 
 
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Crescimento 
imento das árvores é devido à presença de tecidos designados 
meris
tema apical, que é o responsável pelo crescimento em altura, 
repres
ristema cambial, tecido 
constit
 podem amadurecer e se transformarem diretamente em 
xilema
stituem o câmbio são denominadas iniciais cambiais e 
ação de todo sistema 
 é realizado graças às iniciais 
 célula do 
O cresc
temas (do grego meristos = divisível), dotados de capacidade de produzir 
novas células. 
O meris
enta uma porção ínfima da árvore e localiza-se no ápice do tronco e ramos. 
Por meio de sucessivas divisões celulares, novas células são acrescentadas para 
baixo, enquanto o tecido meristemático vai sendo deslocado para cima. As células 
produzidas pelo meristema apical vão constituir os tecidos primários, como por 
exemplo, a medula, o córtex, a epiderme etc. Nas plantas jovens, há uma 
predominância de crescimento apical, o que explica a forma cônica de muitas 
espécies como o pinheiro-do-paraná enquanto jovens. 
O crescimento em diâmetro deve-se ao me
uído por uma camada de célula que se localiza entre o floema (casca 
interna) e o alburno. 
Essas células
 ou floema, ao se dividirem em novas células que se diferenciam nos vários 
constituintes da madeira. 
 As células que con
são de dois tipos: as iniciais fusiformes e as iniciais radiais. As primeiras são 
alongadas e as segundas são ligeiramente arredondadas. 
 As iniciais fusiformes são responsáveis pela form
axial do caule (fibras, traqueídeos, parênquima axial e elementos de vasos) e as 
iniciais radiais originam o sistema radial (raios). 
 O crescimento em diâmetro do caule
fusiformes que se dividem tangencialmente em duas células. Uma delas 
permanece meristemática como a cambial inicial e a outra cresce, se divide uma 
ou mais vezes diferenciando-se em célula madura do floema ou xilema. 
 A formação de novas células dá-se da seguinte maneira: em uma
câmbio (célula-mãe ou inicial) surge uma parede num plano tangencial (periclinal), 
originando duas células mais estreitas, absolutamente idênticas no inicio. Uma 
das duas células mantém o seu caráter embrionário e sofre um aumento de 
tamanho tornando-se uma célula-mãe original. A outra célula se diferenciará em 
um elemento constituinte ou do lenho (xilema) ou do floema (casca interna). Se a 
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célula que mantém o seu caráter embrionário é a mais externa das duas, a outra 
célula contígua irá constituir o xilema. Se for a mais interna, a outra irá formar o 
floema (Figura 9). 
 Uma vez formada, a nova célula xilemática irá sofrer um processo de 
 
ssura do xilema é muito superior à do floema devido às inicias 
élulas parenquimáticas (raios e parênquima axial), que 
armaz
as são altamente influenciados por condições 
diferenciação que envolve modificações na forma e tamanho, até se constituir 
num dos elementos típicos do lenho em questão, conforme determinação do 
código genético que a originou. 
 
c – Célula Mãe 
X – Célula Madura de Xilema 
Figura 9 – Esquema de divisão celular do câmbio para o crescimento em 
2 (a , b) – Célula Mãe de Xilema e seus derivados 
a 
X1 (a , a1 , b , b1) , X
P e P1 – Células Mãe de Floem
 
espessura do tronco: c – câmbio; P – floema; X = xilema. (Fonte: Panshin & 
Zeeuw, 1980). 
 
 A espe
cambiais produzirem maior numero de células mãe de xilema do que de floema. 
Além disso, após um período de aproximadamente um ano, o floema perde a sua 
atividade, se desloca para o exterior, vindo a constituir a casca externa que se 
descama periodicamente. 
Com exceção das c
enam substâncias nutritivas e apresentam grande longevidade, apenas as 
células mais jovens do lenho próximas ao câmbio são células vivas, apresentando 
núcleos e conteúdo celular. As demais morrem precocemente, perdendo o seu 
protoplasma; tornam-se simplesmente tubos ocos, nos quais apenas a estrutura 
da parede celular é mantida. 
 Portanto os meristem
climáticas, fato que origina a formação dos anéis de crescimento. 
 14 
Os dois meristemas, apical e cambial, estão intimamente ligados, formando 
um sistema fisiológico único na árvore, e as camadas de crescimento no tronco 
são como uma série de cones sobrepostos uns sobre os outros. Eis por que é 
importante, para se determinar a idade da árvore, que a amostra seja retirada a 
pouca altura do fuste (Figura 7). 
 
Condução de líquidos 
 As substâncias retiradas do solo pelas raízes (água e sais minerais) 
ascendem na forma de seiva bruta pelas regiões externas do alburno. Ao atingir 
as partes do vegetal que possuem clorofila, principalmente nas folhas, são 
transformadas pelo processo da fotossíntese em substâncias nutritivas, que 
descem pelas regiões internas da casca (floema), pelas células especiais: os 
tubos crivados (angiospermas) e as células crivadas (gimnosperma), nutrindo a 
árvore (Figura 10). 
 
Figura 10 – Condução de líquidos no tronco (Fonte: Burger & Richter, 1980) 
 
 As células que desempenham por excelência a função de condução de 
líquidos no lenho das gimnospermas e angiospermas são os traqueídeos axiais e 
os vasos, respectivamente. 
 Ao contrário dos traqueídeos e dos vasos, que assumem a função de 
condução após sua morte, as células do floema, responsáveis pelo transporte da 
seiva elaborada, são células vivas, translocando os nutrientes pela pressão 
osmótica de seus protoplasmas. 
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 O armazenamento das substâncias nutritivas é feito nos tecidos 
parenquimáticos: medula, parênquima axial e parênquima radial ou raios. 
Ocasionalmente, fibras vivas, também podem armazenar sustâncias nutritivas. 
 
Condução da seiva bruta: a teoria mais aceita atualmente para explicar a 
condução da seiva bruta é a da coesão-tensão, na qual a perda de água por 
transpiração atuaria como uma força de sucção de água. 
 A perda de água por transpiração nas folhas faz com que suas células 
fiquem com força de sucção aumentada, Com isso, tendem a absorver, por 
osmose, água do xilema, onde a concentração é menor. A água passa então do 
xilema para as células do colênquima das folhas. Como as moléculas de água 
ficam muito coesas, elas permanecem unidas entre si e são puxadas sob tensão. 
Forma-se, assim, uma coluna contínua de água no interior do xilema, desde as 
raízes até as folhas. 
 Sob essas condições, a água é absorvida do solo rapidamente, mesmo por 
raízes mortas, ou até mesmo sem a presença de raiz. Se cortarmos 
transversalmente o caule de uma planta e o mergulharmos em água, esta subirá 
até as folhas. É o que acontece quando colocamos ramos de flores em vasos

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