Kupfer, M. C. Freud e a Educação   O Mestre do Impossível
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Kupfer, M. C. Freud e a Educação O Mestre do Impossível


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\u2022\u2022FREUD E A EDUCACAO
o Mestre do Impossível
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FREUD E A EDUCACAO
o Mestre do Impossível
\u2022 Psicóloga formada pela uSP
\u2022 Mestre em Psicologia Escolar pela uSP
\u2022 Professora-assistente do Instituto de Psicologia da USP
\u2022 Psicanalista
editora scipione
Projeto editorial
Valdemar Vello
Edição
Heloisa Pimentel
Assistência editorial
Lidia Chaib e Maria Estela Heider Cavalheiro
Preparação
Célia M. Delmont de Andrade
Revisão
Jonas Pereira dos Santos e José Roberto Segantini
Coordenação de arte
Alice Reiko Haga
Programação visual
Jayme Leão
Ilustrações de miolo
LuizTrigo
Ilustração de capa
Reprodução da obra Duas mãos, de Mary Cassatt
Fotos de miolo
Arquivo da autora
111'"
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Edição de arte
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Coordenação de produção
José Antonio Ferraz
Gerência de marketing
Maria José Rosolino
Gerência comercial
Derival Polimeno Sobrinho
2005
ISBN 85-262-1473-X
3ª EDiÇÃO
10a impressão
Composição e arte-final
Diarte Editora e Comercial de Livros
IMPHESSÀü E ACAIlAMENTO
YangrafGrafica e Editora LIda.
Agradecimentos
Durante a realização deste livro contei com o apoio da
Fapesp, que financiava minha tese de doutorado, de cu-
ja pesquisa foi extraída boa parte do material necessário
a este livro.
A Lino de Macedo, orientador e amigo, devo o incen-
tivo e as discussões que contribuíram para a realização
deste trabalho.
A Luiz Fernando Zanin Oricchio, psicanalista, agra-
deço a leitura dos originais e as valiosas sugestões.
A José Paulo Kupfer, agradeço apaciência ae uma re-
visão crítica, cuidadosa, imprescindível.
SUMÁRIO
PREFACIO 5
APRESENTAÇÃO. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
INTRODUÇÃO. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 11
1. O PENSAMENTO DE FREUD SOBRE EDUCA-
çÃO 15
\u2022 Uma vida magistral: Freud, aluno e mestre. .. 16
- Freud e seus mestres. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 22
- Freud, ele próprio um mestre " 30
- O final da histôria . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 31
\u2022 O sonho possível: Freud pensa a Educação. . .. 33
- Osprimôrdios da teoria psicanalítica. . . . . .. 33
- Sexualidade e Educação 36
- Sexualidade infantt/ e Educação. . . . . . . . . . .. 38
- As pulsões parciais . .. . .. . .. .. . .. . .. . . . . .. 40
- A sublimação . . .. .. . .. . .. . .. . . . .. .. . . . .. .. 42
- Sublimação e educação " 43
- A educação sexual das crianças . . . . . . . . . . . . .. 46
\u2022 O sonho impossível: A desiiusão de Freud com
a Educação . . .. .. . .. . . . .. . .. . .. .. . .. . .. .. .. . .. . ... 5 O
- Por que a Educação é impossível ? . . . . . . . . . 5 O
- O problema do desprazer 55
2. PSICANMISE E EDUCAÇÃO NA ERA PÓS-
-FREUDIANA 61
\u2022 Uma bistôria de casamentos desfeitos: A apli-
cação da Psicanálise à Educação. . . . . . . . . . . . . . .. 62
- A dzfusão das idéias freudianas . . . . . . . . . . . .. 63
- Os casamentos da Psicanálise com a Educa-
ção. .. 67
3. A APRENDIZAGEM SEGUNDO FREUD 77
\u2022 O desejo de saber: Uma teoria freudiana da
aprendizagem 78
\u2022 Poder e desejo: A transferência na relação
professor-aluno. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 87
- O professor no lugar de transferência 93
CONCLUSÃO. . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 95
\u2022 O encontro da Psicanálise com a Educação:
Um desafio... 96
BIBLIOGRAFIA. . . .. .. .. .. .. .. .. .. ... 101
\u2022 Obras de Sigmund Freud citadas. . . . . . . . . . . . . 101
\u2022 Obras de outros autores. . .... 102
PREFÁCIO
"Vamos deixar claro para nós mesmos qual a tarefa
mais imediata da Educação. A criança deve aprender a
dominar seus instintos. É impossível lhe dar liberdade
para seguir sem restrições seus impulsos. Seria uma ex-
periência muito instrutiva para ospsicólogos de crianças,
mas os pais não poderiam viver, e as crianças mesmas te-
riam grande prejuízo, de imediato e com o passar do
tempo. Logo, a Educação tem que inibir, proibir, repn-
mir, e assim fez em todos os tempos. "
Estas afirmações de Preud, extraídas das Conferências
introdutôrias à Psicanálise, nos introduzem o tema das
relações entre Psicanálise e Educação, e da complexidade
da "missão" do educador.
Quando nasceu a Psicanálise, os educadores progres-
sistas se entusiasmaram com a possibtlidade de uma no-
va pedagogia, que, possuindo mais compreensão e con-
cedendo mais liberdade à criança, impedisse o surgi-
mento das angústias e neuroses. Com o aprofundamen-
to da pesquisa psicanalítica, logo se percebeu que essa
esperança era pouco realista. A ausência de restrições e
de orientação pode produzir delinqüentes, em vez de
crianças saudáveis. As angústias são inevitáveis; mesmo
a infâncza mais feliz tem seu grão de angústia.
Mas a repressão excessiva dos impulsos, como bem sa-
bemos, pode dar origem a distúrbios neuróticos. O pro-
blema, portanto, é encontrar um equiiibrio entre proi-
bição e permissão. Como ajudar esses "rnonsrrinhos" a
se transformarem em cidadãos capazes de amar e traba-
lhar? - eis a questão fundamental da Educação.
As limitações do trabalho pedagógico decorrem da
prôpria complexidade da psique humana, dos muitos
obstáculos interiores ao processo de amadurecimento,
do conflito entre o desejó individual e as exigências da
vida em comum'dade. Aji"nal, como sempre lembrava
Preud, em alguns anos a criança tem que se apropriar
dos resultados de miibares de anos de evolução cultural
humana.
Uma virtude deste livro de Mana Cnstina Kupfer é a
percepção que demonstra dos limites delicados da ação
pedagógica. É significativo que a autora tome como fio
condutor uma sentença de Freud - tão verdadeira
quanto espirituosa -, segundo a qual educar, governar
e psicanalisar são três profissões impossíveis.
A partir da constatação de que as idéias de Freud so-
bre a Educação não podem ser dissociadas de suas desco-
bertas psicanalíticas, e/a sintetiza as principais noções da
Psicanálise: recalque, sublimação, complexo de Édipo,
"puisões' inconscientes. E o faz de modo competente,
colocando em evidência o interesse dessas noções para o
educador (sendo mais feliz quando recorre diretamente
a Freud, dispensando os intérpretes).
A autora demonstra também audácia ao abordar a
chamada ''pulsão de morte" - o desejo inconsciente
de retomar à condição inanimada, que estaria presente
em todo ser vivo -, uma das hipóteses mais especulati-
vas de Freud, que ainda hoje não é aceita por todos os
p sicanalis tas.
Ela conclui, muito acertadamente, destacando o fenô-
meno da transferência. O aluno transfere para o profes-
sor os sentimentos carinhosos ou agressivos da sua relação
com os pais. Conscientemente ou não, o professor utzli-
za a ascendência que assim adquire sobre o aluno, para
transmitir ensinamentos, valores, inquietações. Pois não
é verdade que os professores de quem mais nos recorda-
mos, com quem mais aprendemos, são aqueles que me-
lhor nos seduziram? Na escola como na vida, nós a-
prendemos por amor a alguém.
PAULO CESAR SOUZA Paulo Cesar Souza é histo-
riador, tradutor e articulis-
ta da Folha de S. Paulo.
APRESENTAÇÃO
Preud acalentava o sonho de que um dia a Psicanálise
pudesse ser colocada a serviço da sociedade como um to-
do e, principalmente, da Educação. Mas por que imagi-
nava Preud que a Psicanálise teria uma contribuição a
dar à sociedade