Economia Regional e Urbana
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Economia Regional e Urbana

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pelas city regions, que não podem ser entendidas senão em
relação à complexa hierarquia de escalas territoriais interpenetrantes.

Essas regiões passam a ser consideradas o motor da economia global, já
que, num novo paradigma tecnológico, a grande concentração mitiga os custos
de transação, aumenta os efeitos de informação e flexibilidade, incentiva graus
crescentes de criatividade e inovação por causa da alta qualificação da força de
trabalho e oferece uma grande variedade de fornecedores e de oportunidades de
negócios. Dessa forma, um mosaico de grandes city regions constitui uma das
principais redes estruturais da nova economia global.

 Mesmo num mundo em que há um declínio acentuado dos custos de transportes e de
comunicações, ainda temos um mundo organizado ao redor de grandes regiões urbanas
(ao invés de um padrão mais difuso de localização), dada a forma com que a economia
destas regiões se liga em redes flexíveis de firmas que competem num crescente e extenso
mercado (SCOTT et al. 1999, p. 19).

No entanto, os efeitos da globalização e reestruturação econômica provocam
alguns reflexos na geografia social dessas regiões: aumento da heterogeneidade
cultural e demográfica; pronunciada mudança na morfologia espacial das city

7. O termo “governança” – do inglês governance – tem um significado contraditório, mas prende-se à ideia de
articular várias instâncias institucionais (governo, sindicatos, associações de classe, universidades, entre outras) para
conferir legitimidade ao enfrentamento dos problemas de um território. Embora a forma encontrada para a tradução
em castelhano pareça mais adequada (“formas de articulação de poder”), utilizaremos o termo governança, já usual,
mas lembrando que não se deve confundi-lo com “governo”.

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regions globais; e tendência a aumentar o fosso entre os ricos e os pobres em
termos econômicos, sociais e espaciais.

A globalização intensifica e estimula o crescimento de ocupações de altos
salários, mas também a proliferação de trabalhos marginais e desqualificados,
aumentando a segmentação social nas city regions. A ausência de condições de
governança no poder local provoca a substituição do poder público por organiza-
ções não governamentais, para a população pobre, com as quais não há garantia
de formas de proteção social. Para a população rica, há a privatização de serviços
públicos, e mesmo do espaço público.

Ou seja, as regiões são plataformas eficientes de vantagens competitivas, mas
não têm estruturas institucionais de governança para manter, nem a ordem social,
nem a virtuosidade da atividade econômica. Há uma pressão social crescente na
escala das city region(s), que provém da população imigrante, que tem papel essen-
cial no desenvolvimento econômico regional, seja com força de trabalho barata,
seja com empreendedores inovadores, especialmente em setores caracterizados
por pequenas firmas de produção flexível, como artigos do vestuário, eletrônica e
uma ampla variedade de serviços.8

A city region global heterogênea culturalmente, policêntrica, espacial e
socialmente segmentada é um tabuleiro de xadrez altamente fragmentado, de
desenvolvimento não disseminado a outras regiões. As regiões são plataformas
de vantagens competitivas, mas não possuem estruturas de governança nem
para quebrar a desigualdade social, nem para continuar mantendo as necessi-
dades da ordem econômica.

Segundo os autores, até recentemente, as regiões eram entes políticos que
faziam parte do território de um Estado-Nação, cujas regras eram determinadas
pela posição hierárquica inferior do nível de governo local, em relação ao nacio-
nal. As regiões eram vistas como uma administração eficiente de bens e serviços
públicos, por razões técnicas derivadas de sua escala geográfica. A partir dos anos
1970, um novo regionalismo emergiu como alternativa a este, não mais como
efeito de iniciativas de um governo central, mas como uma resposta local a um
conjunto de pressões postas em movimento pela emergência da city region como
um importante ator na economia mundial.

A governança tem que lidar com a coordenação socioeconômica, estabelecen-
do contatos entre agências governamentais e não governamentais, associações civis
e parcerias público-privadas e promovendo a coordenação do ambiente econômico
e social da city region global, como resposta às necessidades da concorrência global.

8. Embora os autores aqui estejam mirando o exemplo de Los Angeles, que, graças ao trabalho imigrante (quase sempre
ilegal), ultrapassa em muito a produção nova-iorquina tão decantada por Piore e Sabel (1984), ela vale também para o
extenso parque de confecções do município de São Paulo, com os imigrantes coreanos e bolivianos (Kontic, 2001).

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Nesse contexto, ganham importância as políticas de alcance local, que são formula-
das para intensificar as vantagens competitivas, encorajar a formação de novas em-
presas, melhorar o ambiente econômico para as firmas locais e fazer com que o clima
local de negócios seja mais atraente para o capital móvel. Esta atitude, contrária a
uma política centralizada de desenvolvimento regional, trabalha contra o equilíbrio
entre as regiões.

Muitas políticas de desenvolvimento local baseiam-se na atração de investi-
mentos de empresas transnacionais, envolvendo competição entre diversas regiões;
no entanto, pesquisas nos EUA e na Europa sugerem que políticas voltadas a assistir
e reter firmas já existentes são mais eficientes para o estímulo de crescimento econô-
mico local do que aquelas direcionadas à captação de novos investimentos de outro
local. A concorrência entre regiões oferece muito baixa (talvez negativa) taxa de re-
torno por dinheiro despendido pela comunidade local.

Os autores sugerem que, ultimamente, o termo “governança” adquiriu duas
conotações opostas com respeito ao papel do setor público: de um lado, na visão
neoliberal, há uma mescla entre o público e o privado, na qual a esfera pública
harmoniza interesses privados para superar falhas de mercado, criando um clima
de negócios positivo, de forma a tornar a região mais atrativa para novos investi-
dores e onde as empresas possam ter vantagens competitivas; o que for bom para
as firmas, será bom para a região.

De outro lado, há a visão institucionalista, na qual governança envolve um
conjunto de complexas reações institucionais aos problemas de ajuste econômico
e social no sistema local-global emergente. Desse ponto de vista, a governança das
city regions é parte de um problema maior de coordenação global contemporânea.
A tarefa crítica é a coordenação por meio de escalas geográficas, entre políticas
propostas por níveis regionais, nacionais e supranacionais.

Os desafios da governança podem ser resumidos em:

• equilibrar a concorrência no curto prazo e promover a cooperação no longo;

• habilidade das unidades políticas nacionais e supranacionais para coor-
denar interações das city regions;

• codificação de práticas locais, em termos de regras fixas de governo ou
de regras flexíveis de negociações interorganizacionais e interindividuais;

• gestão eficiente para fazer frente aos conflitos sociais e às instabilidades
decorrentes das iniquidades sociais.

Os processos de desenvolvimento urbano e regional descritos por Scott et
al. não se limitam aos países desenvolvidos; no caso dos países subdesenvolvi-
dos, as city regions desenvolvem-se como a principal concentração de atividades
econômicas avançadas em suas economias nacionais. Em muitos países, a rápida

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industrialização depende de concentração espacial de infraestrutura e atividade
econômica. Como o setor moderno da economia requer acesso a uma ampla
gama de fornecedores e de serviços, há uma tendência, nestes países, de supera-