Economia Regional e Urbana
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são fortemente integrados, esta re-
lação chega a 1/20. “Leamer e Storper mostram que não somente as
trocas entre países adjacentes constituem uma parte considerável e, gros-
so modo, estável, das trocas internacionais, mas que, paradoxalmente, a
queda muito importante dos custos de comunicação (de qualquer natu-
reza) não parecem ter senão um papel menor no crescimento das trocas
mundiais” (VELTZ, 2002, p. 57). É essencial lembrar que as atividades
“internacionalizadas” constituem apenas um dos componentes das ati-
vidades locais, e são geralmente minoritários em relação às atividades
exercidas nos mecanismos externos ao mercado.

• a mundialização é um processo de padronização – não se pode negar
que, levada pelas grandes multinacionais, uma certa uniformização dos
produtos se difundiu. Mas a globalização não é a unificação de merca-
dos. Os produtos mundiais e os símbolos mundiais, apesar de fortes (e
amplificados por uma poderosa mídia), são muito poucos. Os modos de

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consumo permanecem fortemente marcados pelos modos nacionais, ou
mesmo regionais. “Na grande maioria dos setores, globalização significa
ter em conta uma estratégia de abarcar a imensa diversidade do mundo.
Por isso as firmas confrontadas com a mundialização procuram mais di-
versificar suas organizações, capazes de perceber o meio. Toda a arte é,
portanto, combinar uma centralização estratégica e, de uma certa forma,
operacional com uma descentralização de organizações e de comércio”
(VELTZ, 2002, p. 60).

• a mundialização explica o desemprego e desqualifica os países de altos
salários e forte proteção social – certamente as firmas que só oferecem
produtos padronizados, facilmente substituíveis, e incluem custos eleva-
dos de mão de obra vivem mais perigosamente, uma vez que um mundo
aberto é mais arriscado aos territórios que só oferecem recursos banali-
zados. Mas a dramatização do discurso de “deslocalização” é enganosa,
pois a concorrência de países novos é um fenômeno de longa duração,
que não traz nada de novo (VELTZ, 2002). E a divisão internacional do
trabalho não se resume à oposição entre países do Norte de altos salários
e países do Sul de baixos salários.

Outro autor crítico à tese globalizante é Moulaert (2000). Ele descreve a tese
da globalização como a dinâmica de reestruturação econômica baseada na finança
global, na estratégia das corporações internacionais e completa liberalização dos
fluxos comerciais que levará, numa primeira fase, a um alto desemprego e desequi-
líbrios estruturais no mercado de trabalho, por causa da falta de adequadas habili-
dades e mobilidade do capital social. Numa segunda fase, contudo, a competição
global levará a uma economia moderna e internacionalmente integrada, na qual
cidades e regiões que aplicam as diretrizes da nova política econômica (ou seja,
que incrementem seu ambiente físico, com projetos de desenvolvimento urbano de
grande escala, inovem seus estoques de capital, treinem sua força de trabalho, esten-
dam suas redes de negócios, reforcem sua vida sociocultural) terão sucesso. Mas ou-
tras cidades que procurem melhorar sua situação de acordo com alguma lógica local
endógena e acreditem que possam determinar seu próprio destino como “franco-
atiradores” do capitalismo global perpetuarão sua história de desastre econômico.

Para Moulaert, a maior fragilidade da tese globalizante é o fato de ela ser
mostrada como uma mudança de época, formando um processo que nunca teria
ocorrido antes. Mas qual é a mudança, se vários dos seus mecanismos já existiam
desde os anos 1960, e até antes da Segunda Grande Guerra? O que muda, segun-
do o autor, é a intensidade de seu impacto e de seu alcance.

Se a globalização é, em primeiro lugar, identificada como um processo
geográfico, pode-se dizer também que ela é o resultado de outras mudanças

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estruturais conectadas com a expansão geográfica, das quais muitas podem ser
entendidas no contexto da crise do fordismo e na forma como as corporações e
o capital financeiro lidaram com ela. Para Moulaert, o real impacto quantitativo
destas mudanças é exagerado; além disso, são muito pouco discutidos, na tese
da globalização econômica, seus aspectos socioculturais.

Finalmente, a maioria das reconfigurações intelectuais do processo de glo-
balização omite a relação entre globalização econômica e globalização política,
de um lado, e a organização social das populações, de outro. Analistas da glo-
balização examinam a inclusão e o significado funcional das cidades na econo-
mia global. De acordo com esta lógica, eles se focalizam somente nas metrópoles
que podem desempenhar um importante papel nas redes da economia global.
Além disso, mesmo no caso destas cidades privilegiadas, eles consideram apenas
os comportamentos e mecanismos que são funcionais à economia global. Como
consequência, somente um pequeno número de grandes cidades e suas aspirações
globais é examinado.

Mas vimos que as formas espaciais locais, em suas dimensões física, econômica, cultural
e política, não podem ser reduzidas apenas como consequências da dinâmica de globa-
lização. Mesmo que se decida olhar somente para cidades que estejam envolvidas na
dinâmica globalizante, o discurso da globalização é insuficiente para analisar as relações
entre a sociedade urbana e o processo de globalização (MOULAERT, 2000, p. 27).

Essas críticas de Moulaert se chocam frontalmente com as das cidades globais,
já que seus analistas partem de alguns pressupostos para que uma grande cidade
possa ser considerada “mundial” ou “global”, sem, contudo, analisarem as relações
que ela possui com seu entorno, as condicionantes macroeconômicas impostas pelo
Estado nacional em que está localizada e, principalmente, sem analisarem suas evo-
luções histórica e social.

Um breve resumo deste longo arrazoado teórico pode ser dividido em duas
observações principais. A primeira é a de que uma região metropolitana se forma
a partir de processos sociais, culturais, políticos e econômicos, num território ge-
ograficamente determinado, ao longo de uma conformação histórica. Encontrar
um nexo causal entre apenas um destes processos (por mais importante que seja)
e o desenvolvimento metropolitano significa esquecer a parcela determinante dos
demais. Nos casos analisados, a importância conferida ao processo econômico
eclipsa os demais. O exemplo mais visível é o da Terceira Itália, em que o próprio
autor que criou o termo afirma que o processo histórico foi fundamental para
aquela região, o que não significa que deva ser tomado como um modelo geral.

Das correntes analisadas, a das cidades globais é a que apresenta resultados
mais pífios, quando se analisam as regiões metropolitanas dentro de uma visão mais
geral. Dizer que São Paulo passa a ser uma cidade global porque tem o principal

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sistema financeiro nacional, ou porque tem o maior número de viagens ou ligações
internacionais, ou as maiores firmas de propaganda e marketing ou advocacia, ou
possui mais ocupados no setor de serviços é um argumento fechado em si mesmo.
São Paulo é tudo isto, mas é também o principal centro industrial do país, com
indústrias modernas e outras nem tanto, criadas na diversidade de sua formação
histórica, que gerou um processo de desenvolvimento econômico que a tornou
também um enorme centro terciário. Não foi o processo de globalização que forjou
uma “nova” metrópole, atrelada a um “novo” modelo econômico de desenvolvimento.

Aí reside uma segunda observação às correntes elencadas: o modelo econômico
que lhes dá consistência não é, absolutamente, determinante das formas de produção
do capitalismo contemporâneo. Nem a especialização flexível, nem a globalização for-
jaram um modelo econômico preponderante como foi