Economia Regional e Urbana
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Economia Regional e Urbana

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das firmas. O locus preferencial da inovação é a firma,
porém uma firma contextualizada numa determinada estrutura de mercado,
região e (ou) país, com estratégias competitivas definidas, história e que, portanto,
acumula experiências suas, conhecimentos seus, não só nos equipamentos, mas
também em seus trabalhadores, técnicos, gerentes etc.

Há muitos fatores externos à firma que influenciam a introdução de
inovações, tais como: a ação e natureza do Estado, a situação da área científica
em cada país, as capacitações tecnológicas disponíveis, qualificações, condições
ocupacionais, o financiamento das inovações e as tendências macroeconômicas.

As firmas aprendem com sua experiência, mas também com outras firmas
com as quais partilham informação, conhecimento e tecnologias. Nesse sentido,
cada firma possui história, trajetória de desenvolvimento, explora novos caminhos,
novas rotinas e capacitações. Enfim, são núcleos de competência: a firma é o que
ela sabe fazer (DOSI, 1988). Esse processo evolutivo é capaz de interferir na
evolução das firmas, das estruturas industriais, de regiões e nações.

A construção desses resultados, ou seja, cada trajetória pode ser explicada
mediante dois conceitos-chave para a análise evolucionária Neoschumpeteriana:
a busca e a seleção (NELSON e WINTER, 1982; DOSI, 1984).

A contribuição Neosschumpeteriana e o desenvolvimento regional 119

A busca é um processo desencadeado dentro de cada firma para definir novos
produtos, novos formatos organizacionais, novos processos, enfim, inovações
que lhes garantam vantagens competitivas, tais como redução de custos, maior
participação nos mercados, personificando o próprio processo de concorrência.
Essa concorrência opera estabelecendo a seleção desses produtos e processos
encontrados pela firma num dado ambiente econômico, definindo quais
tecnologias devem ser superadas e quais devem ser incorporadas. Como resultante,
têm-se assimetrias reveladas nos custos, nos lucros e no tamanho das firmas.

A inter-relação entre as decisões das firmas e a ambiência externa –
entendida como mercados, instituições e a política pública – vai resultar numa
dada dinâmica industrial;7 dinâmica esta que se diferencia por setores produtivos
que possuem lógicas próprias de atuação nos mercados. Constituem-se, assim,
as trajetórias de longo prazo, as quais são definidas pelas alterações e mudanças
ligadas às decisões tecnológicas.

Para os neoschumpeterianos, portanto, as fases de expansão do sistema estão
associadas às grandes revoluções tecnológicas (PEREZ, 1985) e ao êxito de sua
difusão, o que depende fortemente da capacidade institucional de perceber a
transformação e promover as mudanças necessárias para que o sistema econômico
e a sociedade aproveitem todas as suas vantagens. Por sua vez, os períodos de
depressão estão associados aos momentos de transição entre tecnologias, regimes
tecnológicos ou paradigmas tecnológicos.8

É relevante também remarcar que a produção dos neoschumpeterianos
tem tido impactos positivos sobre os pesquisadores latino-americanos; essa
matriz teórica está presente nos cursos de economia, seus pressupostos orientam
o desenvolvimento de pesquisa empírica, constituindo enfim um importante
norteador da política pública de ciência e tecnologia, mas ainda não foi
incorporada suficientemente na discussão sobre o desenvolvimento regional.

Há, a nosso ver, duas razões para essa marca forte dos neoschumpeterianos.
Em primeiro lugar está o contexto histórico no qual essa análise teórica emerge.
Os primeiros trabalhos são dos anos1970, mas sua maior disseminação se faz a
partir da década de 1980. Naquela ocasião, o momento histórico era o do fim

7. A referência à ambiência e às Instituições é recorrente entre esses pesquisadores. Para exemplificar consideremos
a posição de dois autores importantes: segundo Nelson (1996) “as instituições referem-se a uma complexidade de
valores, normas, crenças, significados, símbolos, costumes e padrões socialmente aprendidos e compartilhados, que
delineiam o elenco de comportamento esperado e aceito em um contexto particular” já para Lundavall (2002) “Insti-
tutions as norms, habits and rules are deeply ingrained in society and they play a major role in determining how people
relate to each other and how they learn use their knowledge”.
8. O conceito de paradigma tecnológico é usado por grande parte dos neoschumpeterianos, mesmo que haja alguma
diferença conceitual entre eles. A nosso ver, a apresentação do conceito é feita por Dosi (1984); neste artigo, a
inspiração é de Carlota Perez (1985), em razão dos impactos institucionais, nos padrões produtivos e de consumo
considerados pela autora.

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dos anos dourados do capitalismo, retratado na crise do petróleo, na redução
do padrão de crescimento mundial e na ampliação do desemprego aberto.
Do mesmo modo, a fase de globalização que se instalava fazia-se por regionalizações
(comunidade europeia, Nafta, países asiáticos) e impôs mudança nos padrões
de concorrência interfirmas, permitiu a emergência da firma-rede como formato
organizacional dominante e a constituição de redes mundiais de subcontratação.9

A segunda razão foi a grande capacidade interpretativa dos neoschumpe-
terianos ao lançarem mão da análise de ciclos longos para evidenciar que tais
mudanças se faziam em decorrência de uma revolução tecnológica, a microele-
trônica, que viria a adentrar em todos os setores produtivos, alterando padrões
produtivos e de consumo.

Para Perez (1985), abria-se uma janela de oportunidade para os não
desenvolvidos, incluindo a América Latina, pois, como não haviam participado
de forma importante do paradigma anterior, o fordista, os nossos países poderiam
“entrar” de forma mais rápida no novo paradigma, desde que percebessem a natureza
da transformação propiciada pela microeletrônica e promovessem as mudanças
necessárias. Hoje sabemos que isso não aconteceu.

3 o SiSTEmA NACioNAl dE iNovAÇÃo (SNi)

Para os objetivos deste capítulo, um conceito fundamental dos neoschumpeterianos
é o de sistema nacional de inovações. De acordo com Lundvall (1992) e Freeman
(1995, p. 5), a primeira abordagem do conceito de SNI pode ser creditada a List
(1841/1983), que centrou sua atenção na importância da ação governamental para a
promoção do desenvolvimento, notadamente a educação, a promoção de indústrias
estratégicas, a acumulação de conhecimentos e, ainda, a coordenação de políticas de
longo prazo. Fagerberg (1995) argumenta também que List já apontava a importân-
cia dos usuários domésticos na conquista da competitividade internacional de cada
país. É exatamente a relevância da interação que aproxima as interpretações mais con-
temporâneas do SNI presentes na construção de Freeman (1987), Lundvall (1988;
1992) e Cooke et al. (1997) que iremos privilegiar. Nesse sentido, a inovação é tida
como um produto social e não apenas econômico, como pensava Schumpeter.10

9. A firma pode decidir estrategicamente configurar-se em rede. Este formato se caracteriza pela externalização de ati-
vidades antes desenvolvidas internamente. Isto implica uma intensificação e ampliação das relações com as empresas
fornecedoras numa prática de divisão dos riscos. Esta nova estrutura vai permitir à firma racionalizar seus processos e
ser mais flexível diante das instabilidades dos mercados de consumo e de trabalho. O êxito desse processo depende da
instituição de um sistema rígido de exigências e padrões produtivos e tecnológicos impostos aos fornecedores, carac-
terizando, assim, um formato de coordenação de fluxos de equipamentos, materiais e informações. No caso, por exem-
plo, da indústria automotiva, as diferentes ISOs auxiliam muito neste papel de coordenação (CARLEIAL et al. 2006).
10. Cabe observar que a dimensão do conflito presente em Marx e ausente