Economia Regional e Urbana
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Economia Regional e Urbana

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de inovação e
programas de inovação, buscando também responder em que medida o processo
inovativo é sistêmico nessas regiões.

Para Lundvall, o sistema regional de inovação é conceituado em termos de
uma ordem coletiva baseada numa regulação microinstitucional condicionada
pela confiança, segurança, troca e interação cooperativa. Integra-se, assim, a
economia evolucionária com a teoria do desenvolvimento regional voltada para
a inovação. Essa visão rigorosa lhe permite entender que são poucos os sistemas

14. Nesse aspecto, muito se falou sobre a potencialidade dos parques tecnológicos, mas os resultados no continente
são pífios.

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regionais de inovação consolidados no mundo atualmente, mas há muitos em
construção; bons exemplos são a Emília Romana, na Itália, e a região de Baden-
Württemberg, na Alemanha. Alerta, assim, para o tamanho do desafio de longo
prazo que constitui o desenvolvimento e a evolução de propostas de sistemas
regionais de inovação.

A questão central para o SRI é a existência de uma base produtiva e, em
torno dela, a construção de interação entre empresas, instituições e a organização
da sociedade. Há fatores históricos que determinam quais clusters produtivos
podem ancorar, atrair um sistema regional de inovação. É necessário construir ou
lançar mão (se existe) de uma rede de geração de conhecimentos e informações
(universidades, laboratórios, centros de treinamento) voltada para as necessidades
das firmas e do sistema produtivo regional com o objetivo de promover
inovações voltadas não só para a ampliação da competitividade, mas também
compromissada com o preenchimento de elos faltantes nas diferentes cadeias
produtivas e, assim, garantir um adensamento produtivo com geração de postos
de trabalho de qualidade.

O SRI depende, enfim, das economias de aglomeração, da capacidade de
potencializar as externalidades positivas, da cooperação entre os agentes e das
possibilidades de obtenção de financiamento. Todo esse cuidado indica que a
compreensão da instalação, da continuidade e do fortalecimento de um sistema
regional de inovação exige uma construção e um acompanhamento. Em cada
caso, as Instituições responsáveis devem promover a avaliação de progressos e
avanços obtidos, bem como as dificuldades que emperram tal avanço.

Ademais, é também importante considerar em que medida os sistemas
regionais de inovação estão mais ou menos articulados ao sistema nacional, bem
como aos processos/programas supranacionais de inovação.

Os sistemas regionais podem agregar distintas bases econômicas, mas
também podem ser setorializados ou, ainda, priorizar um conjunto de áreas.15
Um exemplo disso é o cluster tecnológico e científico coordenado pelo professor
Pierre Veltz, que agrega 23 atores no campus de Saclay, no sul de Paris, associando
empresas e universidades em torno da cooperação científica, especialmente a
criação de um núcleo de nanotecnologia Nano-Innov e outro sobre o veículo do
futuro, antecipando, dessa forma, novas mudanças tecnológicas. A base científica
apoia-se na matemática, física, química e biologia. A região agrega vinte comunas
(municípios), 12 universidades e laboratórios de pesquisa e um conjunto de
empresas; há a expectativa de que as plataformas tecnológicas que estruturam o
cluster acelerem a maturação tecnológica e a criação de empresas. Há também o
objetivo de uma reforma urbanística no território viabilizando a movimentação

15. No Brasil, a Amazônia poderia construir um sistema regional de inovação em torno da eletroeletrônica e outro em
torno do desenvolvimento da biodiversidade.

A contribuição Neosschumpeteriana e o desenvolvimento regional 125

rápida entre as diferentes instituições do cluster. Esse é um processo de criação de
uma instituição governamental criada por lei para viabilizar um cluster que, na
expectativa governamental, deve ser um dos mais importantes do mundo.16

Do mesmo modo, os sistemas produtivos regionais podem oferecer oportunidades
de complementações produtivas, estabelecendo efeitos encadeados à la Hirschman
(1961), estabelecendo efeitos para frente e para trás, permitindo o adensamento de
sua estrutura produtiva. Todo esse esforço tende a incentivar permanentemente a
introdução de inovações, reconhecida como um processo sistêmico.

Lundvall (1998, p. 10) considera que a tendência é de que cada sistema
regional de inovação agregue firmas de distintos tamanhos, grandes e pequenas,
que se relacionem em redes e não apenas entre si, mas com todo o aparato ne-
cessário à produção e à inovação, tais como: institutos de pesquisa, universida-
des, laboratórios, agências de transferência de tecnologias, câmaras de comércio,
agências e departamentos governamentais. Esta é a base para um acordo gover-
namental adequado, que consubstancie uma prática associativa voltada para uma
dada sociedade. Adicionalmente, defende que parte da regulação dessa rede pode
ser transferida para a região, como, por exemplo, o treinamento adequado aos
trabalhadores. Logo, o aprendizado institucional é uma condição sine qua non para
o sucesso do SRI.17

Finalmente, considera que há duas dimensões-chave de um SRI: a infra-
estrutura de governança e a superestrutura dos negócios. A superestrutura de
negócios, no caso brasileiro pode ser vista a partir de sua estrutura produtiva,
bem como a partir dos investimentos novos em curso e planejados; já a infraes-
trutura de governança é um desafio a ser construído.

Na seção seguinte, discutiremos como as pistas fornecidas pela proposta dos
sistemas regionais de inovação foram transformadas, entre nós, numa política
para arranjos produtivos locais.

5 A “TroPiCAlizAÇÃo” do CoNCEiTo dE SiSTEmAS rEgioNAiS dE iNovAÇÃo

[...] the mere popularity of a construct is by no means a guarantee of its profundity.

Martin e Sunley

Nos anos 1990 do século passado, a onda neoliberal invadiu sem pena o
continente latino-americano e promoveu, com a ajuda dos Estados nacionais,
privatizações, vendas de ativos nacionais a estrangeiros e perdas de elos

16. www.cluster-paris-saclay.fr
17. O aprendizado pode ser entendido, inicialmente, como a repetição e o aperfeiçoamento de uma tarefa por meio
da prática learning-by-doing. Em seguida, temos o learning-by-using, o learning-by-interacting, até quando a rede
consegue implementar sua estratégia e aperfeiçoá-la constantemente e tem-se o learnin-by-learning.

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importantes das cadeias produtivas industriais, iniciando, no Brasil, um processo
de desindustrialização (CARLEIAL, 2004). O processo de globalização, naquela
ocasião ainda não bem compreendido, teve o condão de gerar a crença da
“falta de lugar” para a ação estatal, para o planejamento e para as políticas de
desenvolvimento regional coordenadas nacionalmente. No caso brasileiro, foi
a época da intensa “guerra fiscal”, cada estado federado atraindo investimentos
externos, negociando a doação de terrenos, as isenções fiscais e a alíquota do
ICMS, iniciando-se a hegemonia do lugar, do local e do desenvolvimento local.

A proposta do desenvolvimento local não dialoga com a tradição furtadiana
da especificidade do subdesenvolvimento e atribui aos atores locais a capacidade de
implementar projetos e tomar decisões, contrapondo-se ainda ao que se chama de
políticas “top-down”.

No âmbito da teoria econômica, naquele momento, ganha relevância a
teoria do crescimento endógeno, a qual propõe a conciliação dos níveis macro e
microeconômicos, lançando mão das externalidades. No nível macro, alarga-se a
função de produção, antes definida pelo capital e força de trabalho, e que agora
passa a incluir o capital humano, a formação, a informação e o conhecimento.
Multiplicam-se, então, os estudos e as propostas de políticas voltadas para o local.
O desfecho brasileiro a essa