Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.
286 pág.

Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.

Disciplina:Gestão de Recursos Hídricos137 materiais1.411 seguidores
Pré-visualização50 páginas
são apresentados, resumidamente, nas tabelas 3.3 e 3.4 a seguir:

Manual de procedimentos de vigilância em saúde ambiental relacionada à qualidade da água para consumo humano

62 Secretaria de Vigilância em Saúde

Tabela 3.3 – Processos de tratamento de água e objetivos

PROCESSOS DE TRATAMENTO
OBJETIVOS

MAIS FREQüENTES MENOS FREQüENTES
Clarificação Remoção de turbidez, de microorganismos e de alguns

metais pesados.
Desinfecção Remoção de organismos patogênicos.

Fluoretação Proteção de cárie dentária infantil.
Controle de corrosão
e incrustação

Acondicionamento da água, de tal maneira que sejam
evitados os efeitos corrosivos ou incrustantes no sistema
de abastecimento e nas instalações domiciliares.

Abrandamento Redução da dureza, remoção de alguns contaminantes
inorgânicos.

Adsorção (ex.: filtração
em carvão ativado)

Remoção de contaminantes orgânicos e inorgânicos,
controle de sabor e odor.

Aeração Remoção de contaminantes orgânicos e oxidação
de substâncias inorgânicas, como o Fe e o Mn.

Oxidação (usualmente
pré-oxidação)

Remoção de contaminantes orgânicos e de substâncias
inorgânicas, como o Fe e o Mn.
Eliminação de gosto e sabor.
Remoção de cor.
Remoção de algas.
Remoção de matéria orgânica (COT) precursora da formação
de substâncias da desinfecção (trihalometanos).

Membranas
(ultrafiltração)

Remoção de contaminantes orgânicos e inorgânicos
e microorganismos patogênicos.

Troca iônica Remoção de contaminantes inorgânicos.

Fonte: Heller e Casseb (1995)

Manual de procedimentos de vigilância em saúde ambiental relacionada à qualidade da água para consumo humano

63 Secretaria de Vigilância em Saúde

Tabela 3.4 – Técnicas de tratamento de água e estimativa de remoção
de substâncias químicas que representam riscos à saúde

SUBSTÂNCIAS PROCESSO DE TRATAMENTO REMOÇÃO
Substâncias químicas inorgânicas

Antimônio Coagulação/filtração, osmose inversa efetiva
Arsênico Coagulação/filtração, troca iônica, osmose inversa,

eletrodiálise
<20 µg/L

Bário Troca iônica 95%
Cádmio ? ?

Cianeto Cloração efetiva
Chumbo Correção de pH* -
Cobre Coagulação/filtração (i), troca iônica, osmose inversa,

abrandamento (ii)
60-95% (i)
90-95% (ii)

Cromo Coagulação/filtração, abrandamento (Cr III) > 90%
Fluoreto Adsorção com alumínio ativado, osmose inversa 95%
Mercúrio inorgânico Coagulação/filtração, adsorção em carvão ativado,

osmose inversa
> 90%

Nitrato (como N) Troca iônica, osmose inversa > 90%
Nitrito (como N) Troca iônica, osmose inversa > 90%
Selênio Coagulação/filtração

Troca iônica, osmose inversa?
30-50%

Substâncias químicas orgânicas**

Acrilamida 1 Adsorção em carvão ativado granulado
Benzeno 1 Adsorção em carvão ativado granulado
Cloreto de vinila 2 Adsorção em carvão ativado granulado, volatilização em torres de aeração
1,2 Dicloroetano 2 Adsorção em carvão ativado granulado, volatilização em torres de aeração
1-1 Dicloroeteno 2 Adsorção em carvão ativado granulado, volatilização em torres de aeração
Diclorometano 1 Adsorção em carvão ativado granulado
Estireno 2 Adsorção em carvão ativado granulado, volatilização em torres de aeração
Tetracloreto de carbono (COV) Adsorção em carvão ativado granulado, volatilização em torres de aeração
Tetracloroeteno 2 Adsorção em carvão ativado granulado, volatilização em torres de aeração
Triclorobenzenos 2 Adsorção em carvão ativado granulado
Tricloroeteno 2 Adsorção em carvão ativado granulado, volatilização em torres de aeração

Agrotóxicos
Alaclor 1 Adsorção em carvão ativado granulado
Aldrin e dieldrin 1 Adsorção em carvão ativado granulado
Atrazina 1 Adsorção em carvão ativado granulado
Bentazona 1 Adsorção em carvão ativado granulado
Clordano 1 Adsorção em carvão ativado granulado
2,4 D 1 Adsorção em carvão ativado granulado
DDT 1 Adsorção em carvão ativado granulado
Endrin 1 Adsorção em carvão ativado granulado
Glifosato 1 Adsorção em carvão ativado granulado

Continua...

Manual de procedimentos de vigilância em saúde ambiental relacionada à qualidade da água para consumo humano

64 Secretaria de Vigilância em Saúde

SUBSTÂNCIAS PROCESSO DE TRATAMENTO REMOÇÃO
Heptacloro e Hepatcloro-
epóxido 1 Adsorção em carvão ativado granulado

Hexaclorobenzeno 1 Adsorção em carvão ativado granulado
Lindano 1 Adsorção em carvão ativado granulado
Metolacloro 1

Metoxicloro 1 Adsorção em carvão ativado granulado
Molinato 2 Adsorção em carvão ativado granulado, volatilização em torres de aeração
Pendimetalina 2 Adsorção em carvão ativado granulado, volatilização em torres de aeração
Pentaclorofenol 2 Adsorção em carvão ativado granulado
Permetrina1 Adsorção em carvão ativado granulado
Propanil 1 Adsorção em carvão ativado granulado
Simazina 1 Adsorção em carvão ativado granulado
Trifuralina 1 Adsorção em carvão ativado granulado

? pouco conhecido em termos de viabilidade técnico-econômica do tratamento para remoção efetiva;
* com vistas à prevenção de corrosão em sistemas de distribuição;
** informações baseadas nas recomendações sobre a melhor tecnologia disponível para a remoção

efetiva de compostos orgânicos sintéticos 1, compostos orgânicos voláteis 2 (Usepa, 1992).

• Desinfecção

Dentre os desinfetantes mais freqüentemente utilizados, devem ser destacadas
algumas de suas vantagens e desvantagens, conforme Tabela 3.5.

Tabela 3.5 – Características dos principais desinfetantes utilizados
no tratamento da água para consumo humano

DESINFETANTE VANTAGENS DESVANTAGENS

Cloro • elevada eficiência na inativação
de bactérias e vírus

• efeito residual relativamente estável
• baixo custo
• manuseio relativamente simples
• grande disponibilidade no mercado

• limitada eficiência na inativação de cistos
de protozoários e ovos de helmintos

• na presença de matéria orgânica pode
formar compostos tóxicos, principalmente
trihalometanos (THM)

• em doses elevadas pode produzir forte
odor e sabor

• alguns subprodutos como clorofenóis
provocam também odor e sabor

Dióxido de
cloro

• desinfetante mais potente, inclusive
na inativação de cistos de protozoários

• coliformes totais inferiores aos do cloro
• não forma trihalometanos (THM)
• eficiência estável em amplas faixas de pH

• na presença de matéria orgânica pode for-
mar outros subprodutos tóxicos (clorito)

• residuais desinfetantes menos estáveis
• em doses elevadas pode produzir forte

odor e sabor
• operação mais delicada e complexa

Continuação

Continua...

Manual de procedimentos de vigilância em saúde ambiental relacionada à qualidade da água para consumo humano

65 Secretaria de Vigilância em Saúde

DESINFETANTE VANTAGENS DESVANTAGENS

Ozônio • desinfetante mais potente, inclusive
na inativação de cistos de protozoários

• menor risco de formação de subprodutos
tóxicos

• não provoca odor e sabor
• coliformes totais inferiores aos do cloro

• pode formar outros subprodutos tóxicos
(bromatos)

• não apresenta poder residual
• custos elevados
• técnicas de aplicação mais sofisticadas

Radiação
ultravioleta

• elevada eficiência na destruição dos mais
diversos microorganismos em tempo
de contato reduzido

• não forma subprodutos
• não provoca odor e sabor

• não apresenta poder residual
• redução significativa da eficiência com

o aumento da cor ou turbidez da água
• custos elevados
• técnicas de aplicação mais sofisticadas

Fonte: adaptado de Reiff e Witt (1995).

Muito embora o cloro apresente algumas limitações como desinfetante no tra-
tamento da água para consumo humano, por seus atributos positivos continua
sendo, de longe, o mais utilizado.

Os principais produtos de cloro utilizados no tratamento de água para consumo
humano são:

• cloro-gás: fornecido liquefeito em cilindro sob pressão, com elevada pureza;
gás altamente tóxico;

• hipoclorito de cálcio: fornecido em forma de pó branco, com teor de
cloro de 60%-70%; armazenamento por um ano, com perdas da ordem
de 2%-2,5%; corrosivo;

• hipoclorido de sódio: fornecido em solução líquida, com teor de cloro
de (10%-15%), armazenamento por um mês,