Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.
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Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.

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praticamente uma regra no país. Em edifí-
cios mais altos, é bastante freqüente o emprego de reservatórios inferiores (no
primeiro piso), dotados de sistema de recalque a reservatórios superiores (na
última laje).

Em geral, as responsabilidades do controle de qualidade da água vão até a
ligação da rede de distribuição com a instalação predial. A responsabilidade de
conservação das instalações prediais recai sobre os proprietários ou usuários,
entretanto, do ponto de vista da vigilância da qualidade da água para con-
sumo humano, interessa conhecer os pontos frágeis e a qualidade da água
intradomiciliar.

Figura 3.17 – Sistema de distribuição misto

Fonte: Barros et al. (1995)

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3.3 COMPONENTES DE SOLUÇõES ALTERNATIVAS
DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA

Sob o ponto de vista físico, determinados tipos de soluções alternativas
podem ser idênticos aos sistemas de abastecimento, como as instalações con-
dominiais horizontais, por exemplo. Neste caso, a diferenciação estaria ape-
nas no fato de a responsabilidade não ser do poder público, e sim do próprio
condomínio.

Em outras condições, as soluções alternativas diferenciam-se dos sistemas de
abastecimento por não apresentarem rede de distribuição, sendo, entretanto, a
água utilizada de forma coletiva. Como exemplos, citam-se os caminhões-pipas e
os chafarizes, dentre outros.

Para efeito do desenvolvimento dos presentes itens, configuram-se duas moda-
lidades de soluções alternativas:

• Soluções alternativas coletivas com rede de distribuição
• Soluções alternativas coletivas sem rede de distribuição

As unidades constituintes de soluções alternativas coletivas com rede de distribui-
ção são essencialmente as mesmas que compõem os sistemas de abastecimento de
água, ao menos em partes, detalhadas no item 3.2.

Com relação às soluções alternativas coletivas sem de rede de distribuição, são
vários os arranjos passíveis de serem encontrados nestas soluções alternativas, po-
dendo ser agrupadas de acordo com o tipo de manancial e a forma de distribuição
de água.

Tipo de manancial

• Subterrâneo
• fontes, nascentes, minas
• poços

• Superficial
• Água de chuva

Forma de distribuição

• Chafariz ou torneira pública
• Veículo transportador

Os dispositivos de captação e adução normalmente encontrados nas soluções
alternativas coletivas sem rede de distribuição são similares aos descritos para os
sistemas de abastecimento de água.

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Um caso particular seria a captação de água de chuva e o armazenamento em
reservatórios coletivos, os quais encontram especial aplicação em regiões de clima
seco. Os reservatórios coletivos são em geral construídos em concreto e abastecidos
por campos de infiltração e sistemas de drenagem.

Nas soluções alternativas coletivas sem rede de distribuição, é comum encon-
trar reservatórios elevados ou apoiados, acoplados a chafarizes ou torneiras
públicas.

Os veículos transportadores são bastante difundidos no Brasil, com a finali-
dade de atender à população que não conta com água encanada, ou mesmo em
municípios que contam com sistemas de abastecimento de água mas enfrentam
problemas de intermitência. Se a distribuição for realizada com veículo trans-
portador, devem ser observados os procedimentos específicos estabelecidos na
Portaria MS no 518/2004.

3.4 COMPONENTES DE SOLUÇõES ALTERNATIVAS
INDIVIDUAIS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA

As fontes de água mais freqüentes em soluções alternativas individuais de
abastecimento de água são os poços rasos, os poços profundos freáticos ou
artesianos, as nascentes e as minas, a captação de águas de chuva e, em menor
proporção, as águas superficiais.

Em boa parte das situações citadas anteriormente, os dispositivos de captação
são descritos em itens anteriores, cabendo aqui alguns destaques adicionais.

No caso de águas de chuvas, os reservatórios individuais (cisternas) geralmente
acumulam a água captada da superfície dos telhados. Podem ser construídos em
concreto, adquiridos pré-fabricados em cimento ou plástico ou simplesmente re-
sultarem da utilização de tambores. Em qualquer situação, os reservatórios devem
ser bem protegidos (Figura 3.18).

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Figura 3.18 – Captação de água de chuva com detalhe de corte de cisterna
bem protegida

Fonte: Funasa (1999)

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3.5 SOLUÇõES SIMPLIFICADAS PARA A DESINFECÇÃO

Em relação à necessidade de tratamento, cabe ressaltar que, de acordo com o
disposto na Portaria MS no 518/2004: “Toda água fornecida coletivamente deve ser
submetida a processo de desinfecção”.

Nas soluções alternativas mais complexas ou completas, principalmente se su-
pridas por manancial superficial, podem ser encontrados os diversos tipos de trata-
mento apresentados nos sistemas de abastecimento de água. Em situações em que
se exija apenas a desinfecção, por exemplo, de mananciais subterrâneos, e em várias
das soluções alternativas sem rede de distribuição, ou em soluções alternativas in-
dividuais, cabem soluções de desinfecção denominadas de simplificadas, algumas
das quais exemplificadas a seguir:

CLORADOR POR DIFUSÃO

O uso disseminado de poços rasos no Brasil, especialmente nas localidades onde
inexiste sistema coletivo de abastecimento de água, torna este dispositivo bastante
útil. Trata-se de um equipamento para dosagem de cloro que pode ser instalado no
interior do poço raso e libera cloro em taxa relativamente homogênea, mantendo
um teor residual até o término de sua vida útil, usualmente em torno de trinta dias.
Nesse momento, deve ser substituído.

O dosador é constituído de um recipiente perfurado contendo uma mistura de
areia–cloro (Figura 3.19). Quanto à mistura, são utilizados a areia com um produto
granular de cloro, podendo ser a cal clorada, que possui cerca de 30% de cloro ativo,
ou o hipoclorito de cálcio, com aproximadamente 70%.

Figura 3.19 – Dosador por difusão

Fonte: Barros et al. (1995)

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CLORAÇÃO COM PASTILHAS

Pastilhas de cloro podem ser utilizadas, por exemplo, em soluções alternativas
individuais ou em reservatórios; observação deve ser feita para o fato de que as
pastilhas para piscinas não devem ser empregadas para a desinfecção da água de
consumo humano. Uma alternativa interessante é o clorador de pastilhas, que dis-
pensa aparatos para a dosagem do cloro, uma vez que a cloração é realizada em
linha, sendo o clorador instalado na canalização de água.

DESINFECÇÃO COM CLORO LíQUIDO

Neste caso, deve ser calculada a diluição necessária para o preparo da solução,
observando o teor de cloro livre do produto empregado. Se água sanitária ou hipo-
clorito de sódio a 12% -15%, sugere-se preparar uma solução a 2% e dosar o neces-
sário para satisfazer a demanda de cloro na água, que é considerada em função da
quantidade de matéria orgânica presente. Quando não é realizado um ensaio para
a determinação da demanda de cloro, pode-se empregar, como referência, dosagens
entre 1 e 5 mg/L. Um problema relativo ao uso da água sanitária para a desinfecção
refere-se à possibilidade de adulteração, resultando em concentrações de cloro no
produto inferiores às constantes no rótulo.

UNIDADES DE TRATAMENTO DOMICILIAR

A utilização de unidades de tratamento domiciliar ganha cada vez mais mercado
no país, constituindo-se a prática da filtração em um hábito cultural dos brasilei-
ros.