Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.
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Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.

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rios são (USEPA, 2000; USEPA, 2001):

• Remoção/inativação conjunta, por meio da filtração–desinfecção, de
99,9% (3 log) de cistos de Giardia: turbidez da água filtrada inferior a
0,5 UT para a filtração rápida e 1,0 UT para a filtração lenta (2,5 log de
remoção), complementada por desinfecção adequada para inativação
equivalente a 0,5 logs, controlada pelo tempo de contato, residual de
cloro livre e temperatura.

• Remoção de 99% (2,0 log) de oocistos de Cryptosporidium: turbidez
da água filtrada inferior a 0,3 UT para a filtração rápida e 1,0 UT para a
filtração lenta.

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A turbidez da água pré-desinfecção, precedida ou não de filtração, é também
um parâmetro de controle da eficiência da desinfecção, no entendimento de que
partículas em suspensão podem proteger os microorganismos da ação do desinfe-
tante (OMS, 1995).

Do exposto, compreende-se por que o padrão de turbidez da água pré-desinfec-
ção ou pós-filtração é um componente do padrão microbiológico de potabilidade
da água (Tabela 4.3).

Tabela 4.3 – Padrão de turbidez para água pós-filtração ou pré-
desinfecção, Portaria MS no 518/2004

TRATAMENTO DA ÁGUA VMP1

Desinfecção (água subterrânea) 1,0 UT2 em 95% das amostras

Filtração rápida (tratamento completo ou filtração direta) 1,0 UT2

Filtração lenta 2,0 UT2 em 95% das amostras

1 Valor máximo permitido.
2 Unidade de turbidez.

No Artigo 12, parágrafo 2o da Portaria MS no 518/2004, encontra-se a seguinte
recomendação:

Com vistas a assegurar a adequada eficiência de remoção de enterovírus, cistos
de Giardia spp e oocistos de Cryptosporidium sp., recomenda-se, enfaticamente,
que, para a filtração rápida, se estabeleça como meta a obtenção de efluente fil-
trado com valores de turbidez inferiores a 0,5 UT em 95% dos dados mensais e
nunca superiores a 5,0 UT.

CLORO RESIDUAL

Um dos mais importantes atributos de um desinfetante é sua capacidade de
manter residuais minimamente estáveis após sua aplicação e reações na água, sen-
do esta uma das principais vantagens do cloro.

Na saída do tanque de contato, a medida do cloro residual cumpre um papel
de indicador da eficiência da desinfecção, devendo ser observado um mínimo de
0,5mg/L de cloro livre. No sistema de distribuição, a manutenção de residuais de
cloro tem por objetivo prevenir a pós-contaminação, sendo sua medida também
um indicador da segurança da água distribuída. No sistema de distribuição, deve
ser mantido um teor de cloro residual livre de 0,2 mg/L.

Portanto, em qualquer situação o cloro residual é um parâmetro indicador de
potabilidade microbiológica da água.

Em geral, considera-se que os problemas de odor e sabor na água são mais sen-
tidos em concentrações acima de 1 mg/L e que nenhum efeito adverso à saúde é
observado até teores de cloro livre de 5 mg/L (OMS, 1995).

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4.2 SUBSTÂNCIAS QUíMICAS QUE REPRESENTAM
RISCO À SAÚDE

A presença de substâncias químicas dissolvidas pode ser natural e decorrente do
elevado poder solvente da água ou de natureza antropogênica (poluição). É, por-
tanto, resultado das características específicas da bacia, incluindo aspectos geomor-
fológicos, a intensidade e a natureza de atividades industriais e agrícolas, além de
características inerentes à própria substância, tais como solubilidade e persistência
no solo e na água.

No estabelecimento do padrão de potabilidade para substâncias químicas (or-
gânicas e inorgânicas), que representam riscos à saúde, são levados em considera-
ção os efeitos crônicos resultantes de exposição prolongada, ou seja, da ingestão
contínua de água com uma dada concentração de uma substância. O padrão para
cada substância (VMP) é usualmente estabelecido com base na aceitação de um
nível de risco (ex.: 10-5, o que significa se considerar aceitável um caso de dano à
saúde em cada 100 mil pessoas dentre uma população consumidora ao longo de se-
tenta anos) e de evidências toxicológicas ou epidemiológicas que permitam estimar
um Nível de Efeito Não Observado (Noael). Estima-se assim a dose abaixo da qual
as pessoas poderiam estar expostas sem que ocorressem danos à saúde – Ingestão
Diária Tolerável (IDT) (OMS, 1995). Cabe destacar que esse procedimento não
leva em consideração possíveis efeitos sinergéticos entre substâncias simultanea-
mente presentes na água e situação freqüente na utilização de agrotóxicos.

Dentre os critérios levados em consideração para estabelecer os parâmetros quí-
micos e seus respectivos VMP na Portaria MS no 518/2004, merecem destaque:

• Análise das evidências epidemiológicas e toxicológicas dos riscos à saú-
de associados às diversas substâncias.

• Potencial tóxico das substâncias químicas que podem estar presentes
na água (naturalmente ou por contaminação), levando em considera-
ção a classificação das respectivas substâncias pelo IARC (International
Agency for Research on Câncer).

• Possibilidade de obtenção de padrões analíticos e limitação de técnicas
analíticas atualmente empregadas.

• Emprego das substâncias no tratamento da água.
• Intensidade de produção, comercialização e uso no país.

Em razão das especificidades que determinam a presença das substâncias na
água, os planos de amostragem estabelecidos na Portaria MS no 518/2004 apresen-
tam a flexibilidade necessária:

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O responsável pela operação do sistema ou solução alternativa de abastecimento
de água pode solicitar à autoridade de saúde pública a alteração na freqüência
mínima de amostragem de determinados parâmetros estabelecidos nesta Norma
(Art. 30).
Após avaliação criteriosa, fundamentada em inspeções sanitárias e, ou, em his-
tórico mínimo de dois anos do controle e da vigilância da qualidade da água,
a autoridade de saúde pública decidirá quanto ao deferimento da solicitação,
mediante emissão de documento específico (parágrafo único, Art. 30).
Em função de características não conformes com o padrão de potabilidade da
água ou de outros fatores de risco, a autoridade de saúde pública competente,
com fundamento em relatório técnico, determinará ao responsável pela opera-
ção do sistema ou solução alternativa de abastecimento de água que amplie o
número mínimo de amostras, aumente a freqüência de amostragem ou realize
análises laboratoriais de parâmetros adicionais ao estabelecido na presente Nor-
ma (Art. 31).

Para a maioria dos parâmetros, é dispensada análise na rede de distribuição
quando estes não forem detectados na saída do tratamento e, ou, no manancial, à
exceção de substâncias que potencialmente possam ser introduzidas no sistema ao
longo da distribuição.

Contudo, não custa lembrar o quão ágil é a indústria química no lançamento
de novos produtos, particularmente a indústria de agrotóxicos, e que a maioria das
substâncias e compostos orgânicos e inorgânicos não é efetivamente removida em
processos de tratamento convencional da água. Em síntese, o diagnóstico do uso e
da ocupação do solo na bacia e o histórico da qualidade da água do manancial são,
em si, importantes ferramentas de orientação de planos de amostragem de controle
e de vigilância da qualidade da água.

As tabelas a seguir apresentam informações resumidas sobre as substâncias químicas
que representam riscos à saúde, componentes do padrão de potabilidade brasileiro.2

2 Nas Tabelas 4.4 a 4.7, as informações referentes ao grupo cancerígeno das substâncias químicas
têm como fontes a Agência Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (Iarc) e a United States
Environmental Protection Agency (Usepa). O Iarc avalia a carcinogenicidade potencial das subs-
tâncias químicas, baseado em estudos a longo prazo