Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.
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Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.

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reprodutivo 2B C

Herbicidas (milho e feijão), relativa-
mente estável no solo e na água

Bentazona Efeitos no sangue
- E

Herbicida de amplo espectro, persis-
tência moderada no meio ambiente,
elevada mobilidade no solo

Clordano Problemas no fígado e no
sistema nervoso 2B B2

Resíduos de formicidas, elevada mo-
bilidade no solo, uso gradativamente
proibido

2,4 D Toxicidade aguda modera-
da, problemas de fígado
e rins

2B D
Herbicida utilizado no controle de
macrófitas em água, biodegradável
na água em uma ou mais semanas

DDT Acumulação no tecido adi-
poso e no leite 2B

Inseticida persistente e estável, uso
gradativamente proibido

Endrin Efeitos no sistema nervoso
D

Resíduos de inseticidas e raticidas,
praticamente insolúvel em água, uso
gradativamente proibido

Glifosato Toxicidade reduzida, pro-
blemas no fígado e no sis-
tema reprodutivo

- D
Herbicida de amplo espectro, utiliza-
do na agricultura, estável na água e
baixa mobilidade no solo

Heptacloro e
Hepatcloro-
epóxido

Danos no fígado; lesões
hepáticas 3 B2

Inseticida de amplo espectro, ampla
utilização como formicida, persis-
tente e resistente no meio ambiente,
uso gradativamente proibido

Hexaclorobenzeno Problemas no fígado, nos
rins e no sistema repro-
dutivo

2B B2
Fungicida, efluentes de refinarias de
metais e indústria agroquímica

Lindano Problemas no fígado e nos
rins

3 C

Utilização de inseticidas em rebanho
bovino, jardins, conservante de ma-
deira, baixa afinidade com a água,
persistente, e reduzida mobilidade
no solo

Metolacloro Evidência reduzida de carci-
nogenicidade - C

Herbicida, elevada mobilidade no
solo

Continua...

Manual de procedimentos de vigilância em saúde ambiental relacionada à qualidade da água para consumo humano

98 Secretaria de Vigilância em Saúde

Metoxicloro Possíveis efeitos carcinogê-
nicos no fígado e proble-
mas no sistema reprodutivo

3 B2
Utilização de inseticidas em frutas,
hortaliças e criação de aves

Molinato Evidência reduzida de toxi-
cidade e carcinogenicidade - -

Herbicida (arroz), pouco persistente
na água e no solo

Pendimetalina Evidência reduzida de toxi-
cidade e carcinogenicidade - -

Herbicida, baixa mobilidade, elevada
persistência no solo

Pentaclorofenol Problemas no fígado e nos
rins; fetotoxicidade, efeitos
no sistema nervoso central

3 D
Efluentes de indústrias de conservan-
tes de madeira, herbicida

Permetrina Baixa toxicidade

3 -

Inseticida na proteção de cultivos
e da saúde pública (combate a mos-
quitos em depósitos de água), eleva-
da afinidade com o solo e reduzida
afinidade com a água

Propanil Evidência reduzida de toxi-
cidade e carcinogenicidade - -

Herbicida (arroz), elevada mobilidade
no solo e persistência reduzida na
água

Simazina Evidência reduzida de toxi-
cidade e carcinogenicidade 3 C

Herbicida de amplo espectro, elevada
persistência e mobilidade no solo

Trifuralina Evidência reduzida de toxi-
cidade e carcinogenicidade 3

Herbicida de amplo espectro, pouco
solúvel em água

Fonte: Adaptado da OMS (1995), da Usepa (2000), da Usepa (2001)

Continuação

Manual de procedimentos de vigilância em saúde ambiental relacionada à qualidade da água para consumo humano

99 Secretaria de Vigilância em Saúde

Tabela 4.7 – Desinfetantes e produtos secundários da desinfecção

SUBSTÂNCIA
EFEITOS POTENCIAIS
DECORRENTES DA

INGESTÃO DE ÁGUA

GRUPO
CANCERíGENO PRINCIPAIS USOS E FONTES
IARC USEPA

Bromato Tumores renais 2B - Produto secundário da ozonização,
decorrente da oxidação de íons brometo

Clorito Pode afetar os hematócitos,
evidência reduzida de toxici-
dade e carcinogenicidade

3 D
Produto secundário da desinfecção

com dióxido de cloro

Cloro livre Evidência reduzida de toxi-
cidade e carcinogenicidade

3 D

Higienização na indústria e no am-
biente doméstico, branqueador, desinfe-
tante e oxidante de ampla utilização no
tratamento da água

Monocloroamina Evidência reduzida de toxi-
cidade e carcinogenicidade - -

Produto secundário da cloração de
águas contendo compostos nitrogenados

2,4,6
Triclorofenol

Indícios de desenvolvimen-
to de linfomas e leucemia em
experimentos com animais

2B B2
Produto secundário da cloração de

águas contendo fenóis (ex.: biocidas e
herbicidas)

Trihalometanos Indícios de efeitos no fíga-
do, nos rins e na tireóide 2B B2

Produto secundário da cloração de
águas contendo substâncias húmicas e
brometos

Fonte: Adaptado da OMS (1995), da Usepa (2000), da Usepa (2001)

Manual de procedimentos de vigilância em saúde ambiental relacionada à qualidade da água para consumo humano

100 Secretaria de Vigilância em Saúde

4.3 PADRÃO DE ACEITAÇÃO PARA CONSUMO HUMANO

O padrão de aceitação para consumo humano é estabelecido com base em cri-
térios de ordem estética, organoléptica (gosto ou odor), no intuito de evitar a re-
jeição ao consumo e a busca de outras fontes eventualmente menos seguras do
ponto de vista da saúde. Algumas substâncias apresentam também riscos à saúde,
porém o limiar de percepção de gosto e odor ocorre em concentrações inferiores ao
critério de saúde; assim, atendido o padrão de aceitação para consumo, estaria ga-
rantida a segurança sanitária. Para outras substâncias não há qualquer ou suficiente
evidência de riscos à saúde, ao menos nas concentrações usualmente encontradas
em águas de abastecimento (Tabela 4.8).

Tabela 4.8 – Padrão de aceitação para consumo humano,
Portaria MS no 518/2004, Ministério da Saúde

PARÂMETRO VMP1 EFEITO

Alumínio 0,2 mg/L Depósito de hidróxido de alumínio na rede de distribuição,
acentuação da cor devida ao ferro

Amônia (como NH3) 1,5 mg/L Odor acentuado em pH elevado

Cloreto 250 mg/L Gosto

Cor Aparente 15 uH2 Aspecto estético

Dureza 500 mg/L Gosto, incrustações, comprometimento da formação de sais
como o sabão

Etilbenzeno 0,2 mg/L Odor – limite 100 vezes inferior ao critério de saúde

Ferro 0,3 mg/L Aspecto estético – turbidez e cor

Manganês 0,1 mg/L Aspecto estético – turbidez e cor

Monoclorobenzeno 0,12 mg/L Gosto e odor – limite bem abaixo do critério de saúde

Odor Não objetável3

Gosto Não objetável3

Sódio 200mg/L Gosto

Sólidos dissolvidos totais 1.000mg/L Gosto, incrustações

Sulfato 250mg/L Gosto, limite referente ao sulfato de sódio

Sulfeto de Hidrogênio 0,05mg/L Gosto e odor

Surfactantes 0,5mg/L Gosto, odor e formação de espuma
Tolueno 0,17mg/L Odor, limite inferior ao critério de saúde
Turbidez 5UT4 Aspecto estético, indicação de integridade do sistema

zinco 5mg/L Gosto

xileno 0,3mg/L Gosto e odor – limite inferior ao critério de saúde

Fonte: Adaptado da OMS (1995)
1 Valor máximo permitido.
2 Unidade Hazen (mg Pt–Co/L).
3 Critério de referência.
4 Unidade de turbidez.

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101 Secretaria de Vigilância em Saúde

A seguir, detalham-se algumas características mais comuns ou de mais freqüen-
te monitoramento em águas para consumo humano.

Cor

A cor é dada pela presença de substâncias dissolvidas, decorrentes da
decomposição de matéria orgânica (plâncton, substâncias húmicas), pela
presença de substâncias tais como ferro e manganês ou pela introdução
de efluentes industriais. Quando a determinação da cor é realizada após
centrifugação da amostra para eliminar a interferência de partículas co-
loidais e suspensas, obtém-se a cor verdadeira. Caso contrário, tem-se a
cor aparente. Cor é um parâmetro essencialmente de natureza estética
e componente do padrão de aceitação para consumo. Entretanto, a cor
devida a substâncias orgânicas pode indicar a presença de precursores
de formação de trihalometanos, um subproduto tóxico da cloração. Cor
elevada no sistema de distribuição pode ainda contribuir para o consumo
do cloro residual.

pH

O pH (potencial hidrogeniônico) da água é a medida da atividade
dos íons hidrogênio e expressa a intensidade de condições ácidas (pH
< 7,0) ou alcalinas (pH > 7,0). Águas naturais tendem a apresentar um
pH próximo da neutralidade