Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.
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Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.

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em decorrência de sua capacidade de tam-
ponamento. Entretanto, as próprias características do solo, a presença
de ácidos húmicos (cor intensa) ou uma atividade fotossintética intensa
podem contribuir para a elevação ou a redução natural do pH. O valor
do pH influi na solubilidade de diversas substâncias, na forma em que
estas se apresentam na água e em sua toxicidade. Além disso, o pH é um
parâmetro-chave de controle do processo de coagulação, fundamental
para o bom desempenho de todo o processo de tratamento da água, e
a cada água corresponderá um pH ótimo de coagulação. O condiciona-
mento final da água após o tratamento pode exigir também a correção
do pH para evitar problemas de corrosão. Mais importante, o pH é um
parâmetro fundamental de controle da desinfecção, em um pH elevado
a cloração perde eficiência. Na Portaria MS no 518/2004 recomenda-se o
fornecimento de água em pH na faixa de 6,0 – 9,5.

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Ferro e manganês

Os sais de ferro e manganês (por exemplo, carbonatos, sulfetos e clo-
retos), quando oxidados, formam precipitados e conferem à água sabor e
uma coloração que pode provocar manchas em sanitários e roupas. Salvo
casos específicos, em virtude das características geoquímicas das bacias de
drenagem, os teores de ferro e manganês em águas superficiais tendem
a ser reduzidos. Águas subterrâneas são mais propensas a apresentar teo-
res mais elevados. Na água distribuída, problemas mais freqüentes estão
relacionados com a corrosão de tubulações; como medidas preventivas
à formação de depósitos e ao crescimento de ferrobactérias, devem ser
mantidos elevados teores de oxigênio (>2 mg/L) e cloro residual superior
a 0,2 mg/L. Em geral, essas substâncias não estão associadas a problemas
de saúde e compõem o padrão de aceitação para consumo.

Turbidez

Na água distribuída, a turbidez informa sobre a estanqueidade do sistema
de distribuição, com a elevação da turbidez podendo não indicar infiltrações
na rede e riscos de pós-contaminação. No ponto de consumo, a turbidez
assume também importância estético-organoléptica, podendo provocar rejei-
ção ao consumo. O padrão de turbidez para água distribuída é de 5,0 UT.

Alumínio

Embora o metabolismo do alumínio pelo organismo humano não seja
ainda bem conhecido e alguns trabalhos sugiram sua associação com o
mal de Alzheimer, até então seus efeitos tóxicos não são comprovados.
Ademais, o alumínio é um elemento abundante na natureza e a exposição
humana pelo consumo de água é relativamente reduzida. Portanto, apesar
de sua larga utilização no tratamento de água, as evidências disponíveis
sugerem a manutenção de valores máximos permissíveis referentes ape-
nas à aceitação para consumo: concentrações acima de 0,2 mg/L podem
provocar depósitos de flocos de hidróxido de alumínio em sistemas de
distribuição e acentuar a coloração por ferro.

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Cloretos

Cloretos podem estar presentes naturalmente em água salobras ou
como resultado de poluição por efluentes industriais ou domésticos, cons-
tituindo, portanto, indicador auxiliar de poluição ou contaminação. Em
águas para consumo humano, a concentração de cloretos está diretamen-
te associada à alteração de sabor e, conseqüentemente, à aceitação para
consumo. Os cloretos presentes na água que alteram sabor são, princi-
palmente, os de sódio, potássio e cálcio, em concentrações superiores a
200 – 300 mg/L. No padrão de potabilidade brasileiro, o valor máximo
permitido é o de 250 mg/L. Cloretos não são removidos por processos
convencionais de tratamento, sendo necessários processos especiais, tais
como osmose reversa ou eletrodiálise.

Gosto e odor

Gosto e odor podem ter origem natural, por exemplo por causa da
presença de matéria orgânica ou organismos aquáticos, ou ser conferidos
à água pela presença de contaminantes químicos ou subprodutos da de-
sinfecção. Gosto e odor constam no padrão de potabilidade (padrão de
aceitação) apenas como critérios de referência, não constituindo análises
obrigatórias. Apesar disso, gosto e odor não usuais em uma determina-
da água podem servir como alerta de contaminação e de necessidade de
investigação da origem, por exemplo no caso de algas e cianobactérias.
Sempre que possível, deve-se procurar implementar rotinas e técnica de
detecção de gosto e odor, descritas, por exemplo, no Standard Methods
for the Examination of Water and Wastewater (APHA, 1998).

4.4 METODOLOGIAS ANALíTICAS

A título de orientação básica, nas tabelas 4.9 e 4.10 incluem-se informações su-
cintas sobre os métodos analíticos disponíveis para a análise dos parâmetros cons-
tantes na Portaria MS no 518/2004.

Nessa Portaria é estabelecido que:

Art. 17. As metodologias analíticas para determinação dos parâmetros físicos,
químicos, microbiológicos e de radioatividade devem atender às especificações
das normas nacionais que disciplinem a matéria, da edição mais recente da pu-

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blicação Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater, de
autoria das instituições American Public Health Association (APHA), American
Water Works Association (AWWA) e Water Environment Federation (WEF), ou das
normas publicadas pela ISO (International Standartization Organization).
§ 1o Para análise de cianobactérias e cianotoxinas e comprovação de toxicidade
por bioensaios em camundongos, até o estabelecimento de especificações em
normas nacionais ou internacionais que disciplinem a matéria, devem ser ado-
tadas as metodologias propostas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em
sua publicação Toxic cyanobacteria in water: a guide to their public health conse-
quences, monitoring and management.
§ 2o Metodologias não contempladas nas referências citadas no § 1o e no caput
deste artigo, aplicáveis aos parâmetros estabelecidos nesta Norma, devem, para
ter validade, receber aprovação e registro pela SVS/MS.

PARÂMETROS FíSICO-QUíMICOS

Tabela 4.9 – Métodos analíticos empregados na aplicação da Portaria
no 518/2004, Ministério da Saúde, para a análise de parâmetros físico-químicos

PARÂMETROS PRINCíPIO ANALíTICO/EQUIPAMENTO REFERêNCIAS*

Químicos inorgânicos que representam riscos à saúde
Antimônio Espectrofotometria de absorção atômica, espectometria de massa 3500 – Sb
Arsênio Espectrofotometria de absorção atômica, espectometria de massa 3500 – As (A e B)

Bário Espectrofotometria de luz visível, espectrofotometria de absorção atômica 3500 – Ba

Cádmio Espectrofotometria de luz visível, espectrofotometria de absorção atômica 3500 – Cd

Cianeto Espectrofotometria de luz visível, potenciometria – eletrodo seletivo 4500 – CN- (B,C,E,F)

Chumbo Espectrofotometria de luz visível, espectrofotometria de absorção atômica 3500 – Pb

Cobre Espectrofotometria de luz visível, espectrofotometria de absorção atômica 3500 – Cu

Cromo Espectrofotometria de luz visível, espectrofotometria de absorção atômica 3500 – Cr (A e B)

Fluoreto2 Potenciometria – eletrodo seletivo, espectrofotometria de luz visível 4500 –F-

Mercúrio Espectrofotometria de luz visível, espectrofotometria de absorção atômica 3500 – Hg

Nitrato Espectrofotometria de luz visível, potenciometria – eletrodo seletivo 4500 – NO3
Nitrito Espectrofotometria de luz visível 4500 – NO2

Selênio Espectrofotometria de luz visível, espectrofotometria de absorção atômica 3500 – Se (A, B e C)

Químicos orgânicos que representam riscos à saúde
Benzeno Cromatografia gasosa/espectrometria de massa 6200 B, C

Benzo[a]pireno Cromatografia gasosa/espectrometria de massa 6410 B; 6440 – B

Cloreto de vinila Cromatografia gasosa/espectrometria de massa 6200 B, C
Continua...