Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.
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Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.

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na água ou determinar sua densidade em número de organismos em um
dado volume (usualmente 100 mL). Os métodos quantitativos mais comumente
utilizados são os dos tubos múltiplos ou método da diluição e a técnica da mem-
brana filtrante.

A quantificação de microorganismos pelos métodos cromogênicos pode ser
realizada com o emprego da técnica de tubos múltiplos ou em cartelas comercial-
mente disponíveis.

A escolha das técnicas de análise deve ser resultado da avaliação da sensibilidade
e da especificidade requeridas para o tipo de amostra (água bruta, tratada ou dis-
tribuída) e de possibilidades técnico-financeiras.

Aplicando o exposto às exigências mínimas estabelecidas na Portaria MS no
518/2004 em termos de monitoramento bacteriológico:

Fontes individuais de abastecimento

• Coliformes totais, coliformes termotolerantes e, ou, E. coli – exame
qualitativo ou quantitativo, confirmativo.

Água bruta a receber processo de tratamento

• Coliformes termotolerantes e, ou, E. coli – exame quantitativo confir-
mativo (Resolução Conama 357/2005).

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Saída do tratamento e sistemas de distribuição

• Coliformes totais.

Exame qualitativo presuntivo – se positivo, exame confirmativo.
Ensaio qualitativo confirmativo – se positivo, ensaio qualitativo para
coliformes termotolerantes e, ou, E. coli.

• Coliformes termotolerantes e, ou, E. coli – exame qualitativo confirmativo.

Da Portaria MS no 518/2004 destaca-se ainda:

No controle da qualidade da água, quando forem detectadas amostras com re-
sultado positivo para coliformes totais, mesmo em ensaios presuntivos, novas
amostras devem ser coletadas em dias imediatamente sucessivos até que as novas
amostras revelem resultado satisfatório. Nos sistemas de distribuição, a recoleta
deve incluir, no mínimo, três amostras simultâneas, sendo uma no mesmo ponto
e duas outras localizadas a montante e a jusante (Art.11, § 1o).

Amostras com resultados positivos para coliformes totais devem ser analisadas
para Escherichia coli e, ou, coliformes termotolerantes, devendo, neste caso, ser
efetuada a verificação e a confirmação dos resultados positivos (Art.11, § 2o).

APLICAÇÃO DO CONCEITO DE RISCO
À VIGILÂNCIA DA QUALIDADE DA ÁGUA

PARA CONSUMO HUMANO 5

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5 APLICAÇÃO DO CONCEITO DE RISCO
À VIGILÂNCIA DA QUALIDADE DA ÁGUA
PARA CONSUMO HUMANO

Ações inerentes à vigilância pressupõem, além da garantia da qualidade de pro-
dutos, dos processos produtivos e do ambiente, a avaliação freqüente e continuada
de aspectos diversos, objetivando a identificação de riscos potenciais à saúde hu-
mana, desencadeando ações corretivas e preventivas com o intuito de promover a
saúde da população. A Portaria MS no 518/2004 refere-se freqüentemente à idéia de
risco, como as citadas nos incisos II e IV do Artigo 7o:

São deveres e obrigações das Secretarias Municipais de Saúde:
II – sistematizar e interpretar os dados gerados pelo responsável pela operação
do sistema ou solução alternativa de abastecimento de água, assim como pelos
órgão ambientais e gestores de recursos hídricos, em relação às características da
água nos mananciais, sob a perspectiva da vulnerabilidade do abastecimento de
água quanto aos riscos à saúde da população;
IV – efetuar, sistemática e permanentemente, avaliação de risco à saúde humana
de cada sistema de abastecimento ou solução alternativa.

Considerando a importância de os profissionais responsáveis pela vigilância da
qualidade da água trabalharem rotineiramente com a identificação e a caracteriza-
ção de riscos potenciais associados ao abastecimento e ao consumo de água, este
capítulo aborda, inicialmente, de forma conceitual, a idéia de risco e apresenta as
etapas constitutivas da metodologia de análise de risco.

Posteriormente, são destacados os perigos associados aos componentes dos sis-
temas e às soluções alternativas e individuais de abastecimento, com ênfase na ope-
ração e na manutenção desses componentes, que podem implicar riscos à saúde da
população consumidora.

5.1 RISCO: ASPECTOS CONCEITUAIS

O conceito de risco em epidemiologia, apesar de polêmico, pode ser traduzido
como a possibilidade de um evento ocorrer. Essa definição baseia-se na teoria das
probabilidades, surgida na França do século 17. Nesse contexto, risco traduz a pos-
sibilidade de prever determinadas situações ou eventos por meio do conhecimento
ou da possibilidade de conhecimento dos parâmetros de uma distribuição de pro-
babilidades de acontecimentos (FREITAS; GOMES, 1997).

Essa idéia relaciona o risco a uma medida numérica, traduzida na probabilidade
de um evento ocorrer. Entretanto, antes de poder ser quantificada e assim repre-
sentar a probabilidade ou a chance de ocorrer, a idéia de risco indica a existência
de uma associação entre uma exposição e um determinado efeito, que em saúde

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poderia ser entendido como: óbito, incapacidade, doença ou desordem; ou seja, a
idéia de risco traz em si um componente qualitativo.

Nesse sentido, quando o texto da Portaria MS no 518/2004 recomenda que se
avalie a vulnerabilidade do abastecimento de água quanto aos riscos à saúde da po-
pulação, indica a necessidade de se buscar a existência de associação entre o abas-
tecimento de água e a ocorrência de agravos na população. Considera-se então
o abastecimento, incluindo aspectos relacionados à quantidade e à qualidade da
água, como a exposição, e a ocorrência de agravos da população (óbito, incapaci-
dade, doença ou desordem).

Pode parecer óbvia a recomendação de se procurar estabelecer a associação en-
tre o consumo de água e a ocorrência de agravos na população, uma vez que é já
muito bem reconhecida a relação causal entre água de consumo e doença ou óbitos
em pessoas. Entretanto, como a qualidade da água é dinâmica no tempo e no espa-
ço e poderão existir outras formas de exposição da população (ar, solo, alimentos),
há a necessidade de, freqüente e sistematicamente, proceder a essa avaliação.

Uma situação bem conhecida em que é demandada dos responsáveis pela vigi-
lância da qualidade da água a identificação de associação entre a água de consumo
e a ocorrência de agravos na população é quando da ocorrência de um surto ou
epidemia cuja origem possa ser a água de abastecimento, em razão da presença de
organismos patogênicos, produtos ou resíduos químicos. Nesse caso, o ponto de
partida é sempre a ocorrência aumentada de casos na população, como apresenta-
do em maiores detalhes no Capítulo 13.

Entretanto, o desafio que se impõe aos responsáveis pela vigilância da qualidade
da água para consumo humano é a identificação, anterior à ocorrência de casos, de
situações passíveis de colocar em risco a saúde da população e, assim, estabelecer
medidas preventivas e corretivas. Entretanto, como o monitoramento da qualidade
da água se dá ao mesmo tempo em que ela é captada, tratada, distribuída e consu-
mida e o seu resultado, freqüentemente, é obtido muito após a coleta de amostras
(por exemplo, o resultado de análise para coliformes termotolerantes é divulgado
pelo menos 48 horas após a coleta). Assim, na maioria das vezes, a identificação de
uma situação que coloque em risco a saúde da população, por mais precoce que
seja e, conseqüentemente, leve à adoção de medidas corretivas, não oferece garan-
tias de impedir a ocorrência de agravos na população consumidora.

Em decorrência disso, as ações da vigilância devem valorizar a minimização das
situações que possam produzir impactos na saúde advindos do consumo de uma
água que apresente qualidade inadequada. Nessa estratégia, coloca-se