Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.
286 pág.

Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.

Disciplina:Gestão de Recursos Hídricos137 materiais1.416 seguidores
Pré-visualização50 páginas
2001-2002, 220
Tabela 13.1 – Pontos de coleta de amostras de água conforme características
do surto/epidemia, 236
Tabela 16.1 – Informações sobre a turbidez (UT) da água distribuída por ponto
de coleta de amostras – município de Vistoso, 265

APRESENTAÇÃO

Na atualização da legislação brasileira sobre qualidade da água para consumo
humano, dentre os pontos considerados como avanços, destaca-se o caráter assu-
mido pela Portaria MS no 518/2004 como um efetivo e simultâneo dispositivo de
controle e vigilância da qualidade da água para consumo humano, em consonância
com a nova estrutura de Vigilância em Saúde Ambiental em implantação no país e
com o princípio de descentralização previsto no Sistema Único de Saúde (SUS).

A co-responsabilidade do SUS no processo de garantia da qualidade da água para
consumo humano impõe ao setor saúde a necessidade de estruturar-se para tal.

Nesse sentido, a Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS/MS) definiu um Mode-
lo de Atuação da Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano, estabe-
lecendo os princípios e as diretrizes, as bases conceituais e gerenciais, bem com as
ações necessárias para sua implementação e concretização por meio de um Progra-
ma Nacional de Vigilância em Saúde Ambiental Relacionada à Qualidade da Água
para Consumo Humano (Vigiagua).

Diante desses desafios, tornava-se inadiável disponibilizar ao público em geral,
interessado e/ou envolvido com o tema qualidade da água para consumo humano,
mas principalmente ao setor saúde, material de apoio ao exercício da Vigilância da
Qualidade da Água para Consumo Humano.

Este Manual de procedimentos de vigilância em saúde ambiental relacionada à
qualidade da água para consumo humano é apresentado em formato análogo ao
modelo de atuação definido pelo Ministério da Saúde, sendo seu conteúdo organi-
zado, como recurso didático, em duas partes: Parte I – Aspectos conceituais, e Parte
II – Aspectos operacionais.

Na Parte I, procura-se localizar as ações da vigilância da qualidade da água
para consumo humano no Sistema Nacional de Vigilância em Saúde Ambiental
(Sinvsa) e discorrer, ainda que de forma sucinta, sobre o que, no Modelo de Atu-
ação da Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano, se definem
como ações estratégicas (Capítulos 1 e 2). Além disso, ao longo dos Capítulos 3
a 6, são apresentados tópicos de fundamental compreensão para o exercício da
vigilância da qualidade da água, tais como: uma abordagem descritiva das diver-
sas formas de fornecimento e consumo de água; aspectos conceituais relativos à
qualidade da água para consumo humano; uma introdução ao conceito de risco
e sua aplicação à vigilância da qualidade da água para consumo humano; o uso
de indicadores e sistemas de informação aplicáveis à vigilância da qualidade da
água para consumo humano.

Manual de procedimentos de vigilância em saúde ambiental relacionada à qualidade da água para consumo humano

14 Secretaria de Vigilância em Saúde

Na Parte II (Capítulos 7 a 16), procura-se cobrir o que, no Modelo de Atuação
da Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano, se definem como
ações básicas, ou seja, as ações cotidianas no exercício da vigilância: as atividades
de cadastro e inspeção de sistemas; soluções alternativas coletivas e individuais de
abastecimento de água; as atividades de monitoramento da qualidade da água para
consumo humano; a avaliação e a análise integrada das informações reunidas pela
vigilância e fornecidas pelos responsáveis pelo controle da qualidade da água; a
classificação do grau de risco à saúde das diferentes formas de abastecimento de
água, com base na atuação proativa da vigilância (cadastro, inspeção e monitora-
mento da qualidade da água) e na sistematização de informações; a atuação junto
aos responsáveis pelo fornecimento de água para correção de situações de risco
identificadas; as investigações de surtos e epidemias; a identificação de situações
de vulnerabilidade e de emergência e de medidas a serem adotadas; a necessidade
de implementação de atividades de educação, comunicação e mobilização social; a
disponibilização de informações ao público. Na medida do possível, e do cabível,
esses tópicos são acompanhados de exemplos práticos extraídos de estudos de caso
reais ou hipotéticos.

Não se pode pleitear que este manual se revista de ineditismo, mas sim, em boa
medida, de pioneirismo, não só suprindo uma lacuna na literatura nacional como
também atendendo a uma demanda, principalmente do setor saúde, em vista das
expectativas e das exigências criadas com a publicação da Portaria MS no 518/2004
e a implementação do Programa Nacional de Vigilância em Saúde Ambiental Rela-
cionada à Qualidade da Água para Consumo Humano.

Os autores e as entidades promotoras deste manual esperam que o documento,
em conjunto com a própria Portaria MS no 518/2004 e duas outras publicações
– Comentários sobre a Portaria MS no 518/2004: subsídios para implementação e o
Manual de boas práticas no abastecimento de água: procedimentos para a minimiza-
ção de riscos à saúde – constitua um importante subsídio para a atuação integrada e
construtiva do controle e da vigilância da qualidade da água para consumo huma-
no, sempre no sentido maior de proteção da saúde da população brasileira.

ASPECTOS CONCEITUAIS I

A VIGILÂNCIA DA QUALIDADE DA ÁGUA
PARA CONSUMO HUMANO

E O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) 1

Manual de procedimentos de vigilância em saúde ambiental relacionada à qualidade da água para consumo humano

19 Secretaria de Vigilância em Saúde

1 A VIGILÂNCIA DA QUALIDADE DA ÁGUA
PARA CONSUMO HUMANO E O SISTEMA

 ÚNICO DE SAÚDE (SUS)

A Constituição Federal de 1988 estabelece, como uma das competências do
SUS, o desenvolvimento de ações de saneamento. Mais especificamente, o Artigo
200, inciso VI, explicita a obrigatoriedade de se realizar a fiscalização e a inspeção
da água para consumo humano.

As ações de vigilância da qualidade da água para consumo humano estão inse-
ridas no que atualmente se denomina vigilância em saúde, cujo conceito e atribui-
ções são descritos a seguir:

1.1 VIGILÂNCIA EM SAÚDE

O conceito de vigilância em saúde pode ser entendido como o acompanha-
mento contínuo de eventos adversos à saúde com o propósito de aprimorar as
medidas de controle, incluindo em sua aplicação a coleta sistemática de infor-
mações, a análise dos dados e a divulgação das informações adequadamente
analisadas.

Torna-se importante distinguir as ações de vigilância das de controle. As
ações de vigilância devem subsidiar a tomada de decisões por parte da autori-
dade do setor saúde, assessorando-a quanto à necessidade e à propriedade de
medidas de controle, estas entendidas como medidas de intervenção, prevenção
ou correção.

Deve-se ainda distinguir os termos vigilância e monitoramento, ou moni-
torização. O termo monitoramento pode ser entendido como a realização e
a análise de mensurações, visando a detectar mudanças no ambiente ou no
estado de saúde da comunidade (LAST,1988), por exemplo, a análise contínua
de indicadores da qualidade de produtos de consumo humano e de riscos am-
bientais. A distinção entre vigilância e monitoramento reside no fato de que a
vigilância acompanha o comportamento de eventos específicos adversos à saú-
de da comunidade, enquanto o monitoramento trabalha especificamente com
indicadores, tais como o de qualidade ambiental. A vigilância é uma aplicação
do método epidemiológico, enquanto no monitoramento este vínculo não é
obrigatório. Assim, de acordo com Waldman (1998), a monitorização seria um
instrumento da vigilância quando aplicada em um sistema de informações para
a agilização das medidas de controle.

O termo vigilância em saúde guarda a perspectiva de uma análise ampliada das
relações entre os modos de vida de distintos grupos populacionais e as diversas ex-
pressões do processo saúde-doença, cuja operacionalização busca integrar as ações
de vigilância epidemiológica, sanitária e