Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.
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Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.

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Secretaria de Vigilância em Saúde

particularmente a Pesquisa Brasileira por Amostragem de Domicílios (PNAD) e a
Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB) e censos demográficos.

Tabela 6.2 – Indicadores sanitários complementares passíveis de serem
utilizados na vigilância da qualidade da água para consumo humano

INDICADOR FONTE
Atendimento da legislação de controle da qualidade da água
de consumo humano Prestador do serviço

Acondicionamento e tratamento domiciliar da água Secretarias Municipais de Saúde
Instalações prediais IBGE
Cobertura da população com serviços de esgotamento
sanitário IBGE

Cobertura da população com serviços de limpeza pública IBGE

IIASPECTOS OPERACIONAIS

IDENTIFICAÇÃO E CADASTRO DE SISTEMAS
E SOLUÇõES ALTERNATIVAS DE ABASTECIMENTO

DE ÁGUA PARA CONSUMO HUMANO 7

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7 IDENTIFICAÇÃO E CADASTRO DE SISTEMAS
E SOLUÇõES ALTERNATIVAS DE ABASTECIMENTO
DE ÁGUA PARA CONSUMO HUMANO

Os responsáveis pela vigilância da qualidade da água no nível local devem pro-
ceder ao diagnóstico das condições do abastecimento e do consumo de água da
população, no meio urbano e rural, como passo inicial e fundamental para o pla-
nejamento das ações de vigilância.

Um cadastro tem como principal finalidade a obtenção de informações e a cons-
trução de indicadores que permitam mapear grupos, fatores e situações de risco e
avaliar sua distribuição e evolução, espacial e temporal.

Como verificado no Capítulo 3, as formas de fornecimento e consumo de água
podem ser bastante variadas: a água pode ser canalizada, precedida ou não de tra-
tamento; pode ser bombeada; sua distribuição pode se dar por meio de veículos
transportadores; os mananciais podem ser superficiais ou subterrâneos, etc. Por-
tanto, em termos de integralidade e abrangência das ações de vigilância da qualida-
de da água para consumo humano, deve-se cuidar para que as soluções alternati-
vas, com e sem distribuição de água por rede, e as soluções alternativas individuais
sejam igualmente consideradas, mesmo porque os sistemas de abastecimento de
água, em tese, são mais seguros.

O cadastro inclui informações relativas às unidades que compõem os sis-
temas, às soluções alternativas coletivas e individuais de abastecimento. O
intervalo de tempo para atualização das informações sobre as condições de
abastecimento e consumo de água não tem um período predeterminado. As
informações devem refletir as intervenções realizadas em qualquer sistema, so-
lução alternativa coletiva ou individual de abastecimento de água. Entretanto,
a título de orientação, entende-se que um programa de vigilância da qualidade
da água para consumo humano deve manter informações atualizadas em um
período não superior a um ano.

As informações cadastradas devem ser incorporadas ao Sistema de Informa-
ção de Vigilância da qualidade da água para consumo humano (Sisagua) para
que sejam devidamente sistematizadas e gerem os indicadores necessários ao
exercício da vigilância nas diversas esferas: municipal, regional, estadual e no
nível central.

O preenchimento do cadastro dos sistemas de abastecimento e soluções alterna-
tivas coletivas com rede de distribuição é de responsabilidade dos prestadores dos
serviços, cabendo à autoridade de saúde pública a atualização das informações no
Sisagua.

Na hipótese de dificuldades de identificação do responsável pelas soluções
alternativas coletivas sem redes de distribuição, o preenchimento do cadastro
poderá ser realizado pelos responsáveis pela vigilância no âmbito do município.

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Em se tratando de soluções alternativas individuais, o preenchimento das fichas
sempre ficará a cargo dos profissionais responsáveis pela vigilância da qualidade
da água.

As fichas devem ser adequadamente arquivadas por um período conveniente.
Preconiza-se que, em todas as instâncias, os dados transferidos ao Sisagua sejam
analisados e que haja uma retroalimentação dos níveis precedentes.

Nos casos em que o Sisagua não estiver implantado no município, o proce-
dimento de transferência dos dados deve ser feito pela regional de saúde que
abrange o município, e na ausência desta, a alimentação deverá ser realizada
no estado.

É importante observar que no nível municipal, na medida do possível,
se vá além das informações, e sua respectiva sistematização, proporciona-
das pelo Sisagua. Deve-se, por exemplo, procurar informações mais deta-
lhadas da distribuição espacial, no âmbito do município, dos indicadores
anteriormente referidos, das soluções alternativas individuais e das ins-
talações prediais, principalmente em pontos ou populações de risco, tais
como: hospitais, escolas, comunidades de baixa renda e com condições
domiciliares precárias.

Por fim, é importante diferenciar as atividades relacionadas ao cadastro daque-
las relativas às inspeções de sistemas, soluções alternativas coletivas e soluções al-
ternativas individuais de abastecimento de água. Os cadastros e as inspeções são
instrumentos distintos e devem ser utilizados de forma complementar pelo órgão
de vigilância. O cadastro é um instrumento preliminar com base no qual é possível
planejar os procedimentos da vigilância, até mesmo para priorizar as inspeções.
Também permite orientar as ações corretivas e de controle que devem ser repas-
sadas aos responsáveis por sistemas ou soluções alternativas que, já com base no
cadastro, se configurem como situações de risco à saúde humana.

As inspeções cumprem funções distintas, como desenvolvido no Capítulo 8.

INSPEÇÃO DE SISTEMAS, SOLUÇõES ALTERNATIVAS
COLETIVAS E INDIVIDUAIS DE ABASTECIMENTO DE

ÁGUA PARA CONSUMO HUMANO 8

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8 INSPEÇÃO DE SISTEMAS, SOLUÇõES ALTERNATIVAS
COLETIVAS E INDIVIDUAIS DE ABASTECIMENTO
DE ÁGUA PARA CONSUMO HUMANO

A inspeção sanitária tem como objetivo avaliar cada etapa ou unidade do pro-
cesso de produção, fornecimento e consumo de água e identificar fatores de risco.
Devem ser identificados os perigos de natureza física, química e biológica e os pon-
tos críticos de cada etapa ou unidade inspecionada, subsidiando a tomada de deci-
sões em termos de medidas de orientação, preventivas ou corretivas e, conforme o
caso, punitivas.

De forma mais detalhada, dentre os objetivos da inspeção, encontram-se:

• conhecer o estado de proteção e conservação dos mananciais e das
fontes de abastecimento de água;

• conhecer o sistema, a solução alternativa ou a solução alternativa indi-
vidual de abastecimento de água;

• conhecer o estado de conservação e as práticas adotadas nas unidades
de tratamento de água;

• conhecer o estado de conservação das unidades de distribuição e reser-
vação de água, inclusive as prediais;

• identificar os pontos críticos do sistema, da soluções alternativas de abas-
tecimento de água que possam interferir negativamente na qualidade da
água para consumo humano;

• qualificar e, ou, quantificar os perigos associados ao abastecimento de
água para consumo humano;

• contribuir na formulação de ações de remediação ou minimização de
danos causados à saúde pública decorrentes de distribuição de água
“não potável”.

Para um melhor planejamento das ações de vigilância, pode-se classificar a ins-
peção em duas modalidades:

• Inspeção sanitária de rotina: quando a inspeção for realizada segundo
a programação da vigilância, isto é, na rotina estabelecida, ou a pedido
do prestador de serviço.

• Inspeção sanitária de urgência/emergência: quando a inspeção é decor-
rente de situações de denúncias, de acidentes, de investigações epidemio-
lógicas (ocorrência de surtos/epidemias) e de outros