Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.
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Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.

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– captação em poço profundo, desinfecção do reservatório de
distribuição e distribuição por meio de rede (solução alternativa coletiva
provida de distribuição por rede).

Nesse caso, a concessionária estadual deverá fornecer, anualmente, os
dados cadastrais do sistema e, mensalmente, os dados do controle da
qualidade da água do sistema. As informações do controle de qualidade
da água no sistema de distribuição da sede do município e dos distritos
devem ser fornecidas em separado; o responsável pelo condomínio deverá
encaminhar anualmente as informações cadastrais da solução alternativa
e, trimestralmente, no mínimo, dados do controle de qualidade da água.

A Secretaria Municipal de Saúde deverá cadastrar o sistema operado
pela concessionária, indicando as localidades que ele abastece e a solução
alternativa coletiva do condomínio, além de proceder às inspeções no sis-
tema e na solução do condomínio. A secretaria deverá, ainda, coletar água
no sistema público e no condomínio para fins de vigilância da qualidade
da água.

Os dados fornecidos pelos responsáveis pelo sistema e pelo condomínio
(cadastro e controle de qualidade da água) deverão, no que couber, ser in-
corporados e mantidos atualizados no Sisagua, bem como as informações
sobre a qualidade da água geradas pela própria vigilância. As informações
que não fazem parte do Sisagua deverão ser igualmente sistematizadas,
mantidas atualizadas e devidamente analisadas.

Exemplo de município que conta com dois sistemas de abastecimento
e soluções individuais

A maior parte da população urbana é abastecida por dois sistemas,
operados por um Serviço Autônomo Municipal: Sistema A – captação em
poço profundo; Sistema B – captação em manancial superficial. Entretan-
to, uma parcela da população urbana faz uso de poços rasos (soluções
individuais).

Nesse caso, o prestador do serviço dos Sistemas A e B deve fornecer,
anualmente, os dados cadastrais dos dois sistemas; preencher e encami-
nhar relatórios mensais e semestrais relativos ao controle da qualidade da
água dos dois sistemas, em separado, comprovando o pleno cumprimento
da Portaria MS no 518/2004, em termos de atendimento às exigências de
planos de amostragem e ao padrão de potabilidade.

A Secretaria Municipal de Saúde deverá cadastrar os dois sistemas de
abastecimento de água e as soluções individuais e proceder às respectivas
inspeções. A Secretaria deverá ainda implementar programas de análises de
amostras de água nos Sistemas A e B e nos poços rasos.

Manual de procedimentos de vigilância em saúde ambiental relacionada à qualidade da água para consumo humano

177 Secretaria de Vigilância em Saúde

Os dados fornecidos pelo responsável pelos dois sistemas (cadastro e
controle de qualidade da água) devem, no que couber, ser incorporados e
mantidos atualizados no Siságua, bem como as informações sobre a qua-
lidade da água geradas pela própria vigilância. As informações que não
fazem parte do Siságua deverão ser igualmente sistematizadas, mantidas
atualizadas e devidamente analisadas.

Exemplo de localidade que não conta com sistema ou solução
coletiva provida de distribuição de água por rede

A maior parte da população busca água em um chafariz suprido por
“água de serra”. A localidade é ainda atendida por caminhão-pipa duas
vezes por semana.

No primeiro caso, a identificação do responsável pode recair sobre a
prefeitura municipal. No caso do caminhão-pipa, deve ser devidamente
identificado o responsável pelo fornecimento de água e a origem da água.
O responsável pelo caminhão-pipa deverá ser orientado a se cadastrar na
Secretaria Municipal de Saúde e solicitar autorização para o fornecimento
de água. Cumprido esse requisito, deverá ainda manter registro atualizado
das análises de controle da qualidade da água e apresentar, em periodici-
dade mínima trimestral, os dados do controle da qualidade da água.

A Secretaria Municipal de Saúde deverá cadastrar as duas “fontes” de
abastecimento de água e coletar amostras de água do chafariz e do ca-
minhão para as análises de Vigilância. Neste exemplo, assumem particular
importância as ações de inspeção das condições de proteção da fonte de
“água de serra”, do estado de conservação do caminhão, das instalações
e das práticas domiciliares de armazenamento da água.

10.2 ANÁLISE DAS INFORMAÇõES DO CONTROLE DA
QUALIDADE DA ÁGUA PARA CONSUMO HUMANO

Nos planos de amostragem definidos na Portaria MS no 518/2004 (Capítulo 9), a
freqüência de amostragem para os diversos parâmetros varia de horária ou diária (ex.:
turbidez da água filtrada, turbidez e cloro residual na saída do tratamento); semanal
(ex.: colimetria na saída do tratamento); mensal (ex.: colimetria, turbidez e cloro resi-
dual no sistema de distribuição); trimestral (ex.: trihalometanos no sistema de distri-
buição); e semestral (ex.: demais parâmetros na água bruta e na saída do tratamento).

O cumprimento dos planos de amostragem e do padrão de potabilidade deve,
portanto, ser verificado mensal e semestralmente, com base nos relatórios enviados
pelos responsáveis pelo controle de qualidade da água (Figuras 9.5).

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178 Secretaria de Vigilância em Saúde

Para tanto, pode-se recorrer ao cômputo de índices de atendimento percentuais,
tais como:1

índice de coleta de amostras para cada parâmetro (IC)

O IC mínimo exigido é de 100%.

IC =

 No de amostras coletadas nas diversas partes
dos sistemas e soluções de abastecimento

x 100
No de amostras a coletar segundo os planos de

amostragem da Portaria MS no 518/2004

Para avaliar se a água distribuída atende ao padrão bacteriológico de potabilida-
de, pode-se utilizar um Índice Bacteriológico (IB) obtido por:

IB =
No de amostras com ausência de coliformes

x 100
No de amostras coletadas

De acordo com o padrão de potabilidade (Portaria MS no 518/2004):

 • sistemas que analisam quarenta ou mais amostras por mês: ausência de

coliformes totais em 100 ml em 95% das amostras examinadas no mês;
• sistemas que analisam menos de quarenta amostras por mês: ape-

nas uma amostra poderá apresentar mensalmente resultado positi-
vo em 100 ml.

Portanto, no primeiro caso, mensalmente, o IB mínimo aceitável é de 95%.
Analogamente, pode-se construir Índices Físico-Químicos (IFQs) a fim de ava-

liar o atendimento aos valores máximos permitidos (VMP) pela Portaria MS no
518/2004 para diversos parâmetros. Por exemplo, dos relatórios mensais podem ser
construídos os índices de turbidez, cloro residual livre e fluoreto.

1 Uma apresentação mais detalhada de cálculo dos índices encontra-se no Anexo.

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179 Secretaria de Vigilância em Saúde

Os IFQs ideais são 100%.

IFQ =
No de amostras de acordo com o padrão

x 100
No de amostras coletadas

Além da verificação periódica e permanente do atendimento ao padrão de po-
tabilidade, a Vigilância deve organizar seu banco de dados em termos de séries his-
tóricas e espaciais, as quais, em conjunto com os dados do cadastro e das inspeções,
permitem melhor avaliar as situações de risco e a vulnerabilidade dos sistemas e as
soluções de abastecimento de água.

O conteúdo deste item é desenvolvido com o exemplo da consolidação e da in-
terpretação de resultados de um sistema de abastecimento de água real, porém com
nome fictício – Vistoso, com cerca de 70 mil habitantes.

Análise das informações do controle de qualidade da água
do município de Vistoso

Exemplo
Caracterização do sistema de abastecimento de água e das práticas

operacionais e de controle da qualidade da água adotadas

A análise do cadastro e as informações levantadas em inspeções
realizadas no sistema de abastecimento de água do município de Vis-
toso permitiram o seguinte relatório sintético de caracterização do
sistema e de sua operação: