Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.
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Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.

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O sistema é abastecido por manancial superficial de reduzida vazão (≅100
L/s e ≅ 200 L/s em épocas de estiagem e chuvas), com dois represamentos
consecutivos (reservatórios de acumulação) a montante do ponto de capta-
ção; a bacia de captação é desprotegida, com ocupação urbana crescente e
atividades agropecuárias relativamente intensas. A ETA trata cerca de 50 L/s
com períodos de operação médios diários de oito horas, sendo empregado o
tratamento completo: mistura rápida hidráulica em calha Parshall, floculação
hidráulica com seis câmaras, decantador circular com alimentação central e
fluxo radial; dois filtros rápidos com leito de areia, desinfecção com cloro-gás.
O tanque de contato apresenta tempo de detenção hidráulica (tempo de con-
tato) médio de 15 minutos. Não é realizada a fluoretação da água.

Apesar de a ETA ser operada com o maior rigor possível, registram-se
algumas deficiências que podem comprometer o esforço cotidiano. Por

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exemplo, as bombas dosadoras de sulfato de alumínio encontram-se em
estado precário de conservação, dificultando o controle preciso da coagu-
lação; o decantador apresenta-se desnivelado, reduzindo substancialmen-
te o perímetro útil dos vertedores de coleta de água decantada; os filtros
têm seus leitos de areia já em estado avançado de deterioração, limitando
a eficiência da filtração; o dosador de cloro-gás já se encontra próximo ao
limite de sua vida útil e apresenta capacidade inferior à necessária.

A rede de distribuição, com aproximadamente 8 km, também se en-
contra em estado precário de conservação. Alguns trechos, muito antigos
e executados em ferro fundido, apresentam sinais de incrustações e de re-
dução da seção útil; vazamentos são uma constante na operação da rede.
Não há dispositivos e operações de descarga e limpeza da rede. Também
não há operações de caça vazamentos na rede de distribuição.

O laboratório de controle de qualidade da água apresenta boa capaci-
dade instalada, estando apto à realização das análises dos seguintes parâ-
metros exigidos na Resolução no 357/2005 do Conselho Nacional de Meio
Ambiente (água bruta) e na Portaria no 518/2004 do Ministério da Saúde:
parâmetros bacteriológicos (colimetria e contagem de bactérias hetero-
tróficas), organismos patogênicos (Giardia e Cryptosporidium) parâmetros
físico-químicos: pH, DBO, DQO, nitrogênio, fósforo, OD, sólidos, turbidez,
cor, cloro residual; substâncias químicas inorgânicas que representam ris-
co à saúde e componentes do padrão de aceitação para consumo. O labo-
ratório não apresenta capacidade para a realização de análises de substân-
cias químicas orgânicas, trihalometanos, agrotóxicos e cianotoxinas.

O controle de qualidade da água realizado inclui:

• água bruta:
• análise semesral dos parâmetros da Portaria MS no 518/2004, sendo

a análise de substâncias orgânicas e agrotóxicos terceirizada;
• análise horária de alcalinidade, pH, turbidez e cor;
• análise semanal de coliformes;
• pesquisa mensal de cistos de Giardia e oocistos de Cryptosporidium;

• não é realizado o monitoramento de cianobactérias;
• ensaios de jar-teste são realizados diariamente;
• água decantada: análise horária de turbidez e semanal de coliformes;
• água filtrada: análise individual (de cada filtro) – horária de turbidez

e semanal de coliformes;
• água no tanque de contato: controle horário de pH e temperatura;

anotoxinas.
• água na entrada do sistema de distribuição (saída do reservatório de

distribuição):

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• análises horárias de cloro residual livre e combinado, turbidez, pH;
• análise semanal de coliformes;

• água no sistema de distribuição:
• coleta semanal e alternada de amostras em dois blocos de qua-

tro pontos: pontas de rede e pontos estratégicos – creche, pos-
to de saúde, pensões e restaurante popular. São analisados os
seguintes parâmetros: cloro residual livre e combinado, turbi-
dez, cor, pH, ferro, alumínio, colimetria, contagem de bactérias
heterotróficas.

• análise trimestral de trihalometanos.

Verificação do plano de amostragem

Das informações obtidas dos relatórios recebidos, complementadas por le-
vantamentos em inspeções, pode-se montar o seguinte quadro comparativo:

PARÂMETRO
SAíDA DO TRATAMENTO SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO

PORTARIA MS
No 518/2004

REALIzADO PORTARIA MS
No 518/2004

REALIzADO

Cor, turbidez, pH 76 76 10 16

CRL 76 76 20 16

Fluoreto 76 NR 5 NR

Coliformes 8 4 20 16

Cianotoxinas (Conforme
§ 5º do

artigo 18)

NR NA NA

Trihalometanos 1/3meses 1/3meses 1/3meses 1/3 meses

Demais
parâmetros3

1/6 meses Inorgânicas:
1/3 meses
Orgânicas:

NR

1/6 meses NA

Apesar de o controle de qualidade da água implementado superar, em
vários aspectos, o mínimo exigido, observa-se que não são atendidos os
requisistos de amostragem para a análise de coliformes na saída do tra-
tamento e de coliformes e cloro residual na rede de distribuição, o que
demanda medidas corretivas.

Os responsáveis pelo sistema devem ainda ser instados a implementar
a fluoretação da água, a realizar a análise semestral de substâncias orgâ-
nicas e agrotóxicos na saída do tratamento e o monitoramento de ciano-
bactérias no manancial junto ao ponto de captação.

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De posse do relatório referente a julho de 2002, quando algumas, ain-
da que poucas, não conformidades podem ser observadas, a Vigilância,
fazendo uso de suas prerrogativas e do estabelecido na Portaria MS no
518/2004 como atribuição do responsável pela operação de sistemas de
abastecimento de água (art. 90, inciso VII - manter registros atualizados
sobre as características da água distribuída, sistematizados de forma com-
preensível aos consumidores e disponibilizados para pronto acesso e con-
sulta pública), solicitou e obteve acesso aos dados de monitoramento da
água filtrada e da rede de distribuição, por data e ponto de amostragem
(pontas de rede), relativos aos últimos 12 meses.

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SISTEMA DE INFORMAÇÃO DE VIGILÃNCIA DA QUALIDADE
DA ÁGUA PARA CONSUMO HUMANO (SISAGUA)

CONTROLE DE QUALIDADE DA ÁGUA PARA CONSUMO HUMANO
SISTEMA DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA

RELATóRIO MENSAL
– FORMULÁRIO DE ENTRADA DE DADOS –

MUNICíPIO: VISTOSO NOME SISTEMA: VISTOSO MêS/ANO: JULHO/2002

Tipo de manancial: Superficial  Subterrâneo 
Turbidez (UT) Saída do tratamento Sistema de distribuição

Número de amostras realizadas 76 16

Número de amostras fora dos padrões 1 zero

Turbidez média mensal 0,4

Turbidez máxima 1,3

Cloro residual livre (mg/L) Saída do tratamento Sistema de distribuição

Não se aplica  Não se aplica 
Número de amostras realizadas 76 16

Número de amostras fora do padrão zero 3

Cloro residual livre médio mensal 0,7

Cloro residual livre mínimo 0,6

Outras formas de desinfecção

 Ozônio
 Ultravioleta

 Outros Especificar:

Coliforme
Saída do tratamento Sistema de distribuição

Não se aplica  Não se aplica 
Número de amostras realizadas 4 16

Número de amostras com presença de colifor-
mes totais em 100 mL

zero zero

Número de amostras com presença de
Escherichia coli ou coliformes termotolerantes
em 100 mL

zero zero

Fluoreto (mg/L) Saída do tratamento Sistema de distribuição

Não se aplica Não se aplica  Não se aplica 
Número de amostras realizadas

Número de amostras fora dos padrões

Reclamações de falta d’água

Número de reclamações Não hove reclamações

Não tem informação

Reparos na rede

Número de reparos Não houve reparos

Não tem informação

Intermitência