Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.
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Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.

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a partir da alteração do processo
de tratamento, devem ser analisados de forma que sejam aferidos os
efeitos das melhorias implementadas.

• Nota-se uma melhora na qualidade da água quanto ao parâmetro flúor,
o que pode estar refletindo medidas de otimização nas condições de
operação da fluoretação.

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• A distribuição das anomalias ao longo dos meses, em termos de quali-
dade bacteriológica, no Sistema 1, varia bastante de ano para ano: os
dados mais antigos in dicam uma concentação dos problemas em dois
meses do ano; ao contrário, os dados mais recentes revelam uma maior
distribuição ao longo do ano, mas, particularmente nos anos 2000 e
2002, em mais da metade dos meses do ano o padrão bacteriológico
não foi atendido.

• No Sistema 2, a variação não é tão marcante, porém, como já foi desta-
cado, o problema como um todo é mais acentuado. Chama atenção o
elevado índice de anomalias no ano de 2000 (49% de não conformida-
des). Se os dados de qualidade da água devem ser sempre “cruzados”
com informações disponíveis da Vigilância Epidemiológica, neste ano
esse recurso torna-se mais nitidamente indispensável.

• Os resultados indicam claramente a propriedade de análises dos dados
em base mensal. Nas planilhas 2 e 3, referentes a 2002, tal avaliação
permite concluir, mês a mês, sobre a potabilidade bacteriológica da
água. Para os demais parâmetros, não cabe esse procedimento (já que
a legislação não estabelece percentuais de aceitação), porém a análise
permite acompanhar a dinâmica da qualidade da água ao longo dos
meses e dos anos.

• A recorrência dos problemas sugere ainda a pertinência de avaliações
mais detalhadas, por exemplo, da distribuição espacial das anomalias,
da verificação da origem do problema, se esta reside, principalmente,
no processo de tratamento e/ou no sistema de distribuição.

• Ao longo dos anos, não se verifica melhora da qualidade da água distri-
buída dos dois sistemas, o que requer atenção constante da Vigilância
e diligências no sentido de identificação das causas e a devida correção
das anomalias.

SOLUÇõES ALTERNATIVAS COLETIVAS SEM REDE DE DISTRIBUIÇÃO

As soluções alternativas coletivas sem rede de distribuição de água constituem,
em princípio, situações mais vulneráveis. Sendo o mapeamento de grupos e situa-
ções de risco um dos objetivos da Vigilância, essas soluções devem ser devidamente
cadastradas e a qualidade da água acompanhada por meio de planos de amostra-
gem e monitoramento os mais freqüentes possíveis.

O conteúdo deste item – a análise freqüente de amostras de água de fontes de
água utilizadas comunitariamente pela população, conforme um plano de amos-
tragem específico – será desenvolvido com exemplos práticos hipotéticos.

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ExEMPLO 1 – A Vigilância efetua, a cada quatro meses, amostragem
bacteriológica semanal de uma bica utilizada comunitariamente
utilizando o método P/A (presença/ausência)

NO DA
AMOSTRA

DATA DA
COLETA

PRESENÇA
DE CT

PRESENÇA
DE CF

CONCLUSÃO

01 6/jan. P P

02 13/jan. P A NA

03 20/jan. A -

04 27/jan. P A

05 07/abr. A -

06 14/abr. A - NA

07 28/abr. P P

08 07/jul. A -

09 14/jul. A - A

10 21/jul. A -

11 28/jul. A -

12 06/out. A -

13 13/out. A -

14 20/out. A - A

15 27/out. P A

CT – coliformes totais;

CF – coliformes fecais (termotolerantes);

P – presença; A – ausência;

A – atende; NA – não atende.

Neste caso, é possível efetuar uma avaliação mensal da qualidade da
água da bica de acordo com a Portaria MS no 518/2004, tendo em vista
que existe um número de amostras (ainda que reduzido) que possibilita
essa análise.

A análise recai no caso de “sistemas” que analisam menos de quarenta
amostras por mês: apenas uma amostra poderá apresentar mensalmen-
te resultado positivo de coliformes totais em 100 mL; nenhuma amostra
poderá apresentar resultado positivo para coliformes termotolerantes. Da
tabela, verifica-se o cumprimento do § 2o do Art. 11 da Portaria MS no
518/2004: “Amostras com resultados positivos para coliformes totais de-
vem ser analisadas para Escherichia coli e/ou coliformes termotolerantes,
devendo, neste caso, ser efetuada a verificação e confirmação dos resul-
tados positivos”.

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Verifica-se que, por causa da variação da qualidade da água, não se
pode considerar a fonte “confiável”. Os resultados indicam a necessidade
de inspeções freqüentes e a adoção de medidas de proteção da fonte.

ExEMPLO 2 – A Vigilância efetua amostragem bacteriológica mensal
de uma bica utilizada comunitariamente, realizando somente uma
análise/mês, utilizando o método P/A (presença/ausência)

NO DA
AMOSTRA

DATA DA
COLETA

PRESENÇA
DE CT

PRESENÇA
DE CF

CONCLUSÃO

1 13/jan. P P NA
2 10/fev. P A A
3 10/mar. P P NA
4 14/abr. A - A
5 12/maio A - A
6 9/jun. A - A
7 14/jul. P P NA
8 11/ago. A - A
9 15/set. A - A

10 13/out. A - A
11 10/nov. P A A
12 8/dez. P P NA

CT – coliformes totais;

 CF – coliformes fecais (termotolerantes);

 P – presença;

 A – ausência;

 A – atende; NA – não atende.

Considerando que foi efetuada somente uma análise mensal da bica,
não é possível concluir sobre o atendimento ao padrão bacteriológico es-
tabelecido na Portaria MS no 518/2004, tal como no exemplo anterior.
Nesse caso, devem-se interpretar os resultados de cada mês como análises
isoladas ou pontuais, de acordo com o § 8o do artigo 11 da Portaria: “Em
amostras individuais procedentes de poços, fontes, nascentes e outras for-
mas de abastecimento sem distribuição canalizada, tolera-se a presença
de coliformes totais, na ausência de Escherichia coli e/ou coliformes ter-
motolerantes, nesta situação devendo ser investigada a origem da ocor-
rência, tomadas providências imediatas de caráter corretivo e preventivo e
realizada nova análise de coliformes”.

De qualquer modo, verifica-se que, também neste caso, a qualidade
da água varia muito, o que permite identificar a bica como vulnerável

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a fontes de contaminação. A recomendação de sua utilização pela co-
munidade demandaria inspeções freqüentes, a adoção de medidas de
proteção da fonte de água e a continuidade do monitoramento.

FONTES INDIVIDUAIS DE ABASTECIMENTO

Em relação à análise de fontes individuais de abastecimento, registra-se que esta
não é uma responsabilidade dos responsáveis pelo controle da qualidade da água
para consumo humano, mas, sim, sob a ótica da avaliação de riscos, requer a aten-
ção da Vigilância. Como exemplo, poderiam ser citados bairros de baixa renda não
abastecidos pelo sistema público, ou usuários urbanos cujas residências têm acesso
ao sistema público, porém optam pela utilização de poços rasos. A vulnerabilidade
desta última situação é ilustrada na tabela a seguir com dados de monitoramento
em uma cidade de Minas Gerais. A coleta eventual de amostras isoladas pode ainda
atender ao objetivo de investigação de surto ou epidemia.

Tabela 10.1 – Ocorrência de coliformes em amostras de poços rasos
escavados (org./100 mL)

AMOSTRA CT CF E. Coli AMOSTRA CT CF E. Coli
1 1,8 NR ND 13 1,1 x 102 ND ND
2 4,5 ND ND 14 > 1,6 x 102 NR 3,5 x 102

3 4,5 2,0 ND 14 1,8 x 102 ND ND
4 1,7 x 101 ND ND 16 3,3 x 102 NR ND
5 1,7 x 101 2,0 ND 17 4,9 x 102 NR ND
6 2,1 x 101 1,1 x 101 2,0 18 7,0 x 102 NR ND
7 2,3 x 101 ND ND 19 7,9 x 102 NR ND
8 3,3 x 101 1,1 x 101 4,5 20 2,4 x 102 ND ND
9 4,8 x 101 3,7 ND 21 1,3 x 103 1,3 x 103 1,2 x 101

10 4,9 x 101 4,9 x 101 ND 22 > 1,6 x 103 > 1,6 x 103 4,5
11 7,8 x 101 NR ND 23 3,5 x 103