Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.
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Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.

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2,4 x 103 NR
12 7,9 x 101* 5,6 ND 24 3,5 x 103 NR 3,3 x 102

CT – coliformes totais;
CF – coliformes termotolerantes;
ND – não detectado;

NR – não realizado.

Para o caso de amostras de água coletadas isoladamente de poços, fontes, nas-
centes e outras formas de abastecimento sem distribuição canalizada, deve ser ob-
servado o disposto no artigo 11 da Portaria MS no 518/2004:

Art. 11, Tabela 1 – Água para consumo humano em toda e qualquer situação,
incluindo fontes individuais, como poços, minas, nascentes, dentre outras: au-

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sência de Escherichia coli ou coliformes termotolerantes em 100 ml, sendo a de-
tecção de Escherichia coli preferencialmente adotada.

Art. 11, § 8o Em amostras individuais procedentes de poços, fontes, nascentes e
outras formas de abastecimento sem distribuição canalizada, tolera-se a presen-
ça de coliformes totais, na ausência de Escherichia coli e/ou coliformes termoto-
lerantes, devendo ser investigada nesta situação a origem da ocorrência, tomadas
providências imediatas de caráter corretivo e preventivo e realizada nova análise
de coliformes.

A seguir ilustra-se a interpretação do disposto na Portaria MS no 518/2004, com
exemplos reais de certificados de análise:

Amostra 1: Água de mina (nascente)

Resultado:

CT (NMP/100 mL): 3,3 x 101
E. coli (NMP/100 mL): ND

Interpretação: De acordo com a Portaria MS no 518/2004, o resultado
não caracteriza a água da amostra analisada como imprópria para con-
sumo. Entretanto, cabe observar o disposto no § 8o do art.11 da referida
legislação.

“Em amostras individuais procedentes de poços, fontes, nascentes e
outras formas de abastecimento sem distribuição canalizada, tolera-se a
presença de coliformes totais, na ausência de Escherichia coli e/ou colifor-
mes termotolerantes, nesta situação devendo ser investigada a origem da
ocorrência, tomadas providências imediatas de caráter corretivo e preven-
tivo e realizada nova análise de coliformes.”

Em que pese a baixa densidade de coliformes totais, recomenda-se a
continuidade do monitoramento da qualidade da água.

Os dois últimos exemplos são inequívocos. Os dois primeiros são similares,
embora o segundo seja menos usual. Interpretando-se literalmente a Portaria
MS no 518/2004, não há como condenar a priori e conclusivamente as fontes
dos exemplos 1 e 2. Entretanto, o § 8o impõe que se façam as devidas ressalvas
e alertas, com maior ênfase no segundo caso. Adicionalmente, há sempre de
se manter em perspectiva que a qualidade da água é variável no tempo e que
a análise de uma amostra apenas informa sobre a qualidade no momento da

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coleta. Os responsáveis pelas análises devem ter isso claro, bem como orientar
o interessado pela análise.

Seriam estes os casos das amostras 1 e 2, mas para a segunda há indícios mais
claros de vulnerabilidade da fonte.

Amostra 2: Poço raso (8 m)

Resultado:

CT (NMP/100 mL): 9,2 x 102
E. coli (NMP/100 mL): ND (não detectado)

Interpretação: De acordo com a Portaria MS no 518/2004, o resultado
não caracteriza a água da amostra analisada como imprópria para con-
sumo. Entretanto, cabe observar o disposto no § 8o do art.11 da referida
legislação.

“Em amostras individuais procedentes de poços, fontes, nascentes e
outras formas de abastecimento sem distribuição canalizada, tolera-se a
presença de coliformes totais, na ausência de Escherichia coli e/ou colifor-
mes termotolerantes, nesta situação devendo ser investigada a origem da
ocorrência, tomadas providências imediatas de caráter corretivo e preven-
tivo e realizada nova análise de coliformes.”

A elevada densidade de coliformes totais, mesmo na ausência de
Escherichia coli, serve como alerta para a existência de fontes de po-
luição. Recomenda-se a continuidade do monitoramento da qualidade
da água.

Amostra 3: Poço raso

Resultado:

CT (NMP/100 mL): ND (não detectado)
E.coli (NMP/100 mL): ND (não detectado)

Interpretação: água própria para consumo humano.

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Amostra 4: Nascente

Resultado:

CT (NMP/100 mL): 3,7 x 102
E. coli (NMP/100 mL): 1,5 x 101

Interpretação: água imprópria para consumo humano

A presença de Escherichia coli é um indício claro de contaminação de
origem fecal.

INSTALAÇõES PREDIAIS

A responsabilidade dos prestadores de serviço em fornecer água potável e reali-
zar o controle de qualidade da água vai até a testada dos lotes ou o hidrômetro. En-
tretanto, a qualidade da água nas instalações prediais é também objeto de interesse
da Vigilância, seja em monitoramento de rotina ou de investigação, por exemplo,
em escolas na zona rural, em restaurantes populares, em hospitais. Aliás, freqüen-
temente a Vigilância é acionada, por solicitações de usuários, para a verificação da
qualidade da água de edificações, públicas ou residenciais.

Em qualquer situação, a verificação da qualidade da água em instalações pre-
diais deve, preferencialmente, envolver a coleta de amostras em diversos pontos da
edificação. Nesses casos, mais que a simples verificação do atendimento ao padrão
de potabilidade, à interpretação dos resultados aplica-se a lógica da investigação,
ilustrada a seguir com um exemplo hipotético.

ExEMPLO – Uma escola composta de três blocos de cinco andares
apresentou um surto de gastroenterite entre os alunos. A Vigilân-
cia foi acionada para investigar o fato. Foram coletadas amostras
de água dos seguintes pontos: cavalete; reservatório inferior que
abastece os reservatórios superiores dos três blocos; bebedouros
de cada um dos três blocos que são abastecidos pelos reservatórios
superiores.

LOCAL DE COLETA COLIFORMES
TOTAIS

COLIFORMES
TERMOTOLERANTES

CLORO RESIDUAL
LIVRE (mg/L)

Cavalete Presença Ausência 0,5
Reservatório
inferior Presença Ausência 0,2

Continua...

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LOCAL DE COLETA COLIFORMES
TOTAIS

COLIFORMES
TERMOTOLERANTES

CLORO RESIDUAL
LIVRE (mg/L)

Bebedouro –
Bloco 1 Ausência Ausência 0,1

Bebedouro –
Bloco 2 Presença Presença 0,0

Bebedouro –
Bloco 3 Ausência Ausência 0,1

Como interpretar esses resultados?
• A amostra retirada do cavalete apresenta apenas coliformes totais. A con-

clusão sobre a qualidade da água que chega à escola deve ser analisada
a partir das demais análises coletadas no mês, pela Vigilância e/ou pelos
responsáveis pelo controle. Caso a amostra apresentasse coliformes ter-
motolerantes ou E. coli em eventos de amostragem próximos à data do
surto, isso seria um indício forte de suspeição da água como causa.

• O reservatório inferior apresenta coliformes totais, provenientes, pro-
vavelmente, do sistema de distribuição, haja vista o resultado da amos-
tra do cavalete. O cloro residual livre é ainda aceitável (0,2 mg/L).

• O fato de apenas um bebedouro (bebedouro 2) ter revelado a presença
de coliformes (inclusive termotolerantes) e ausência de cloro residual
abre as seguinte hipóteses:
(1) apenas o bebedouro 2 é abastecido pelo reservatório superior, o

qual poderia ter sido sujeito à contaminação;
(2) Existem ligações cruzadas nas instalações hidráulico-sanitárias

do bloco 2;
(3) A contaminação pode ser localizada no bebedouro 2.

• Os resultados indicam a necessidade de novas coletas, incluindo amostras
de reservatório superior e uma cuidadosa inspeção das instalações hidráuli-
co-sanitárias da escola: existência de ligações cruzadas, estado de proteção
e conservação dos reservatórios, das redes de água e dos bebedouros.

10.4 ANÁLISE INTEGRADA DAS INFORMAÇõES
DO CONTROLE E