Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.
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Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.

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e da vi-
gilância da qualidade da água para consumo humano – município
de Água Azul.

De início, caberia comparar o plano de amostragem mínimo a ser im-
plementado nos Sistemas 1 e 2, de acordo com o estabelecido na Portaria
MS no 518/2004 e o efetivamente realizado.

Observa-se que o plano de amostragem mensal implementado pelos
responsáveis pelo controle de qualidade da água é bastante variável, mês
a mês, o que, em si, não constitui um critério adequado. Portanto, a aná-
lise comparativa será feita em base anual.

PARÂMETRO
PORTARIA MS No 518/2004 REALIzADO CONTROLE REALIzADO VIGILÂNCIA
SISTEMA 1 SISTEMA 2 SISTEMA 1 SISTEMA 2 SISTEMA 1 SISTEMA 2

Turbidez 120 120 249 198 243 114

CRL 516 120 250 197 258 119

Fluoreto 60 60 242 - 23 -

Coliformes 516 120 247 187 260 116

Observa-se que:

• O plano de amostragem mínimo de controle de qualidade da água só
é cumprido para o Sistema 2, neste caso com alguma folga.

• No Sistema 1, é coletada aproximadamente metade das amostras exi-
gidas para a análise de coliformes e cloro residual, em contrapartida é
analisado o dobro do exigido para a análise de turbidez e mais ainda
para fluoreto.

• O plano de amostagem da Vigilância equivale ao do controle, mais
nitidamente no Sistema 1.

• Os resultados dos planos de amostragem de controle e vigilância são
mais coincidentes no Sistema 1, em termos de meses nos quais são
detectadas mais anomalias (amostras fora do padrão bacteriológico).

• Em geral, nos dois sistemas, os resultados da Vigilância revelam água
de pior qualidade (as mesmas águas distribuídas!). No Sistema 1, cujos
planos são equivalentes, de acordo com os resultados da Vigilância,
ao longo de 2002, durante sete meses o padrão bacteriológico de po-
tabilidade não foi atendido, contra apenas dois meses de acordo com
os resultados do controle. No mesmo sistema, o monitoramento da
Vigilância detectou anomalias, em termos de atendimento ao padrão
de cloro residual, em cinco meses, ao passo que nenhuma anomalia foi
detectada pelo controle!

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214 Secretaria de Vigilância em Saúde

• Chama atenção o fato de que, nos dois sistemas, ainda que eventual-
mente, a Vigilância detectou coliformes termotolerantes, enquanto o
controle não, ou, por vezes, nem realiza o teste, mesmo detectando
coliformes totais, contrariando assim as determinações da Portaria
MS no 518/2004.

ExEMPLO – Análise integrada das informações do controle
e da vigilância da qualidade da água para consumo humano –
município de Água Azul.

A análise comparativa dos resultados do controle e da Vigilância sugere
as seguintes medidas:

• A análise da distribuição espacial dos dados dos dois planos de moni-
toramento, a fim de verificar convergências, divergências, identificar
pontos críticos dos sistemas de distribuição não mapeados por um ou
outro plano e orientar adequações aos planos de amostragem.

• A verificação dos procedimentos de coleta e das análises laboratoriais
realizadas pelos responsáveis pelo controle de qualidade da água.

• A verificação do atendimento das exigências de recoleta de amostras,
de acordo com o estabelecido na Portaria MS no 518/2004.

• O pronto redimensionamento do plano de amostragem de controle do
Sistema 1, de acordo com mínimo exigido na Portaria MS no 518/2004.

• A necessidade de identificação das causas das anomalias recorrentes e
a pronta adoção de medidas corretivas.

CLASSIFICAÇÃO DO GRAU DE RISCO À SAÚDE
DAS DIFERENTES FORMAS

DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA 11

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11 CLASSIFICAÇÃO DO GRAU DE RISCO
À SAÚDE DAS DIFERENTES FORMAS
DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA

Conforme conceituado no Capítulo 5 deste Manual, a avaliação de risco consis-
te em um conjunto de procedimentos que permite a caracterização e a estimativa,
quantitativa ou qualitativa, de potenciais efeitos adversos à saúde por causa da ex-
posição de indivíduos e populações a perigos.

Essa metodologia constitui hoje objeto de estudo de diversos pesquisado-
res e técnicos que trabalham nas mais diversas áreas do conhecimento, sendo
aplicada para a avaliação qualitativa e quantitativa de riscos à saúde em várias
situações onde houve exposição a perigos, notadamente químicos e micro-
biológicos.

Entretanto, na área de saneamento, mais especificamente em abastecimen-
to de água, a metodologia de avaliação de risco ainda não foi adaptada como
ferramenta prática e de fácil aplicação, de forma que oferecesse resultados con-
fiáveis e que, efetivamente, possam ser utilizados para orientar medidas pre-
ventivas e corretivas.

Além disso, a ausência de uma metodologia científica que facilite aos pro-
fissionais que atuam em vigilância avaliar o risco representado por sistemas
e/ou as soluções alternativas de abastecimento de água não devem servir de
obstáculo para que as ações de vigilância sejam desenvolvidas na perspectiva
da avaliação de riscos.

Nesse sentido, este capítulo tem o objetivo de apresentar, com base na experiên-
cia acumulada de profissionais que atuam na área da vigilância, possibilidades de
análise das informações relacionadas a sistemas e soluções alternativas de abasteci-
mento, considerando os princípios da metodologia de avaliação de risco.

O grau de risco à saúde associado às diferentes formas de abastecimento de água
pode ser avaliado e classificado a partir da identificação de fatores ou situações de
risco no desenvolvimento das seguintes atividades:

• inspeções e avaliação das condições do manancial e da performance do
sistema e/ou solução alternativa;

• análise das informações sobre a qualidade da água bruta, tratada, dis-
tribuída e/ou consumida;

• levantamento do perfil epidemiológico da população.

Considerando o abastecimento de água, procura-se analisar, conjuntamente, os
seguintes aspectos:

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218 Secretaria de Vigilância em Saúde

a) Adequabilidade do tratamento da água

Na análise deste item, procura-se responder à seguinte pergunta: o processo de
tratamento utilizado consegue tratar a água do manancial a ponto de torná-la po-
tável? Pode-se utilizar a seguinte classificação: adequado, adequado com restrições
e não adequado.

Entende-se por “adequado” o sistema que produz água sistematicamente de
acordo com o padrão de potabilidade; por “adequado com restrições”, aqueles siste-
mas ou soluções alternativas que apresentem alguma particularidade que acarrete
um eventual não atendimento ao padrão ou a exigências específicas de tratamento.
Por exemplo, sistemas vulneráveis a picos de turbidez da água bruta, que não efe-
tuem a filtração quando exigível ou que não realizem a fluoretação.

b) Desempenho do sistema e/ou solução alternativa
de abastecimento

Procura-se aqui avaliar as condições de operação, manutenção e conservação
do sistema ou solução alternativa. Pode-se adotar a seguinte classificação para este
item: B (bom), R (regular) e P (péssimo).

c) Evolução da qualidade bacteriológica da água, segundo
avaliação mensal

Deve-se efetuar avaliação de séries históricas do comportamento da qualidade
bacteriológica da água. Essa avaliação deve ser realizada mensalmente para cada
sistema ou solução alternativa. Os resultados podem ser avaliados em termos do
número de meses em que não foi atendido o padrão bacteriológico e, em cada mês,
do percentual de amostras fora do padrão.

d) Evolução dos demais parâmetros de avaliação de qualidade
de interesse à saúde pública

Deve-se proceder à avaliação do maior número de parâmetros possíveis, ou dis-
poníveis, com especial atenção para cloro residual livre, turbidez e flúor. Pode-se
computar, para cada parâmetro, o percentual de amostras que NÃO atenderam à
legislação em vigor em relação