Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.
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Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.

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ao total de amostras analisadas.

Recomenda-se que na análise de cada um dos aspectos mencionados anterior-
mente seja feito um estudo comparativo de dois anos consecutivos (o atual e o
anterior).

Da avaliação global de todos os fatores anteriormente selecionados, as possibi-
lidades de evolução são as seguintes:

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• melhoria da situação avaliada;
• manutenção da mesma situação;
• piora da situação.

A aplicação da metodologia sugerida será exemplificada utilizando-se o mesmo
exemplo da cidade de Água Azul (Capítulo 10).

Para melhor compreensão da avaliação desenvolvida para a cidade de Água Azul
(Tabela 11.1) são utilizadas as seguintes legendas:

• Adequabilidade do tratamento da água: adequado (A), adequado com
restrições (AR) e não adequado (NA).

• Performance do tratamento da água: B (bom), R (regular), P (péssimo).
• Avaliação bacteriológica

• número de meses em que NÃO foi atendido o padrão (x) em rela-
ção ao número de meses avaliados (Y), expresso da seguinte for-
ma: X em Y;

• percentual de amostras com presença de coliformes totais (CT) em
relação ao número total de amostras analisadas;

• percentual de amostras com presença de coliformes termoto-
lerantes (fecais) (CF) em relação ao número total de amostras
analisadas.

• Avaliação do cloro residual livre (CRL) – percentual de amostras que
NÃO atenderam ao padrão em relação ao número total de amostras
analisadas.

• Avaliação da turbidez – percentual de amostras que NÃO atenderam ao
padrão em relação ao número total de amostras analisadas.

• Avaliação do flúor – percentual de amostras que NÃO atenderam ao
padrão em relação ao número total de amostras analisadas.

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Tabela 11.1 – Avaliação dos sistemas de abastecimento da cidade de Água
Azul no biênio 2001-2002

SISTEMA ITEM AVALIADO SITUAÇÃO EM 2001 SITUAÇÃO EM 2002 CONCLUSÃO

Um

Adequabilidade do tratamento A A Igual
Desempenho do tratamento R R Igual
Avaliação bacteriológica
(avaliação mensal)

4 em 12 7 em 12 Piorou

Avaliação bacteriológica
(coliformes totais)

5% presença 9% presença Piorou

Avaliação bacteriológica
(coliformes termotolerantes)

1% presença 1% presença Igual

Avaliação CRL 3% NA 3% NA Igual
Avaliação da turbidez 4% NA 11% NA Piorou
Avaliação do flúor 83% NA 22% NA Melhorou

Dois

Adequabilidade do tratamento NA A Melhorou
Desempenho do tratamento R R Igual
Avaliação bacteriológica
(avaliação mensal)

6 em 11 5 em 12 Igual

Avaliação bacteriológica (CT) 18% presença 9% presença Melhorou
Avaliação bacteriológica (BT) 7% presença 3% presença Melhorou
Avaliação CRL 16% NA 18% NA Piorou
Avaliação da turbidez 12% NA 7% NA Melhorou
Avaliação do flúor Não fluoretado Fluoretado em nov/2002 –

avaliação não efetuada
Prejudicado

A análise efetuada no exemplo permite apenas averiguar se houve melhoria ou
piora no desempenho dos diversos aspectos analisados, não se tratando ainda de
uma avaliação de risco.

Pode-se, então, propor uma classificação de risco dos sistemas ou soluções alter-
nativas de abastecimento de água em três categorias: verde, amarelo e vermelho, de
acordo com critérios a seguir:

• VERDE = baixo risco

• tratamento adequado às exigências do manancial;
• melhoria (ou situação igual) do parâmetro bacteriológico de um pe-

ríodo em relação a outro (considera-se o período de um ano) quan-
to à avaliação do atendimento à legislação vigente;

• melhoria (ou situação igual) de pelo menos três dos quatro parâ-
metros analisados (bacteriologia, CRL, turbidez e flúor) quanto ao
percentual de anomalias em relação ao total de amostras analisadas
de um período em relação a outro;

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• o não atendimento de um dos critérios anteriores classifica o siste-
ma como risco “Amarelo”.

• AMARELO = médio risco

• tratamento adequado às exigências do manancial, mesmo com res-
trições;

• melhoria (ou situação igual) do parâmetro bacteriológico de um
período em relação a outro quanto à avaliação do atendimento à
legislação vigente;

• melhoria (ou situação igual) de pelo menos dois dos quatro parâ-
metros analisados (bacteriologia, CRL, turbidez e flúor) quanto ao
percentual de anomalias em relação ao total de amostras analisadas
de um período em relação a outro;

• o não atendimento de um dos critérios anteriores classifica o siste-
ma como risco “Vermelho”.

• VERMELHO = alto risco

 Enquadramento em qualquer um dos critérios a seguir:

• tratamento inadequado às exigências do manancial;
• piora do parâmetro bacteriológico de um período em relação a ou-

tro quanto à avaliação do atendimento à legislação vigente;
• melhoria (ou situação igual) de pelo menos um dos quatro parâ-

metros analisados (bacteriologia, CRL, turbidez e flúor) quanto ao
percentual de anomalias em relação ao total de amostras analisadas
de um período em relação a outro.

Considerando-se as informações disponíveis na Tabela 11.1 e os critérios utili-
zados para caracterização do risco, a análise resultaria na seguinte classificação:

SISTEMA SITUAÇÃO DE RISCO
Sistema 1 “amarelo”
Sistema 2 “amarelo”

Cumpre destacar que a cada situação caberão situações e avaliações específi-
cas. Pode-se, e deve-se, considerar a possibilidade de inclusão de outros critérios
para uma melhor caracterização do risco de cada sistema ou solução alternativa de
abastecimento, conforme a situação exigir. Em determinadas condições, pode ser
adequada a inclusão de outros parâmetros de avaliação da qualidade da água (ex.:
cianobactérias ou nitratos) que podem representar perigo à saúde da população.

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Vale ressaltar que o que se propõe neste exemplo é tão-somente o
desenvolvimento de uma lógica que auxilie na avaliação de risco.

Adicionalmente, outro critério que também deve ser levado em consideração na
avaliação de risco é a caracterização do perfil epidemiológico da população, a partir
da identificação de casos de doenças que possam estar associadas com o abasteci-
mento de água. Essa caracterização pode ser feita a partir de levantamentos nos
sistemas de informação normalmente utilizados pela Vigilância, em registros dos
serviços de saúde ou com base em investigações epidemiológicas ou estudos epide-
miológicos desenvolvidos diretamente na população. A avaliação do perfil epide-
miológico pode ser expressa por meio dos indicadores de morbi-mortalidade.

A análise da associação deste critério com as demais informações sobre o siste-
ma ou solução alternativa de abastecimento de água deve ser feita espacial e tempo-
ralmente, ou seja, pontuando no mapa da cidade os casos de doenças de veiculação
hídrica e a data de sua ocorrência.

Associações entre ocorrência de casos de doença e obras e manutenção na rede
de distribuição, falhas no processo de tratamento da água, ausência de teor mínimo
de cloro residual livre na rede de distribuição, queda da qualidade bacteriológica da
água, dentre outros, constituem fortes indicativos de risco à saúde pública associado
ao consumo de água, devendo ser levado em consideração na avaliação de risco.

Uma vez efetuada a classificação de risco que um sistema ou solução alternativa
representa para a população, é imprescindível que a autoridade de saúde pública
defina as ações a serem desencadeadas em função da realidade observada.

A classificação do risco norteará a autoridade de saúde pública em sua atuação
junto ao(s) responsável(is) por sistema ou solução alternativa de abastecimento de
água para a correção de situações de risco identificadas, ou