Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.
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Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.

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ainda quanto à urgência
e aos procedimentos administrativos a serem adotados (ofício, processo adminis-
trativo de infração sanitária, solicitação de ação civil pública).

ATUAÇÃO COM O(S) RESPONSÁVEL(IS) PELO
FORNECIMENTO DE ÁGUA PARA CORREÇÃO

DE SITUAÇõES DE RISCOS IDENTIFICADAS12

Manual de procedimentos de vigilância em saúde ambiental relacionada à qualidade da água para consumo humano

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12 ATUAÇÃO COM O(S) RESPONSÁVEL(IS)
PELO FORNECIMENTO DE ÁGUA PARA CORREÇÃO
DE SITUAÇõES DE RISCOS IDENTIFICADAS

O exercício do controle e da vigilância da qualidade da água, embora diferen-
ciado em suas atribuições e responsabilidades, deve ser conduzido de forma har-
mônica e integrada, resguardando seu objetivo primeiro e comum – proteger e
promover a saúde da população.

Na Portaria MS no 518/2004, vários artigos tratam desta necessária integraliza-
ção das ações de controle e vigilância, tais como:

Art. 9o Ao(s) responsável(is) pela operação de sistema de abastecimento de água
incumbe:
V - promover, em conjunto com os órgãos ambientais e gestores de recursos
hídricos, as ações cabíveis para a proteção do manancial de abastecimento e de
sua bacia contribuinte, assim como efetuar controle das características das suas
águas, nos termos do artigo 19 deste Anexo, notificando imediatamente a auto-
ridade de saúde pública sempre que houver indícios de risco à saúde ou sempre
que amostras coletadas apresentarem resultados em desacordo com os limites ou
condições da respectiva classe de enquadramento, conforme definido na legisla-
ção específica vigente;
VIII - comunicar, imediatamente, à autoridade de saúde pública e informar, ade-
quadamente, à população a detecção de qualquer anomalia operacional no sis-
tema ou não conformidade na qualidade da água tratada, identificada como de
risco à saúde, adotando-se as medidas previstas no artigo 29;

Art. 7o São deveres e obrigações das Secretarias Municipais de Saúde:
V - informar ao responsável pelo fornecimento de água para consumo humano
sobre anomalias e não conformidades detectadas, exigindo as providências para
as correções que se fizerem necessárias;

Art. 29. Sempre que forem identificadas situações de risco à saúde, o responsável
pela operação do sistema ou solução alternativa de abastecimento de água e as
autoridades de saúde pública devem estabelecer entendimentos para a elabo-
ração de um plano de ação e tomada das medidas cabíveis, incluindo a eficaz
comunicação à população, sem prejuízo das providências imediatas para a cor-
reção da anormalidade.

A identificação de situações de risco pelo órgão de vigilância pode advir das
seguintes circunstâncias ou atividades:

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• análise dos dados cadastrais;
• inspeções nos sistemas e soluções alternativas de abastecimento de água;
• análise dos relatórios de controle da qualidade da água;
• análise da qualidade da água em qualquer ponto de consumo dos sis-

temas, soluções alternativas coletivas ou individuais de abastecimento
de água;

• investigações específicas em casos de surtos.

Num primeiro momento, o órgão responsável pela vigilância da qualidade da
água no município deve informar ao responsável pela prestação do serviço de abas-
tecimento de água a situação de risco identificada, exigindo as providências cabí-
veis, incluindo a apresentação de cronograma de execução.

Na notificação devem constar as seguintes informações mínimas:

• resumo da qualidade do serviço que está sendo prestado e a condição
do abastecimento;

• indicação dos aspectos que se consideram deficientes e que requerem
a adoção de medidas (sempre referenciando a legislação pertinente).

A notificação deve ser feita sempre no escritório local onde o serviço é pres-
tado. Nos casos em que o escritório local do prestador do serviço de saneamento
não tome providências para sanar o risco, o órgão de vigilância deve encaminhar a
notificação para a esfera superior de hierarquia. Isso se aplica aos casos em que os
serviços de saneamento sejam prestados por empresas concessionárias estaduais,
por exemplo. Muitas vezes a notificação deve ser encaminhada para o escritório
regional ou até mesmo para a sede da Companhia no estado.

As fichas de cadastro (Capítulo 7) têm um campo com o endereço do responsá-
vel pela prestação dos serviços de abastecimento de água, tanto dos sistemas quan-
to das soluções alternativas coletivas. Vale lembrar que nos casos de dúvidas ou
omissões, cabe à autoridade de saúde pública definir o responsável pelo controle da
qualidade da água de solução alternativa (Portaria MS no 518/2004, art. 7o, inciso
XI) e que, constitucionalmente, a responsabilidade pela titularidade dos serviços de
abastecimento de água é do município e, portanto, a Prefeitura Municipal é o ende-
reço ao qual o órgão de vigilância pode ter de, em última instância, se reportar.

As situações de risco dos sistemas ou as soluções alternativas coletivas de abas-
tecimento de água devem, na medida do possível, ser sanadas tão logo sejam iden-
tificadas pela autoridade de saúde pública municipal.

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Em determinadas circunstâncias podem caber medidas corretivas imediatas, tal
como a correção do processo de desinfecção ou a recuperação de um poço ou de
um reservatório. Em outras situações, a implementação de medidas preventivas ou
corretivas pode extrapolar a responsabilidade do prestador de serviço, como no
caso da proteção de mananciais. Em caso de acidentes, por exemplo, a contamina-
ção pontual do manancial com cargas tóxicas ou o rompimento de uma adutora de
água, o problema pode exigir uma ação conjunta dos responsáveis pelo controle e
pela vigilância.

Em todo o caso, a implementação das medidas corretivas ou preventivas, cabíveis
ou exigidas, a curto, médio ou longo prazos deve ser acompanhada pela Vigilância.

Também em todo o caso, as situações de risco devem ser comunicadas ao pú-
blico de forma eficaz. Por eficaz entende-se a comunicação que resulte em efetiva
proteção à saúde, por exemplo, em casos mais graves, evitar temporariamente o
consumo de água, ferver a água, etc.

É importante frisar que a desejada ação harmônica e integrada entre os presta-
dores de serviço e a Vigilância não exclui a prerrogativa de auditagem e autoridade
sanitária de que se reveste a Vigilância.

Em alguns casos pode ser prudente, ou cabível, a comunicação ou o recurso
às Secretarias Municipal e Estadual de Saúde, ao laboratório de referência (por
exemplo, no caso de inconsistências entre laudos de análises de água), ao chefe do
Executivo Municipal, à agência estadual de controle ambiental, ao Procon ou ao
Comitê de Bacias da região. Eventualmente, pode ser necessário até o envolvimento
do Ministério Público.

Também é importante frisar que enquanto a Vigilância Ambiental não dispuser
de instrumentos legais que lhe permitam abrir processo administrativo de infração
de natureza ambiental, deverá recorrer, quando a situação o exigir, à Vigilância Sa-
nitária e seu arcabouço legal para proceder à instrução de processos administrati-
vos de infração de natureza sanitária.

INVESTIGAÇÃO EPIDEMIOLóGICA
DE SURTOS E EPIDEMIAS13

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13 INVESTIGAÇÃO EPIDEMIOLóGICA
DE SURTOS E EPIDEMIAS

As investigações epidemiológicas constituem uma ferramenta da Vigilância
utilizadas para o esclarecimento de questões relacionadas à ocorrência de um de-
terminado evento em saúde. De forma geral, no âmbito dos serviços de saúde, as
investigações epidemiológicas são realizadas quando da ocorrência de casos novos
de uma doença ou agravo