Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.
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Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.

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para estruturação insti-
tucional do Vigiagua.

Quanto aos aspectos operacionais, propõe uma forma de atuação em que,
didaticamente, as ações são divididas em estratégicas e básicas. Para viabilizar
as ações básicas é necessário o desenvolvimento de ações executivas, de ava-
liação de risco e de informação. Essas ações são interdependentes e relacio-
nam-se da forma proposta no diagrama de fluxo representado na Figura 2.2.

A seguir são apresentadas as ações estratégicas, com as ações básicas, que
constituem a forma de operacionalização do Vigiagua, sendo abordadas na
Parte II deste manual.

a) Coordenação

A coordenação nas três esferas de governo dar-se-á de maneira descentra-
lizada, permitindo atingir as metas e as prioridades estabelecidas e possibi-
litando a detecção, a predição e a prevenção da contaminação da água com a
finalidade de minimizar a incidência de doenças transmitidas pela água.

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Figura 2.1 – Organização institucional das ações de vigilância da qualidade
da água para consumo humano

Fonte: Programa Nacional de Vigilância em Saúde Ambiental relacionada á Qualidade da Água para
Consumo Humano (Brasil, 2005)

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Figura 2.2 – Ações básicas para operacionalização da vigilância
da qualidade da água para consumo humano

b) Estruturação da rede laboratorial

A organização de uma rede de laboratórios constitui um dos pilares para o de-
senvolvimento das ações de vigilância da qualidade da água para consumo huma-
no, proporcionando suporte para a verificação da conformidade da qualidade da
água ao padrão estabelecido na legislação.

Para a avaliação da qualidade da água para consumo humano poderão ser mo-
nitorados desde os parâmetros considerados básicos (bacteriologia, turbidez, cor e
cloro residual) até os mais complexos (cianobactérias, substâncias químicas orgâ-

Fonte: Adaptado do Programa Nacional de Vigilância em Saúde Ambiental relacionada á Qualidade
da Água para Consumo Humano (Brasil, 2005)

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nicas e outros). Nesse sentido, torna-se necessário organizar uma rede de labora-
tórios que atenda às demandas, em diferentes níveis, da vigilância da qualidade da
água, compatibilizando quesitos de resolutividade e racionalidade econômica.

Com relação à gestão pública, a organização é feita por meio do Sistema Na-
cional de Laboratórios de Saúde Pública (Sislab), regulamentado pela Portaria MS
no 15/2002. De acordo com essa Portaria, o Sislab é constituído por quatro redes
nacionais de laboratórios, com as seguintes denominações:

I- Rede Nacional de Laboratórios de Vigilância Epidemiológica;
II- Rede Nacional de Laboratórios de Vigilância em Saúde Ambiental;
III- Rede Nacional de Laboratórios de Vigilância Sanitária;
IV- Rede Nacional de Laboratórios de Assistência Médica de Alta Com-

plexidade.

De acordo com o artigo 4o da Portaria MS no 15/2002, caberá à Rede Na-
cional de Laboratórios de Vigilância em Saúde Ambiental o desenvolvimento
das atividades laboratoriais relacionadas à vigilância da qualidade da água para
consumo humano.

Os Laboratórios de Saúde Pública são aqueles cuja responsabilidade se encon-
tra a cargo do setor público na esfera da saúde e, normalmente, atuam em três
áreas: vigilância epidemiológica, vigilância ambiental e vigilância sanitária. Entre
suas competências destacam-se: o desenvolvimento e o repasse de tecnologias para
os laboratórios públicos, a padronização de técnicas e o controle da qualidade la-
boratorial. A rede de laboratórios públicos pode ser composta dos Laboratórios
Centrais (Lacens) e por laboratórios regionais e locais.

Um laboratório destinado a realizar análises de vigilância da qualidade da água
para consumo humano deve ser dimensionado em função do seu nível de comple-
xidade. Assim, a quantidade, o tamanho e a disposição dos diferentes ambientes
devem ser definidos levando-se em consideração:

• atividade fim do laboratório;
• fluxo operacional;
• biossegurança;
• atividades de apoio técnico, administrativo e logístico.

Os recursos humanos constituem parte essencial para o bom funcionamento
de um laboratório. Profissionais de níveis superior, técnico e de apoio devem ser

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dimensionados em função do nível de complexidade do laboratório, do horário de
funcionamento e da carga horária estabelecida na legislação trabalhista.

As análises laboratoriais devem ser realizadas segundo procedimentos normali-
zados para garantir a obtenção de resultados confiáveis, válidos e precisos, além de
possibilitar a comparação entre resultados de diferentes laboratórios.

Segundo o Artigo 17, § 3o da Portaria MS no 518/2004, as análises para a vigilân-
cia da qualidade da água podem ser realizadas em laboratório próprio ou não, que,
em qualquer caso, deve manter programa de controle de qualidade interna ou ex-
terna ou ainda ser acreditado ou certificado por órgãos competentes para esse fim.

c) Normalização

É adotada a legislação federal estabelecida pelo Ministério da Saúde, podendo
ser complementada ou suplementada por legislações estadual ou municipal que
contemplem as características de cada local.

d) Desenvolvimento de recursos humanos

O êxito do desenvolvimento das ações do Vigiagua depende da qualidade e da
quantidade de recursos humanos, sendo importante a implementação de progra-
mas contínuos de capacitação, dirigidos tanto ao nível gestor quanto operacional e
que contemplem todos os aspectos relacionados à vigilância.

Dentre os aspectos a serem contemplados em programas de capacitação, podem
ser destacados:

• a perfeita compreensão dos marcos conceitual, legal e institucional do
Vigiagua e dos mecanismos para sua operacionalização;

• os aspectos conceituais e técnicos relacionados à qualidade e ao abas-
tecimento de água para consumo humano, sobretudo conceitos e pro-
cedimentos para as boas práticas em abastecimento de água;

• a sistematização e a interpretação de dados e informações gerados
pelos responsáveis pelo controle da qualidade da água para consumo
humano;

• a sistematização e a interpretação de dados e informações gerados
pela vigilância epidemiológica, pela vigilância ambiental, por órgãos
ambientais e por gestores de recursos hídricos;

• as orientações e os conhecimentos necessários para a realização de
inspeções sanitárias em sistemas de abastecimento de água e soluções
alternativas coletivas;

• a coleta e análises de amostras de água.

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e) Atuação nos fóruns intra e intersetoriais dos setores afetos
à quantidade e à qualidade da água para consumo humano

A questão da água para consumo humano apresenta nítida interface com diver-
sas áreas, tais como:

• meio ambiente – gestão dos recursos hídricos com vistas à preservação
da oferta de água em quantidade e qualidade necessárias;

• saneamento – infra-estrutura necessária para captação, tratamento, re-
servação e distribuição de água potável (além de questões relacionadas
ao esgotamento sanitário, aos resíduos sólidos, à drenagem e à prote-
ção de mananciais);

• saúde – prevenção de doenças e promoção da saúde humana;
• desenvolvimento urbano – planejamento de ocupação e expansão das

áreas urbanas e sua relação com o saneamento e a proteção de
mananciais;

• habitação – relacionada à garantia da qualidade da água intradomiciliar.

Portanto, os assuntos pertinentes à água para consumo