Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.
286 pág.

Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.

Disciplina:Gestão de Recursos Hídricos163 materiais1.515 seguidores
Pré-visualização50 páginas
humano são objeto de
discussão em diversos conselhos e instâncias colegiadas relacionados ao meio am-
biente, à saúde e aos recursos hídricos.

A seguir, aborda-se, de maneira simplificada, a forma de atuação dos diversos
fóruns intra e intersetoriais e sua interface com as questões inerentes à água para
consumo humano.

Comitês de Bacias Hidrográficas

Os Comitês de Bacias Hidrográficas constituem fóruns intersetoriais na
medida em que agregam representantes dos governos federal, estadual e
municipal de diversos setores (saneamento, meio ambiente, saúde, agri-
cultura, planejamento, turismo, energia, sociedade civil organizada, den-
tre outros). A composição dos comitês inclui representantes dos governos
estadual, municipal e da sociedade civil organizada.

A Política Nacional de Recursos Hídricos, que instituiu o Sistema Na-
cional de Recursos Hídricos, foi disciplinada pela Lei no 9.433/1997, esta-
belecendo um arranjo institucional para a gestão compartilhada do uso
da água, incluindo os seguintes organismos para compor o novo sistema
de gestão:

Manual de procedimentos de vigilância em saúde ambiental relacionada à qualidade da água para consumo humano

33 Secretaria de Vigilância em Saúde

• Conselho Nacional de Recursos Hídricos;
• Comitês de Bacias Hidrográficas (CBHs);
• Agências de bacias;
• Organizações civis de recursos hídricos

Na medida em que nos CBHs se discutem regionalmente os usos múl-
tiplos e conflitantes da água, o uso da água para consumo humano será
sempre tema de interesse.

No que tange à água para consumo humano, destacam-se os seguintes
dispositivos da Lei no 9.433/1997:

Art. 1o A Política Nacional de Recursos Hídricos baseia-se nos seguintes
fundamentos: (...)
III – em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é o
consumo humano e a dessedentação de animais;
IV – a gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múlti-
plo das águas;

Art. 2o São objetivos da Política Nacional de Recursos Hídricos:
I – assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade de
água, em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos;

Art. 3o Constituem diretrizes gerais de ação para implementação da Política
Nacional de Recursos Hídricos:
I – a gestão sistemática dos recursos hídricos, sem dissociação dos aspectos
de quantidade e qualidade.

Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional de Meio Ambiente

Com a promulgação da Política Nacional de Meio Ambiente, foi criado o
Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama), composto por uma estrutu-
ra organizacional que compreende diversos órgãos consultivos e, ou, delibe-
rativos, entre eles, o Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama).

O Conama tem por finalidade assessorar, estudar e propor ao Conse-
lho do Governo (um dos órgãos que compõem o Sisnama) diretrizes de
políticas governamentais para o meio ambiente e os recursos naturais e
deliberar, no âmbito de sua competência, sobre normas e padrões com-
patíveis com o meio ambiente ecologicamente equilibrado e essencial à
qualidade de vida.

Manual de procedimentos de vigilância em saúde ambiental relacionada à qualidade da água para consumo humano

34 Secretaria de Vigilância em Saúde

Os Conselhos de Meio Ambiente, nos níveis federal, estadual e muni-
cipal, também constituem fóruns instersetoriais de discussão, na medida
em que não apenas o setor ambiental tem neles assento, mas diversos
outros setores, como saúde, energia, agricultura, planejamento, turismo.
O Conselho é composto paritariamente por representantes dos governos
federal, estaduais, municipais e da sociedade civil organizada (entidades
ambientalistas, trabalhadores e empresários).

Considerando que a qualidade dos recursos hídricos utilizados para fins
de abastecimento para consumo humano está relacionada à situação am-
biental no qual se inserem, os assuntos pertinentes à água para consumo
humano devem ser objeto de discussão e deliberações por parte dos Conse-
lhos de Meio Ambiente, qualquer que seja o nível de governo envolvido.

Na Portaria MS no 518/2004, destaca-se a indissociabilidade entre a qualida-
de da água bruta e a tratada e distribuída para consumo humano e, portanto, a
importância da proteção e do monitoramento do manancial de abastecimento.
Nessa Portaria, encontram-se diversas referências à necessidade da inter-rela-
ção entre os setores saneamento/meio ambiente/saúde, mais especificamente
o inciso V, do artigo 9o, que define que cabe aos responsáveis pela operação de
sistemas de abastecimento de água, dentre várias responsabilidades:

Promover, em conjunto com os órgãos ambientais e gestores de recur-
sos hídricos, as ações cabíveis para a proteção do manancial de abaste-
cimento e de sua bacia contribuinte, assim como efetuar o controle das
características das suas águas, nos termos do artigo 19, notificando ime-
diatamente a autoridade de saúde pública sempre que houver indícios de
risco à saúde ou sempre que amostras coletadas apresentarem resultados
em desacordo com os limites ou condições da respectiva classe de enqua-
dramento, conforme definido na legislação específica vigente.

Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional de Saúde

A efetiva participação da sociedade constitui um dos pilares do SUS, sendo
explicitada na Lei no 8.080/1990, que o regulamenta, e na Lei no 8.142/1990,
que dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do SUS.

Os Conselhos de Saúde são compostos, de forma paritária, por represen-
tantes dos prestadores de serviços, dos trabalhadores do SUS e dos usuários.

Como a definição de prioridades e a alocação de recursos na área da
saúde são objeto de discussão e deliberação nos Conselhos, é de funda-
mental importância que os conselheiros estejam atentos à vigilância e ao
controle da qualidade da água para consumo humano como ação de saú-
de preventiva e que este tema seja apreciado de forma sistemática.

Manual de procedimentos de vigilância em saúde ambiental relacionada à qualidade da água para consumo humano

35 Secretaria de Vigilância em Saúde

Conferências e Conselhos Nacional, Estaduais e Municipais das Cidades

Encontra-se já estruturado no país o Conselho Nacional das Cidades,
eleito na Conferência Nacional das Cidades, constituído por representan-
tes do governo federal, de governos estaduais e municipais e da sociedade
civil – movimentos sociais, organizações não governamentais, universida-
des, entidades empresariais e de trabalhadores. O Conselho discute diretri-
zes e a implementação de políticas e programas de saneamento ambiental,
habitação, transporte e mobilidade urbana. No momento da elaboração
deste manual encontrava-se na agenda do Conselho Nacional o fomento à
criação de Conselhos Estaduais e Municipais das Cidades.

Mais especificamente, verifica-se em alguns municípios a realização de
conferências e a existência de Conselhos Municipais de Saneamento.

Trata-se claramente de instâncias e mecanismos fundamentais de parti-
cipação da sociedade na condução de políticas para o saneamento.

.

f) Desenvolvimento de estudos e pesquisas

O desenvolvimento de estudos e pesquisas deve subsidiar as práticas da vigi-
lância, permitindo acompanhar o avanço tecnológico e adequado às condições do
país, avaliando os potenciais riscos ambientais que possam causar danos à saúde da
população.

A título de exemplo, podem ser citados alguns temas de interesse:

• a ocorrência de protozoários em mananciais de abastecimento;
• a remoção de protozoários em processos de tratamento de água;
• a incidência de protozooses e sua associação com o abastecimento e o

consumo de água;
• a ocorrência de cianobactérias e a remoção de cianotoxinas em proces-

sos de tratamento de água;
• a ocorrência de agrotóxicos em mananciais de abastecimento de água;
• a aplicação de métodos de avaliação de risco no estabelecimento do

padrão de potabilidade da água.

FORNECIMENTO E CONSUMO DE ÁGUA 3

Manual de procedimentos de vigilância em saúde ambiental relacionada à qualidade