Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.
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Manual de procedimentos de água em vigilância em saúde ambiental.

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de água

Fonte: Funasa (2004)

São detalhadas a seguir as principais unidades componentes dos sistemas de
abastecimento de água.

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MANANCIAIS

De acordo com o ciclo da água na natureza, os mananciais podem ser divididos
em três categorias: superficiais, subterrâneos e água de chuvas (Figura 3.2).

Figura 3.2 – Ciclo da água

Fonte: Oliveira (1976)

A escolha do manancial depende de informações que permitam compor sua his-
tória, tanto em termos quantitativos como qualitativos. A tomada de decisões quanto
ao manancial e ao ponto de captação deve ser orientada por fatores tais como:

• oferta de água do manancial, incluindo séries históricas e infor-
mações sobre variações sazonais, especialmente nos períodos de
estiagem;

• nível da água em períodos de chuva e estiagem;
• qualidade da água, incluindo variações sazonais;
• diagnóstico de uso e ocupação do solo na bacia de captação, com

destaque para:
• identificação dos usos múltiplos e conflitantes da água;
• condições de proteção dos mananciais;
• identificação de fontes poluidoras, existentes ou potenciais,
 tais como: lançamento de esgotos sanitários e efluentes
 industriais, atividades agropecuárias, etc.;

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• existência de dispositivos jurídico-administrativos, tais como:
Planos Diretores, Leis de Uso e Ocupação do Solo, Leis de zone-
amento Ambiental, etc.

• facilidade de acesso;
• distância entre os pontos de captação, tratamento e distribuição;
• custos de implantação e operação das estruturas de captação, adução

e tratamento da água;
• necessidade de elevatória e fontes de energia disponíveis;
• necessidade de desapropriações.

É fundamental o conhecimento da saturação do manancial, ou seja, do limi-
te de oferta de água ou do limite de adução (L/hab.dia) comparado à evolução
do consumo (L/hab.dia). A importância desse fator reside no pressuposto de que
não só a qualidade, mas também a quantidade de água têm implicações de saúde
pública, seja por limitar um consumo mínimo desejável (demanda essencial), seja
por causar problemas de intermitência do abastecimento. Estipular um valor para
a demanda essencial é algo um tanto controverso. Das evidências disponíveis e da
experiência internacional, têm-se adotado valores em torno de 80-100 L/hab.dia.

A qualidade da água, por sua vez, orienta os processos de tratamento necessá-
rios e os limites técnicos e econômicos para a potabilização da água.

Mananciais subterrâneos

São as fontes de água que se encontram abaixo da superfície do solo, compreen-
dendo os lençóis não confinados (freáticos) e os confinados (artesianos), conforme
a Figura 3.3. A captação é realizada por meio de poços rasos ou profundos, galerias
de infiltração ou pelo aproveitamento das nascentes, dentre outras formas. As se-
guintes definições aplicam-se:

• Lençol não confinado (freático): localizado entre a superfície do solo e uma
camada impermeável (rocha); submetido à pressão atmosférica.

• Lençol confinado (artesiano): encontra-se confinado entre camadas imper-
meáveis e sujeito a uma pressão maior que a pressão atmosférica. Em um
poço artesiano, a água subirá acima do nível do lençol, podendo, às vezes,
atingir a boca do poço e produzir uma descarga contínua, jorrante.

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Figura 3.3 – Mananciais subterrâneos

Fonte: Funasa (1999)

Mananciais superficiais

São os cursos d’água, lagos ou represas, principalmente.
As precipitações atmosféricas, logo que atingem o solo, podem ser armazena-

das nas depressões naturais do terreno (lagos) ou nos represamentos artificiais,
ou escoar superficialmente e alimentar os cursos d’água (córregos, ribeirões, rios).
Outra parcela infiltra-se no solo, constituindo os mananciais subterrâneos, os quais
acabam também por alimentar os mananciais superficiais.

As represas podem ser formadas artificialmente com base em obras executadas
em um curso d’água, com a finalidade de reter o volume necessário para garantir o
abastecimento em tempo de estiagem.

Mananciais de água de chuva

Quando adequadamente interceptadas e armazenadas, as precipitações atmos-
féricas podem também constituir mananciais de abastecimento.

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CAPTAÇÃO

As obras de captação variam conforme as condições locais, hidrológicas, topo-
gráficas e, no caso das águas subterrâneas, hidrogeológicas.

Captação de águas superficiais

O balanço entre a oferta (vazão do manancial) e a demanda de água (vazão de adu-
ção) determina se a captação poderá ser direta ou se será necessária a construção de
reservatórios de acumulação de água (barragens e represas) para, nos períodos de chuva,
cobrir o déficit das épocas de estiagem. Em linhas gerais, a análise a ser feita é a seguinte:

• vazão mínima do manancial superior à vazão de captação – capta-
ção direta;

• vazão mínima do manancial inferior à vazão de captação e vazão média
do manancial superior à vazão de captação – captação por meio de
reservatórios de acumulação;

• vazão mínima e média do manancial inferiores à vazão de captação
– o manancial sozinho não atende à demanda.

Por vazão mínima deve ser entendida a menor vazão do manancial estimada
para uma determinada condição hidrológica, subtraída de uma vazão ecológica
remanescente, necessária para a manutenção da vida aquática a jusante. Esta última
parcela é definida nas legislações estaduais que estabelecem os critérios para outor-
ga de uso dos cursos de água.

A qualidade da água de mananciais superficiais é fortemente influenciada pelo
uso e pela ocupação do solo e mais susceptível que a dos subterrâneos às variações
sazonais determinadas pelas condições climáticas (períodos de chuva e estiagem).

As estruturas de captação superficial podem ser compostas de:

• barragens ou vertedores para manutenção do nível ou para regulariza-
ção da vazão;

• órgãos de tomada d’água com dispositivos para impedir a entrada de
materiais flutuantes;

• dispositivos para controlar a entrada de água;
• canais ou tubulações de interligação e órgãos acessórios;
• poços de sucção e casa de bombas para alojar os conjuntos elevatórios,

quando necessário.

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Dentre os dispositivos mais comuns de tomada d’água temos:

a) Tomada d’água com barragem de nível

Encontram uso generalizado no aproveitamento de pequenos cursos d’água. A bar-
ragem visa somente a elevar o nível da água, facilitando a tomada d’água ou garantindo
a submergência dos dispositivos de recalque. A vazão mínima do manancial deve ser
superior à captada, pois a barragem não tem a função de acumular água.

b) Captação direta com proteção e poço de tomada

A tomada direta com proteção consiste na construção de uma caixa com barras
espaçadas para proteger o crivo da tubulação de tomada e o poço de tomada; são
normalmente utilizadas em cursos d’água perenes sujeitos a pequenas oscilações de
nível e em que não haja transporte de sedimentos (areia).

c) Captação indireta com canal ou tubulação de derivação

Consiste no desvio parcial das águas de um rio a fim de facilitar a tomada de água.

d) Torre de tomada

Utilizado para captação em represas e lagos. A torre de tomada fica sempre en-
volvida pela água, sendo provida de várias comportas situadas em níveis diferentes.
O ingresso da água no interior da torre é feito por uma das comportas, perma-
necendo as demais fechadas, sendo conveniente que a escolha