Michal Kalecki - Teoria da dinamica economica
194 pág.

Michal Kalecki - Teoria da dinamica economica

Disciplina:Macroeconomia3.626 materiais84.935 seguidores
Pré-visualização46 páginas
do investimento, ∆I.80 Segue-se que a queda da produção, do ponto
mais alto da fase de prosperidade ao ponto mais baixo da fase de
depressão, é igual a duas vezes e meia 13%, isto é, 33% do nível de
produção da fase de prosperidade. Assim, a produção cai em cerca de
1/3 do ponto mais alto da fase de prosperidade ao ponto mais baixo

KALECKI

153

80 De acordo com a p. 87, uma modificação no investimento de ∆I nos Estados Unidos no
período de 1929/40 foi acompanhada por uma modificação na renda real do setor privado
de 2,72 ∆I.

da fase de depressão. Pode-se ver facilmente que a amplitude das flu-

tuações é de cerca de 20% do nível médio.

1
2

 ×
1
3

 :(1 – 1
2

 ⋅
1
3
) = 1

3


Calculemos agora a amplitude das flutuações do estoque de equi-
pamentos. O acréscimo maior de capital fixo ocorre no período MN
(ver gráfico 13), porque essa é a faixa de tempo em que o investimento
bruto em capital fixo se apresenta acima do nível da depreciação.

Ora, supusemos que o nível mais elevado do investimento bruto
na fase de prosperidade era de 7,5% do nível médio de capital em
equipamentos; portanto, com a depreciação igual a 5%, o investimento
líquido mais elevado será de 2,5%.81 Supondo que a duração do ciclo
seja de dez anos, o período MN será de cinco anos. Se durante esse
período o investimento em capital fixo estivesse em seu nível mais
elevado, o acréscimo total ao nível de capital em equipamento seria
de 12,5% da média desse nível. De fato, contudo, como se pode ver
pelo gráfico 13, esse acréscimo será de somente cerca de 2/3 de 12,5%,
isto é, 8%. Conseqüentemente, a amplitude das flutuações do estoque
de capital fixo com relação a seu nível médio será de cerca de 4%, em
comparação com os 20% da produção.

Fica claro dessa forma que as flutuações do grau de utilização
do equipamento são de uma ordem semelhante às do montante da
produção. Uma proporção considerável dos equipamentos fica ociosa
na depressão. Mesmo em termos médios, o grau de utilização durante
o ciclo econômico será substancialmente inferior ao máximo atingido
durante o período de prosperidade. As flutuações da utilização da mão-
de-obra disponível ocorrem paralelas às da utilização do equipamento.

Gráfico 13. Efeito das flutuações do investimento em capital fixo, F,
sobre o estoque de equipamentos.

OS ECONOMISTAS

154

81 O investimento máximo em capital fixo é aproximadamente igual ao investimento máximo
total. De fato, o investimento em estoques no ponto máximo da fase de prosperidade é
pequeno, devido ao nivelamento do montante da produção.

Não só ocorre desemprego em massa durante a depressão, como
também o nível de emprego médio durante o ciclo se apresenta con-
sideravelmente abaixo do máximo atingido na fase de prosperidade.
A reserva de equipamentos e o exército industrial de reserva são
características típicas da economia capitalista durante uma parte
considerável do ciclo.

KALECKI

155

12

Ilustração Estatística

Dedução da “equação do ciclo econômico”

Trataremos agora de ilustrar a teoria do ciclo econômico acima
exposta, recorrendo a um modelo baseado nos dados dos Estados Unidos
referentes ao período 1929/40. Esse modelo, contudo, não apresenta
uma imagem exata dos acontecimentos nos Estados Unidos durante o
período em foco. Uma vez que ele se baseia em equações correspon-
dentes àquelas que estavam subjacentes à teoria desenvolvida no ca-
pítulo anterior, as suposições simplificadoras ali feitas terão que ser
mantidas. Assim, continuaremos a supor que o comércio exterior e o
orçamento do governo permanecem equilibrados, embora certamente
não tenha sido isso o que sucedeu nos Estados Unidos no período
1929/40. Continuaremos também a supor que o índice de preços uti-
lizado como deflator do investimento é idêntico ao empregado para
deflacionar o produto bruto do setor privado. Finalmente, deixaremos
de considerar os elementos de tendência das equações relevantes, para
podermos obter flutuações cíclicas puras.

De acordo com o que se disse acima, supomos a igualdade da
poupança e do investimento:

S = I.

A equação que relaciona os lucros depois dos impostos, P, com
o investimento, I, se baseia na equação que formulamos na página 79.
Na verdade, esta última relaciona os lucros, P, a I′, que é a soma do
investimento, do saldo da balança comercial e do déficit orçamentário.82
Contudo, deduz-se da argumentação apresentada no capítulo 4 que

157

82 Na verdade, em I′ se acham incluídas também as taxas de corretagem.

essa relação não depende do seguinte: se I′ é completamente explicado
pelo investimento I ou se o saldo da balança comercial e o déficit
orçamentário também exercem influência. Conseqüentemente, uma vez
que supomos que estes últimos itens são iguais a zero, podemos escrever
então essa relação para os lucros depois dos impostos, P, e o investi-
mento, I.83 Temos assim (desprezando a tendência):

Pt = 1,34It – 1
4
 + 13,4 .

A relação entre a renda bruta do setor privado, Y, e os lucros
depois dos impostos, P, pode ser expressa como (ver p. 85):

Yt = 2,03Pt + 10,4.

Supomos, da mesma forma como fizemos anteriormente (ver
p. 87), embora também aqui seja verdade com relação ao período
considerado, que a diferença, E, entre o produto bruto, O, e a renda
bruta do setor privado, Y, que é devida aos impostos indiretos, é
constante:

O = Y + E.

A partir dessas equações obtemos a relação entre a taxa de modificação
dos lucros e a do investimento:

∆Pt
∆t = 1,34

∆It – 1
4

∆t (24)

e a relação entre a taxa de modificação da renda bruta e a dos lucros
e do investimento:

∆Yt
∆t = 2,03

∆Pt
∆t = 2,72

∆It – 1
4

∆t .

Finalmente, sendo E constante, a taxa de modificação da produção é
igual à da renda bruta e portanto se acha relacionada com a taxa de
modificação do investimento:

∆Ot
∆t =

∆Yt
∆t = 2,72

∆It – 1
4

∆t (25)

Temos duas variantes para a equação da determinação do inves-

OS ECONOMISTAS

158

83 Deve-se acrescentar que, enquanto no capítulo anterior, para simplificar a apresentação,
supúnhamos que os trabalhadores não poupam, a presente equação é afetada em certa
medida pela poupança dos trabalhadores. Isso, contudo, altera apenas a interpretação dos
coeficientes da equação (8’) na página 144, sem alterar o padrão do ciclo econômico.

timento, correspondente às suposições de um hiato temporal de um
ano e de um semestre entre o investimento e seus determinantes (ver
p. 135). Para o hiato temporal θ = 1, temos

It = 0,634St – 1 + 0,293(Pt – 1
2
 –Pt – 3

2
) + 0,215 (Ot – 1

2
 – Ot – 3

2
) + 1,68 (26)

onde S é a poupança, P, os lucros depois dos impostos e O, o montante
da produção.

A equação correspondente ao hiato temporal θ = 1
2

 ano é:

 It = 0,762St – 1
2
 + 0,194(Ot – Ot – 1) + 0,16 (27)

Na formulação dessas últimas equações no capítulo 10, o inves-
timento em capital fixo, a poupança e os lucros foram deflacionados
pelo índice de preços dos bens de capital, enquanto o investimento e
os lucros nas equações precedentes foram deflacionados pelos índices
de preços utilizados como deflator do produto bruto. Já no presente
modelo não haverá nenhuma complicação, porquanto se supõe que o
índice de preços dos bens de capital seja igual ao índice de preços do
produto bruto.

Podemos agora substituir nas duas últimas equações a poupança,
S, pelo investimento, I. Ademais, de acordo com as equações (24) e
(25), temos:

Pt – 1
2
 –Pt – 3

2
 = 1,34 (It – 3

4
 – It – 7

4
)

Ot – 1
2
 –Ot – 3

2
 = 2,72 (It – 3

4
 – It – 7

4
)

Ot – Ot – 1 = 2,72 (It – 1
4
 – It – 5

4
) .

Assim, as equações (26) e (27) agora podem ser expressas em
termos apenas do investimento I:

 I = 0,634It – 1 + 0,978 (It – 3
4
 – It – 7

4
) + 1,68 (28)