Michal Kalecki - Teoria da dinamica economica
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Michal Kalecki - Teoria da dinamica economica

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a longo prazo.

Se a taxa de expansão da produção cair abaixo da taxa de elevação
combinada da produtividade do trabalho e da população, o desemprego
apresentará um aumento a longo prazo. De acordo com o que foi dito
acima, não é provável que isso ponha em ação forças que possam au-
tomaticamente mitigar o aumento do desemprego mediante uma taxa
mais alta de elevação da produção.

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APÊNDICE ESTATÍSTICO

Notas à Parte Primeira

Nota 1. Damos abaixo os dados referentes ao período de 1899-
1914 para: (a) o valor do capital fixo no ramo manufatureiro dos EUA
de acordo com Paul H. Douglas, A Teoria dos Salários; (b) a produção
do setor manufatureiro dos EUA de acordo com o National Bureau of
Economic Research; e (c) o valor agregado menos os salários no setor
manufatureiro dos EUA de acordo com o Censo dos Fabricantes.

Nota 2. A razão entre rendimentos e custos diretos, a razão entre
o custo das matérias-primas e o custo da mão-de-obra e a parcela
relativa dos salários no valor agregado do setor manufatureiro abor-
dados nos capítulos 1 e 2 baseiam-se no Censo dos Fabricantes dos
Estados Unidos. O Censo sofreu modificações consideráveis tanto no
que diz respeito a escopo como a método. A fim de permitir uma com-
paração em bases razoáveis para o período considerado (1899-1937),

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as séries foram “encadeadas” nos anos em que se deram modificações.
O ano-base escolhido foi 1899. Ocorreram modificações no escopo do
Censo nesse ano e em 1914. Uma vez que para esses dois anos havia
dados disponíveis tanto na base “velha” como na “nova”, foi possível
“encadear” todos os anos ao ano-base de 1899. Houve também diversas
modificações no método do Censo: (a) Em 1929, 1931 e 1933, os assim
chamados materiais indiretos foram incluídos no valor agregado, em
vez de constar no custo das matérias-primas como ocorreu em outros
anos. Esse item, de acordo com o Censo de 1904, onde aparece em
separado, foi responsável por cerca de 0,9% do custo das matérias-pri-
mas. A fim de levar em conta, de forma aproximada, essa modificação,
os custos de matérias-primas de 1929, 1931 e 1933 foram reduzidos
proporcionalmente e o valor agregado foi aumentado. (b) Antes de 1931,
o imposto sobre a fabricação de cigarros era incluído no valor agregado,
enquanto de 1931 em diante esse item passou a ser incorporado no
custo de matérias-primas. Uma vez que, para o ano de 1931, são dadas
ambas as variantes, foi possível “encadear” 1931 e os anos posteriores
ao ano-base de 1899. (c) Antes de 1935 o custo de serviços prestados
era incluído no valor agregado, enquanto de 1935 em diante esse item
passou a ser incluído no custo das matérias-primas. Uma vez que ambas
as variantes são dadas para o ano de 1935, foi possível “encadear”
1935 e os anos posteriores ao ano-base de 1899. Os números obtidos
mediante esses ajustes são dados, com relação a anos selecionados, na
tabela abaixo.

Nota 3. A série da razão entre os rendimentos e os custos diretos
do setor manufatureiro dos EUA, supondo-se uma composição industrial
estável, foi calculada empregando-se um sistema de encadeamento.

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Por exemplo, a razão entre os rendimentos e os custos diretos em 1889
foi calculada supondo-se que prevalecessem as parcelas relativas dos
grupos industriais principais no montante dos rendimentos de 1879;
esse número dividido pela razão real entre os rendimentos e os custos
diretos de 1879 deu o “elo” 1889/1879. O “elo” 1899/1889 foi inferido
da mesma forma, supondo-se que as parcelas relativas de 1889 pre-
valeciam, e assim por diante. O ano de 1899 foi escolhido como base
porque para aquele ano a razão “ajustada” entre os rendimentos e os
custos diretos é idêntica à razão real. A série “ajustada” pode ser cons-
truída então com base nos “elos”.

A série da razão entre o custo das matérias-primas e o custo da
mão-de-obra, supondo uma composição industrial estável do custo das
matérias-primas, foi obtida de maneira semelhante. Mais uma vez,
1899 foi escolhido como ano-base pelo mesmo motivo.

A série “ajustada” da parcela relativa dos salários no valor agre-
gado, w′, foi calculada a partir da razão “ajustada” entre os rendimentos
e os custos diretos, k′, e a razão “ajustada” entre o custo de matérias-
primas e o custo da mão-de-obra, j′ por meio da fórmula:

 w′ =
1

1 + (k′ – 1) (j′ + 1) (3′)

(ver p. 49). Uma vez que k′ é calculado supondo-se a composição in-
dustrial estável dos rendimentos e j′ supondo-se a composição industrial
estável do custo das matérias-primas, w′ é a parcela relativa dos salários
supondo-se a composição industrial estável do valor agregado (sendo
este último a diferença entre os rendimentos e o custo das matérias-
primas). As séries k′, j′ e w′ aparecem nas tabelas 6 e 8.

Nota 4. Damos abaixo os seguintes índices para os EUA durante
o período 1929/41: (a) O índice de salários no setor manufatureiro de
acordo com a publicação do Departamento de Comércio dos Estados
Unidos, Survey of Current Business, que concorda com o Censo dos
Fabricantes no que diz respeito aos anos do Censo. (b) O índice de
salários e ordenados na agricultura, mineração, construção, transporte
e serviços de acordo com a publicação do Departamento do Comércio
dos Estados Unidos, National Income Supplement to Survey of Current
Business, 1951. (c) O índice combinado dessas duas séries é entendido
como aproximado do índice do montante dos salários (ver p. 59). Os
pesos adotados são 1:1; os salários e ordenados no setor manufatureiro,
de um lado, e dos ramos da indústria enumerados no tópico (b) de
outro, eram aproximadamente iguais em 1929 e pode-se supor que os
respectivos salários também não divergiam muito. (d) O índice da renda

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bruta do setor privado de acordo com o National Income Supplement
(Suplemento da Renda Nacional).

Nota 5. Os salários mais os ordenados e a renda bruta do setor
privado nos EUA no período de 1929/41 de acordo com o Suplemento
da Renda Nacional aparecem nesta página. (É nesses dados que se
baseia a primeira coluna da tabela 12.) Convém salientar que no ba-
lanço nacional que aparece no Suplemento há uma discrepância esta-
tística entre o nacional do lado da renda e do lado das despesas. O
número da renda bruta na segunda coluna foi retirado da estatística
da renda. A fim de se obterem dados consistentes, esse número acha-se
ajustado de modo a compensar a discrepância estatística. (Dessa forma,
lançamos o erro estatístico todo no lado da renda, o que se justifica
pelo fato de que os dados das despesas são em geral mais fidedignos
que os da renda.) A renda bruta ajustada do setor privado aparece na
terceira coluna. Supõe-se que os ordenados mais salários ajustados
sejam proporcionais à renda bruta ajustada, de forma que a parcela
relativa daqueles nesta não se altera pelo ajuste.

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Nota 6. A renda bruta ajustada do setor privado acha-se defla-
cionada abaixo pelo índice implícito na deflação do produto bruto do
setor privado. (Esse índice foi obtido dividindo-se o valor corrente do
produto bruto do setor privado por seu valor a preços constantes con-
forme dado pelo Suplemento.)

Notas à Parte Segunda95

Nota 7. Abaixo aparecem os lucros ajustados antes e depois dos
impostos em dólares correntes e de 1939, referentes ao período 1929/40.
Os lucros ajustados antes dos impostos em dólares correntes são cal-
culados com a diferença entre a renda bruta ajustada do setor privado
e os salários e ordenados ajustados do setor privado conforme aparecem
na Nota 5. Obtêm-se os lucros ajustados depois dos impostos deduzindo
todos os impostos diretos, aplicados tanto a pessoas físicas como pessoas
jurídicas. (Os impostos diretos aplicados aos trabalhadores foram pe-
quenos no período de tempo considerado.) Finalmente, os lucros ajus-
tados antes e depois dos impostos são deflacionados pelo