Michal Kalecki - Teoria da dinamica economica
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Michal Kalecki - Teoria da dinamica economica

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Business Cycles”. In: Review
of Economic Studies. nº 2, 1949. p. 57-64.

Trabalhos posteriores:

5.7. “Observations on the Theory of Growth”. In: Economic Journal.
Março de 1962. p. 134-153;

5.8. “Trend and Business Cycles Reconsidered”. In: Economic Journal.
Junho de 1968. p. 263-276. Em português: “Tendência e Ciclo
Econômico”. In: Crescimento e Ciclo;

5.9. “Theories of Growth in Different Social Systems”. In: Scientia.
Maio-junho de 1970. p. 311-316. Em português: “Teorias do Cres-
cimento em Diferentes Sistemas Sociais”. In: Crescimento e Ciclo.

Finalmente, um outro trabalho também deve ser mencionado,
por apresentar uma abordagem inteiramente diversa das anteriores.
Nesse trabalho, publicado em 1943, Kalecki prevê o caráter político
que os ciclos econômicos teriam depois da Segunda Guerra Mundial:

5.10. “Political Aspects of Full Employment”. In: Political Quarterly.
nº 4, 1943. p. 322-331. Em português: “Os Aspectos Políticos do
Pleno Emprego”. In: Crescimento e Ciclo.

Jorge Miglioli

Jorge Miglioli, nascido em 1935, é
licenciado em Ciências Sociais pela
Universidade Federal do Rio de Ja-
neiro, doutor em Ciências Econômi-
cas pela Escola Central de Planifi-
cação e Estatística de Varsóvia (Po-
lônia) e livre-docente em Economia
pela Universidade Estadual de Cam-
pinas, onde é Professor titular do De-
partamento de Economia e Planeja-

KALECKI

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mento Econômico. Publicou os se-
guintes livros: Técnicas Quantitati-
vas de Planejamento (1976); Acumu-
lação de Capital e Demanda Efetiva
(1981); Introdução ao Planejamento
Econômico (1982). Além de ter edi-
tado: Michal Kalecki, Crescimento e
Ciclo das Economias Capitalistas
(1977); Kalecki (Grandes Cientistas
Sociais, 1980).

OS ECONOMISTAS

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MICHAL KALECKI

TEORIA DA DINÂMICA ECONÔMICA*

ENSAIO SOBRE AS MUDANÇAS CÍCLICAS E A
LONGO PRAZO DA ECONOMIA CAPITALISTA

Tradução de Paulo de Almeida

* Traduzido do original inglês: Theory of Economic Dynamics — An Essay on Ciclical and
Long-Run Changes in Capitalist Economy. 2ª ed. revista. Londres. George Allen & Unwin,
1965.

PREFÁCIO

Este livro está sendo publicado em lugar de uma segunda edição
de meus Essays in the Theory of Economic Fluctuations (Ensaios sobre
a Teoria das Flutuações Econômicas) e de meus Studies in Economic
Dynamics (Estudos de Dinâmica Econômica). Trata-se, contudo, de um
livro essencialmente novo. Apesar de cobrir a mesma área que foi objeto
dos dois livros anteriores e de as idéias básicas não terem sofrido
muitas modificações, a apresentação e mesmo a argumentação passa-
ram por alterações substanciais. Ademais, em alguns casos, principal-
mente nos capítulos 13 e 14, foram incorporados novos elementos. Tam-
bém o escopo das ilustrações de caráter estatístico foi bastante am-
pliado, tendo sido utilizados novos materiais estatísticos a que se teve
acesso posteriormente à publicação de minhas obras anteriores.

Convém também salientar que nas análises estatísticas foi em-
pregado o método dos mínimos quadrados. Esse procedimento pode
parecer algo grosseiro à luz dos desenvolvimentos mais recentes das
técnicas estatísticas. Deve-se observar, contudo, que o propósito da
análise estatística aqui encetada é mostrar a plausibilidade das relações
entre variáveis econômicas a que se chegou teoricamente e não obter
os coeficientes mais prováveis dessas relações. Espera-se que as pre-
cauções tomadas na aplicação de nosso instrumental estatístico simples
(principalmente na análise dos determinantes do investimento) tenham
sido adequadas para obter uma primeira aproximação que sirva para
fins ilustrativos.

Faz-se aqui uso freqüente de fórmulas, mas, a par disso, foi rea-
lizado um esforço — em alguns casos mesmo em detrimento da precisão
— no sentido de se aplicar apenas a matemática elementar.

Sou muito obrigado à Sra. Ting Kuan Shu-Chuang e ao Sr. Chang
Tse-Chun por suas valiosas sugestões com relação ao melhoramento
da apresentação do livro e por sua ajuda nas pesquisas estatísticas.

M. Kalecki
Fevereiro de 1952

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PARTE PRIMEIRA

GRAU DE MONOPOLIZAÇÃO E
DISTRIBUIÇÃO DA RENDA

1
Custo e Preços

Preços “determinados pelo custo” e preços
“determinados pela demanda”

As alterações de preços a curto prazo podem ser classificadas
em dois grupos principais: as que são determinadas principalmente
por modificações do custo da produção e as que são determinadas prin-
cipalmente por modificações da demanda. De modo geral, as alterações
de preço dos produtos acabados são “determinadas pelo custo”, enquanto
as alterações de preço das matérias-primas, inclusive produtos alimen-
tícios primários, são “determinadas pela demanda”. Claro está que o
preço dos produtos acabados é afetado por quaisquer mudanças “de-
terminadas pela demanda” ocorridas nos preços das matérias-primas,
mas é através dos custos que essa influência é transmitida.

É evidente que cada um desses dois tipos de formação de preços
surge de condições diferentes de oferta. A produção de bens acabados é
elástica devido à existência de reservas de capacidade produtiva. Quando
a demanda aumenta, o acréscimo é atendido principalmente por uma
elevação do volume de produção, enquanto os preços tendem a permanecer
estáveis. As alterações de preços que porventura se verificarem resultarão
principalmente de modificações do custo de produção.

Já quanto às matérias-primas, a situação é diferente. É necessário
um período de tempo relativamente grande para se conseguir um au-
mento da oferta de produtos agrícolas. O mesmo se pode dizer com
relação à mineração, embora a coisa aqui se dê em grau menor. Man-
tendo-se a oferta inelástica durante um período de tempo curto, uma
elevação da procura motiva uma diminuição dos estoques e, conse-
qüentemente, um aumento dos preços. O movimento inicial dos preços
pode ser intensificado pela inclusão de um elemento especulativo. As
mercadorias em questão normalmente são padronizadas e se acham

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sujeitas a cotação na bolsa de mercadorias. Um aumento primário na
procura, motivando uma elevação dos preços, faz-se freqüentemente
acompanhar por uma procura secundária de caráter especulativo. Isso
torna ainda mais difícil, a curto prazo, que a produção se equilibre
com a demanda.

Este capítulo tratará principalmente do estudo da formação dos
preços “determinados pelo custo”.

Fixação do preço por uma firma

Consideremos uma firma com um dado capital fixo. Supõe-se que
a oferta seja elástica, isto é, que a firma opere com capacidade ociosa
e que os custos diretos (custos de materiais e salários — os ordenados
se incluem nos custos indiretos) por unidade produzida sejam estáveis
para a amplitude relevante da produção.17 Diante das incertezas com
que se defronta o processo de fixação de preços, não iremos supor que
a firma recorra a alguma medida em particular na procura de maxi-
mizar seus lucros. No entanto, suporemos que o nível efetivo dos custos
indiretos não influencia diretamente a determinação do preço, uma
vez que o total dos custos indiretos permanece mais ou menos estável
com relação às variações da produção. Assim sendo, o nível de produção
e de preços no qual se supõe que a soma dos custos indiretos mais os
lucros alcance o ponto mais elevado é ao mesmo tempo o nível que
pode ser considerado o que mais favorece os lucros. (Contudo, tarde
iremos ver que o nível dos custos indiretos pode ter uma influência
indireta sobre a formação dos preços.)

Para fixar os preços, a firma leva em consideração a média de
seus custos diretos e os preços de outras firmas que fabricam produtos
similares. A firma tem que evitar que o preço se eleve demasiado com
relação aos preços das outras firmas, já que se isso sucedesse as vendas
se reduziriam drasticamente. É preciso também, por outro lado, evitar
que o preço se torne demasiado baixo com relação à média dos custos
diretos, porquanto isso reduziria