Michal Kalecki - Teoria da dinamica economica
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Michal Kalecki - Teoria da dinamica economica

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drasticamente a margem de lucro.
Assim, quando o preço p é determinado pela firma com relação ao
custo direto unitário u, é preciso tomar cuidado para que a razão entre
p e a média ponderada dos preços de todas as firmas, p

__

18, não se torne
alta demais. Se u aumenta, p pode ser aumentado proporcionalmente
somente se p

__

 aumenta menos que u. Mas se p aumenta menos que u,

OS ECONOMISTAS

34

17 Na verdade, os custos diretos unitários caem um pouco, em muitos casos, à medida que
a produção aumenta. Fizemos abstração dessa complicação, que não é de grande importância
no caso. A suposição, feita em 1939, em meus Essays in the Theory of Economic Fluctuations,
de uma curva de custos diretos e curto prazo quase horizontal, tem sido comprovada desde
então por muitas pesquisas empíricas e tem desempenhado, explícita ou implicitamente,
um papel importante na pesquisa econômica. Cf., por exemplo, LEONTIEF, W. W. The
Structure of American Economy. Harvard University Press, 1941.

18 Ponderado pelas respectivas produções, inclusive pela da firma em questão.

o preço da firma p também subirá menos do que u. Essas condições
se acham claramente expressas na fórmula

p = mu + np
__

onde tanto m como n são coeficientes positivos.
Aceitamos que n < 1, pelo seguinte motivo: no caso onde o preço

p da firma focalizada é igual ao preço médio p
__

 temos:

p = mu + np (1)

de onde se conclui que n tem que ser menor que a unidade.
Os coeficientes m e n, que caracterizam a política de fixação de

preços da firma, refletem aquilo que podemos chamar de grau de mo-
nopólio da posição da firma. De fato, fica claro que a equação (1) retrata
uma formação de preços semimonopolística. A elasticidade da oferta
e a estabilidade dos custos diretos unitários sobre a amplitude relevante
da produção é incompatível com a assim chamada concorrência perfeita.
Ora, se predominassem condições de concorrência perfeita, o excedente
do preço p sobre os custos diretos unitários u levaria a firma a aumentar
a produção até o ponto em que se eliminasse totalmente a capacidade
ociosa. Assim, qualquer firma que ficasse no ramo chegaria ao pleno
emprego dos fatores de produção, sendo que o preço subiria até o nível
em que se equilibrariam oferta e procura.

Será interessante apresentar um gráfico demonstrando as modi-
ficações do grau de monopolização. Dividamos a equação (1) pelo custo
direto unitário u:

p
u

 = m + n
p
__

u

Esta equação se acha representada no gráfico 1, onde
p
__

u
 é a

abscissa e

Gráfico 1. Modificação no grau de monopólio.

KALECKI

35

p
u

 é a ordenada, pela reta AB. A inclinação de AB é menor do que 45º

porque n < 1. A posição dessa reta que é completamente determinada
por m e n indica o grau de monopolização. Quando, devido a uma
modificação de m e n, a reta deslocar-se para cima, da posição AB
para a posição A′B′, então a um dado preço médio p

__

 e custo direto
unitário u corresponderá um preço mais elevado p da firma sobre a

amplitude relevante de
p
__

u
. Diremos nesse caso que o grau de monopo-

lização aumentou. Quando, por outro lado, a reta deslocar-se para baixo
até a posição A′′B′′, diremos que o grau de monopolização diminuiu
(supomos que m e n sempre se modificam de forma tal que nenhuma
das linhas correspondentes a várias posições de AB cruza outra sobre

a amplitude relevante de
p
__

u
).

Podemos agora demonstrar uma proposição que se reveste de
certa importância no que diz respeito a nossa argumentação futura.
Consideremos os pontos de interseção P, P′, P′′ das retas AB,
A′B′, A′′B′′ com a linha OK cortando a origem a 45º. É claro que quanto
maior o grau de monopolização, mais longa será a abscissa traçada a
partir do respectivo ponto de interseção. Ora, esse ponto é determinado
pelas equações:

p
u

 = m + n
p
__

u
 e

p
u

 =
p
__

u
 .

Conclui-se que a abscissa do ponto de interseção é igual a
m

1 – n
. Por

conseguinte, um aumento de
m

1 – n
 se refletirá em um grau mais elevado

de monopólio e vice-versa.
Neste tópico e no seguinte, a argumentação quanto à influência

do grau de monopolização sobre a formação de preços é de caráter
bastante formal. As razões que na prática levam a modificações do
grau de monopolização serão examinadas mais adiante.

Formação de preços num ramo da indústria:
um caso especial

Podemos iniciar o debate da determinação do preço médio em
um ramo da indústria, tomando um caso em que os coeficientes m e
n são os mesmos para todas as firmas, mas onde os custos diretos
unitários u são diferentes. Temos, então, com base na equação (1):

p1 = mu1 + np
__

p2 = mu2 + np
__

OS ECONOMISTAS

36

. . . . . . . . . .

pk = muk + np
__

(1′)

Se essas equações forem ponderadas por suas respectivas produções
(isto é, cada uma delas multiplicada por sua respectiva produção,
todos os resultados somados e a soma dividida pelo total da produ-
ção), obteremos:

p
__

 = mu
__

 + np
__

de forma que (2)

p
__

 =
m

1 – n
 u
__

 .

Recordemos que, de acordo com o tópico anterior, quanto mais elevado

o grau de monopolização, maior será
m

1 – n
. Podemos assim concluir:

O preço médio p
__

 é proporcional ao custo direto unitário médio u
__

 se o
grau de monopolização se mantiver constante. Se aumentar o grau de
monopolização, p

__

 se elevará com relação a u
__

.
Ainda é importante ver de que forma um novo “equilíbrio de

preços” é alcançado quando os custos diretos unitários mudam em con-
seqüência de modificações nos preços das matérias-primas ou da mão-
de-obra. Representemos os “novos” custos diretos unitários por u1, u2
etc., e os preços “velhos” por p′1, p′2 etc. A média ponderada desses
preços é p

__

′. A ela correspondem os novos preços p′′1, p′′2 etc., iguais a
mu1 + np

__

′, mu2 + np
__

′ etc. Isso leva por sua vez a um novo preço médio
p
__

′′, e assim por diante, convergindo o processo afinal para um novo valor
de p

__

, dado pela fórmula (2). Essa convergência do processo depende da
condição de ser n < 1. De fato, conforme as equações (1′) temos que:

p
__

′′ = mu
__

 + np
__

′

e para o novo p
__

 final:

p
__

 = mu
__

 + np
__

 .

Subtraindo a segunda equação da primeira, obtemos:

p
__

′′ – p
__

 = n (p
__

′ – p
__

)
o que mostra que o desvio do valor final de p

__

 diminui em progressão
geométrica sempre, desde que n < 1.

Formação de preços num ramo da indústria: o caso geral

Consideremos agora o caso genérico em que os coeficientes m e

KALECKI

37

n são diferentes de firma para firma. Parece que, mediante um pro-
cedimento semelhante ao que foi aplicado no caso especial, chega-se
à fórmula:

p
__

 =
m
__

1 – n
__ u

__

(2′)

m
__

 e n
__

 são a média ponderada dos coeficientes m e n.19
Agora imaginemos uma firma para a qual os coeficientes m e n

sejam iguais a m
__

 e n
__

 para o ramo de indústria ao qual essa firma
pertence. Podemos considerá-la como sendo uma firma representativa
do ramo de indústria a que pertence. Podemos ainda considerar que
o grau de monopolização desse ramo de indústria seja o mesmo da
firma escolhida como representativa. Assim, o grau de monopolização
será determinado pela posição da reta correspondente a:

p
u

 = m
__

 + n
__

p
__

u
 .

Um aumento do grau de monopolização irá refletir-se num desloca-
mento para cima dessa reta (ver gráf. 1). Conclui-se da argumentação
contida na página 36, que quanto mais elevado o grau de monopolização,

de acordo com esta definição, maior será
m
__

1 – n
__ .

A partir disso e da equação (2′), segue-se a generalização dos
resultados obtidos