Processo Penal I
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Processo Penal I

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Prof. Paulo Leão

sentença PENAL

	

	1.Aspectos Gerais. 2.Classificação. 3.Estrutura lógica. 4.requisitos. 5.Efeitos. 6.Sentença absolutória. 7.Sentença condenatória. 8.Fundamentação de pena. 9.Publicação. 10.Intimação. 11. hipóteses de mutatio libelli e emendatio libelli. 12.Aplicação dos arts. 383 e 384, único do CPP.

1. Aspectos Gerais

Conceito:

Sentença é o ato por excelência do juiz, que põe fim ao processo, decidindo, ou não, o mérito da causa, é ato culminante no processo em que o Estado aplicando a obrigação jurisdicional extingue a jurisdição e a da ação penal em espécie.

Sentido amplo - os atos jurisdicionais ou deliberações do juiz no curso do processo que envolvem um julgamento. São as decisões (interlocutórias simples, interlocutórias mistas e as definitivas). Contrapõem-se aos despachos de expediente (ou ordinatórios) que se destinam apenas a movimentar o procedimento.

Sentido estrito - as decisões definitivas. Aquelas em que o juiz põe termo ao processo, julgando ou não o mérito.

Terminologia:

do latim “sentire” - no sentido do juiz declarar o que sente.

do latim “decadere” - no sentido de cortar o nó ou de acabar controvérsia.

Natureza jurídica:

elemento lógico - operação mental do magistrado na exteriorização de um juízo.

elemento volitivo - declaração de vontade da lei no caso concreto.

Função: meramente declaratória do direito anteriormente estabelecido.

A sentença penal não atendendo ao pedido da inicial pode ser :

a) extra petita - fora do pedido (quantidade superior).

b) ultra petita - além do pedido (nulidade parcial, só o excesso).

	c) citra petita - aquém do pedido (nulidade só quanto a matéria omitida).

2. Classificação

Despacho de mero expediente ou ordinatório - ato relacionado com o andamento normal do processo, e que não requer uma deliberação do juiz. Não são recorríveis, podendo ser atacados pela correição parcial, em caso de tumulto no feito.

			Exemplos:

junte-se documentos.

designação de audiência.

vista aos autos.

notificação de testemunhas para depor.

2) Decisão interlocutória - não julga o mérito da causa.

Simples - dirime questões emergentes relativas a marcha do processo, não encerra nada, nem é recorrível. Soluciona questões controvertidas, podendo ser atacada pelo HC, MS ou correição parcial. Em verdade, exige um pronunciamento decisório sem penetrar no mérito da causa e diz respeito ao modus procedendi, sem trancar a relação processual.

Exemplos:

- recebimento de denúncia ou queixa.

		- decretação ou indeferimento da prisão preventiva.

		- concessão de fiança.

		- indeferimento do pedido de assistência.

		- desacolhe argüição de exceção.

		- quando o magistrado se dar por incompetente.

	b) Mista (ou decisão com força de definitiva) - encerra o processo sem julgar o mérito, ou seja, sem solucionar a lide.

		b.1) Terminativa (ou terminativa de mérito) - encerra o próprio processo sem julgar o mérito.

			Exemplos:

		- que acolhe coisa julgada ou litispendência.

		- rejeita a denúncia ou queixa.

		- julga ausente as condições de procedibilidade.

		- extinção de punibilidade ou perempção.

		- ilegitimidade de partes.

		b.2) Não Terminativas - não julga e nem impede o fluir do processo, finalizando uma etapa do procedimento. 	

		Exemplo: Sentença ou decisão de pronúncia nos processos de júri popular.

3) Decisão definitiva ou sentença em sentido estrito - soluciona a lide julgando o mérito da causa. É a sentença propriamente dita (art. 593, I e II).

	a) Condenatória - acolhe, ao menos em parte, a pretensão punitiva. Inflige ao infrator uma pena. Ex. julgo procedente a denúncia para condenar fulano de tal como incurso no art. 157 do CP pátrio.

	b) Absolutória - julga improcedente a pretensão punitiva (art. 386).

		b.1) Própria - não acolhe a pretensão punitiva. Ex. absolve simplesmente por improcedência da denúncia, expedindo alvará de soltura se o réu estiver preso (art. 386, I a IV).

		b.2) Imprópria - quando, embora não acolhendo a pretensão punitiva, reconhece a existência de infração penal, absolve e aplica medida de segurança (art. 386, § único, III). Ex. doentes mentais e menores incapazes.

	c) Definitiva em sentido estrito ou decisão terminativa de mérito - extingue o processo, não se condena nem absolve, pois, apesar de não julgar o mérito, prejudica-o, impossibilitando a sua discussão. São consideradas por alguns como interlocutórias com força de definitiva (art. 593, III).

	Exemplos:
	- declara extinta a punibilidade (art. 107 do CP) – falecimento, prescrição, etc.

	- decreta a perempção ou a ilegitimidade de parte.

	- declara extinta a medida de segurança por decurso de tempo.

Prazos (art. 800):

decisão definitiva ou interlocutória mista - 10 dias.

decisão interlocutória simples - 5 dias.

despacho de expediente – 1 dia.

Podem ser as sentenças, ainda:

1) Quanto ao sujeito (subjetividade):

simples - decisão por juiz monocrático, proferidas por um só sujeito. Ex. juiz singular – despacho, decisão e sentença.

plúrima - decisão por órgão colegiado homogêneo. Ex.câmaras dos tribunais.

complexa - decisão resultante de diversos órgãos que apreciam e julgam as questões que integram a lide. Ex. júri - jurados.
progressivo – de trato sucessivo. Ex. pronúncia.

2) Quanto a executoriedade:

executáveis - são executáveis de imediato. Ex. absolutórias.

não executáveis - das quais depende de recurso.

condicionais - dependem de acontecimento futuro ou incerto. Ex. sursis, remição da pena, livramento condicional.

	

3) Quanto ao órgão prolator:

despacho, decisão ou sentença - juízo monocrático.

acórdão - câmaras dos tribunais de justiça.

veredicto - decisão dos jurados no júri popular.

4) Quanto à força:

constitutiva – criam extinguem ou modificam direito. Ex. HC liberatório.

declaratória – declaram situação jurídica. Ex. HC preventivo.

homologatória – integra um ato jurídico. Ex. justificação.

	

3. Estrutura Lógica

Assemelha-se ao verdadeiro silogismo para permitir o enquadramento entre a premissa maior (lei) e a premissa menor (fatos).

	Premissa maior
	
	Premissa menor

	
	
	

	Texto legal
	CONCLUSÃO
	Fatos

4. Requisitos

4.1. Requisitos formais (art. 381)

relatório (exposição ou histórico) (art. 381, I e II) - resumo do processo com o histórico da sua marcha e seus incidentes mais importantes. O CPP exige: o nome das partes (ou as indicações possíveis para identificá-las) e a exposição sucinta da acusação e da defesa. A ausência do nome da vítma ou da data do crime, por exemplo, não é causa de nulidade da sentença (erro material).

fundamentação (ou motivação) (art. 381, III e IV) - desenvolvimento do raciocínio do juiz para chegar à conclusão, mediante a análise das provas dos autos. Exame do fato em sua amplitude e pormenores juridicamente apreciáveis e do direito aplicável à espécie. O CPP exige a indicação dos motivos de fato e de direito em que se fundar a decisão. Sentença vazia é aquela possivel de anulação por falta de fundamentação.

Conclusão (decisão ou dispositivo) (art. 381, V) - dispositivo final de indicação dos artigos de lei aplicados e outros dispositivos. É a subsunção da espécie à lei.

Parte autenticada - data e assinatura do juiz.

4.2) Requisitos materiais (art. 59 e 92 do CP):

penas entre as cominadas.

quantidade de pena dentro dos limites previstos.

regime inicial de cumprimento de pena.

substituição de pena privativa de liberdade (se cabível).

efeitos da condenação (se cabíveis).

4. 3) Requisitos processuais (art. 387, I a VI):

menção da circunstâncias agravantes (art. 61 do CP).

menção da circunstâncias atenuantes (art. 65 do CP).

menção de outras circunstâncias (art. 59 e 60 do CP).

duração das penas acessórias, previstas em lei especiais.

Sentença Suicida – ocorre quando há