Processo Penal I
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Processo Penal I

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uma contradição entre a parte dispositiva da sentença e a sua fundamentação. Em verdade, é sentença nula ou se sujeita a embargos de declaração (art. 382) para correção de erros materiais existentes. É nula a sentença cuja a conclusão diverge da fundamentação exposta (TACRSP, RJDTACRIM, 81-141).

5. Efeitos

Efeito geral: Esgota o poder jurisdiconal do magistrado que a prolatou, exceto quanto a correção de erros materiais (esta não atinge o julgado).

Não produz efeitos a sentença que é inexistente, como a proferida por juiz sem jurisdição (RT 582/319), e a que é proferida por juiz de férias (RT 575/409), ou após sua promoção para outra comarca (RT 544/349).

6. Sentença absolutória (art. 386, I a VI)

Conceito: julga improcedente a pretensão punitiva ou seja, a acusação. Tem a natureza declaratória negativa, já que nega o direito de punir.

provada a inexistência do fato. Ex. pseudo vítima de homicídio, reaparecer.

faltando prova da sua existência. Ex. Furto sem subtração, estupro sem laudo pericial.

provada atipicidade do fato. Ex. fraude civil por estelionato; maior de 18 em sedução.

faltado prova da autoria ou participação

existindo circunstância que exclua o crime ou isente de pena o réu. Ex. excludentes da ilicitude (justificativa) ou excludentes do dolo.

Casos que excluem o crime ou isenta a pena:

Exclusão do dolo:

	a) por erro:

- erro de tipo - se invencível exclui o dolo e a culpa; se vencível, responde por culpa, se o crime for punível a esse título).

descriminantes putativas

	- erro sobre os pressupostos de fato da excludente - erro de tipo invencível, se vencível, persiste apenas a culpa.

 - erro sobre os limites da excludente - erro de proibição, invencível, se vencível ocorrerá só a redução da pena.

	b) excludentes da culpabilidade - são elementos da culpabilidade: imputabilidade, exigibilidade de conduta diversa e elemento psicológico-normativo:

 	- coação moral irresistível - apenas a coação moral exclui a culpabilidade, já que na coação física inexiste a conduta (suprime-se a vontade) do sujeito. Não há crime por ausência de conduta, primeiro elemento do fato típico.

 	- obediência hierárquica - cumprimento estrito a ordem não manifestamente ilegal (erro de proibição invencível).

 	- inimputabilidade - além das causas, deve concorrer a inteira incapacidade de entender (momento intelectivo) o caráter ilícito do fato ou de determinar-se (momento volitivo) diante deste entendimento. Sistema bio-psicológico - exceto quanto aos menores, sistema biológico, para os quais a ausência do elemento psicológico é presumido: por falta de legitimidade passiva dos menores, a identificação de um réu menor no curso de um processo não pode resultar na sua absolvição, mas de anulação do processo ab initio.

Sentença absolutória própria – não se impõe restrição ao réu.

Sentença absolutória imprópria - juiz deve aplicar medida de segurança, que é, em sentido amplo, uma sanção penal. Pelo sistema vicariante, ou unitário, o juiz só pode aplicar a pena ou a medida de segurança.

Aplicam-se as regras de sentença condicional no caso das absolutórias impróprias A sentença absolutória, transitada em julgado, não admite revisão.

Casos de aplicação:

doença mental - conceito abrangente de todas as psicoses (orgânicas, tóxicas e funcionais), esquizofrênia, loucura, histeria, etc.

desenvolvimento mental incompleto - menores e silvícolas inadaptados.

desenvolvimento mental retardado - surdos-mudos (conforme as circunstâncias, pode ser inimputável, semi-responsável ou imputável) e oligofrênicos (idiotas, imbecis e débeis mentais).

embriaguez completa, por caso fortuito ou força maior - sujeito desconhece o efeito enebriante da substância ou uma sua particularidade fisiológica (caso fortuito) ou, por exemplo, é obrigado a ingerir a substância (força maior). É acidental, não voluntário, não culposa.

Inexistir prova suficiente para a condenação - princípio do "in dubio pro reo". Ex. lesões corporais recíprocas com argüição comum de legítima defesa ou dúvidas sobre a incidência de exclusão da ilicitude ou da culpabilidade.

Cabe apelação da sentença que absolve por insuficiência de prova, pois o réu tem legítimo interesse de ver modificado o fundamento legal de sua absolvição.

Efeitos:

réu se livra solto, salvo se estiver preso por outro motivo;

cessação das penas acessórias aplicadas provisoriamente;

aplicação de medida de segurança, quando cabível, após o trânsito em julgado e com a expedição da guia pelo juiz.

outros efeitos nas áreas cíveis e administrativa.

7. Sentença condenatória

Conceito: acolhe a pretensão punitiva mesmo parcialmente. Impõe pena, autoriza, portanto, que o preceito do tipo sancionatório seja aplicado sobre o acusado. Seu limite é o pedido formulado e o seu convencimento da prática do delito pelo réu.

Fundamentação ou motivação:

fixa pena base.

mencionar circunstâncias judiciais - culpabilidade, antecedentes, conduta social, personalidade do agente, motivos, circunstâncias e consequências do crime, bem como o comportamento da vítima (art. 59 do CP).

mencionar as circunstâncias agravantes e atenuantes, cuja existência reconhecer (art. 61, 65, 67 e 68 do CP).

mencionar as circunstâncias majorantes e minorantes, cuja existência reconhecer. São as causas de aumento ou diminuição da penal (gerais e especiais). Atentar as regras do art. 68, §único, 141 e 221 do CP.

Aplicar a pena:

	- aplicáveis dentre as cominadas. Quando alternativas, escolher uma delas com fundamento nas circunstâncias judiciais.

	- definir o quantum da pena aplicável.

	- se pena privativa de liberdade (PPL):

		* Realizar detração penal, abatendo do quantum anterior o tempo da prisão provisória (Ex. temporária, flagrante, preventiva ou decorrente de sentença de pronúncia ou condenatória recorrível), da prisão administrativa ou de internação em hospital ou manicômio.

 			* Definir regime prisional inicial da pena privativa de liberdade (art. 33 do CP - forma progressiva de execução), com base nas circunstâncias judiciais, de acordo ao quantum aplicável e a primariedade do réu:

Regimes:

	a) fechado:

	- mais de 8 anos de reclusão;

 - réu reincidente (qualquer pena);

	- tráfico, terrorismo, tortura e crimes hediondos - não atendem ao 	sistema de execução progressiva, são cumpridas totalmente;

 - pena de detenção poderá ser transferida para este regime.

	b) semi-aberto:

	- mais de 4 até 8 anos, réu primário.

	c) aberto:

	- pena igual ou inferior a 4 anos, réu primário.

A progressividade no regime: dar-se-á por determinação judicial, quando cumpridos ao menos 1/6 da pena no regime anterior.

A regressão de regime: ocorrerá no regime semi-aberto, pela prática de novo crime; no aberto, pela prática de crime doloso, por frustar os fins da execução ou não pagar multa aplicada cumulativamente.

Aplicando, quando for o caso, o sistema de penas substitutivas (unitário ou vicariante) motivando-o com a indicação das circunstâncias judiciais que o recomenda e não sendo o réu reincidente, substituindo a pena do:

Crime culposo ou doloso com pena inferior a 6 meses - por multa

Crime culposo ou doloso com pena inferior a 1 ano - por uma das penas restritivas de direitos (PRD), aplicável com a mesma duração. São penas restritivas de direitos: prestação de serviços à comunidade, limitação de fim de semana e a interdição temporária de direitos (suspensão da CNH, proibição do exercício de cargo/função pública ou profissão/ofício autorizado, licenciado ou habilitado pelo Estado). Obs: Não se confunde com os efeitos da condenação relacionados a determinados crimes - 92).

Crime culposo com pena superior a 1 ano - por duas penas restritivas de direitos ou uma delas com multa, desde que simultaneamente exeqüíveis.

Pelo sistema vicariante,