Processo Penal I
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Processo Penal I

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não existem penas acessórias. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as penas privativas de liberdade. Esta substituição pode ocorrer, também, durante a execução da pena

As penas restritivas de direitos são mais graves que o sursis e a multa. Entre estas, há dúvidas quanto a que deve ser aplicada nos casos que requeiram maior rigor.

Não sendo possível a aplicação de pena restritiva de direito, pronunciando-se motivadamente sobre a possibilidade ou não de sursis por 2 a 4 anos, para o que considerará os seguintes requisitos:

pena privativa de liberdade igual ou inferior a 2 anos (o condenado com mais de 70 anos e com pena não superior a 4 anos, poderá ter sursis de 4 a 6 anos);

condenado não reincidente em crime doloso;

recomendação das circunstâncias judiciais subjetivas.

Deve, também, definir a condição (prestação de serviços à comunidade ou limitação do final de semana) que o condenado deverá cumprir no primeiro ano em sursis (art. 43, 44 e 77 do CP). Esta condição poderá ser substituída (sursis especial), quando o condenado houver reparado o dano, por uma ou mais de uma das seguintes condições: proibição de frequentar lugares, ou de ausentar-se da comarca sem autorização ou obrigação de comparecer mensalmente em juízo.

O período de prova da LCP (prisão simples) varia de 1 a 3 anos.

A revogação do sursis implica em ter que se cumprir por inteiro a pena suspensa e pode ser obrigatória (condenação por crime doloso, não pagamento da multa, não reparação do dano ou não cumprimento da condição - limitação do fim de semana ou prestação de serviço à comunidade) ou facultativa (condenação por crime culposo ou contravenção ou descumprimento de qualquer outra condição).

A prorrogação do período de prova do sursis ocorrerá durante o curso de processo por qualquer delito ou quando facultativa a revogação, e até o máximo estabelecido para o período de prova.

Declarar, se presente, a periculosidade real e impor a medida de segurança cabível, fundamentando a substituição da pena.

Determinar a prisão do réu ou a sua manutenção na prisão - caso não tenha o direito de apelar em liberdade, por não ser primário e não ter bons antecedentes, arbitrando o valor da fiança, se afiançavel, para que apele em liberdade (neste caso, o mandado de prisão deve ser expedido, para a hipótese desta não ser prestada).

Pode ser concedida liberdade provisória sem fiança se o condenado for pobre. O réu não poderá apelar sem recolher-se à prisão ou prestar fiança, salvo se se livrar solto ou tiver o direito de apelar em liberdade – art. 594 (primário e de bons antecedentes).

Efeito da condenação:

penal:

imposição de pena.

nome lançado no rol dos culpados.

reincidência.

interrompe a precrição.

vedação do sursis futuro.
civil (extrapenal):

genéricos (art. 91 do CP):

torna certa a obrigação de indenizar.

perda dos instrumento e objetos ilícitos do crime.

 específicos (art. 92 do CP):

- perda de cargo, da função pública ou mandato eletivo, etc.

8. Fundamentação de pena

Operações para definir o quantum da pena:

1) Se pena privativa de liberdade

a) fixar a pena-base (PB) tendo em vista as circunstâncias judiciais. Se uma destas circunstância for também circunstância legal ou causa de aumento ou diminuição não será considerada na fixação da pena-base.

 b) aplicar as circunstâncias legais obrigatórias - atenuantes e agravantes (a quantidade fica ao arbítrio do juiz, considerando as circunstâncias preponderantes - motivos do crime, personalidade do agente e reincidência). Estas circunstâncias podem ser genéricas ou específicas de um tipo penal. A praxe forense é de que cada circunstância corresponde a 1/6 da pena. Discute-se, sendo de aplicação obrigatória, se pode ultrapassar os limites legais, mínimos e máximos, da pena, sem viciá-la de nulidade. A princípio, entende-se que não deve.

c) aplicar as causas de aumento e de diminuição da pena, o que inclui a diminuição da tentativa, a causa de aumento do crime continuado e do concurso formal, etc. No concurso de causa de aumento ou de diminuição prevista na parte especial do CP o juiz pode aplicar apenas uma - a que mais aumente ou que mais diminua (as da parte geral são de aplicação obrigatória). Ao contrário das agravantes e atenuantes, podem ultrapassar os limites legais da pena.

2) Se pena de multa

a) fixar a pena-base (quantidade de dias-multa) que variará de 10 a 360 dias-multa, considerando as circunstâncias judicias de dosagem da pena (art. 43 e 44 do CP).

b) fixar o valor do dia-multa de acordo a situação econômica do réu, considerando-o a partir de 1/30 até 5 salários mínimos, no valor vigente na época do fato.

Comentários:

- este valor deve ser corrigido monetariamente quando da execução da pena.

- juiz pode permitir que o pagamento se realize em descontos mensais, podendo ser descontada no salário exceto quando for cumulada com pena privativa da liberdade sem concessão de sursis.

- multa deve ser paga até 10 dias após o trânsito em julgado da sentença, após o que o MP, de posse da certidão de sentença, que vale como título executivo judicial, requererá, em autos apartados, a citação do condenado para pagar ou nomear bens a penhora (processo de execução regulado pelo CPC).

- condenado solvente que não paga a multa ou frusta a sua execução poderá ter a pena convertida correspondendo cada dia-multa a um dia de detenção. A conversão ficará sem efeito a qualquer tempo e a partir do pagamento. O insolvente não terá a pena convertida.

- suspende-se a execução da pena de multa se ao condenado sobrevier doença mental.

- a sentença deve considerar todos os fatos articulados na denúncia, e defesa, pois em recurso o tribunal não pode apreciar originariamente matéria não enfrentada pelo juiz de 1ºgrau.

9. Publicação

Conceito: ato do juiz ao proferir a sentença na audiência de julgamento ou de lê-la em audiência para tanto designada. É realizada em cartório pelo escrivão.

A sentença só se torna ato processual completo, devidamente formalizado, quando adquirir publicidade, enquanto esta não for efetivada trata-se de mero trabalho intelectivo do juiz.

A publicação se dá no momento em que a sentença é recebida no cartório pelo escrivão, e não pela data de assinatura do juiz.

10. Intimação

Conceito: ciência que se dá às partes, por intimação do escrivão, da decisão do processo em que não há instrução em audiência. É necessário para que decorra o prazo para os recursos (art. 391 e 392). Se o réu residir em outra comarca será por precatória e se menor de 21 anos a intimação deve ser feita a ele e seu curador.

11. Hipóteses de modificação do pedido acusatório: mutatio libelli e emendatio libelli.

Hipóteses de alteração da acusação:

1) Fato Novo - no curso do processo surgem elementos que tipificam um ilícito penal diverso da denúncia ou queixa - deve ser formulada nova denúncia ou queixa, ou pelo menos o aditamento com nova citação.

2) Emendatio Libelli – é uma simples corrigenda em face de erro na denúncia ou queixa poderá o juiz dar nova definição jurídica ao fato, corrigindo a peça acusatória. Se esta contém os fatos e circunstâncias, embora não articuladas na denúncia ou queixa, podem ser reconhecidas como qualificadoras, causa de aumento ou tipificadoras de outro crime, mesmo com pena mais grave, assim como excludentes do crime.

Não há prejuízo para a defesa pois a condenação é pelo mesmo fato contido na peça acusatória. O reconhecimento de agravantes pelo juiz independe de alegação na peça acusatória dos crimes de ação pública. É suprimento judicial e não emendatio libelli.

3) Mutatio Libelli - no curso do processo surgem circunstâncias elementares, ou elementos essenciais (não se cogita de fato novo), não contidos na denúncia ou queixa e que podem modificar a capitulação do delito, obrigando a uma mudança na acusação.