Direito Tributário 1
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Direito Tributário 1

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- Pessoais - alcançam as pessoas – Ex: IR
 
- Reais - alcançam as coisas (bens) – Ex: IPTU
 
Classificação dos Impostos quanto à repercussão tributária (transferência da carga econômica do tributo para uma terceira pessoa)
 
- Diretos – que não repercutem, ou seja, a carga econômica do tributo não é transferida. Quem suporta a carga econômica do tributo é o sujeito passivo, ou seja, quem tem o dever de pagar.
Ex: IPVA
 
- Indiretos – que repercutem, ou seja, a carga econômica do tributo pode ser transferida pelo sujeito passivo (contribuinte de direito) para uma terceira pessoa (contribuinte de fato).
Ex: ICMS
 
TAXAS
 
Taxa é a modalidade de tributo cuja HI descreve um comportamento consistente em uma atuação Estatal diretamente voltado ao contribuinte.
 
Art. 145, II, CF e art. 77 a 80, CTN.
 
A finalidade das taxas não é arrecadatória. Há uma contraprestação – retributividade. Só paga quem usa o serviço ou o tem à sua disposição. Todos os entes políticos podem instituir taxas na medida das suas atuações (União, Estados, Municípios e Distrito Federal).
 
A base de cálculo mede o comportamento do Estado, ou seja, mede o custo da prestação de serviço ou do ato de polícia.
 
As taxas não poderão ter a base de cálculo própria de imposto – art. 145, § 2º, CF e art. 77, parágrafo único, CTN.
 
Existem duas possíveis atuações estatais que permitem a instituição de taxa:
 
1 – Prestação de serviço público – Taxa de serviço
2 – Práticas de atos de polícia – Taxa de polícia
 
Taxa ≠ Tarifa
Taxa é uma modalidade de tributo. Submete-se ao regime jurídico tributário, obedecendo aos princípios da legalidade e anterioridade.
Tarifa é preço público, não é tributo. Submete-se ao regime jurídico de Direito Privado.
 
Os serviços públicos ou ato de polícia podem ser praticados de forma gratuita ou onerosa. É uma decisão política do Estado.
 
1 - Taxa de serviço
 
É a modalidade de tributo cuja HI descreve a prestação de um serviço público diretamente voltado ao contribuinte.
Não é todo e qualquer serviço público que pode ser cobrado.
O art. 145, II da CF exige que esse serviço seja específico e divisível.
 
Os serviços públicos podem ser:
 
- Universas e indivisíveis: são aqueles que alcançam a coletividade como um todo considerada. Alcançam um número indeterminado ou indeterminável de pessoas. Não são mensuráveis, não dá pra medir o quanto cada pessoa utiliza daquele serviço. Não permitem cobrança de taxa. Devem ser custeados pelas receitas gerais do Estado, mais especificamente por aquelas provenientes da arrecadação dos impostos. Ex: conservação e limpeza das vias públicas, iluminação pública, segurança pública.
 
- Específicos e divisíveis: são aqueles que alcançam as pessoas individualmente consideradas. Alcançam um número determinado ou determinável de pessoas. São mensuráveis, conseguimos medir quanto cada pessoa utilizou do serviço. Permitem a cobrança de taxas. Ex: fornecimento de água potável e esgoto, fornecimento de luz, fornecimento de gás, telefone.
 
Os serviços públicos ainda podem ser:
 
- fruídos: o serviço foi prestado e foi utilizado pelo contribuinte. Permitem a cobrança de taxa, desde que específicos e divisíveis.
 
- fruíveis: o serviço está disponível e é utilizável. Para permitir a cobrança de taxa ele deve ser específico e divisível e de utilização compulsória. Para tanto, é necessário que ele exista para proteger algum valor constitucional. Ex: água potável e esgoto - proteção da saúde pública. Se esses serviços estiverem disponíveis, mesmo o contribuinte não usando, deve pagar a respectiva taxa.
 
Portanto, conforme CF, para a cobrança de taxa é necessário que o serviço público seja específico e divisível e fruído ou fruível de utilização compulsória.
 
Taxa de conservação e limpeza tendo como base de cálculo o valor venal do imóvel
Para conservação e limpeza das vias públicas – é inconstitucional porque:
- Fere artigo 145, § 2º, CF – pois tem base de cálculo própria de imposto (IPTU);
- Fere artigo 145, II, CF – pois para cobrança de taxa o serviço deve ser específico e divisível e esse serviço é universal e indivisível.
 
Taxa de segurança pública
Seria cobrado R$2,50 na conta telefônica e serviria para aparelhar a polícia. Inconstitucional porque fere o artigo 145, II, CF, uma vez que segurança pública é serviço público universal e indivisível.
 
Taxa de iluminação pública
Inconstitucional porque iluminação pública é serviço público universal e indivisível – fere artigo 145, II, CF.
 
 
COSIP
A Emenda Constitucional 39/02 alterou a CF, incluindo o artigo 149, A, que permitiu a cobrança da COSIP pelos Municípios e Distrito Federal.
 
Taxa de pavimentação
Inconstitucional por que pavimentação não é serviço, é obra pública. A pavimentação permite a cobrança de contribuição de melhoria.
 
2 – Taxa de Polícia
 
É a modalidade de tributo cuja HI descreve um ato de polícia diretamente referido a alguém.
 
Poder de polícia é o conjunto de princípios e normas que disciplinam o exercício dos direitos à liberdade e à propriedade das pessoas, compatibilizando-os com o bem comum.
 
O ato de polícia também deve ser específico e divisível e deve ser efetivamente prestado para permitir a cobrança de uma taxa.
 
A utilização potencial não permite a cobrança dessa taxa.
 
Esta taxa, normalmente, é paga antes da prestação do serviço. O resultado não interessa. Se a licença não for autorizada, se o passaporte for negado, o valor pago não pode ser ressarcido. O que importa é que o ato foi realizado.
 
A Base de Cálculo deve ser o custo, importância necessária para remunerar o ente político pelas diligências efetuadas.
 
 
Questões:
1.                 Explique a classificação dos tributos em vinculados e não vinculados. Exemplifique.
2.                 O que são impostos diretos e indiretos? Dê um exemplo de cada.
3.                 Analise a constitucionalidade da taxa de conservação e limpeza das vias públicas calculada com base no valor venal do imóvel.
4.                 Os Territórios Federais têm competências tributárias próprias? Em caso afirmativo, qual (ais)?
5.                 De quem é a competência para tributar a prestação de serviços em nosso país? Por meio de qual(ais) imposto(s)?

Semana 4
 
CONTRIBUIÇÃO DE MELHORIA 
 
Está previsto na CF, artigo 145, III e CTN, artigos 81 e 82.
 
A competência é federal, estadual, municipal ou distrital.
 
Só pode ser cobrada por obras públicas (toda construção, ampliação, reforma ou, manutenção de bem público ou incorporado ao patrimônio público). Obras privadas não autorizam o Poder Público a cobrar esse tributo.
 
É a modalidade de tributo cuja HI descreve uma atuação estatal indiretamente referida ao contribuinte. É um tributo indiretamente vinculado a uma atuação estatal.
 
A cobrança desse tributo só pode ocorrer se a obra pública realizada valorizar o imóvel do contribuinte. A valorização é fator intermediário entre a obra e a cobrança do tributo.
 
Deve haver causalidade entre a obra e a valorização, ou seja, a valorização deve ocorrer em função da obra para que seja autorizada a cobrança da contribuição de melhoria.
 
No caso de desvalorização causada pela obra realizada, cabe indenização ao proprietário.
 
A contribuição de melhoria deve ser paga depois da realização da obra pública.
 
O motivo dessa cobrança é para que se evite o enriquecimento sem causa.
 
Ela só pode ser exigida dos proprietários que tiverem seus imóveis valorizados pela obra pública.
 
O limite total é o quantum da valorização do imóvel e não existe limite individual.
 
No entanto, de acordo com o CTN, art. 81 e 82, a contribuição de melhoria pode ser cobrada antes da obra. Ela deve custear a obra, tendo como limite individual o valor total da obra pública.
 
EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO
 
Encontra-se previsto no artigo 148, CF e artigo 15, CTN.
 
É um tributo de competência somente da União.
 
Só pode ser instituído através de Lei Complementar e é